quinta-feira, 14 de março de 2019

Em defesa das FARC


Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues critica a hipocrisia dos grandes do capital ao prestarem homenagem ao actual presidente da Colômbia e lamenta a atitude assumida por Hugo Chávez em Santa Marta.

O presidente da Venezuela não foi coerente com a sua politica anti-imperialista. Durante anos sugeriu que às FARC fosse reconhecido o estatuto de organização beligerante; agora cede às pressões de um criminoso como Juan Manuel Santos que vê na guerrilha revolucionaria colombiana um grupo de terroristas.



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Alfonso Cano, Herói da Colômbia




Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colombia caiu combatendo no dia 4 de Novembro.
Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colombia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de carácter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC.
Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não supreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu.



FARC - A luta continua

O comunicado das FARC sobre a renúncia aos sequestros motivou uma chuva de comentários, interpretando a decisão como prólogo do fim da guerrilha. O andamento da história vai desmentir tais profecias. O comandante Timoleon Jimenez, seu actual comandante-chefe, já informou que a organização revolucionária continuará a sua luta por uma Colômbia livre, democrática e independente.

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FARC: 48 anos de luta Revolucionária




Não há precedente na história da América Latina para uma saga revolucionária comparável à das FARC. Fundada há quase meio século, a guerrilha das FARC luta contra o mais poderoso exército do Sul do Hemisfério, armado e financiado pelo imperialismo estado-unidense.

Sucessivos governos anunciaram ao longo dos anos em Bogotá o seu fim iminente. Mas não há calúnia nem discurso dos presidentes e generais da oligarquia colombiana que possa esconder o óbvio: as FARC-EP - guerrilha-partido marxista-leninista - prosseguem a luta por uma Colômbia independente, democrática e progressista.




A situação na Colômbia e o projecto das FARC-EP

Influentes media nos EUA manifestam preocupação face à situação socio-política e militar na Colômbia. Têm muitas razões para essa súbita preocupação: divergências no interior do regime; denuncia publica de envolvimento de chefes militares com a rede narco paramilitar; agravamento da crise económica; os efeitos dos Tratados de Livre Comercio impostos pelos EUA e pela União Europeia; o avolumar do descontentamento popular e, sobretudo, uma série de derrotas infligidas pelas FARC-EP a forças do Exército e da Polícia Nacional.




As negociações de Havana estão desde o início armadilhadas. Mas tal não impede que o balanço actual seja muito positivo. O interesse que as conversações de Havana e o prólogo de Oslo suscitaram permitiu que a voz da guerrilha chegasse a milhões de pessoas em dezenas de países. Em conferências de imprensa, em entrevistas e artigos, dirigentes como os comandantes Ivan Marquez, Rodrigo Granda, Jesus Santrich e outros projectaram a imagem real das FARC e da sua organização revolucionária, incompatível com a perversa caricatura que delas exportam Santos e os seus generais.



Colômbia: Estagnação nas conversações de Havana

A Delegação de Paz das FARC divulgou em Havana, sede dos Diálogos, um primeiro balanço sobre «o estado das conversações». De 200 propostas mínimas para resolver problemas do campo e da participação politica que apresentaram, somente foi possível chegar a 25 acordos parciais com o governo de Juan Manuel Santos.
Não é de admirar: o governo colombiano participa nos Diálogos porque não teve condições políticas para o recusar. Mas a sua aposta permanece na guerra, não na paz: o orçamento de estado da Colômbia para 2014 inclui para as Forças Armadas (isto é, para o financiamento da guerra contra as Farc) a verba astronómica de 274 biliões de pesos, o equivalente a 14 717 mil milhões de dólares.


Preso há três anos e três meses com base numa acusação forjada, Joaquín Perez Becerra foi agora libertado. A sua libertação de deve ser saudada como uma vitória das forças que lutam há décadas contra o neofascismo colombiano, por uma sociedade democrática e independente, um Estado soberano na nação fundada por Bolívar.

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A difícil luta pela paz na Colômbia.

Embora o diálogo de paz em Havana tenha até agora avançado de forma globalmente positiva, os dirigentes das FARC são prudentes no que diz respeito ao seu desfecho. A paz não está próxima. O povo colombiano deseja-a intensamente, mas as forças empenhadas em sabotar os Diálogos de Havana são poderosas.


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Do cessar-fogo na Colômbia
à paz, desejada, mas muito distante

Miguel Urbano, um dos revolucionários que mais escreveu sobre a heroica luta das FARC-EP e mais divulgou a sua epopeia faz, nesta hora de refluxo, o comentário possível aos acordos recentemente assinados em Havana, entre aquela organização revolucionária e o governo da Colômbia.
Termina, confessando a sua dificuldade em «imaginar que tipo de «reconciliação» (…) será possível, num contexto em que a classe dominante não esconde a sua fidelidade ao neoliberalismo ortodoxo e à íntima aliança com os Estados Unidos».


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Que futuro para as FARC?

Em Cartagena de Indias ,foi ontem,26 de Setembro, assinado o Acordo Definitivo de Paz ,que poe termo na Colômbia a uma guerra de 52 anos .
Miguel Urbano Rodrigues presta homenagem às FARC-EP, mas distancia-se do otimismo que na cerimonia , a que compareceram 14 chefes de estado e de governo, expressaram o presidente Juan Manuel Santos e o comandante-chefe da organização guerrilheira, Rodrigo Londoño.



Os povos da Ex-URSS

Miguel Urbano Rodrigues     30.Dic.16 

O desaparecimento da União Soviética foi uma tragédia para a Humanidade. Foi acelerada pela traição de Gorbatchov e pela guerra não declarada do imperialismo norte-americano, mas numerosos outros factores contribuíram para ela. Para a tentarmos entender, e também a para tentarmos entender a Rússia contemporânea é imprescindível, nomeadamente, um conhecimento mínimo da história dos povos que habitam o seu gigantesco território.

artigo completo:


Reflexão sobre histórias polémicas do PCUS, da Revolução de Outubro e da URSS

Este artigo foi escrito para ser incluído num livro póstumo que estou a preparar. Alterei essa decisão porque a minha companheira me persuadiu de que a sua publicação imediata, nestes dias em que a Humanidade (incluindo Portugal) está atolada na crise estrutural do monstruoso sistema do capital condenado a desaparecer pode ser útil.
Artigo Aqui:


Stáline e Khruchov

Esta entrevista com Ivan Alekssandrovitch Benediktov, personalidade que durante duas décadas (entre 1938 e 1959) ocupou postos chave na governação da Agricultura do nosso país, conhecedor profundo dos métodos e estilo de trabalho de I.V. Stáline e H.S. Khruchov e de outras destacadas figuras da política e da economia, baseia-se em várias conversas que com ele mantive entre 1980 e 1981 como jornalista da Gosteleradio da URSS. Nesse período, Ivan Alekssandrovitch estava reformado mas tinha uma intensa actividade social, designadamente na Associação de Amizade URSS-Índia. No final da sua carreira pública, Benediktov foi embaixador da URSS, primeiro na Índia (1959-1967) e depois na Jugoslávia (1967-1970). 

quarta-feira, 13 de março de 2019

"O meu pai fazia tudo para estar presente"

Ana Cunhal só falou por duas vezes sobre o pai, ambas ao fim de cinco anos sobre a morte. Quem a conhece retrata-a como bastante rebelde. Após o funeral de Cunhal peregrinou pelos lugares onde o pai viveu, e rumou depois aos EUA.
Cinco anos após a morte do seu pai, como o definiria?
 Um ser humano extraordinário e exemplar. Um homem que sacrificou tudo o que tinha ou podia ter tido para construir um mundo mais justo. Altruísta, honesto, íntegro, carinhoso...
Há cinco anos faria o mesmo retrato?
 Claro. Porque seria diferente?
Porque um pai vivo causa-nos outra responsabilidade…
Ah, a tal coisa da responsabilidade. Estará a assumir que por ser filha de quem sou tive ou tenho de me comportar de uma certa maneira? O facto é que nunca aceitei esse tipo de "responsabilidade".
Qual a característica que mais apreciava no seu pai?
Todas as suas faculdades humanas e intelectuais.
Alguma de que gostasse menos?
Não.
Ele escondia muito a personalidade. Conheceu-o a 100%?
O que acaba de afirmar é tão absurdo que se torna quase insultuoso. Como é que o simples facto de uma pessoa se defender contra bisbilhotices e indiscrições se traduz em "esconder a personalidade"? Há quem queira saber tudo, como se a vida privada dos outros fosse uma telenovela. O meu pai nunca escondeu a sua personalidade, o que fez foi não deixar certas pessoas meterem o nariz onde não eram chamadas. E teve muita razão. Eu faço a mesma coisa. E estou segura de que muita gente "normal" faz o mesmo.
Se pudesse retocar a biografia do seu pai em que situação o faria?
O meu pai não era grande fã de biografias. Sempre se opôs a culto de personalidade ou qualquer outra forma de atenção desmedida. Compreendo-o bem.
Quando é que entendeu que crescia fora do seu país?
Quer saber se eu sabia que era portuguesa? Sempre o soube.
Foi difícil crescer fora do país, ou era natural?
Naturalíssimo.
Que memórias mais antigas tem dele? Férias na praia, partidas de xadrez, muita risota.
Para os portugueses, Cunhal parecia ser tudo menos capaz de fazer rir. Estão enganados?
Essa "maior parte dos portugueses" nunca deve ter tido ocasião de ter uma conversa com ele. Porque os outros dirão o contrário.
Ele gostava de desenhar. Fez-lhe alguma história infantil? Durante os meus anos de infância desenhou-me dezenas e dezenas de giríssimas caricaturas de gatos. Eram inventadas por ele e coloridas a lápis de cores de boa qualidade, daqueles que se diluem como aguarelas se lhes passarmos um pincel molhado por cima. O humor era fantástico, com gatos a patinar ou a tocarem guitarra numa banda de rock. Os gatos tinham uns olhos enormes, muitíssimo expressivos e bigodes a "abanar ao vento".
Ainda em criança, o seu pai separa-se da sua mãe. Foi difícil conviver com a sua ausência?
"Presença" não é uma questão de geografia. "Ausência", tão-pouco.
Sentiu falta de ter um pai em casa? Casais separados, desde que o queiram, podem sempre inventar maneiras de estarem "presentes" para os filhos. Conheci bastantes filhos de casais que viviam juntos, dos quais o pai, mesmo vivendo em casa, estava muito mais "ausente" que o meu. O meu pai fazia tudo o que podia para estar "presente". Tudo reside na maneira de comunicar o amor que sentimos e em fazê-lo frequentemente. Coisa a que ele se dedicou a 200%.
Sentia o mesmo que os outros filhos de exilados políticos, ou ser filha de Cunhal dificultava ou facilitava o estar fora de Portugal?
Não sei como é que os outros filhos de exilados se sentiam.
Ficou feliz por voltar a Portugal?
Iria finalmente conhecer o resto da família e conhecer o meu país.
O que mais a marcou no regresso?
O frenesim pós-25 de Abril. A minha obstinação em continuar a ser uma pessoa como qualquer outra, num ambiente tão politizado quanto excessivamente curioso e agitado.
Sentiu-se a viver outro exílio pelo protagonismo político do seu pai?
Quem viveu em exílio foi o meu pai, não fui eu. Quanto a mim, apesar das circunstâncias fora do comum, tive uma infância que me pareceu perfeitamente normal.
A política interessou-a então?
Durante muito pouco tempo, quando fui mordida pelo micróbio dos movimentos estudantis.
Foi fácil conviver com o papel do seu pai no início da revolução?
Depende do que isso quer dizer.
Que queria implantar um regime comunista em Portugal.
Eu tinha apenas 13 anos em 1974 e fazia o que uma criança daquela idade faz... E isso, obviamente, não inclui política.
Os vossos pensamentos políticos divergiam?
Para mim, o meu pai sempre foi antes de mais nada o meu pai, mesmo tendo sido Álvaro Cunhal para o resto do mundo. As nossas conversas não eram debates políticos mas as típicas entre pai e filho.
Era difícil ser conhecida como a filha de Álvaro Cunhal?
Tenho muito orgulho no meu pai. Nunca apreciei foi o facto de certas pessoas julgarem que tinham o direito ou o dever de me tratarem de uma forma diferente pelo simples facto de eu ser filha de quem sou.
Qual o livro dele de que mais gosta?
A Arte, o Artista e a Sociedade. Um livro espantoso que aconselharia a qualquer apreciador de arte.
O seu pai gostava de pintar, mas a maior parte dos seus quadros são desconhecidos. Porquê?
Porque era uma pessoa muito modesta, que pintava pelo gosto de pintar. Se calhar muita gente não sabe que, apesar da sua modéstia e de muitas reticências, acabou por autorizar a publicação de uma colecção de impressões dos seus quadros. Chama-se Projectos - Eu gostaria de saber pintar. Era o que ele costumava dizer: "Eu gostaria de saber pintar."
Tem algum quadro dele em casa?
Duvido de que os leitores do DN se importem com o que tenho ou não em casa. Se é para se saber se me deixou os seus quadros, é evidente que sim. E revelo isto só para que não se duvide do seu amor de pai.
Porque foi viver para os EUA?
Tem a certeza de que isto não é para uma revista social?!

quinta-feira, 7 de março de 2019

8 de MARÇO - Dia Internacional da Mulher


No Dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil, situada na cidade norte-americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num acto totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o "DIA INTERNACIONAL DA MULHER", em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU - Organização das Nações Unidas.


8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Razões históricas de uma data
A proposta de Clara Zetkin de criação de um Dia Internacional da Mulher, aprovada em 1910, estipulava uma acção internacional comum pela emancipação das proletárias e pelo sufrágio universal: «Em acordo com as organizações políticas e sindicais do proletariado nos seus respectivos países, as mulheres socialistas de todos os países organizarão todos os anos um dia das mulheres que, em primeiro lugar, será consagrado à propaganda a favor do voto das mulheres (…). Este dia das mulheres deve ter carácter internacional e ser cuidadosamente preparado».

Esta proposta de Clara Zetkin não foi um acto isolado. Correspondeu à necessidade de dar um forte impulso à luta organizada das operárias, numa época em que a entrada massiva das mulheres no trabalho fabril e o desenvolvimento do movimento comunista conduziram à intensificação da luta das mulheres por melhores condições de trabalho, melhores salários e por direitos sociais e políticos. Consciente da importância decisiva da participação das mulheres trabalhadoras na transformação da sociedade, Clara Zetkin assumiu um papel notável na dinamização e na luta organizada das trabalhadoras e na incorporação das reivindicações específicas das mulheres no movimento operário e comunista.
A data do primeiro Dia Internacional da Mulher não foi uma escolha ao acaso. A indicação do mês de Março está associada a dois acontecimentos de importância simbólica para o proletariado: a revolução alemã (Março, 1848) e a Comuna de Paris (Março, 1871), acontecimento de grande alcance histórico que deu forte impulso à luta do proletariado em todo o mundo.
A 19 de Março de 1911, o sucesso da primeira celebração foi considerável – a maior manifestação do movimento pela emancipação das mulheres, com mais de um milhão de mulheres nas ruas das cidades da Alemanha, Suíça, Áustria e Dinamarca. Só em Berlim foram realizadas 42 reuniões em simultâneo e centenas de outras em toda a Alemanha. No final das reuniões, as mulheres desfilavam pelas ruas empunhando cartazes. Na Áustria, mais de 30 000 mulheres manifestaram-se nas ruas de Viena –, como relatou Clara Zetkin no Die Gleichheit.
Em 1912, as manifestações na Alemanha foram menos numerosas mas mesmo assim impressionantes: 1200 mulheres reuniram-se em Essen, 1000 em Leipzig e em Erfurt. Na maior parte das vezes, as mulheres desfilavam, disciplinadas e pacíficas, sem que a polícia interviesse. Outras vezes, como em Dusseldorf e em Berlim, a polícia espancava e prendia.
Na Suécia, realizaram-se enormes manifestações de mulheres em 1912 e 1913. Em 1913, apesar da repressão tsarista, as revolucionárias russas celebram o dia em reuniões clandestinas em algumas cidades: Moscovo, Kiev, S. Petersburgo, entre outras. Em 1914, em Paris, mais de 20 000 mulheres estiveram presentes na primeira celebração francesa.
É só a partir de 1917 que se estabelece a data de 8 de Março para as comemorações do Dia Internacional da Mulher. No dia 23 de Fevereiro do calendário gregoriano (8 de Março no calendário juliano), as mulheres russas manifestam-se em S. Petersburgo, exigindo pão, o regresso dos maridos enviados para a frente da guerra, a Paz e a República. A greve estende-se rapidamente a todo o proletariado. Em poucos dias a greve de massas transforma-se numa insurreição e ao fim de cinco dias cai o império russo.

O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora tornou-se um momento privilegiado de agitação entre as proletárias politicamente menos conscientes. Um dia que reforçava a solidariedade internacional entre as trabalhadoras na luta por objectivos comuns e uma demonstração da sua força organizada. Um contributo importante para o seu envolvimento político, um dia de «militância das mulheres trabalhadoras que ajuda a aumentar a consciência e a organização das mulheres proletárias».











Por Isabel Cruz - Revista ‘O Militante’ edição n.º 293 – Março/Abril 2008




segunda-feira, 4 de março de 2019

Petição pela aposentação -Mais de 30 mil apoiam iniciativa da Fenprof


Em defesa de um regime excepcional de aposentação docente, a Federação Nacional dos Professores entregou dia 22, na AR, uma petição com mais de 30 mil assinaturas.

Na ocasião em que uma delegação sindical fez a entrega da petição, o Secretário-geral da Fenprof revelou que ontem, dia 29, a federação iria promover uma conferência no anfiteatro do Parlamento sobre o desgaste na profissão docente. Mário Nogueira adiantou que no encontro participariam psicólogos e académicos.
Das propostas que constam na petição, a Fenprof destacou:

- a título de regime transitório e de imediato, sem qualquer penalização, a aposentação voluntária de todos os docentes com 40 anos de serviço e de descontos;
- abrir negociações para criar um regime de aposentação dos professores e educadores aos 36 anos de serviço e descontos, sem qualquer outro requisito;
- enquanto vigorar o regime transitório, a possibilidade de aposentação antecipada dos docentes, sem outra penalização que não seja a que decorra do tempo de serviço efectivamente prestado, com os indispensáveis descontos realizados;
- a alteração do artigo 37.º-A do Estatuto da Aposentação (Decreto-Lei n.º 498/72), permitindo a aposentação antecipada dos docentes que completem 30 anos de serviço, independentemente da idade.


As propostas e a atenção suscitada para este tema foram justificadas pela Fenprof com os resultados de vários estudos nacionais e internacionais, os quais têm confirmado que «o exercício continuado da docência provoca um elevado desgaste físico e psicológico nos educadores e professores, que se reflecte na qualidade das práticas pedagógicas e, por consequência, na própria qualidade do ensino», como se refere numa nota de imprensa da federação.
Por outro lado, «o agravamento dos horários de trabalho e a alteração introduzida nos últimos anos ao regime de aposentação, consubstanciada na uniformização de regimes e no agravamento nas condições de tempo de serviço e idade, originam uma profunda injustiça, já que obrigam os docentes a trabalhar para além dos 66 anos de idade (o que, para muitos, significa exercer a actividade docente durante mais de 45 anos)». Tais medidas «retiram a professores e alunos o direito a condições condignas de ensino e de aprendizagem e dificultam a indispensável renovação geracional do corpo docente».

Novo tempo

«Vive-se um novo tempo que deverá privilegiar o diálogo e a negociação, mas que não dispensa um grande envolvimento dos professores na tomada de posição e na acção», realçou a Fenprof, dia 16, numa nota em que o seu Secretariado Nacional deu conta de que a primeira reunião com a nova equipa do Ministério da Educação «correu de acordo com as expectativas».
Da parte do ministro, relata a federação, «a defesa da Escola Pública esteve sempre presente», «tendo sido frisado o facto de se estar a viver um tempo novo, que decorre do facto de na Assembleia da República existir uma nova maioria que terá também importância na definição do rumo das políticas educativas».
A Fenprof «começou por assinalar os sinais que chegam da AR como interessantes, tendo em consideração as decisões que já foram tomadas em matéria de Educação» e «concordou com a necessidade de se estabelecer um clima de confiança com os professores – perdido na última década, período em que a Escola Pública e os seus professores foram maltratados – e de respeito pelas suas organizações sindicais». Pronta a assumir as suas responsabilidades, a federação observou que, «para esse clima de confiança, contribuirá o desenvolvimento de processos de diálogo e negociação efectivos».

domingo, 3 de março de 2019

Quem é o culpado: os Estados Unidos, América Latina ou …?

Se você fosse sírio e estivesse neste momento em Alepo, a quem culparia pela devastação em que se encontra a antiga Mesopotâmia e a antiga Pérsia? A Bashar al-Assad ou aos Estados Unidos?
Se você fosse líbio e estivesse no ano 2011 em Trípoli, a quem culparia pelas ruínas, ao presidente Muammar al-Gaddafi ou aos Estados Unidos?
Se você fosse iraquiano e vivesse em Bagdad em 2006, a quem culparia pelos destroços em que se encontra o empório cultural que legou à humanidade As mil e uma noites? A Saddam Hussein ou aos Estados Unidos? E se você fosse palestino e vivesse em Gaza em 2004, a quem culparia pelos milhares de mortos? Ao presidente Yasser Arafat ou ao Estado Sionista de Israel apoiado pelos Estados Unidos?
Se você fosse cidadão haitiano e estivesse em 1994 em Port-au-Princee, a quem culparia pela crise social? Ao presidente eleito Jean Bertrand Aristide ou aos Estados Unidos? E se você fosse cidadão de Granada e vivessem em 1983 em Saint George, a quem culparia pelo desabastecimento? Ao presidente Maurice Bishop ou aos Estados Unidos?
Se você fosse cidadão chileno e vivesse em Santiago em 1973, a quem culparia de haver tantas bichas para comprar comida? Ao presidente Salvador Allende ou aos Estados Unidos?
Se você fosse vietnamita e estivesse em 1968 em Saigão, a quem culparia por camponeses e camponesas e crianças estarem abrasados por napalm? Ao presidente Ho Chi Minh ou aos Estados Unidos?
Se você fosse equatoriano e estivesse em Guayaquil, ou Cerro Huayrapungo, perto de Celica, a quem culparia pelo acidente aéreo na tarde do domingo 24 de maio de 1981? Ao presidente Jaime Roldós Aguilera ou aos Estados Unidos? E se você fosse dominicano e vivesse em Santo Domingo em 1963, a quem culparia pela instabilidade política? Ao presidente Juan Bosch ou aos Estados Unidos?
Se você fosse congolês e vivesse em Kinshasa em 1960, a quem culparia pela especulação e a campanha antiafricana? Ao Primeiro Ministro da República Democrática do Congo Patrice Lumumba ou ao império belga apoiado pelos Estados Unidos?
Se você fosse guatemalteco e estivesse na capital em 1954, a quem culparia pela crise económica? Ao presidente Jacobo Árbenz ou aos Estados Unidos?
E aqui vai a 10ª pergunta (dois pontos por cada uma).
Se você fosse venezuelano e vivesse em Caracas, ou Valencia, ou Maracay, ou San Fernando ou Puerto Ayacucho ou outro lugar, pensa que o culpado das bichas para comprar comida, medicamentos ou produtos de asseio é o presidente Nicolás Maduro?
Se conseguiu 20 pontos, felicitamo-lo. A não ser assim, você deve alterar o modo como obtém informação.
Porque se você não sabe quem aplicou um bloqueio comercial, económico e financeiro a Cuba em 1960 [até aos dias de hoje]; e igualmente hoje por hoje à Venezuela;
Se você fosse japonês e não souber quem lançou uma bomba atómica sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e outra três dias depois sobre Nagasaki;
Se você não sabe quem assassinou o general nicaraguense Augusto César Sandino em 1934 que traçou o plano de realização do sonho supremo de Bolívar;
Se você ignora que a Califórnia, Nevada, Utah, Nuevo México, Arizona, Texas, grande parte do Colorado e Kansas eram do México até 1848;
Se você ignora quem destruiu os colonatos argentinos nas Ilhas Malvinas aprisionando a maioria dos habitantes de Puerto Soledad em 1831;
Se você desconhece quem planificou assassinar o presidente Simón Bolívar em 1828 e desmembrar a nossa República da Grande Colômbia em 1829,
Então você não está a estudar bem. Leia a definição de capitalismo selvagem dada por Simón Rodríguez: doença produzida por uma « sede insaciável de riqueza ».
Preste-lhe atenção quando ele nos convida a abrir a história, assim forjamos a consciência e poderemos saber sempre quem é o culpado.
Ver aqui:

O fim da planície e a morte do azeite: um dos maiores crimes ambientais de Portugal

..."
É incrível. No Alentejo, conseguem-se esconder milhares e milhares de hectares de um olival superintensivo e as pessoas não vêem o que destroem: “os autarcas de Beja não receberam qualquer pedido para a plantação do olival nem para a instalação do sistema de rega”; os proprietários das máquinas são surpreendidos pelo Jornal  “Público” quando este questiona sobre as profanações; apesar de alegadamente terem destruído património, não sabiam da sua existência e garantem ter cumprido a lei: “implicou rasgos na terra que “não ultrapassaram os 30/40 centímetros”- argumento contrariado pelas dimensões dos socalcos que vi e das rochas retiradas e depositadas no cemitério. A intervenção foi muito além do referido, por toda a planície.
As profanações do património histórico e paisagístico são atribuídas às culturas superintensivas de amendoeiras e olival. No entanto, pelo que observei, a vinha também me parece responsável pela danificação do património paisagístico." ...