sábado, 15 de agosto de 2020

Ainda os vírus na Festa do Avante!

Zaida Margarida Alves


Hoje vou falar da festa do Avante! Mas não da maneira como vocês vêm na televisão. Vou explicar-vos o que não se vê. E antes de tudo dizer-vos, esta opinião é de uma pessoa que não é comunista. Nunca foi. Nunca será. Mas o avante não se faz só de comunistas mas sim de amigos e simpatizantes. De "camaradas e amigos".
O avante é o cheiro da relva e da terra acabado de cortar para limpar o terreno. É a camaradagem da construção. O abdicar de fins de semana e de férias. É o montar um espaço. Pintar uma parede que depois vais tocar na festa, meter lá a mão, sabendo que ali está um bocadinho teu. Avante é a ansiedade de abrir as portas. E ansiedade de quem está lá dentro antes das portas abrirem enquanto na rádio se ouve "faltam 10minutos para abrirmos a nossa festa" e tu vês se está tudo pronto para receber os convidados. É o abrir portas. O entrar. O respirar fundo de teres chegado. De mais um ano. É o fazeres o balanço do teu ano. (Porque o avante é como se vivesses uma passagem de ano em que pensas nos planos que tinhas quando saíste no último domingo do ano passado e olhas para a tua vida quando voltas a entrar na 6f do ano seguinte.) É o esperar num estado de ansiedade enorme o ouvir "declaro aberta a festa do avante!" E tu sabes que viveste mais um ano e que chegaste lá. Ali. Aquele momento. E que está tudo certo. É ouvir um "viva à festa do avante" e gritares "VIVA" a plenos pulmões, enquanto te escorrem as lágrimas e te lembras dos presos políticos e das torturas sofridas por pensarem de uma forma diferente do regime, ou até só porque alguém achava q eram comunistas mesmo que não o fossem. É o lembrar a dor e o desespero dos pais, dos filhos, das famílias. É o lembrar o medo. O não poder falar. O não poder dizer. O cuidado para ninguém te ouvir.
O avante é ires a Moçambique comer uma maçaroca, a Setúbal comer choco frito, ao Porto comer a francesinha e à Colômbia beber café. É ir à China aprender a escrever aquelas letras lindíssimas, é ir a Cuba beber um mojito, e, pelo meio, dançares ao som de "hasta siempre comendante", Che Guevara. Avante é percorreres o país e percorreres o mundo. É ires ao pavilhão de ciência fazer experiências enquanto te explicam uma e outra vez, a todos, as magias que a ciência tem. Avante é todos sermos um. Sem distinções. Sem olhares para ti a ver o que vestes ou o que fazes. É aceitação.
Avante é aproveitar a feira do livro para comprar livros (porque como sempre disse a minha mae, para livros nunca te vai falar dinheiro). Avante é teres sempre alguém a limpar as casas de banho. Sempre alguem a recolher o lixo. E teres sempre um sorriso! Avante é passares a noite na porta, de serviço, a controlar as saídas e a garantir que ninguém entra fora de horas. E as noites do avante são frias. MT frias. Aquecidas pelo camarada que te vai entregar o farnel para o longa noite até o sol nascer. E ver o nascer do sol..... (omg..ver o nascer do sol no avante!...)
Avante é a capacidade de fazer um mundo melhor em que todos dao o melhor de si sem receber nada em troca. É amor incondicional. É teres um sorriso em cada trabalhador e eles não receberem dinheiro nenhum. É o orgulho na cara. A satisfação. A honra. E não há dinheiro que pague isso.
Avante é veres yoga, danças de salão e Kick boxing. É veres rapel, futebol e damas. É o xadrez, o chinquilho, a malha e os matrecos.
É o correr para a banca para ires buscar o copo da festa para a tua colecção de copos que ano após ano aumenta.
É a comida. A entrega. A dança. A cultura. A magia.
O avante é a música clássica, a música pop e o folclore. Os cantos alentejanos.
É a liberdade de quem calou. É a liberdade de quem sofreu. É amor.
Avante é o chorar no fim quando é declarada encerrada a festa do avante. É o "até para o ano" com aquele nó na garganta que não te larga. É o rezares, não sendo crente, que para o ano lá estejas novamente. E a certeza que mesmo que não estejas, lá estará o avante e está tudo bem!
Avante camarada! "E o sol brilhará para todos nós!"
Num ano como este em que o medo é rei, o avante como sempre demonstra a capacidade de inovar, de mudar, de resistir! Como sempre. Resiliente!
Numa altura em que a extrema direita e o fascismo se esconde em cada esquina. Em que se ameaçam pessoas.
A importância do avante é mais que MTA. E como eu digo sempre, o avante incomoda MTA gente. E saberem que estas pessoas trabalham por amor, incomoda MT mais. Mas não é isso que nos faz diferentes? É por isso que ano após ano conseguimos levantar o nosso mundo.
Portanto, ignorantes, incoerentes, pessoazinhas que vão para a praia, para o restaurante, para os centros comerciais, para os cafés... Ganhem juízo! Sejam coerentes com as vossas atitudes. Com o que escolhem e com o que fazem.
"E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista"
Sabem onde vou estar nos dias 4, 5 e 6 de setembro? Na festa do avante! Na primeira fila! Carregada de orgulho. Cheia de amor.
E mesmo que o avante não existisse este ano, caramba, ngm nos tira o orgulhos que temos!

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