Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues critica a hipocrisia dos grandes do capital ao prestarem homenagem ao actual presidente da Colômbia e lamenta a atitude assumida por Hugo Chávez em Santa Marta.
O presidente da Venezuela não foi coerente com a sua politica anti-imperialista. Durante anos sugeriu que às FARC fosse reconhecido o estatuto de organização beligerante; agora cede às pressões de um criminoso como Juan Manuel Santos que vê na guerrilha revolucionaria colombiana um grupo de terroristas.
Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colombia caiu combatendo no dia 4 de Novembro.
Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colombia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de carácter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC.
Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não supreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu.
FARC - A luta continua
O comunicado das FARC sobre a renúncia aos sequestros motivou uma chuva de comentários, interpretando a decisão como prólogo do fim da guerrilha. O andamento da história vai desmentir tais profecias. O comandante Timoleon Jimenez, seu actual comandante-chefe, já informou que a organização revolucionária continuará a sua luta por uma Colômbia livre, democrática e independente.
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FARC: 48 anos de luta Revolucionária
Não há precedente na história da América Latina para uma saga revolucionária comparável à das FARC. Fundada há quase meio século, a guerrilha das FARC luta contra o mais poderoso exército do Sul do Hemisfério, armado e financiado pelo imperialismo estado-unidense.
Sucessivos governos anunciaram ao longo dos anos em Bogotá o seu fim iminente. Mas não há calúnia nem discurso dos presidentes e generais da oligarquia colombiana que possa esconder o óbvio: as FARC-EP - guerrilha-partido marxista-leninista - prosseguem a luta por uma Colômbia independente, democrática e progressista.
A situação na Colômbia e o projecto das FARC-EP
Influentes media nos EUA manifestam preocupação face à situação socio-política e militar na Colômbia. Têm muitas razões para essa súbita preocupação: divergências no interior do regime; denuncia publica de envolvimento de chefes militares com a rede narco paramilitar; agravamento da crise económica; os efeitos dos Tratados de Livre Comercio impostos pelos EUA e pela União Europeia; o avolumar do descontentamento popular e, sobretudo, uma série de derrotas infligidas pelas FARC-EP a forças do Exército e da Polícia Nacional.
As negociações de Havana estão desde o início armadilhadas. Mas tal não impede que o balanço actual seja muito positivo. O interesse que as conversações de Havana e o prólogo de Oslo suscitaram permitiu que a voz da guerrilha chegasse a milhões de pessoas em dezenas de países. Em conferências de imprensa, em entrevistas e artigos, dirigentes como os comandantes Ivan Marquez, Rodrigo Granda, Jesus Santrich e outros projectaram a imagem real das FARC e da sua organização revolucionária, incompatível com a perversa caricatura que delas exportam Santos e os seus generais.
Colômbia: Estagnação nas conversações de Havana
A Delegação de Paz das FARC divulgou em Havana, sede dos Diálogos, um primeiro balanço sobre «o estado das conversações». De 200 propostas mínimas para resolver problemas do campo e da participação politica que apresentaram, somente foi possível chegar a 25 acordos parciais com o governo de Juan Manuel Santos.
Não é de admirar: o governo colombiano participa nos Diálogos porque não teve condições políticas para o recusar. Mas a sua aposta permanece na guerra, não na paz: o orçamento de estado da Colômbia para 2014 inclui para as Forças Armadas (isto é, para o financiamento da guerra contra as Farc) a verba astronómica de 274 biliões de pesos, o equivalente a 14 717 mil milhões de dólares.
Não é de admirar: o governo colombiano participa nos Diálogos porque não teve condições políticas para o recusar. Mas a sua aposta permanece na guerra, não na paz: o orçamento de estado da Colômbia para 2014 inclui para as Forças Armadas (isto é, para o financiamento da guerra contra as Farc) a verba astronómica de 274 biliões de pesos, o equivalente a 14 717 mil milhões de dólares.
Preso há três anos e três meses com base numa acusação forjada, Joaquín Perez Becerra foi agora libertado. A sua libertação de deve ser saudada como uma vitória das forças que lutam há décadas contra o neofascismo colombiano, por uma sociedade democrática e independente, um Estado soberano na nação fundada por Bolívar.
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Do cessar-fogo na Colômbia
Miguel Urbano, um dos revolucionários que mais escreveu sobre a heroica luta das FARC-EP e mais divulgou a sua epopeia faz, nesta hora de refluxo, o comentário possível aos acordos recentemente assinados em Havana, entre aquela organização revolucionária e o governo da Colômbia.
Termina, confessando a sua dificuldade em «imaginar que tipo de «reconciliação» (…) será possível, num contexto em que a classe dominante não esconde a sua fidelidade ao neoliberalismo ortodoxo e à íntima aliança com os Estados Unidos».
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A difícil luta pela paz na Colômbia.
Embora o diálogo de paz em Havana tenha até agora avançado de forma globalmente positiva, os dirigentes das FARC são prudentes no que diz respeito ao seu desfecho. A paz não está próxima. O povo colombiano deseja-a intensamente, mas as forças empenhadas em sabotar os Diálogos de Havana são poderosas.Ler aqui:
Do cessar-fogo na Colômbia
à paz, desejada, mas muito distante
Miguel Urbano, um dos revolucionários que mais escreveu sobre a heroica luta das FARC-EP e mais divulgou a sua epopeia faz, nesta hora de refluxo, o comentário possível aos acordos recentemente assinados em Havana, entre aquela organização revolucionária e o governo da Colômbia.Termina, confessando a sua dificuldade em «imaginar que tipo de «reconciliação» (…) será possível, num contexto em que a classe dominante não esconde a sua fidelidade ao neoliberalismo ortodoxo e à íntima aliança com os Estados Unidos».
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Que futuro para as FARC?
Em Cartagena de Indias ,foi ontem,26 de Setembro, assinado o Acordo Definitivo de Paz ,que poe termo na Colômbia a uma guerra de 52 anos .
Miguel Urbano Rodrigues presta homenagem às FARC-EP, mas distancia-se do otimismo que na cerimonia , a que compareceram 14 chefes de estado e de governo, expressaram o presidente Juan Manuel Santos e o comandante-chefe da organização guerrilheira, Rodrigo Londoño.
Miguel Urbano Rodrigues presta homenagem às FARC-EP, mas distancia-se do otimismo que na cerimonia , a que compareceram 14 chefes de estado e de governo, expressaram o presidente Juan Manuel Santos e o comandante-chefe da organização guerrilheira, Rodrigo Londoño.















