quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

A TAP 2015

31 de janeiro de 2015 
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Amigos
Manifestação contra a privatização da TAP. Estive lá com mais dois amigos e camaradas.
Não eram apenas 500 como diz a comunicação social, eram muitos mais mas não os que a luta exigia.
Pena que muitos por aqui se tenham solidarizado e incentivado à greve dos trabalhadores da TAP e hoje não tenham aparecido. Uma coisa é incentivar os outros a lutarem e coisa bem diferente é lutarmos e sermos solidários com os que correm todos os riscos.

Já agora para alguns que aqui caluniaram a CGTP e o PCP por não aderirem a esta luta tenho a dizer-lhes que estavam por lá muitos militantes comunistas, o deputado Bruno Dias até fez uma intervenção de solidariedade e apoio à luta, como o fizeram tantos outros: Garcia Pereira, Raquel Varela, Canavilhas do PS e a Isabel Moreira,( não percebi a que propósito quando o PS tentou privatizar a TAP precisamente quando essa Canavilhas era ministra) dirigentes sindicais, o Arménio Carlos ( a Carrinha de apoio era da CGTP) , portanto deixem-se de acusações baixas contra aqueles que lutam todos os dias e que estão lá nos momentos mais difíceis, talvez com pouca visibilidade mas estão, ao contrário de outros com muita visibilidade mas com pouco obra feita. 
Ver menos

Os revolucionários perderam uma grande oportunidade: Estava o Comité Central do MRPP e seu secretário geral; estava o Comité Central do POUS; estava a secretária geral de qualquer coisa, Raquel Varela; estava o próximo Comité Central do novo partido Sim Podemos; estava o próximo Comité Central do novo partido dos reformados; estavam vários representantes do PS, estava uma grande representação do BE com um cartaz que quase tapava o aeroporto, e estavam muitos a recolherem assinaturas para formarem partidos, outros a venderem os jornais revolucionários dos seus partidos, etc.etc.; e mais uns quantos. Tinham uma oportunidade de dar o nó aos revisionista - CGTP e PCP-e de decretarem ali a ocupação da TAP, seguida de uma Greve Geral Nacional e posteriormente a Revolução.Porque não o fizeram? Nota final : A maioria da malta que ali estava foi mobilizada pelos sindicatos dos trabalhadores da TAP afectos à CGTP e pela C. Trabalhadores. De salientar como positivo a solidariedade dos trabalhadores dos transportes.

Colocas uma questão interessante, Caetano. A esta distância, já pouca gente se lembra, mas nos anos 70/80, a TAP foi palco de grandes confrontos ideológicos, onde algumas figuras hoje envolvidas nesses grupos que nomeaste foram a ''guarda avançada'' do mais primário anticomunismo, usando a empresa para combater o governo de Vasco Gonçalves. Mais tarde, aparecem ao lado do PS na sua tentativa da privatização. Os tempos correram, os trabalhadores foram resistindo, e ontem lá os encontrámos a defender a TAP como empresa pública. Diz-se sempre ''mais vale tarde que nunca'', mas se tivessem esta atitude há décadas atrás, ter-se-ia evitado chegar a esta situação. E não só na TAP.

 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Reforma Agrária em Aviz - parte II

 


Planos do pneu de tractor em movimento e de campos cultivados alternado com Pitacas Antunes entrevista agricultores sobre o processo de ocupação de terras; adubo; trabalhadores enfatizam a importância de trabalhar a terra, criticam posição dos latifundiários, o aumento da área de regadio e da produção de arroz e as atitudes dos latifundiários face aos trabalhadores; agricultores lavram terreno com recurso a tractor e arado. Pitacas Antunes entrevista tratoristas sobre as condições de trabalho atuais, as críticas dos latifundiários e as perspectivas de aumentar a produção alternado com agricultores a conduzir tratores, deitar adubo para tanque de pequenas dimensões e a distribuir adubo pelo campo agrícola com recurso a tractor; plano de arado instalado no tractor a lavrar a terra. Adubo alternado com Pitacas Antunes entrevista tratoristas e ajudante de tractor sobre as condições de trabalho actuais em colaboração com a cooperativa, a abundância de emprego, ordenados, a notícia da união entre os trabalhadores do partido socialista e do partido comunista na defesa dos mesmos princípios, associações e divergências políticas, a luta comum representada pelo "trabalho é um interesse comum a todos os trabalhadores", os esforços em prol dos trabalhadores de outras terras, as acusações de que os trabalhadores são alvo e abertura para colaboração com os latifundiários; pneu de tractor. Vistas gerais de terreno pertencente à cooperativa cuja ocupação se deu a 29 de Abril com o objectivo de criar regadio e barragem e azinheiras (árvores) e respectivos troncos e raízes deitadas no chão; trabalhadores nas obras de construção da barragem e vista geral do terreno (vale) alternado com Pitacas Antunes entrevista trabalhadores sobre as obras de construção. Pastas em prateleira; Pitacas Antunes entrevista administrativo e guarda-livros sobre o trabalho, as diferenças registadas na produção (trigo) e nos campos antes e após a reforma agrária e a criação da cooperativa, ordenados, número de funcionários da cooperativa, colaboração e espírito de camaradagem entre trabalhadores independentemente da sua função, alternado com documentos e material de escritório; plano de mãos a segurar cigarro; funcionário atente telefone; farol de veículo visto a partir de janela. Vistas de terrenos agrícolas a partir de automóvel em movimento alternado com Pitacas Antunes a conversar com trabalhadores e durante entrevistas, agricultores a lavrar terreno com arado e a distribuir adubo, crianças sentadas à mesa de refeição do infantário, apanha da azeitona, rostos de homens e mulheres e bezerros e crias de porco a mamar.




Reaforma Agrária Aviz parte I



Pitacas Antunes entrevista Zé Luís, representante da Cooperativa 1º de Maio, sobre a afluência de pessoas que recorrem à cooperativa, os direitos dos agricultores, a postura dos pequenos agricultores relativamente à Reforma Agrária, o pagamento dos trabalhadores que estão ao serviço da cooperativa e a colaboração entre os trabalhadores, e pequenos agricultores sobre os benefícios e ajudas que tem recebido das comissões de trabalhador e da cooperativa, a Reforma Agrária, as razões que os trouxeram à cooperativa, as mudanças observadas no concelho de Avis desde a implantação da Reforma e a criação da cooperativa. 11m00: Pequeno agricultor desce de tractor e dirige-se para junto de Pitacas Antunes que o questiona sobre as razões que o trouxeram à cooperativa, o trabalho de semear trigo, as melhores condições de vida após a reforma que lhe permitem investir na educação dos filhos; cesto de vime; partes de máquinas agrícolas; tractores com atrelados em movimento; homens trabalham em oficina da cooperativa e serralheiro a trabalhar com voz off a referir a quantidade de equipamento agrícola da cooperativa e respectivos os custos mensais. 13m20: Pitacas Antunes entrevista funcionários da oficina sobre os seus respectivos trabalhos antes de chegarem à cooperativa, as condições de vida e de trabalho actuais, a ausência de chefes e a colaboração entre colegas, a manutenção dos tractores e as razões que os trouxeram à cooperativa alternado com interior da oficina e respectivos funcionários a trabalhar. 15m52: Plano de chave de fendas a apertar parafuso; Pitacas Antunes entrevista tratorista, Zé Luís e agricultor sobre as condições de trabalho actuais, a integração dos trabalhadores, a ausência de desemprego na região, o número de empregados, os lucros da sementeira, alternado com atrelados e homens junto a tractores. 18m48: Aquecedor; berço; mulher sentada com bebé ao colo; bebés na infantário; planos de crianças durante tempo de refeição alternado com entrevista sobre as infantários dirigidas aos filhos de todos os trabalhadores do concelho de Avis, a abertura de mais infantários na região e o pagamento semanal pela infantário (que não inclui os trabalhadores das herdades coletivas); entrevista a funcionária e membro da comissão da infantário sobre a criação deste projecto, as vantagens para os trabalhadores e o dinheiro direccionado para alimentação das crianças. 22m21: Planos de idosos sentados à mesa de refeição alternado com entrevistas sobre as vantagens de terem acesso a refeições gratuitas oferecidas pela cooperativa e as condições de vida actuais; Zé Luís refere os electrodomésticos necessários para oferecer maior conforto aos idosos e a necessidade de contratar assistentes sociais e educadoras para prestar apoio. 24m36: Pitacas Antunes entrevista responsável por curral de cabras sobre o número de animais que possui; rebanho (bezerros e cabras); responsável leva pela pata dois bezerros para dentro do curral com voz off a referir o número de animais que a cooperativa possui; entrevista a tratoristas sobre as vantagens da reforma agrária para os trabalhadores, os ordenados antes e depois do 25 de Abril de 1974, a colaboração com a cooperativa e a infantário, e a Zé Luís sobre o semeado; agricultores lavram terreno com recurso a tractor e arado; Pitacas Antunes sobe para tractor; planos do campo cultivado a partir de tractor em movimento.

Ver aqui:

O Porto, e um pouco por todo o País

O Porto, e um pouco por todo o País, começa a desvendar a sua face real que foi mascarada durante anos pelo turismo. As cidades reais portuguesas eram vazias de nativos e hiper-inflaccionadas, completamente desfasadas do poder de compra nacional.
No Porto encerraram recentemente o Majestic, Guarany, A Vida Portuguesa e, muito provavelmente, a próxima será a livraria Lello. Todas estas lojas tornaram-se proibidas ao povo, apenas os turistas e as classes altas foram o público-alvo destes negócios locais. Muitas delas olhavam com desdém quando um português entrava nos seus estabelecimentos, porque sabiam de antemão que iriam consumir produtos de menor valor e quantidade. O resultado está à vista: falência completa.

Mas a falência não se resume apenas à perda de receitas. Também se deve à perda completa do público português, não só pela carestia e discriminações sociais, mas também pelos baixos salários, a exploração dos trabalhadores com jornas superiores a 8 horas, contratos do tipo estágio ou curta duração e assédio moral medieval.

A gourmetização, associada ao mesmo tempo à gentrificação das cidades, conduziu a este cair da máscara das cidades.

A expulsão das famílias, trabalhadores e estudantes das cidades, devido aos abusos dos senhorios e à subida galopante das rendas e à transferência para alojamentos airbnb, levou também ao divórcio das periferias com os centros urbanos. Obviamente que os baixos salários e os trabalhos precários e explorados, que atingem dois terços dos jovens e um terço da população empregada e 11% dos trabalhadores que vivem na pobreza extrema, não dinamizam o consumo interno. Estas condições laborais, e os constantes abusos praticados pelas chefias nos sectores público e privado, impulsionaram a emigração em massa de trabalhadores altamente qualificados e com experiência senior, inclusive alguns deles foram funcionários públicos do quadro ou dirigentes intermédios de departamentos em empresas privadas. Actualmente, Portugal exporta cerca de 80 mil nativos por ano para a Europa, América Latina e África. No período da troika atingiu o pico de 130 mil por ano. Em média, 100 mil portugueses emigram por ano desde 2011 até agora, o equivalente a uma cidade de Coimbra a desaparecer por ano no território nacional. Por aqui podemos aferir uma das razões que explica o facto da taxa de desemprego não variar muito e estar abaixo dos 10%, a emigração contribuiu quase na totalidade para este decréscimo, além de outros mecanismos como a não contabilização dos estágios e desempregados em bolsas de formação.

Outro factor a ter em conta nesta equação é o número de empregos por trabalhador - em países-império de baixos salários com elevada desregulação laboral, os trabalhadores são obrigados a encontrar mais do que um trabalho, por forma a evitar de cair no saco dos 11% de trabalhadores a viverem em situação de pobreza. Isto tudo para dizer o quê? O consumo interno é extremamente débil sem turismo de massas. Este é o País real.
Bem-vindos às cidades reais.

 

OS CRITÉRIOS E A REALIDADE

Restrições severas
- Proibição de circulação na via pública entre as 23h e as 05h nos dias de semana e a partir das 13h aos sábados e domingos (excepto no período de Natal);
- Acção de fiscalização do cumprimento do teletrabalho que é obrigatório desde que as funções em causa o permitam;
- Encerramento do comércio aos fins-de-semana a partir das 13h e abertura a partir das 8h, excepto para farmácias, clínicas e consultórios, estabelecimentos de venda de bens alimentares com porta para a rua até 200 m2 e bombas de gasolina. O comércio que já abria antes das 8h pode continuar a fazê-lo;
- Aos fins-de-semana e depois das 13h, restaurantes só podem funcionar através de entrega ao domicílio.

O Concelho da Nazaré, com 15158 habitantes, esteve nos últimos fins de semana com medidas restritivas que obrigaram ao encerramento e proibição de circulação entre concelhos a partir das 13 horas. Encerramento de estabelecimentos comerciais, confinamento obrigatória. Existiam 36 casos positivos para Covid 19.

No concelho de Alcobaça os casos de covid 19, na mesma data eram: Total 115, portante aquém dos cassos que obrigam a restrições iguais à Nazaré. No entanto no concelho de Alcobaça existiram, na mesma data, freguesias -algumas fazendo fronteira com o concelho da Nazaré - que tinham casos covid 19 muito superiores aos critérios para aos verificados no concelho vizinho. Partais com 5451 habitantes tinha 17 casos quando com 12 casos teriam de ser tomadas medidas iguais à da Nazaré: Vimeiro com 1948 habitantes tinha 21 casos , o limite seriam 4,  mas não foram tomadas medidas restritivas; Turquel com 4544 habitantes  tinha 13 casos quando o limite seriam 10. 

 A conclusão a retirar estas situações é que as pessoas podem circular livremente, infectadas ou não, dentro dos concelhos mesmo com freguesias com valores muito acima dos valores de referência. Mas em concelhos com baixa população com números muito inferiores são impostas  medidas restritivas de circulação, manda-se  para casa uma população inteira porque existem 36 infectados ou com sintomas, fecha-se a actividade de toda uma região com todas as consequências que daí resultam.

Não basta os "iluminados" pegarem numa folha de Excel e limitarem a vida de milhares de pessoas, é preciso conhecer a realidade objectiva, é preciso ter em conta a situação concreta de  cada região, concelho freguesia, local de habitação ou de trabalho.

Faz sentido fechar um concelho como Castelo de Vide com 2300 habitantes se ultrapassar os 6 infectados? Se estão 6 infectados terão de ser conhecidos pelos organismos competentes e sujeitos às medidas estabelecidas para os que estão infectados : confinamento e quarentena domiciliária ou em hospital e deixar os restantes em paz.
  

 

O paraíso dos magnatas

A fortuna conjunta dos 12 indivíduos mais ricos dos Estados Unidos atingiu pela primeira vez um milhão de milhões de dólares em pleno período de pandemia. O mal de todos é o bem de uns poucos.

Meio milhar de indivíduos celebram os tempos em que vivemos, enquanto a democracia vai ficando suspensa com sintomas de irreversibilidade, as grandes massas, ansiosas, disputam o acesso a vacinas produzidas com métodos de manipulação genética jamais experimentados em seres humanos e as economias nacionais se afundam.

Para a generalidade dos habitantes do planeta, a COVID-19 é um martírio, uma barreira de medos e incertezas que bloqueia quaisquer horizontes; para os mais ricos entre os mais ricos é uma bênção, uma oportunidade para irem buscar muitos e novos milhões às fontes habituais e a algumas outras que se abrem – nos campos da ciência e da saúde.

«Um milhão de milhões de dólares é um número cuja dimensão a generalidade das pessoas não alcança, mesmo explicando que se trata do algarismo 1 seguido por doze zeros. Talvez seja mais esclarecedor juntar-lhe a informação de que a soma de cinco anos do PIB de Portugal caiu nas mãos de apenas 647 pessoas nos primeiros oito meses de pandemia; ou que desde o início da pandemia a fortuna de cada um desses honrados cidadãos passou a crescer a uma velocidade de 280 mil dólares por hora»

O Institute of Policy Studies dos Estados Unidos diz-nos que as fortunas combinadas dos 647 indivíduos mais ricos do país cresceram quase um milhão de milhões de dólares (um bilião) entre Março e Novembro deste ano, isto é, desde que se iniciaram confinamentos, lockdowns, estados de emergência, prisões domiciliárias, rastreios electrónicos dos cidadãos, isolamentos compulsórios, medidas ditas indispensáveis – assim nos garantem sem direito a contestação – para combater o SARS-CoV-2.

Não se conhecem, pelo menos com acesso tão fácil, estatísticas sobre os reforços das fortunas das elites de outras regiões planetárias, designadamente do espaço da União Europeia, mas não será difícil supor que a situação norte-americana se repita. Porque fenómenos como estes não têm fronteiras num mundo assim «globalizado».

Um milhão de milhões de dólares é um número cuja dimensão a generalidade das pessoas não alcança, mesmo explicando que se trata do algarismo 1 seguido por doze zeros. Talvez seja mais esclarecedor juntar-lhe a informação de que a soma de cinco anos do PIB de Portugal caiu nas mãos de apenas 647 pessoas nos primeiros oito meses de pandemia; ou que desde o início da pandemia a fortuna de cada um desses honrados cidadãos passou a crescer a uma velocidade de 280 mil dólares por hora.

Há coisas assim neste mundo. Desce sobre os quase oito mil milhões de habitantes do planeta uma pandemia prevista antecipadamente em iniciativas promovidas por entidades ligadas às elites que manipulam os dirigentes mundiais e eis que, por exemplo, as fortunas dos 12 mais destacados super-ricos crescem 40% no curto espaço de tempo entre Março e Agosto deste ano.

Relação de causa e efeito? É melhor não arriscar seguir por esse caminho de investigação porque logo qualquer censor do Google ou do Facebook, qualquer amestrado fact-checker sentenciará que é «fake news» ou «teoria da conspiração». São os novos e brandos caminhos inquisitoriais. Entretanto a cimeira do neoliberalismo conhecida como Fórum Económico Mundial prepara-se para fazer de 2021 o ano de institucionalização do «novo normal» criado pela COVID-19.

Como poderá explicar-se que chova dinheiro nas contas de uma ínfima minoria enquanto, nos Estados Unidos, as estatísticas revelam que metade dos pequenos negócios deverão fechar portas e os pedidos de assistência no desemprego já atingiram os 70 milhões? Talvez da mesma maneira que as grandes bolsas, sobretudo a de Nova York, têm registado fabulosos picos de abundância enquanto a economia em redor se desmorona. A riqueza gerada pelos mecanismos do neoliberalismo como estado supremo do capitalismo assenta cada vez mais em especulação e em capitais virtuais do que em bens físicos e palpáveis. Por isso, os frutos do trabalho representam uma parte cada vez menor da riqueza em circulação.

Donald Trump (D), acompanhado por Steve Bannon (E), fala com o multimilionário Elon Musk (C), dono da Tesla e daSpace X, durante um encontrtro com líderes da indústria na Casa Branca, a 3 de Fevereiro de 2017 CréditosEvan Vucci / AP

Bazucadas

Todos estamos familiarizados com os lancinantes pedidos de apoio dos Estados lançados pelos poderes corporativos, invocando as incidências da pandemia sobre a economia. De problema permanente e inimigo jurado, o Estado passou a ser a solução, desde que se torne vertiginosa a constante transferência de riqueza dos bolsos dos contribuintes comuns para os cofres dos grandes impérios económicos financeiros.

Foi assim nos Estados Unidos, onde, através da Reserva Federal, Trump fez chover dinheiro para as grandes corporações, logo transformado em instrumento de especulação e em nova vertigem de acumulação de riqueza.

«Há coisas assim neste mundo. Desce sobre os quase oito mil milhões de habitantes do planeta uma pandemia prevista antecipadamente em iniciativas promovidas por entidades ligadas às elites que manipulam os dirigentes mundiais e eis que, por exemplo, as fortunas dos 12 mais destacados super-ricos crescem 40% no curto espaço de tempo entre Março e Agosto deste ano»

Percebemos assim como realmente funcionam as apregoadas e celebradas «bazucas» que dizem ser os impulsos necessários para a «estabilização» da economia e a manutenção de postos de trabalho, designadamente na União Europeia. Não passam de uma aceleração da transferência de capital do sector público para o privado e que certamente desembocará – como já o admitem as previsões – em mais austeridade, desemprego e degradação social no mundo neoliberal. Situações que, manipuladas a preceito com a conhecida maestria propagandística do sistema, serão transformadas em alavancas de medidas de cerceamento de direitos e liberdades, pilares autênticos da institucionalização do «novo normal».

Na verdade, a autêntica «bazucada» que chegou de Bruxelas por estes dias foi a que tem por objectivo abater a TAP e os seus trabalhadores, transformando a companhia de bandeira nacional num bracinho das Lufthansas deste mundo, entidades que mandam, de facto, na União Europeia. Viram por aí a soberania nacional? Será ela também um dano colateral da pandemia?

Piquete de greve na Amazon. Foto de Arquivo. Créditos

Especulação + vacina

O presente e o futuro das desigualdades geradas pela maneira como foi abordado o combate à COVID-19 à escala global podem ser observados à luz de realidades que não figuram na comunicação mainstream, designadamente o brutal enriquecimento dos mais ricos.

«a fortuna do dono da Amazon, Jeff Bezos, cresceu 62% com a pandemia, para 186 mil milhões de dólares: segundo a revista Business Inside, o bilionário do comércio electrónico enriquece a um ritmo de nove milhões de dólares por hora. Enquanto isso, mais de 20 mil trabalhadores da Amazon, com sede em Atlanta, foram infectados com COVID-19 devido às desadequadas condições em que exercem on seu labor – e os que protestam contra tal facto são sumariamente despedidos»

Nos cinco primeiros meses de pandemia, Elon Musk, o dono da Tesla e considerado um dos indivíduos mais ricos do mundo, conseguiu triplicar a sua fortuna. Os haveres de Mark Zuckerberg, do Facebook, cresceram 70%; os de Bill Gates galgaram para os 114 mil milhões de dólares e deverão atingir picos ainda mais fabulosos quando se fizerem as contas ao seu envolvimento nas vacinas contra a COVID-19, especialmente as da Moderna Inc. e a da Pfizer/BioN Tech, ambas produzidas por tecnologia de «edição do genoma» nunca antes experimentada em seres humanos e cujo comportamento «continua imprevisível», segundo um trabalho científico revisto revelado em Outubro na publicação especializada Trends in Genetic. Uma chamada de atenção: o que atrás ficou escrito constitui uma ofensa à operação montada pelos serviços secretos do Reino Unido para impedir a divulgação de informações alertando para as incógnitas existentes em relação ao processo de mRNA (RNA mensageiro) utilizado nas vacinas que vão ser ministradas nos Estados Unidos e na Europa.

Entretanto, a fortuna do dono da Amazon, Jeff Bezos, cresceu 62% com a pandemia, para 186 mil milhões de dólares: segundo a revista Business Inside, o bilionário do comércio electrónico enriquece a um ritmo de nove milhões de dólares por hora.

Enquanto isso, mais de 20 mil trabalhadores da Amazon, com sede em Atlanta, foram infectados com COVID-19 devido às desadequadas condições em que exercem on seu labor – e os que protestam contra tal facto são sumariamente despedidos. Ganhando cerca de 15 dólares por hora, um trabalhador da Amazon necessitaria de estar em actividade 24 horas por dia durante 68 anos para amealhar o que o seu patrão junta numa hora – que até pode ser de sono.

A fortuna conjunta dos 12 indivíduos mais ricos dos Estados Unidos atingiu pela primeira vez um milhão de milhões de dólares em pleno período de pandemia. A situação proporciona uma versão extrema de velhos aforismos: o mal de todos é o bem de uns poucos. É o estado do mundo sob o domínio do capitalismo neoliberal de braço dado com a pandemia covidiana. 


José Goulão, exclusivo O Lado Oculto/AbrilAbril

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