A melhor análise das realidades existentes nos países socialistas durante o período
entre 1956 e 1990 continua a ser a que foi feita, nos anos 60, pelo camarada Mao TséTung. Hoje esta análise pode ser definida como mais precisão e corrigida em alguns
pontos, à luz dos recentes acontecimentos ocorridos na Europa de Leste, na URSS e na
China.
Mao via assim o futuro do socialismo:
«A sociedade socialista cobre um período histórico extremamente largo. Durante
todo este período a luta de classes entre a burguesia e o proletariado continua. A
questão sobre qual sistema sairá vitorioso, o capitalismo ou o a via socialista,
permanecerá em aberto durante este período. Isto significa que o perigo da restauração
do capitalismo se mantém.» «A revolução socialista realizada exclusivamente no
campo económico (no que respeita à propriedade dos meios de produção) não é
suficiente e não garante a estabilidade. Tem de haver também uma revolução socialista
completa nos campos da política e da ideologia. No domínio da política e da ideologia,
a luta para decidir a disputa entre capitalismo e socialismo prolongar-se-á por muito
tempo. Algumas décadas certamente que não serão suficientes; cem, talvez centenas de
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anos serão necessários para a vitória final. Durante este período histórico do
socialismo temos de manter a ditadura do proletariado e levar a revolução socialista
até ao fim, se quisermos prevenir a restauração do capitalismo. Temos de empreender
a reconstrução socialista de modo a criar as condições necessárias para a passagem ao
comunismo.» «Antes de Khruchov chegar ao poder, as actividades dos novos elementos
burgueses eram limitadas e em grande parte reprimidas. Mas desde que Khruchov
chegou ao poder, e gradualmente tomou o controlo da direcção do Partido e do Estado,
esses novos elementos burgueses começaram a aparecer em posições dominantes no
coração do Partido e do governo, no campo da economia, assim como no sector da
cultura e outros. Tornaram-se uma classe privilegiada na sociedade soviética.»
«Mesmo sob o domínio de Khruchov e da sua facção, a massa dos membros do PCUS e
do povo seguiu as gloriosas tradições revolucionárias cultivadas por Lénine e por
Stáline, aderindo ao socialismo e aspirando avançar para o comunismo. Um grande
número de quadros soviéticos continua a apoiar as posições revolucionárias do
proletariado na via para o socialismo. Estão firmemente contra o revisionismo de
Khruchov.» «A luta de classes, a luta pela produção e a experimentação científica são
os três movimentos revolucionários principais na construção de uma nação socialista
poderosa. Estes movimentos representam uma garantia segura, que permite aos
comunistas combater a burocracia, armarem-se eles próprios contra o revisionismo e
dogmatismo e manterem-se invencíveis para sempre. Constituem a garantia futura que
permitirá ao proletariado unir as amplas massas laboriosas e praticar uma ditadura
democrática. Vamos supor que, na ausência destes movimentos, os latifundiários, os
agrários ricos, os contra-revolucionários, os elementos obscuros e outras criaturas de
diversos tipos terão rédea solta. Suponhamos ainda que, em certos casos, os nossos
quadros fecham os olhos e já não distinguem entre o inimigo e nós próprios e que
colaboram com o inimigo e se deixam corromper e desmoralizar. Se os nossos quadros
foram atraídos desta maneira para o campo do inimigo ou se o inimigo logrou
infiltrar-se nas nossas fileiras e se muitos dos nossos operários, camponeses e
intelectuais ficaram indefesos perante as tácticas brutais do inimigo, se estas
suposições se tornarem realidade, então num curto espaço de tempo, talvez alguns anos
ou um década, terá lugar inevitavelmente uma restauração contra-revolucionária à
escala nacional. Neste caso não demorará muito até o Partido marxista-leninista se
tornar num partido revisionista ou fascista e toda a China mudará de cor.»

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