“O Capital” foi escrito há mais de 150 anos e existem hoje conceitos e práticas económicas que não existiam então. É possível concluir a teoria de Marx nos dias de hoje? Como?
Não, não é possível ‘concluir’ a teoria de Marx, pela simples razão de que o marxismo é uma teoria, inseparável da prática e por definição inacabável. O que é, não só possível mas absolutamente necessário, é desenvolver e enriquecer o marxismo em ligação com a evolução do progresso da ciência e a evolução da sociedade, e pela reflexão e intervenção coletiva dos comunistas e das massas populares. Vejam-se os desenvolvimentos que o pensamento de Marx teve com base na experiência da Comuna de Paris. Ou, com a passagem do capitalismo à sua fase imperialista e a primeira revolução socialista vitoriosa, enriquecendo-se com o genial contributo de Lénine, um contributo tão valioso que o seu nome ficou para sempre associado ao de Marx no conceito de marxismo-leninismo.
Na atualidade da globalização imperialista, da generalização e diversificação das lutas libertadoras e anti-imperialistas, do espantoso desenvolvimento de ciências e técnicas como a biologia ou a inteligência artificial, novos aprofundamentos são indispensáveis.
O “Manifesto Comunista” defende que o partido de proletariado não faz coligações com os chamados “partidos da burguesia”. No entanto, o PCP viabilizou o governo do PS. O que dizer disso?
A pergunta parte de dois equívocos: no que respeita ao “Manifesto Comunista”, Marx não nega a importância de alianças do proletariado, defende sim alianças para combater o capital e não para se colocar a reboque e ser instrumentalizado pela burguesia como até então tinha acontecido, nomeadamente nas revoluções burguesas de 1848/49. Marx centra-se na necessidade do proletariado criar o seu próprio partido de classe independente e oposto à burguesia, mas não nega, antes defende a necessidade, preservando essa independência, de alianças com outras forças democráticas.
Quanto ao PCP, não se ‘aliou’ nem ‘coligou’ com o PS, coisa impossível dada a conhecida dependência deste partido em relação ao grande capital e às imposições externas. A posição do PCP em relação à solução política que saiu das eleições de 2015, um governo do PS, está balizada na posição conjunta PCP/PS visando o afastamento do PSD/CDS do governo e a reposição de direitos e rendimentos de que os trabalhadores e o povo haviam sido violentamente esbulhados. Por isso o PCP valoriza os avanços que neste sentido se verificaram, nomeadamente no Orçamento do Estado, ao mesmo tempo que sublinha que se trata de avanços limitados e que, só rompendo com a política de direita e os constrangimentos da União Europeia, só com uma política patriótica e de esquerda, será possível desenvolver o País e assegurar a soberania de Portugal.
Uma sociedade sem propriedade privada, onde o Estado é capaz de responder às necessidades dos povos e em que o salário não é fator de divisão de classes pode ainda ser objetivo de um projeto político? Não estarão estas ideias desfasadas do mundo atual?
Marx nunca defendeu a abolição de ‘toda’ a propriedade e muito menos da propriedade de bens pessoais. O que defendeu foi a necessidade do poder da classe operária expropriar os ‘principais’ meios de produção tornando a propriedade social determinante e possibilitando o racional planeamento da economia. Aliás, a importância decisiva do Estado ter sob o seu controlo e propriedade sectores estratégicos indispensáveis não só ao desenvolvimento do país mas à defesa da sua soberania está patente nas consequências da privatização de empresas como os CTT, a EDP, a ANA e outras.
Essa é hoje a posição geral dos partidos comunistas, com a consideração, de acordo com a situação concreta de cada país, do maior ou menor peso da pequena propriedade e da propriedade individual, da dimensão do papel do mercado, do carácter mais ou menos imperativo da planificação, além de outros aspetos. As diferentes experiências de construção de uma sociedade socialista, uma realidade extraordinariamente nova em termos de tempo histórico, continuam a ser objeto de estudo, consideração e de diferenças de opinião.
Se há algo no seu programa que o PCP e outros partidos comunistas consideram comprovado e adquirido é a concepção de Marx quanto à expropriação do grande capital monopolista e ao controlo pelo poder dos trabalhadores dos sectores chave da econo
:Retirado daqui
Parece-me haver uma grande contradição. Afinal o que está na exposição patente no museu do vinho , em Alcobaça, não está conforme a palestra de Albano Nunes.
:Retirado daqui

Sem comentários:
Enviar um comentário