terça-feira, 18 de agosto de 2020

SALVAÇÃO

Estou quase acabando de ler mais um livro desta desta escritora que consegue fazer-nos pensar a actualidade com base num passado não muito distante.


SINOPSE
"A morte da mulher lança um escritor num mar de sofrimento. Para lidar com a dor do luto, escreve um romance histórico. A sua personagem principal, David Negro, é um médico judeu que tem de fugir de Lisboa depois da condenação da mulher pela Inquisição..."
Nessa época as denuncias, as perseguições a quem pensasse de maneira diferente levavam as populações ululantes a apoiarem os crimes da inquisição.
Mais tarde os nazismo também conseguiu arregimentar multidões em apoio do envio e cremação nos campos de concentração nazis de comunistas, ciganos, judeus e de muita gente que se opunha e combatia  o nazismo.
Em Portugal multidões foram arregimentadas e para manifestações de apoio a um regime fascista que matava, que torturava, que humilhava toda um população explorada, faminta, miserável e sem futuro.
Hoje parece que estamos voltando ao mesmo, incentivados e manietados por uma comunicação social ao serviço do pior que existe nesta sociedade, vemos gente que tem estado encoberta, gente até com alguma honestidade a apelarem ao extermínio dos comunistas divulgando posições que só os nazis  e o fascismo tiveram coragem de colocar em prática. A propósito de um clima de terror e medo que se instalou, porque existe um vírus à solta, apelando a que os comunistas sejam fechados na Festa do Avante e que lhes seja ateado o fogo, que sejam todos identificados  pela DGS e pela ASEA para posterior processo criminal configura uma onda de ódio latente nesta sociedade que se diz democrática, tolerante e  anti racista. 
Lamentávelmente há gente de esquerda ou que se diz de esquerda que assobia para o lado, que não contesta estas posições e até alinha na campanha anti-comunista mais abjecta que temos vistos até aos dias de hoje.
Talvez o confinamento tenha trazido de positivo este facto para conseguirmos separar o trigo do joio, para esclarecer muitas posições que andavam adormecidas, para sabermos distinguir quem está de que lado da barricada. 
A bufaria, a delação, o ódio, a pulhice estão aí para sustentarem  ideologias que há muito deveriam estar erradicadas da sociedade.

"Romance intimista e envolvente, Salvação é uma obra intensa sobre a capacidade de voltar a acreditar, sobre a redenção que a escrita permite e sobre o fanatismo das grandes religiões. Mas é também, e sobretudo, a confirmação de Ana Cristina Silva como uma das mais originais e possantes escritoras da actualidade."


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