segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Rumo à Vitória

"Quando os capitalistas inauguram novas fábricas e anunciam que investiram nelas centenas de milhares de contos, isso não significa senão que centenas de milhares de contos de trabalho não pago são por eles utilizados para em novas fábricas comprar ainda mais força de trabalho, obrigar um número maior de operários a trabalhar para eles e a produzir mais mais-valia, sempre mais mais-valia. Vendo uma nova fábrica, os operários podem dizer com inteira razão:«Ali está produto do nosso trabalho, pago com produto do nosso trabalho»

Digo eu: quando os capitalistas ficam isentos de pagamento à segurança social ao abrigo do Lay Off estão a ficar com milhares de euros dos trabalhadores produzidos com a mais-valia, com o trabalho não pago. Por outro lado estão a retirar da segurança social fundos que no futuro serão necessários para a reforma dos respectivos trabalhadores que criaram  esses valor.

Em 1962 Álvaro Cunhal calculou, com base em dados oficiais, que em média numa jornada de trabalho de 8 horas de trabalho, o operário gastava apenas 2 horas e 21 minutos como trabalho necessário, isto é, 5 horas e 39 minutos o operário trabalhava gratuitamente para o patrão. Hoje como será? com a intensificação da exploração, com a redução dos salários, com a introdução de novas tecnologias, possivelmente trabalha-se mais horas gratuitas para os patrões.


Rumo à Vitória. Obras escolhidas Tomo III pag. 45

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