sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Polémica

Herberto Gomes


20 h · 

Incomoda-me a falta de rigor de gente que tenho como séria, mas que tem preguiça em procurar a devida informação. Sobre a discussão que corre por aí acerca da redução para 6% de IVA sobre ACTIVIDADES CULTURAIS, mas que alguns insistem em apontar EXCLUSIVAMENTE as touradas, coloco aqui o Art.2 do Dec. Lei 23/2014 de 14 Fev. - reparem, 2014... Artigo 2.º
Definições
1 - Para efeitos do presente decreto-lei, consideram-se:
a) «Espetáculos de natureza artística», as manifestações e atividades artísticas ligadas à criação, execução, exibição e interpretação de obras no domínio das artes do espetáculo e do audiovisual e outras execuções e exibições de natureza análoga que se realizem perante o público, excluindo a radiodifusão, ou que se destinem à transmissão ou gravação para difusão pública; 
b) «Promotor de espetáculo de natureza artística», a pessoa singular ou coletiva que tem por atividade a promoção ou organização de espetáculos de natureza artística; 
c) «Recintos fixos de espetáculos de natureza artística», os espaços delimitados, resultantes de construções de caráter permanente, que, independentemente da respetiva designação, tenham como finalidade principal a realização de espetáculos de natureza artística. 
2 - Integram o conceito de espetáculos de natureza artística, nomeadamente, as representações ou atuações nas áreas do teatro, da música, da dança, do circo, da tauromaquia e de cruzamento artístico, e quaisquer outras récitas, declamações ou interpretações de natureza análoga, bem como a exibição pública de obras cinematográficas e audiovisuais, por qualquer meio ou forma.
3 - Para efeitos do presente decreto-lei, não se consideram espetáculos de natureza artística os eventos de natureza familiar, sem fins lucrativos, para recreio dos membros da família e convidados, a realizar no lar familiar ou em recinto autorizado para esse fim. - Conselho de Ministros, Passos Coelho etc e tal, é só ler a totalidade do Dec. Lei.



JC Tofes
10 min ·

Incomoda-me ver gente que tenho como séria apelar a leis reaccionárias, do tempo de passos Coelho e Maria Albuquerque, para justificarem aberrações como a classificação das touradas de cariz artístico e cultural.A verdade é que esse espectáculo repugnante, bárbaro de selvajaria tauromáquica vai passar a ser beneficiado com a redução de 6% de IVA.Também não esconde que um Partido com uma mural superior, assente no respeito pelo ser humano, pela natureza e por todos os seres vivos se tenha juntado ao mais retrogrado que existe na Assembleia da Republica, aos partidos dos latifundiários para aprovar uma lei que baixa os impostos a uma actividade em decadência e que de cultural nada tem.O argumento de que não se podia retirar da proposta esta aberração, não colhe - todos sabemos que há um regime de excepção ( aprovado pelos mesmos paridos) que aprova a morte dos toiros em touradas de Barrancos e Reguengos de Monsaraz - Não se percebe qual a dificuldade em adoptar um regime de excepção excluindo as touradas da actividades culturais.As touradas em Portugal recebem por ano mais de 15 milhões de euros dos cofres da administração central. Recebem mais um milhares largos das autarquias locais e recebem também elevados subsídios directamente da União Europeia.No conjunto das actividades são, talvez, os que arrecadam a maior fatia destinada a eventos culturais.Positivo a redução do IVA de 6% para a cultura? É!Escandalosa redução do IVA de 6% para as touradas!

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

VERDADES SOBRE AS TOURADAS QUE OS TAURICIDAS DIZEM SER MENTIRAS

Andam por aí a circular umas mentiras que os tauricidas querem converter em verdades.

Acontece que está mais do que provado que aquilo a que os tauricidas chamam mentiras dos anti-touradas, são verdades das mais verdadeiras.

Está mais do que provado.

Só os cegos mentais recusam aceitar o óbvio.




(Origen da imagem: Internet) 

Eles dizem, por mera ignorância e conveniência, e por andarem séculos a repetir mentiras que acham ter transformado em verdades (mas apenas para os que não evoluíram) que «muitos são os mitos, mentiras e fraudes inventados por aqueles que se opõem às corridas de touros com o objectivo de tentarem atacar esta actividade querida por um grande número de portugueses»…

Mas os que evoluíram, leram, estudaram, se informaram não inventaram nada. Apenas comprovaram que:

Os portugueses são contra as touradas – apenas uma minoria inculta, bronca, inútil, antiga e marialva aplaude, pratica e promove a selvajaria tauromáquica. Verdade.


As touradas não são uma tradição, nem do Ribatejo, nem do Alentejo, são simplesmente um costume bárbaro introduzido em Portugal, nos finais do século XVI, pelos reis de Espanha, os Filipes I, II e III de Portugal. Verdade.



As touradas são um costume bárbaro maioritariamente da dita direita (fascista) e da aristocracia (que ficou parada no tempo). Verdade.

Os touros ficam mais de 24 horas dentro do camião de transporte, às escuras, sem água, sem comida, por isso quando são atirados para a arena eles, quase cegos pela luz, saem em fúria… Verdade.

Os touros ficam vários dias à espera de serem abatidos depois das corridas, num sofrimento atroz, não se cumprindo o estipulado no regulamento tauromáquico em vigor. Verdade.

Os Touros antes do “espectáculo” (leia-se função) são alvo de cruéis maus-tratos para lhes retirar força, cortam-lhes os cornos, deixam-nos sem comer e sem beber, às escuras, durante várias horas. Verdade.

Depois da lide as bandarilhas são arrancadas do lombo dos touros, barbaramente e sem anestesia, utilizando-se uma faca para escavar a carne, para as retirar mais facilmente. Verdade.


Os touros não se extinguem se acabarem as touradas. Não se extinguem, porque os Touros são bovinos maltratados para a lide, e mais depressa se extinguirá a “raça” dos tauricidas do que os touros, porque acabando as touradas, acaba-se a tortura dos bovinos, e estes poderão viver em paz e reproduzir-se livremente. Verdade.

A tauromaquia recebe anualmente 16 milhões do estado português, fora os subsídios europeus, fora os subsídios das autarquias. Verdade.

A tauromaquia é financiada pela União Europeia. Verdade.

A tauromaquia é financiada camufladamente pelos apoios agrícolas da União Europeia e pelo Ministério da Agricultura. Verdade.

As touradas estão em franca decadência e dependem de subsídios do Estado. Se não fossem esses subsídios a selvajaria tauromáquica já teria desaparecido. Verdade.


A tauromaquia é prejudicial para as crianças. Todos os estudos realizados apontam nesse sentido. E nem sequer eram necessários estudos. A violência, a crueldade e a maldade nunca foram benéficas nem para as crianças, nem sequer para os adultos, transformando-os em monstrinhos e monstros. Verdade.


UNESCO condena as touradas, só um anormal não condena a tortura de seres vivos. E sendo a UNESCO uma organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Culta condena tudo o que vai contra a Educação, a Ciência e a Cultura Culta, atributos da essência humana. Verdade.



Os aficionados são sádicos e perversos e vão à praça divertir-se com o sofrimento atroz de um ser vivo, que é um animal senciente e tão animal como nós. Verdade.



As touradas são tortura e uma barbaridade, uma crueldade, uma aberração, uma monstruosidade. Verdade.



As touradas não são Cultura, porque a Cultura eleva o Ser Humano, e a selvajaria tauromáquica coloca-o abaixo do nível habitual da natureza humana, coloca-o ao nível de uma criatura inferior ao homem das cavernas que não se divertia a torturar animais. Verdade.



O Touro “bravo” é tão manso como um cão, e o que o faz ficar “bravo” são as crueldades praticadas contra ele, desde que nasce até ser atirado a uma arena para ser barbaramente torturado. Verdade.







A tourada gera violência e é uma marca de subdesenvolvimento das populações, um sinal de atraso de vida, de incultura, de estupidez no seu grau mais elevado. Verdade.



A tourada é uma luta desleal e injusta entre um Touro indefeso, inocente e inofensivo, previamente enfraquecido com todo o género de maus tratos, ao qual cortaram os cornos (as suas defesas), e uma besta armada de bandarilhas, espadas e muita vontade de exorcizar sobre o animal indefeso todo o ódio, toda a frustração, toda a iniquidade que lhe queima as entranhas mal-amanhadas. Verdade.



A tourada incentiva a violência e insensibiliza o público bronco que aplaude tamanha carnificina. Verdade.



A tourada tem por único objectivo torturar e infligir sofrimento aos Touros, para que um bando de sádicos possa divertir-se e masturbar-se mentalmente. Verdade.



A tourada é um “espectáculo” medieval, anacrónico e atrasado, que só demonstra o nível primitivo de quem a pratica, a aplaude e a promove. Verdade.






As praças de touros são redondas não para confundir o Touro, mas porque redondas eram as arenas da tortura dos gladiadores romanos. O círculo dá possibilidade de maior visibilidade ao que se passa no centro das actuações: o redondel da tortura. Desse modo, os sádicos podem ver em pormenor todos os detalhes da tortura. Verdade.



***

Estas são as verdades verdadeiras. Tudo o resto são mentiras, que por mais que os tauricidas as repitam até à exaustão, nunca se transformarão em verdades, porque nós, anti-touradas, jamais o deixaremos.



Farei minhas as palavras de Carlos Loures:



«Não há tolerância que possa ser invocada para desculpar o gosto pelas touradas, aquilo que em bom português se designa por afición. Como, a não ser por uma tara, ou por uma perversão do carácter, pode alguém gostar de ver um animal a ser torturado? Se o aficionado professa a fé católica, está a pecar, se pensa que é boa pessoa, desiluda-se, é um monstro, se se julga culto, um intelectual, por assim dizer, não pense uma coisa dessas, porque é uma besta. Se é nobre e usa um brasão num anel, nesse caso, está certo – a nobreza diz bem com a tourada – em termos de fé, no plano da ética, no da cultura…



Não há nada para compreender. Quem se diverte com a tortura de um animal é um sádico. Quem procura esconder o sadismo sob uma capa de mística, a não ser que seja nobre, é um estúpido.»



Isabel A. Ferreira

Touradas

José Arcàdio Pois é uma leitura com alguma argúcia de foro que revê a verdade factual na sua relação de importância com rubricas do orçamento que "são (serão ?) mais importantes e, agora no conjunto não me lembro de nenhuma, a não ser que os supracitados orçamentus são votados na generalidade e desde esta manifestação espiritualista que tenta dissecar o PCP ao movimento pró-tourada desvalorizando a opção de voto do PCP quase que cria uma névoa também que é o PCP proponente de uma lei de 2002 que cria um regime de excepção para lides com touros de morte. Não obstante estar-se agora a discutir um orçamento as grandes opções de classe, a questão da acção das organizações de classe dos trabalhadores, a "luta de massas com o bife do lombo" foram depauperadas por uma débil animação sindical no enquanto da legislatura já se aprovaram mais dois orçamentos e no geral da generalidade nem as relações de precariedade laboral se alteram nem o paradigma social deixa de espelhar o mainstream da ideologia parlamentar-burguesa , nem as questões da justa redistribuição das mais-valias geradas pelo trabalho sofrem uma clara evolução, antes pelo contrário, acentua-se a exploração e a retirada ou omissão de direitos e para borrar o quadro de bosta, este PCP está em tudo, desde de se oferecer voluntarista a esta solução governativa (governo que cataloga de direita) , suportar o mesmo, aprovar não este mas todos os orçamentos, conseguir a proeza de por duas vezes num curto espaço na história terem sido aplaudidos pelo CDS, na questão da eutanásia e no voto contra a proibição das touradas.Sem dúvida que estes 6% são uma pequena mancha, uma farpa a mais no touro, uma desimportancia à beira da sucessão de erros que tem sido esta governação legitimada pelo PCP que bem vistas as coisas é mais do género " nem trabalhadores nem animais já cá temos merda a mais" . O socialismo não se constrói com agora isto agora aquilo. O socialismo enquanto paradigma ideológico de transformação social executa-se pelo todo

Constituição Cubana



O maior risco que enfrentamos na elaboração desta Reforma Constitucional é que, na ânsia de fazer avançar o país para novos direitos e garantias, percamos aqueles herdados da Cuba de 1976. Essas conquistas não caíram do céu, mas surgiram sim da identificação maioritária do povo com a ética comunista, que sustenta o socialismo cubano. Ninguém sabe o que tem até que o perde. Tire-se a componente comunista e o socialismo cubano terá os seus dias contados.


A Reforma constitucional é o culminar de um caminho de consulta da opinião popular

realizada em 2007 – as linhas gerais e a conceção. Foto: vanguardia.cu
  
Falando com um amigo sobre a reforma constitucional, comentávamos que a contrarrevolução parece não ter visto a tremenda oportunidade que lhe passou pela frente: o lançamento de uma convocatória popular totalmente aberta a todo o tipo de questões, que nem sequer deixa de fora o debate sobre o papel do Partido Comunista de Cuba na sociedade.
  
Sem dúvida, é o passo mais arriscado e revolucionário que, nestes tempos, deu o processo da Revolução Cubana.Ou então, viram-na [a tremenda oportunidade], mas não têm a capacidade de a subverter e de a dominar. Nem organização, nem discurso coerente e, muito menos, apoio popular. Os média da contrarrevolução mais tradicional, por um lado, e os nascidos no calor da política de Obama, por outro, limitaram-se a falar superficialmente sobre um processo que cresceu e os superou, com o mesmo sentimento da raposa que sendo incapaz de chegar às uvas, diz que elas estão verdes.

 Mas, passados estes meses, também me pergunto se alguns revolucionários não se precaveram do que foi colocado em cima da mesa, depois de dez anos de debate político e social em Cuba. A reforma constitucional é o culminar de um caminho de consulta da opinião popular, realizada em 2007 – as linhas gerais e a conceção.

Durante a última década, o país não se imobilizou e teve mudanças objetivas e subjetivas. Se, em 2007, as maiores preocupações dos cubanos estavam associadas às proibições existentes (das quais hoje quase não existem vestígios), ou à dupla moeda (ainda persistente), neste momento, o pensamento dos cubanos está associado a outras preocupações, muito diferentes.


Hoje, encontram-se facilmente mentalidades que, graças ao “senso comum” global, imposto pelas indústrias culturais e os média, lutam para se tornarem dominantes num país que, ao contrário do de dez anos atrás, tem agora mais de meio milhão de trabalhadores por conta própria e donos de negócios, aos quais se soma, indiretamente, um número maior de familiares e amigos. Um setor privado que entra em contradição com as reais possibilidades de uma economia sem abastecimento, bloqueada e com escassa disponibilidade de dólares para importações. Com dezenas de milhares de cidadãos que encontraram um modo de vida como importadores informais de eletrodomésticos, peças e produtos. Que viveu as tensões das tentativas de controle estatal do transporte privado e a especulação na venda de produtos agrícolas, por exigência popular. Que chocou com a inexperiência de pagar impostos em cada mês e em cada ano. Que viu vender e comprar uma parte significativa das áreas residenciais da capital. Com uma minoritária classe emergente, que acredita que não deve nada ao socialismo, porque o que a distingue foi obtido pela manipulação de capital: casa, carro, férias, viagens ... e que convive com uma maioria que se debate mensalmente para conseguir consumir apenas o básico.

 Essa minoria começa a ver como amarras os espaços sociais que, décadas atrás, o sistema concebeu e ainda mantém, com base na igualdade, enquanto que entre a maioria não enriquecida aparece quem, com ingénua energia, defende o direito da nova minoria rica a agir como tal, chegando a falar de “concentração honesta da propriedade”.

 Um país que passou, entretanto, um curto mas intenso período de relações diplomáticas com os Estados Unidos, com uma mudança de estratégia do governo desse país nos seus planos de domínio da ilha, apostando em que essa nova minoria cubana economicamente emergente chegue a ser politicamente influente. Que passou ainda pela morte de Fidel e pelo apoio à passagem para outras mãos da direção de topo.

 Uma nação cujos cidadãos passaram, em menos de uma década, de falar sobre a possibilidade legal de ter um celular, para falar sobre um mercado grossista para o setor privado. A verdade é que a Cuba de 2018 tem poucas semelhanças com a de 2008.

 Desde que o texto do projeto da Constituição da República foi divulgado, e mesmo antes, quando na Assembleia Nacional os deputados debatiam o anteprojeto, uma das questões que causou preocupação foi a eliminação da menção ao comunismo, como aparece na Constituição de 1976.

 Pessoalmente, não creio que a função do comunismo na Constituição seja a de aparecer como uma utopia, mas a de ser uma garantia essencial, cada vez mais imprescindível, na medida em que se tornam mais presentes as relações de mercado na atual e na futura sociedade cubana.

 E vem daí a minha sugestão, sem diminuir o valor daqueles que preferem que apareça também no seu sentido de meta superior, que o ponto 58 do documento, Capítulo I, “Fundamentos da Nação”, artigo 13, parágrafo G, onde se diz: “Afirmar a ideologia e a ética inerentes à nossa sociedade socialista”, deveria dizer-se: “Afirmar a ideologia comunista e a ética martiana e fidelista inerentes à nossa sociedade socialista”.

 Porque o socialismo não cai do céu e, nestas circunstâncias, o comunismo é muito mais necessário como ideologia útil e concreta do que como utopia.

 Assim, a questão não é ter uma Constituição onde se mencione o comunismo, mas uma Constituição que seja comunista. Esse ligeiro extravio do cerne do problema pode pôr-nos nas mãos um texto constitucional com a palavra “comunismo” impressa em letras douradas, mas com pouco, muito pouco, ou nada do conteúdo das ideias comunistas.

 O maior risco que enfrentamos na elaboração desta Reforma Constitucional é que, na ânsia de fazer avançar o país para novos direitos e garantias, percamos aqueles herdados da Cuba de 1976. Essas conquistas não caíram do céu, mas surgiram sim da identificação maioritária do povo com a ética comunista, que sustenta o socialismo cubano. Ninguém sabe o que tem até que o perde. Tire-se a componente comunista e o socialismo cubano terá os seus dias contados.

 E o que necessita uma Constituição para ser comunista? Ou, melhor dito, para não o ser?

 Não seria comunista uma Constituição que não mencionasse o direito dos cidadãos ao acesso às praias. Que não impedisse o lucro da livre oferta e procura na venda de produtos e serviços de primeira necessidade. Que não estabelecesse limites à concentração desmedida da propriedade em mãos privadas e se deixasse cair em tramoias baseadas na origem “honesta” da sua aquisição. Que definisse como empresas “socialistas” empresas que, sem o serem, se consideram como tal apenas por serem “estatais” e não pela sua projeção social. Que permitisse a introdução do pagamento em qualquer tipo de serviço relativo à saúde e à educação. Que não assumisse explicitamente como dever do Estado proteger os seus cidadãos da mendicidade e da indigência. Que, submetendo-se a forças poderosas, as assumisse como dominantes e abandonasse a dialética, preferindo renunciar à menção do matrimónio como “união entre duas pessoas”.

 Neste período, chegaram a aparecer na televisão, sem qualquer contraditório, pelo menos no noticiário da Televisão Cubana, pessoas advogando que se comece a pagar os estudos de pós-graduação. E com uma lógica absurda, considerando que, se se é universitário, um mestrado ou um doutoramento é dar-se a um luxo. Segundo esse critério, seremos um país subdesenvolvido, onde os profissionais terão de escolher entre comprar um eletrodoméstico ou pagar um mestrado.

 Outros, defendem que se pague as cirurgias estéticas. Dizem isso com a ignorância de que é impossível (sob risco de grave dano ou morte), separar a cirurgia estética de outros cuidados de saúde... Assim, dizem: se há pessoas que têm dinheiro, por que não cobrá-lo, vendendo-lhes serviços de saúde como se fossem um fim de semana num hotel de praia ou um serviço de manicura... Para um sistema de saúde e educação já assediado por desafios humanos e materiais para o manter, a maneira mais rápida de o destruir seria – com a ambiguidade constitucional – criar a divisão entre aqueles que poderiam aceder a todos os serviços através do seu dinheiro e aqueles que só acederiam aos serviços que o Estado lhes pudesse garantir.

 No mundo há muitas versões de socialismo. Mas em Cuba, o socialismo fidelista é só um. Os tempos mudam, a ética desse socialismo não.



Tradução do castelhano de PAT


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Cuba

Claudio Barría Mancilla
26 de Novembro de 2016 · Rio de Janeiro, Brasil


Gente, ao menos por honestidade intelectual, antes de se apresar destilando ódio e opiniões feitas sobre Cuba (opiniões baseadas em informações em que você acredita, mas cuja origem nunca questionou), veja os dados objetivos (listo só alguns aqui), considere o contexto histórico e pense. 
É duro, mas provavelmente quase tudo que você sabe sobre Cuba é mentira. Começando pelo suposto fato de não haver eleições em Cuba. Não só há, como é um tipo de democracia direta com participação de 95% do eleitorado, muito mais radical e participativa do que a nossa e infinitamente mais do que a dos EUA. Lá não se vota em partidos, mas em pessoas, e qualquer um pode se candidatar (veja os links de referência abaixo) [*]
Apesar de tudo, hoje Cuba consegue fornecer uma qualidade de vida a sua população que muitos dos nossos países nem imaginam, junto a uma das menores taxas de desigualdade do planeta, comprovada através de estatísticas econômicas e sociais reconhecidas pelo mundo todo. Sem riqueza, sem luxos, sem grandes empreendimentos, e submetidos a um bloqueio econômico cruel imposto pelos EUA, que há 60 anos castiga a população da ilha, mesmo assim:


* Cuba tem o segundo melhor IDH da América Latina. [1]
* Segundo o Banco Mundial, Cuba tem o melhor sistema educacional da América Latina. [2]
* Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o sistema de saúde cubano é um 'modelo mundial'. [3]
* A indústria biotecnológica do país é tão avançada, que diversos estado-unidenses viajam para Cuba atrás de remédios e vacinas baratos e raros, que sequer existem nos EUA. [4]
* Segundo estudo da ONU, Cuba é o 2º país menos violento da América Latina, com 4,2 homicídios por 100 mil habitantes. Para efeito de comparação, esse índice chega a 25,2 por 100 mil habitantes no Brasil. [5]
* A taxa de alfabetização na ilha chega a 99,9%. [6]
* A taxa de desemprego tem variado entre 1 e 3% nos últimos 13 anos. [7]
* O país foi o único da América a registrar crescimento econômico nos últimos 21 anos, variando entre 1 e 12%. [8]
* Cuba é o único país da América Latina com 0% de desnutrição infantil. [9]
* Possui o maior número de leitos por habitante (5,9 por 1000 habitantes) da América. O Brasil possui 2,4. [10]
* A melhor expectativa de vida da América Latina (79 anos). [11]
* A menor taxa de mortalidade infantil da América (5 para cada 1000 nascimentos). O Brasil chega a ter 19 crianças mortas a cada 1000 nascimentos. [12]
* A taxa mais alta de médicos por habitante da América Latina, 1 para cada 160 habitantes. O Brasil tem 1 para cada 500 habitantes. [13]
* Cuba ocupa o lugar nº 19 no Ranking mundial dos direitos da criança, logo atrás da Áustria e disparado o melhor das Américas. Para ter uma referência, o Canadá ocupa o 72º lugar e o Brasil o 170º (!). Com dados do UNICEF. [14]

É claro que Fidel não fez isso tudo, mas com vontade política e temple moral inquebrantáveis, foi ele que comandou esse processo, e o fez sob o ataque permanente (político, militar e econômico) da maior potência mundial e da direita radical do mundo todo. 
Você pode discordar dos barbudos revolucionários cubanos, e tem com certeza muita coisa pra se discordar, mas você precisa respeitar, tirar o chapéu e fazer uns bons minutos de silêncio para tentar entender.

"O Diário Acusa"


Destruir «O Diário» tem sido um objectivo de sucessivos governos reaccionários. Sem se aperceberem disso, eles contribuíram, pela própria irracionalidade do ataque, para projectar «O Diário» como exemplo de coerência, de fidelidade aos princípios, de firmeza no combate pelas liberdades e pela defesa do regime democrático. «O Diário» não se submete, não se deixa intimidar.
Noticias, comentários, artigos sobre o recorde mundial de processos impostos a «O Diário», têm sido publicados em muitos países. O Conjunto coloca no banco dos réus da consciência social o sistema de Poder responsável pela infindável série de julgamentos, A fúria persecutória volta-se contra os seus autores; engrandece o jornal que dela é vítima, em vez de o diminuir.
A nossa posição moral é inatacável. Cada novo processo produz m efeito oposto ao visado: reforça a confiança dos leitores. Os trabalhadores portugueses sabem que a ofensiva contra o seu jornal nos tribunais se insere na exacerbada luta de classes que caracteriza o fluir da Revolução iniciada a 25 ed Abril de 1974. A história confirmará que «O Diário» soube cumprir nestes anos difíceis a sua função social, honrado o lema « verdade a que temos direito».

Pág. 22 (Abril de 1976)
“Estávamos a poucos dias das eleições para a Assembleia da República. A Revolução em Portugal fora contida no seu avanço. A direita começava afalar alto, encorajada pelo Partido Socialista. Mas as grandes conquistas de Abril estava ainda praticamente intactas.”
Pág. 23
“ O primeiro Julgamento”
“ No dia 1 de Agosto de 1978, quando a sentença foi lida, atingia dezoito o número dos réus: quatro pertenciam à redacção de o diário e os restantes erma membros da ex-comissão de trabalhadores da Petrosul (Petrogal).
Apensações sucessivas imprimiam àquelas audiências características especiais. Estavam em julgamento nada menos de dezassete processos. Doze deles, instaurados pelo Ministério Público a pedido da mesma pessoa – o juiz Hugo Pereira do Amaral Barata -, acabaram por chamar mais à atenção do que o processo principal.
O juiz Barata é uma personagem incomum, a um tempo picaresca e carregada contra tudo o que na vida traduz ou lembra progresso, mudança, amor, desafio ao futuro.
Dele se contam estórias fantásticas. Uma foi-me repetida por pessoas diferentes nos corredores do tribunal. Barata era juiz numa vila ribatejana. Seguia num comboio noturno em carruagem quase deserta. Um casal beijava-se num banco. Desceram na mesma estação. Barata, puritano, chamou um polícia de serviço, identificou-se como juiz, e ordenou que o par amoroso fosse detido por atentado em flagrante contra o pudor. Eram marido e mulher…
“…Barata atravessara os últimos anos do fascismo como juiz medíocre, desconhecido. Acreditou ter uma oportunidade quando o refluxo revolucionário principio. Pulsava nele uma vocação persecutória.”
-Processos odiosos contra «O Diário»;
- Absolvição de elogios a pides;
- Um juiz do fascismo:
Reforma Agrária
Pag 35
“ A Reforma Agrária foi o assunto que mais vezes levou o diário a tribunal.
Houve épocas, primeiro com Ferreira do Amaral e depois com João Goulão, em que corriam simultaneamente por vários juízos da Boa Hora processos em que o nosso jornal era acusado de caluniar o MAP (Ministério da Agricultura e Pescas) e difamar os responsáveis do governo pela violência.
Essas acções judiciais foram suscitadas por textos muito diferentes: manchetes, artigos, noticias, editoriais, registos. …O réu não citado mas omnipresente era, porém, a Reforma Agrária. A mais bela conquista da Revolução Portuguesa emergiu em todos os processos como inimigo invisível, odiado pelos acusadores….”
Esta sanha persecutória resultava de uma situação muito incómoda para o Poder. A própria lei que Mário Soares impusera em 1977 – camada a lei Barreto –para golpear a Reforma Agrária tornou-se, com o tempo, um estorvo para a direita. O Objectivo era destruir pela raiz as UCPs/Cooperativas. Os vários governos acuavam ilegalmente sem se preocuparem já com a fachada dos seus actos.”…
…Durante largos períodos, o diário foi o único jornal de grande informação que cobriu regularmente a bárbara ofensiva contra a Reforma Agrária. Insultos, ameaças, máquinas fotográficas partidas, filmes apreendidos, ficaram a assinalar a resposta de aparelho repressivo à presença das equipas de reportagem de o diário nos cenários onde o MAP e os agrários, agindo com cobertura de forças do GNR, cometeram incontáveis crimes. “… A engrenagem montada pelo MAP durante o I Governo Soares, e aperfeiçoada posteriormente, tinha uma práxis tão própria que continuou a distribuir «reservas» durante o governo democrático de Lourdes Pintassilgo, período em que foram assassinados em Montemor-o-Novo dois trabalhadores do Escoural (Caravela e Casquinha) quando, juntamente com muitos outros, evitavam o roubo de uma vacada.”
  «O Diário» denunciou em 1979,- governo Mota Pinto, a entrega de reservas a todos, até pessoas de que nunca se tinha ouvido falar nos concelhos onde receberam reservas.
- O GNR prestava todo o apoio aos latifundiários. Houve até, elementos do GNR que simularam uma cena de fuzilamento de trabalhadores.
Pág.46
-“ José Concha um homem de mais de 60 anos, que bem conhecera os tempos dos senhores latifundiários e que na UCP de Valongo trabalhava pela construção da vida nova tornada possível pelo 25 de Abril, falou sem papas na língua. Para caracterizar bem as cumplicidades existentes entre o Poder e os grandes agrários, desceu ao pormenor. Ele não conhecia o significado da palavra horda; nunca ouvira antes falar dos vândalos. Mas, ao ser interrogado pela defesa, pela acusação, pelo Ministério Público e pelo juiz, disse coisas muito importantes. Confirmou, na sua linguajem, o que havíamos escrito sobre a «onda de barbárie levada ao Alentejo» pelo governo Sá Carneiro.
Olhando p juiz de frente, recordou, por exemplo, a cena em que um soldado do GNR, durante a violenta entrega de «reservas» descrita pelo diário, intimara «uma moça a mostra-lhe a cor das cuecas, convidou-a a ir deitar-se com ele debaixo de um chaparro e fazer ali o serviço».”








domingo, 25 de novembro de 2018

INCOMPREENSÍVEL

Guilherme Antunes
22 de Novembro 2018 às 16:40 ·

INCOMPREENSÍVEL

Nem queria acreditar que o jornal Avante tenha publicado o artigo que hoje saiu sobre a tourada.

O jornal do meu Partido questiona-se sobre se esta luta civilizacional contra o sofrimento animal será «evolução» ou «repressão». Decida-se lá o camarada anónimo (por isso da responsabilidade do director), o que é então?


Valha a factualidade do contraditório, mais à frente, pela pena exemplar do camarada Correia da Fonseca, figura cimeira da crítica televisiva e da cultura portuguesa.

E, ainda, a lembrança de Manuel Augusto Araújo ao recordar a melhoria estética da Av. Álvaro Cunhal, em Setúbal, precisamente, com grandes “placards” com desenhos do inesquecível Secretário-Geral do PCP.

Sem mais e muito contido, por favor, leiam o escrito taurino.

Ver aqui:

25 de Novembro

João Vilela 25.11.2018

28 min ·
"Além do mais, como já sublinhámos, a tragédia da revolução portuguesa foi que, em 25 de Novembro, se encontravam dum lado e do outro militares que poderiam e deveriam ter-se entendido para uma solução política da crise que se agravava dia a dia.

Porque assim pensamos, cremos que seria um erro fatal se hoje se estabelecesse uma divisão definitiva e irremediável entre os militares sublevados e os que dominaram a sublevação, entre os vários sectores do MFA, por muito violentas que tenham sido as divergências e confrontos.

Os acontecimentos mostram o abismo a que podem conduzir o sectarismo da direita e o sectarismo da esquerda, a divisão e os conflitos entre forças e homens que podem chegar a acordo na acção comum para que Portugal não regresse ao fascismo, para que o povo continue a viver em liberdade, para que seja construído um regime de democracia e de justiça social.

É por isso que no momento grave que se vive, num momento em que continuam a efectuar-se prisões e saneamentos em massa à esquerda, em vez de recriminações, em vez da resposta polémica e violenta a todos os que pelas suas alianças à direita abriram as portas à reacção, nós apelamos para todas as forças e sectores militares e políticos, para todos os homens e mulheres que querem que o nosso povo viva em liberdade, para que se unam ante o perigo maior que espreita não só este ou aquele partido, mas a todo o nosso povo: o perigo do fascismo"


João Vilela "Nesses sectores esquerdistas há sem dúvida gente sincera, homens e mulheres que anseiam, tal como nós, a liberdade, o progresso social, o socialismo Mas a sua orientação fechada, sectária, divisionista e aventureirista foi uma pesada hipoteca para toda a esquerda, que veio a pagar caro essa aliança.

Esses sectores não se mostram inclinados para aprenderem com a experiência Mas, aprendam eles ou não aprendam, o movimento operário e popular tem necessariamente de aprender.

Não mais se deixar embalar pela propaganda do tudo já, já, tudo imediato, numa revolução sem fases nem etapas.

Não mais uma política de voluntarismo de vanguarda que cuida poder ela própria sozinha fazer a revolução. Não mais o verbalismo pseudo-revolucionário, a concorrência na exaltação em palavras e a ilusão das facilidades e de um ritmo progressivamente mais rápido do processo.

As possibilidades reais da reunificação do MFA e da formação duma frente de resistência ao fascismo, da defesa das liberdades e da revolução, passa não só pela revisão da política de alianças do PS e de certos sectores moderados do MFA, como também pelo combate ao aventureirismo esquerdizante e pseudo-revolucionário, na base da rica e dolorosa experiência recente da revolução portuguesa."

discurso de A.C. Aqui:

Governo orquestrou plano para furar greve dos precários de Setúbal

22 de Novembro 2018

Num plano engendrado entre o Governo e a Operestiva, o piquete de greve no Porto de Setúbal foi quebrado pela PSP, de forma a permitir a passagem de dezenas de fura-greves para carregar o navio da Autoeuropa.
Junto ao porto de Setúbal está hoje montado um forte dispositivo policial, com mais de meia centena de elementos na Unidade Especial de Polícia e da brigada de intervenção rápida da PSP. A acção faz parte do plano do Governo e da Operestiva para permitir a entrada de pessoal e assim carregar um navio que deu entrada no Porto de Setúbal, apesar de tal ter sido omitido no registo.
Durante a manhã, os quase cem estivadores que permaneciam sentados no chão a bloquear a passagem do autocarro, sob vigilância atenta da PSP, foram retirados um a um pelos agentes. Os deputados Bruno Dias e José Soeiro, do PCP e BE, respectivamente, também foram retirados.
Esta quarta-feira, o Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL) denunciou que estava prevista a chegada de um navio Ro-Ro para o Porto de Setúbal, às 6h. O navio foi classificado como sendo «fantasma», pois a chegada foi omitida pela Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra (APSS).
Em seguimento, num comunicado de imprensa, a Autoeuropa afirmou ontem ter recebido a garantia do Governo e do operador logístico Operestiva de que hoje ia entrar um navio no Porto de Setúbal para carregar os automóveis.
Manobra orquestrada pelo Governo e Operestiva
Com a confirmação do envolvimento do Governo neste plano conjunto para furar a greve dos estivadores com vínculos precários, as acusações do SEAL relativas ao envolvimento do Ministério do Mar nas tentativas de coagir estivadores de outros portos nacionais (Lisboa e Aveiro) ficam, de igual forma, também confirmadas.
Em vez de promover uma solução para o conflito, o Governo esteve durante vários dias a planear em conjunto com as empresas portuárias, estando agora claro que esteve envolvido no plano para a trazer o navio Paglia, bem como na contratação de gente alheia ao Porto de Setúbal para carregar o navio.
Além disso, Governo também assegurou o reforço dos meios da PSP e a sua colocação à porta do terminal, a pretexto da questão da segurança, o que veio a ser fulcral para a retirada do piquete de greve e possibilitar a entrada daqueles que iam substituir os trabalhadores com vínculos precários.
Previamente, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirmou que, apesar de considerar os portos nacionais como uma «peça fundamental» para a economia, o diferendo laboral no Porto de Setúbal «não é uma matéria» do Governo, mas dos operadores privados e dos trabalhadores.
Um «Dia Vergonhoso»
«Estamos aqui para assistir a este dia vergonhoso para a democracia portuguesa porque [é isto que acontece] quando um Governo se põe ao lado de criminosos – porque aquilo que estamos a denunciar é um crime que se vive um pouco por todo o País, de perseguição aos sócios do sindicato, discriminação salarial e tudo mais», afirmou à Lusa António Mariano, do SEAL.
«Temos a informação de que os trabalhadores que vêm substituir os eventuais do Porto de Setúbal vêm ganhar 500 euros para trabalhar três dias. Durante 20 anos nunca tiveram disponibilidade para fazer um contrato sem termo aos 150 trabalhadores eventuais do Porto de Setúbal [90 da Operestiva e os restantes da Setulsete]», acrescentou.
O dirigente sindical, que se juntou ao protesto dos trabalhadores eventuais do Porto de Setúbal, admite que o protesto dos trabalhadores portuários se poderá agudizar «face a este comportamento» das empresas portuárias, mas remete para mais tarde uma decisão sobre um eventual agravamento das formas de luta.
A este propósito, António Mariano afirmou ainda que, «com esta santa aliança entre patrões e o Governo, aquilo que vai acontecer hoje no porto de Setúbal é que este navio de transporte de automóveis vai trabalhar, mas vão ficar quatro ou cinco parados», manifestando-se ainda convicto de «que os trabalhadores podem perder esta batalha, mas que vão acabar por ser integrados no efectivo do Porto de Setúbal».


sábado, 24 de novembro de 2018

Goçalvismo

Poucos episódios da nossa história recente terão sido mais definidores do país em que vivemos do que a queda do V Governo Provisório e a ascensão do VI, o fim do chamado gonçalvismo e a chegada ao poder do Pinheiro de Azevedo. Numa altura em que chegava ao auge o processo das nacionalizações, das empresas intervencionadas, da expropriação das terras e criação de UCPs no Alentejo, da criação de comissões de gestão operária, de comissões de moradores nos bairros, de edificação de um frágil e incipiente aparelho de poder popular com o apoio do Estado e da tropa (com tudo o que isso tinha de necessariamente efémero e exposto à liquidação sem particular resistência, como depois se viu), a guerra aberta dos partidos da ordem burguesa ao poder gonçalvista era total, e quem a encabeçava era o esforço concentrado do PS e do PPD. O PCP, depois de por uns tempos ter namorado a hipótese de ser a base de massas e "a muralha de aço" do projecto gonçalvista, acabou em fins de Agosto de 1975 a deliberar que a linha governamental era obreirista ao alienar os socialistas naquela etapa histórica, e abriu caminho a que se pusesse no poder Pinheiro de Azevedo, e um Governo que guinasse definitivamente o curso dos acontecimentos para a instituição de uma democracia burguesa que arredasse o "anarcopopulismo".
O PCP integrou o VI Governo, assentando a sua participação nele numa tese esquematicamente leninista de que é possível aliar a participação nas instituições à luta de massas e articular ambas de uma forma que permita o avanço do processo revolucionário. Chamo-lhe esquemática porque este princípio geral embateu, naquela situação concreta, com a capacidade do PS de transformar essa estratégia numa prova da má vontade do PCP. "O PCP entrou para o VI Governo com reserva, com um pé no Governo e todo o resto do corpo fora do Governo, fazendo uma enorme mobilização nacional para o derrubar. Isto leva o país em linha recta para uma confrontação armada, para uma guerra civil" chorava o Soares no debate de 7 de Novembro de 1975. Chorava-o perante um Cunhal que já tinha subido a palanques pedir que não se fizesse greve pela greve. Chorava-o perante um Cunhal inventor da tese de que o avanço da revolução se fazia de forma "serena e firme". Chorava-o perante um Cunhal que achava as nacionalizações uma necessidade para manter a economia nacional a girar, e não "uma opção ideológica". Poucas coisas eram mais absurdas que imputar ao PCP a intenção de desencadear uma confrontação armada nos finais de 1975, e o Soares tinha juízo que chegue para saber isso. Mas isso servia-lhe para duas coisas: acumular créditos de defensor do mundo livre perante os Governos ocidentais, e obrigar o PCP a seguir a lógica da moderação para dar provas de boa vontade aos socialistas, os aliados "indispensáveis" na tal "etapa histórica" em que aparentemente se estava.
O efeito foi o pretendido: a moderação do PCP permitiu o restabelecimento golpista da ordem no dia 25 desse mês, o desmantelamento do SAAL, da reforma agrária, da gestão operária, uma série de revisões constitucionais, e a permanente opção por parte da esquerda, na hora em que foi chamada a dar mostras da sua fidelidade e recta intenção para com o regime, pela aceitação do mesmo. O BE, que de todo modo nasce de partidos onde a adesão a esta lógica era total, já teve dezenas de oportunidades, da miserável entrevista do Louçã a dizer "eu não conheço" os tipos do GAIA que tinham feito acção directa contra um campo de milho transgénico, à Catarina Martins "apreensiva" com a greve da Auto-Europa, de mostrar que canta afinado nessa questão.
A geringonça significou o paroxismo desta lógica. A esquerda não só não contraria o regime como, a troco de apanhar as migalhas que o regime deixe cair da mesa, aceita tudo, e já chegou ao ponto em que aprova tudo. O Governo quer salvar o Banif? Temos de aprovar, se não vem a PaF (ou seja, as migalhas acabam). O Governo deu 1500 milhões à EDP? Tem de se aprovar, é a contrapartida para manuais escolares de borla. O Governo bate nos estivadores em greve? São contradições, pá, tem de ser, mas olha que o camarada deputado esteve lá no piquete. A armadilha foi excelentemente montada e a esquerda cai nela hoje como há 43 anos: ou estás quietinho e fazes "o jogo democrático", ou és um inimigo do regime. Por que motivo é tão importante não ser considerado um inimigo do regime não me perguntem a mim.
Quando agressões a piquetes de greve não chegam para o Governo cair, chega o quê? Quando mentiras deliberadas sobre o reposicionamento dos professores não são razão para derrubar o Governo, o que é? Quando o ministro das Finanças é um Ronaldo do Eurogrupo e a CGD é administrada por um ministro da PaF (ya, essa PaF), com que cara consegue esta gente continuar a fazer de conta que quando corre bem é a geringonça, quando corre mal foi o PS, a luta continua, camarada? Com a cara de pau da impunidade garantida em congressos onde os sufragam mais de 90% dos militantes. Não há nada, para aqueles de nós que rejeitam o síndrome do VI Governo, a esperar deste pessoal.


#PensamentoVilela

Nuno Ramos de Almeida12 h
"Há uma coisa que não podemos ignorar: é que no Porto de Setúbal existe um sindicato que, felizmente, não está disseminado em muitos outros portos e que é uma fortíssima condicionante ao seu bom funcionamento. Felizmente foi possível assegurar condições para que se iniciasse a operação, que está a funcionar bem", disse, o primeiro-ministro, António Costa, manifestando o seu desejo de que a normalidade seja retomada tão cedo quanto possível.
É maravilhoso que ao líder do PS não pareça anormal que há dezenas de anos que haja pessoas contratadas ao dia, algumas desde há 20 anos, num porto que é propriedade do Estado. O anormal para o senhor é haver sindicatos que acham a precariedade e a escravatura intolerável. Desmancha prazeres.

aeroporto de Beja!

AEROPORTO DE BEJA. 
O ERRO NÃO FOI A SUA CONSTRUÇÃO. ERRO É A SUA NÃO UTILIZAÇÃO. 
A UTILIZAÇÃO DO AEROPORTO DE BEJA É A SOLUÇÃO MAIS RÁPIDA, MAIS SEGURA E MAIS ECONÓMICA À DISPOSIÇÃO DO PAÍS PARA RESPONDER, POR MUITOS ANOS, À SITUAÇÃO DE SATURAÇÃO DO AEROPORTO DE LISBOA E EVITAR QUE O AEROPORTO DE FARO, QUE SERVE TODO O ALGARVE, VENHA A SOFRER DOS MESMOS CONSTRANGIMENTOS A CURTO PRAZO. 

O ALENTEJO E PORTUGAL PRECISAM DA UTILIZAÇÃO DO AEROPORTO DE BEJA COMO PARTE DO SISTEMA AEROPORTUÁRIO DO CONTINENTE.

O Aeroporto de Beja está construído e pronto a funcionar. Constitui um activo no valor de muitas centenas de milhões de euros que não pode ser ignorado. A sua utilização pode evitar despesas de muitos milhares de milhões de euros ao Estado, libertando-os para tantos outros investimentos indispensáveis ao desenvolvimento do País, o que não deve ser ignorado pelos decisores políticos. A sua utilização é do interesse nacional. 

As despesas necessárias para fazer do Aeroporto de Beja a solução são mínimas e indispensáveis para responder também às necessidades da duplicação urgente das ligações ferroviárias de Lisboa-Faro, às necessidades de transporte de mercadorias face à expansão prevista para o estratégico Porto de Sines, à potenciação do investimento público de mais de 2500 milhões de euros feitos em Alqueva, ao desenvolvimento e crescente procura do Alentejo como destino turístico, às reconhecidas carências de transporte de passageiros, à necessária resposta do País à política de descarbonização em curso por toda a Europa. 

O que a situação exige é apenas a conclusão da A-26/IP8, onde já estão investidos muitas centenas de milhões de euros e que pode estar concluída no prazo de um ano e a electrificação e modernização da linha ferroviária do Alentejo que também já existe e cujas obras poderão estar concluídas dentro de 2 anos, ou seja, em menos tempo que qualquer outra solução.

O Alentejo ainda é considerado um território de objectivo 1 o que permitirá ao País beneficiar de financiamentos comunitários a fundo perdido superiores a 80%, para fazer estes investimentos. Esta é uma questão estratégica que importa ter presente num País carente de recursos financeiros.

É pelo Alentejo, é por Portugal, que, às importantes declarações políticas e manifestações de apoio à Plataforma Alentejo e à sua “Estratégia Integrada de Acessibilidade Sustentável do Alentejo nas ligações Nacional e Internacional”, vindas de todos os quadrantes políticos e partidários, se devem agora juntar as acções concretas, positivas e construtivas, no sentido de promover o esclarecimento e mobilização da opinião pública no sentido de se gerar um amplo movimento de toda a sociedade, no sentido destas medidas estratégicas, de interesse de todo o Alentejo e, sobretudo, de interesse nacional, possam ser inscritas, como prioritárias e de interesse nacional, na versão do PNPOT, cuja discussão na Assembleia da República irá ter início já em Dezembro, e no PNI2030, programa que irá determinar os investimentos públicos prioritários a ter presentes na utilização dos fundos do próximo quadro comunitário. 

Subscrever a Plataforma Alentejo é dever de todas e todos os que ambicionam um Portugal melhor. Para isso aqui fica, mais uma vez, o link necessário. Basta clicar e depois confirmar.