segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Mosteiro de Alcobaça – Um Outro Olhar!


Mosteiro de Alcobaça – sangue suor e lágrimas

O Mosteiro de Alcobaça começou a ser construído em 1178 e augurado (p a igreja) em 1252.
Os monges mudaram para a Nova Abadia em 1223.
Entre 1178 e 1240 foram construídas: A igreja e o primeiro claustro – construídos em estilo pré-gótico.
No século XVII e XVIII foi construído o claustro do Rachadouro (onde hoje estão em curso obras para uma pousada – grupo Visabeira.
D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, foi obrigado a legislar vários privilégios para a igreja, com vista ao reconhecimento da independência de Portugal. Doa 40 mil hectares em Alcobaça à Ordem de Cister – depois disso o para, Alexandre III, legitima o primeiro monarca português.
O mosteiro, todo ele construído para o encontro com o divino, estilo gótico onde se prolonga em altura, fendas para a passagem da luz, aberturas com vitrais, arcos Botantes.
Nos 74 anos que durou a construção do mosteiro centenas de homens e mulheres trabalharam arduamente para que se tornasse realidade. Duas ou três gerações nasceram e morreram a construir o Mosteiro. Miseravelmente remunerados vivam e trabalhavam lá para os lados de Chiqueda, onde das entranhas da terra arrancavam, a poder de braços e ferramentas rudimentares, os pedaços de pedra que depois de trabalhadas deram origem à imponente obra que ainda hoje pode ser comtemplada em todo os eu esplendor.
O encontro com o divino, se ele existisse, teria sido feito pelos operários que lá no alto colocavam as pedras trabalhadas que viriam a sustentar os tectos trabalhados por mãos hábeis e calejadas.
Em Chiqueda os mestres e seus ajudantes e aprendizes davam forma às pedras, nas quais colocavam a sua marca para posterior identificação e respectivo pagamento, carregavam-nas em carros puxados por bois que de tanto fazerem o tajecto iam e vinham sozinhos sem ninguém a conduzi-los.
Com um olhar atento e retrospetivo podemos imaginar o suor derramado, ao longo de 74 anos, pelos operários que deram vida a tão imponente obra.
No Mosteiro existem túmulos de reis e rainhas, estátuas de santos mas nem a mínima referência aos que trabalharam arduamente, às vidas desfeitas e perdidas que construíram aquele que viria ser a casa dos Moges de Cister.
Os Monges criaram aqui as primeiras escolas públicas (públicas não de acesso geral, mas que preparavam os noviços para o ingresso na Ordem de Cister). Existiam aqui os Monges copistas, que passavam os dias copiando os livros sagrados, tendo sido substituídos no século XVI com a entrada da imprensa no Mosteiro.
No Mosteiro os Monges dividiam-se entre os cujo labor era essencialmente espiritual “os Moges Brancos” que ocupavam um lugar especial na Igreja e nunca saiam do convento, dedicavam-se ao estudo e oração.
Os Moges “Conversos” em maior número que os Moges do Coro, viviam humildemente, vestiam-se miseravelmente, contentavam-se com a comida dos pobres. Foram eles que fizeram afortuna da Ordem.
Os Monges “Conversos” exploravam os domínios, trabalhavam na granja como carroceiros, vaqueiros, sapateiro, ferreiros, vinhateiros, etc.
Na entrada da sala do capítulo existe um túmulo que, segundo o que consta, ser o de um abade cuja vida não terá sido “exemplar” e, como castigo, foi enterrado na entrada, para que os seus irmãos, numa suprema humilhação, pisassem a sua sepultura.


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