quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Banca salva Berardo da falência

Repararam que na lista dos calotes da Caixa está com grande destaque o Comendador Berardo. A "comenda" terá começado no negócio de diamantes na África do Sul, gente séria é outra coisa, e terminou com esse valor multiplicado em empréstimos sem garantias, e uma colecção de arte num dos mais prestigiados centros culturais do país, o CCB. Pediu dinheiro que não tinha, não pagou, recebeu tudo na mesma. E continua a receber. Em suma.
Terminou...? Não. Todos os anos pagamos a Joe Berardo mais de 2 milhões de euros pela colecção no CCB. E ainda quase 1 milhão de entradas de bilheteira, porque a comenda estava a ficar fraca e acabaram-se as entradas gratuitas. O mesmo Joe Berardo que deve centenas de milhões à Caixa Geral de Depósitos. O negócio do comendador era sabido de todos desde 2009, data desta reportagem do Expresso que aqui deixo em link. De lá para cá não foi penhorado, pelo contrário, todos os anos lhes pagamos.
Um pequeno detalhe: onde se lê «banca salva Berardo da falência» deve ler-se «nós salvamos», já que a Banca para salvar Berardo faliu e o Estado imprimiu divida pública para os salvamentos e as comendas deste empreendedores. Muitos de nós, os mais pobres, perderam empregos e salários, ficaram sem médicos, com professores desmotivados, e foram para a falência para salvar Berardo da falência. É que a banca foi salvá-lo e a seguir os Governos obrigaram-nos a pagar o valor do salvamento do comendador, a isto chamaram «honrar compromissos assumidos». Soma-se à dívida pública o "privilégio" de receber do Estado português 2 milhões de aluguer da colecção e 1 milhão de entradas que este cobra no CCB. 
A tudo isto o Expresso chamou na altura um «acordo favorável»

O memorando que ajudou a matar meio milhão de pessoas na Síria



U
m memorando enviado para Hillary Clinton, que o WikiLeaks tornou público em 2016, não tem tido a atenção que merece. Agora é a hora. Depois que o presidente Donald Trump twittou que estaria retirando as tropas americanas da Síria, Clinton se juntou aos vociferos críticos que querem mais guerra no país.


“Ações têm consequências, e estando ou não na Síria, as pessoas que querem nos machucar estão lá e em guerra”, Clinton twittou em resposta a Trump. “Isolacionismo é fraqueza. Empoderar o Estado Islâmico é perigoso. Jogar junto à Rússia e ao Irã é burrice. Este Presidente está colocando nossa segurança nacional em grande risco.”

De fato, ações têm consequências.

O memorando mostra o tipo de conselho que Clinton recebia enquanto Secretária do Estado para mergulhar mais fundo na Guerra Síria. Ele nos leva de volta a 2012 e à fase inicial do conflito.

Naquele momento, a Siria era um problema interno, ainda que exportações de armas sauditas estivessem exercendo um papel cada vez maior no reforço das forças rebeldes. Mas, uma vez que o Presidente Barack Obama eventualmente decidiu em favor da intervenção, sob pressão de Clinton, o conflito foi rapidamente internacionalizado, enquanto milhares de jihadistas adentraram o país, que vinham até desde a China ocidental.

O memorando de 1.200 palavras escrito por James P. Rubin, diplomata sênior no Departamento de Estado de Bill Clinton, para a então Secretaria de Estado Hillary Clinton, o qual Hillary pediu que fosse impresso duas vezes, começa com o assunto “Irã”, um importante patrono da Síria.

O memorando descarta qualquer ideia de que conversas acerca da questão nuclear iriam fazer com que o Irã parasse “de aperfeiçoar parte do programa de qualquer armamento nuclear – a capacidade de enriquecer Urânio.” E, se conseguisse a bomba – continua – Israel sofrerá um atraso estratégico já que não poderá mais “responder às provocações com ataques militares convencionais na Síria e Líbano, como atualmente pode.” Negada a habilidade de bombardear à vontade, Israel poderia deixar de fora alvos secundário e atacar o inimigo principal em vez disso.

Consequentemente, o memorando afirma que os EUA deveriam derrubar o governo Assad, tanto para enfraquecer o Irã bem como para acalmar os medos de Israel, que há muito nomeou a República Islâmica como seu principal inimigo. Como coloca o memorando:

“Derrubar Assad não seria apenas uma bênção à segurança de Israel, mas também acalmaria o compreensível medo de Israel de perder seu monopólio nuclear. Então, Israel e Estados Unidos poderiam desenvolver uma visão comum sobre quando o programa do Irã se tornar tão perigoso que uma ação militar possa ser garantida.”

Este documento, advogando armamentos aos rebeldes sírios, pode ter sido altamente ignorado por conta da confusão com suas datas, que parece imprecisa.

O marca da data no e-mail é “01/01/2001 – 03:00”, apesar de Clinton ainda ser somente uma senadora eleita naquele momento. A data também está fora de sincronia com a linha do tempo das negociações diplomáticas com o Irã.

Mas o corpo do documento fornece ao Departamento de Estado um caso e uma numeração de documento com a data de 30/11/2015. Isso, no entanto, também está incorreto, pois Hillary renunciou como Secretária de Estado em 1 de fevereiro de 2013.
Central ao Grande Debate

Consequentemente, qualquer um que tropece no memorando nos arquivos do WikiLeaks pode ficar confuso sobre como isso se encaixa no debate quanto ao uso da força para derrubar o Presidente da Síria, Bashar al-Assad. Mas pistas textuais fornecem uma resposta. O segundo parágrafo se refere a conversas sobre as conversas sobre a questão nuclear com o Irã “que iniciaram em Istambul neste mês de Abril e irão continuar em Baghdad em Maio,” eventos que ocorreram em 2012. O sexto parágrafo invoca uma entrevista com a repórter da CNN Christiane Amanpour, esposa de Rubin, conduzida com o então Ministro de Defesa israelense, Ehud Barak; “semana passada.” Como a entrevista ocorreu em 19 de Abril de 2012, o memorando pode portanto estar datado à última semana de Abril. (Depois de ser enviado como um memorando para Hillary, Rubin publicou uma versão dele na Foreign Policy em 04 de Junho de 2012.)

O memorando sincroniza com as posições de Clinton sobre a Síria, tanto por pedir pela derrubada de Assad e continuar a pressionar por uma zona de exclusão aérea, em seu último debate com Donald Trump – mesmo depois do General Joseph Dunford ter testemunhado ao Comitê de Forças Armadas do Senado, dizendo que isso poderia significar uma guerra com a Rússia.

O memorando foi enviado à Hillary pouco tempo antes dela ter somado forças com o então Diretor da CIA, David Petraeus, para pressionar por um agressivo programa de assistência militar aos rebeldes.

Desnecessário dizer que o ceticismo do memorando sobre as negociações com o Irã provou ser injustificado, já que o Irã eventualmente concordou em encerrar seu programa nuclear. O memorando, cuja impressão Hillary requisitou duas vezes, deixa claro que a Segurança israelense deixa de lado todas as outras considerações, mesmo que isso signifique incendiar uma região que já foi queimada mais de uma vez.

Mas o memorando ilustra ainda mais: uma crença descuidada e descolada da realidade, quase mística, de que tudo irá se encaixar nos devidos conformes assim que os EUA flexione seus músculos. Derrubar Assad não seria nada mais que “transformativo”, diz o memorando.

“…O Irã estaria estrategicamente isolado, incapaz de exercer sua influência no Oriente Médio. O regime resultante na Síria irá ver os EUA como um amigo, não inimigo. Washington ganharia um reconhecimento substancial lutando pelo povo no mundo Árabe, não os regimes corruptos. Para Israel, a justificativa para um ataque das forças de Coalizão contra as instalações nucleares iranianas seria suavizada. E um novo regime sírio pode muito bem estar aberto para as negociações de paz com Israel agora congeladas. O Hezbollah no Líbano seria cortado de seu patrocinador iraniano, já que a Síria não seria mais um ponto de trânsito iraniano para treinamento, assistência e base de mísseis.”

Era uma “abordagem de baixo custo e altos ganhos”, diz o memorando, que iria eliminar um inimigo, enfraquecer mais dois e gerar tamanha harmonia entre o povo sírio que as conversas de paz entre Damasco e Tel-Aviv ganhariam vida de novo. Os riscos aparentavam ser nulos. Já que “a operação na Líbia não teve consequências duradouras para a região,” supõe o memorando, se referindo à derrubada do governante Muammar Gaddafi seis meses antes, a operação síria também não iria. Em uma passagem que pode ter influenciado a política de Hillary sobre a zona de exclusão aérea, apesar do aviso de Dunford, o memorando diz:

“Alguns dizem que o envolvimento dos EUA arrisca uma guerra mais ampla com a Rússia. Mas o exemplo de Kosovo [no qual a OTAN bombardeou a Sérvia, aliada da Rússia] mostra o contrário. Nesse caso a Rússia tinha genuínos laços étnicos e políticos com os sérvios, o que não existe entre a Rússia e a Síria, e até mesmo a Rússia fez pouco mais do que reclamar. Oficiais russos já reconheceram que não vão ficar no caminho se uma intervenção vier.”

Então, não havia com o que se preocupar. Sessenta e cinco anos de conflito Árabe-Israelense ficariam de escanteio enquanto a Rússia permaneceria seguramente marginalizada.
O resultado

Este, no entanto, não foi o resultado. Naquele momento, a Líbia parecia sob controle. Mas três ou quatro meses depois o país explodiria, com milícias islâmicas apoiadas pelo Ocidente atirando-se umas contra as outras, impondo uma estrita legislação religiosa, reinstituindo a escravidão e voltando décadas atrás em progresso social. Uma vez que o Presidente Barack Obama aprovou uma versão modificado do plano de Clinton e Petraeus, a Síria cairia no mesmo abismo, enquanto jihadis financiados pela Arábia Saudita e outras monarquias petrolíferas, muitos dos quais vieram da Líbia, espalharam violência sectária e medo.

A suposição do memorando, de que os EUA poderiam decapitar o governo sírio ordenadamente e de forma limpa, sem precisar se preocupar com consequências mais amplas, era uma ilusão.

A idéia de que civis sírios cairiam de joelhos em gratidão era absurda, enquanto o desprezo de Clinton pela complexidade da política na Síria era assombrosa.

Há também a alegre sugestão no memorando de que Washington “trabalha com aliados regionais, como a Turquia, Arábia Saudita e Catar, para organizar, treinar e armar forças rebeldes sírias.”

No final de 2009, a Secretária de Estado Hillary Clinton enviou um outro memorando diplomático tornado público pelo WikiLeaks, dizendo que “doadores na Arábia Saudita constituem a fonte de financiamento mais significativa aos grupos terroristas sunitas ao redor do mundo.” Então o que a fez pensar, dois anos depois, que o reinado não financiaria jihadis sírios precisamente da mesma laia?

O memorando de 2009 bateu no Catar por permitir à Al Qaeda, Talibã e outros grupos terroristas, o uso do sheiknado “como uma localidade de captação de recursos.” Ela bem sabia na época que uma autocracia pró Al Qaeda iria agora ajudar os sírios “a lutar por sua liberdade,” como colocado no memorando por ela enviado.

Há uma notável continuidade entre a política para a Síria defendida por Clinton e políticas anteriores no Afeganistão e na Líbia. Na primeira, a assistência militar dos EUA acabou fluindo para o senhor da guerra Gulbuddin Hekmatyar, um religioso sectário e furioso xenofóbico anti-ocidental, o qual, não obstante, era “o mais eficiente em matar soviéticos,” como Steve Coll escreve em “Ghost Wars”, seu best-seller de 2004, no qual conta a história de amor da CIA com a jihad.

Os assassinatos de Hekmatyar acabaram nos braços americanos. Mais ou menos a mesma coisa aconteceu na Líbia quando Clinton persuadiu o Catar a se unir na coalizão anti-Gaddafi. O sheiknado agarrou a oportunidade de distribuir cerca de 400 milhões de dólares para diversas milícias rebeldes, muitas das quais extremistas islâmicas. A administração Obama não disse nada em resposta.

Mais uma vez, armas e materiais dos EUA acabaram nas mãos dos elementos mais reacionários. O mesmo aconteceria na Síria, onde armas americanas e sauditas foram parar nas mãos do afiliado local da Al Qaeda, conhecido como Jabhat al-Nusra, e até mesmo com o Estado Islâmico, como reportado meticulosamente pelo Conflict Armament Research, um grupo de estudo financiado pela Suíça e União Europeia.
Mistura insurgente

Por volta de Agosto de 2012, um relatório secreto da Defense Intelligence Agencydescobriu que os Salafistas, a Irmandade Muçulmana e a Al Qaeda já eram “as principais forças dirigindo a insurgência” e que os EUA e estados do Golfo os apoiavam assim mesmo. O relatório advertiu que os EUA e alguns de seus aliados estavam apoiando o estabelecimento de um “Principado Salafista” na Síria Oriental para pressionar Assad, e que ele poderia se transformar em um “Estado Islâmico” – dois anos antes do Estado Islâmico ser declarado, em 2014. Clinton estava entre os oficiais sênior da administração Obama que por sua teria que ter visto o relatório, já que ele foi enviado ao Departamento de Estado e outras diversas agências.

Em 2016, o então Secretário de Estado, John Kerry, confirmou esta política em um áudio vazado, dizendo que os EUA, em vez de combater seriamente o Estado Islâmico na Síria, estava pronto para usar a crescente força dos jihadistas para pressionar Assad a renunciar, como enfatizado no documento da Defense Intelligence Agency.

“Nós sabemos que isso estava crescendo, estávamos assistindo, vimos que os Daesh [um nome árabe para Estado Islâmico] estava se fortalecendo e achamos que Assad estava ameaçado,” disse Kerry. “Nós achávamos, entretanto, que provavelmente poderíamos conseguir que Assad pudesse então renunciar, mas em vez de negociar ele conseguiu Putin para apoiá-lo.”

O escritor de discursos, Ben Rhodes, resumiu o problema dos rebeldes “moderados” sendo indistinguíveis da Al Qaeda, em suas memórias da Casa Branca, “The World As It Is.” Ele escreveu:

“A Al Nusra era provavelmente a maior força entre a oposição e enquanto havia elementos extremistas no grupo, também estava cada vez mais claro que a oposição moderada estava lutando lado a lado com a Al Nusra. Eu afirmei que estabelecer a Al Nusra como um grupo terrorista iria alienar as mesmas pessoas que queremos ajudar, e dar à Al Nusra menos incentivo para evitar afiliações extremistas.”

O problema era como separar os “bons” lutadores da Al Qaeda dos “maus”. Posteriormente Rhodes reclamou quando o Presidente russo Vladimir Putin disse que ele e os oficiais de Obama estavam “tentando escalar um pinheiro, pelados, sem arranhar suas bundas.” Isso era “presunçoso,” escreveu Rhodes. Mas Putin estava meramente utilizando uma colorida expressão para dizer que a política não fazia sentido; e não fazia mesmo.

O custo da política apoiada por Clinton na Síria tem sido impressionante. O total de pessoas mortas chega a 560 mil e metade da população foi deslocada, enquanto o Banco Mundial estimou os danos da guerra em 226 bilhões de dólares, equivalente a seis anos de salário de todos os homens, mulheres e crianças sírias.

Um memorando distorcido ajudou a desencadear uma catástrofe na vida real que se recusa a simplesmente desaparecer. É um pesadelo do qual Trump está lutando para escapar, ao tentar retirar as tropas estadunidenses com seu jeito confuso e iludido. E é um pesadelo que belicistas desde o neoconservador John Bolton, conselheiro de segurança de Trump. até a “liberal” porta-voz Nancy Pelosi e Hillary Clinton estão determinados a dar continuidade.

Esquerda a serviço da direita: depois de incentivar fuga de Jean Wyllys, Mujica apoia golpe contra Maduro


A Venezuela é objeto de desejo e efetiva exploração dos norte-americanos pelo menos desde 1883, quando o governo do país outorgou a Horácio Hamilton, a concessão para explorar o lago de asfalto Guanoco, então o maior depósito natural daquela substância. O cidadão norte-americano cedeu seu contrato para a empresa The New York and Bermudez Company, um trust do asfalto com sede na Filadélfia. A empresa explorou o asfalto e o exportou sem jamais cumprir com as contrapartes exigidas.

Mais tarde, diante dos conflitos com o general Cipriano Castro, que tomou o poder em 1899, a empresa decide apoiar financeiramente o movimento armado para derrubar o governo. Assim, em 1902, teve lugar uma revolução armada, batizada de ‘libertadora’, totalmente financiada pelos norte-americanos. Após a derrota da ‘revolução’, a própria admitiu sua participação, mas o novo governo apenas exigiu uma indenização, o que foi recusado pela empresa. A seguir, a pressão aumentou, com navios dos EUA, Alemanha e Inglaterra adentrando em águas venezuelanas e bombardeando portos do país, motivo pelo qual foram presos cidadãos ingleses e alemães radicados no país.

A empesa New York and Bermudez Company foi acionada judicialmente, mas estava claro que o governo de Cipriano Castro buscava repor recursos que havia saqueado do erário público. Washington aproveita o momento para preparar o terreno e atacar Caracas: “O governo dos Estados Unidos pode, com muita propriedade, tomar as medidas necessárias para oferecer à companhia americana toda proteção que precise” (John Hay, Secretário de Estado)

Assim, preparam-se para colocar em ação o Plano Parker: desembarque dos infantes da marinha, captura de Cipriano Castro, ocupação dos portos, estabelecimento de um governo provisório made in U.S.A. Não foi preciso, mais tarde o presidente foi traído, enquanto ausentou-se do país para cuidar da saúde, e o novo governante, Juan Vicent Gómez, fez uma composição com os norte-americanos. Castro nunca mais pode voltar ao seu país, porque lhe impediam navios norte-americanos.

É em 1909, o governo entreguista de Vicent Gómez faz a primeira concessão para exploração e exportação de petróleo no país à The Venezuela Development Company Ltda. O contrato era generoso para a companhia e abrangia um território enorme, permeando 13 (treze) estados. Isso se deu após visita de Frank Knox que, ao regressar a Washington, estava exultante e empolgado com as possibilidades de exploração do país, principalmente porque seu governante mostrou-se absolutamente submisso à “diplomacia do dólar”.

Não à toa, em 1930, o ministro de Fomento da Venezuela escrevia: “As leis venezuelanas sobre o petróleo são as melhores do mundo para as companhias”. Em 1931, a Venezuela já era uma país de primeira categoria na exploração de petróleo, com projeção de 120 milhões de barris para aquele ano.

O país receberá muitas empresas para explorar seu petróleo, mas permanecerá pobre, e os norte-americanos nunca mais permitirão de bom grado um governo que ameace seus interesses comerciais, nem permitirá que o povo se organize, sem repressão, contra a cada vez mais clara exploração abutre que o país sofre, sem retorno para o povo e para o desenvolvimento.

O ódio a Hugo Chavez e todos os recursos utilizados para afastá-lo do poder e agora a Nicolás Maduro são apenas uma nova roupagem para uma velha política. É o imperialismo norte-americano que não admite que a Venezuela explore suas riquezas e cresça. Os norte-americanos vem financiando políticos e fornecendo material bélico e suporte estratégico desde o final do século XIX, tudo para manter seu domínio sobre os governos venezuelanos. Hoje não é diferente. O fato de Hugo Chavez ter conseguido permanecer no poder e fazer seu sucessor é motivo de desespero para os EUA e para sua investida cada vez mais dura para derrubar o governo de Maduro.

Assim, quando ouvimos Pepe Mujica bajular o imperialismo, afirmando que a saída para a Venezuela são eleições gerais, estamos diante da mais absoluta capitulação da esquerda, ou de uma certa esquerda no Continente. Lembrando que no Brasil também temos personagens de ‘esquerda’ que fazem coro ao Império satanizando Nicolás Maduro e apoiando a queda do governo democraticamente eleito.

Mujica sempre foi o mais moderado dos presidentes de esquerda da América Latina, com claros sinais de simpatia ao imperialismo. O Império, por sua vez, tem simpatias pelo ‘Pepe’, uma vez que sua política nunca foi efetivamente contra os interesses da burguesia, ou do imperialismo mesmo. Esse tipo de “esquerda” é tolerável, pois serve à direita, como contraparte à esquerda mais decidida e operária da região, que é o caso de Nicolás Maduro na Venezuela, que enfrenta o imperialismo.

Talvez por isso mesmo Mujica incentivou o deputado psolista Jean Wyllys a fugir do Brasil, posição covarde e que leva à desmoralização da esquerda e consequentemente ao fortalecimento da direita. Isso ajuda a desorganizar o movimento de luta contra o golpe e o fascismo.

Mas, não bastasse isso, agora faz eco, melhor, uma frente única com o imperialismo e pede novas eleições na Venezuela, ou seja, considera Maduro um presidente ilegítimo. Esse não é o comportamento de um militante de esquerda, que deveria apoiar o presidente Maduro e o povo venezuelano em sua luta contra o imperialismo. Na prática, e ele já afirmou isso em outras ocasiões, considera a Venezuela um mal exemplo, motivo pelo qual deseja sim a queda de Maduro e do chavismo. Torna-se um porta-voz do imperialismo, para impor um regime fascista e neoliberal à Venezuela, e ao país, destruir toda a esquerda venezuelana e latino-americana.

NOTA:
Este nunca me enganou. A divulgação da " humildade" em que vivia nao passava de uma capa populista. Esquerdista de origem não fugiu à regra da traição onde caem todos os esquerdismos.

Ver aqui:

A SOLIDARIEDADE EM PORTUGAL:

“Quando as bombas começarem a cair não serão apenas chavistas a morrer”


Várias organizações promoveram em Lisboa uma sessão de apoio ao Governo venezuelano e de condenação do que dizem ser um golpe dos EUA. Embaixador disse que “há luso-venezuelanos que dão a vida pela revolução”
O ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica defende que, para evitar que a crise na Venezuela termine em uma guerra, é preciso haver eleições gerais no país, com um forte monitoramento internacional que garanta a participação de todas as correntes políticas.
Em entrevista à BBC Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, Mujica afirmou acreditar que os Estados Unidos estão dispostos a intervir na Venezuela para viabilizar uma vantagem geopolítica em relação à China. A intenção do governo americano seria impedir que o gigante asiático controle o petróleo do país da América do Sul.
Embora o ex-guerrilheiro tupamaro tenha mantido uma relação próxima como o ex-presidente da Venenzuela Hugo Chávez, que morreu em 2013, ele evita se posicionar sobre Nicolás Maduro.
Mujica reconhece, porém, que "o regime venezuelano" prejudicou a esquerda na América Latina. "Parte da esquerda não aprende as lições da história", criticou.

Mujica: ‘Parte da esquerda não aprende as lições da história’

Venezuela recebe equipamentos militares russos do mais alto nível, afirma Maduro

Presidente venezuelano afirmou que pediu apoio a Putin para "proteger a verdade venezuelana a nível internacional"; Rússia, China, Irã e Turquia reafirmaram seu apoio a Maduro



O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (30/01) que recebe equipamentos militares de alto nível da Rússia com regularidade, e destacou a parceria de seu governo com o presidente russo, Vladimir Putin.

Em entrevista exclusiva à agência Sputnik, Maduro afirmou que "o presidente Vladimir Putin sempre nos forneceu assistência da Rússia em todos os sentidos, e nós a aceitamos com gratidão. O que pedi ao presidente Putin foi que nos mantivéssemos em contato constante, para termos todo o apoio diplomático e político da ONU e para proteger a verdade venezuelana a nível internacional".

Maduro afirma que, durante seu diálogo com o presidente russo, Putin disse que ambas as nações reforçariam a cooperação nos setores econômico, comercial, petrolífero, militares e em todas as áreas.

"Em termos de cooperação militar, temos equipamentos russos do mais alto nível, na Venezuela se encontram os sistemas de armas mais avançados, eles estão bem posicionados, todo o nosso pessoal está trabalhando, eles foram treinados na Rússia. Temos uma relação muito boa em termos de cooperação militar com Putin", disse Maduro.

Ao ser perguntado sobre a proposta de novos pedidos de armamentos, o líder venezuelano alega que a estratégia é sempre melhorar a cooperação para que se avance na segurança do país.

"Sempre temos planos para avançar na cooperação para melhorar a defesa aérea, a artilharia e os sistemas de mísseis. Nós sempre avançaremos aqui. A Venezuela receberá os armamentos mais avançadas do mundo", disse Maduro, adicionando que as armas chegam ao país todos os meses.

O mandatário ainda afirmou que a Venezuela possui "boas relações financeiras com a China e a Rússia, e elas irão se desenvolver, relações sobre o financiamento da cooperação no setor do trigo, por exemplo. [A China e a Rússia] estão financiando e nós estamos pagando no prazo", disse.

Maduro declarou ainda que o "trigo russo tem sido muito bem sucedido na Venezuela", e que essa colaboração garante ao país latino-americano independência alimentar e segurança.

"A China está financiando a produção de petróleo e espera aumentar o financiamento nos próximos meses. Contamos com o forte apoio da China e da Rússia para o desenvolvimento econômico da Venezuela", afirmou o presidente.

A situação política venezuelana se tornou mais tensa após a tentativa de golpe de Estado no dia 23 de janeiro, quando o chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se autodeclarou presidente interino do país durante um ato realizado nas ruas de Caracas e contou com apoio de países como Estados Unidos, Brasil, Colômbia e Canadá.

A Rússia, China, Irã e Turquia reafirmaram seu apoio ao atual governo venezuelano de Maduro, enquanto vários países latino-americanos expressaram seu apoio a Guaidó. O México e o Uruguai, no entanto, oferecem assistência para mediar uma solução política para a crise.


NOTA: 
Este gajo é um populista, convencido e demagogo. O Kadaffi, o Sadan também afirmavam que estavam preparados para enfrentarem o imperialismo americano e caíram sem quase resistência. Acabaram os dois mortos em público de uma forma indigna para qualquer cidadão, sem honra, sem resistência, sem combate.
Se está bem armado só tem de posicionar os meios de forma a fazer frente a qualquer tentativa de invasão, organizar a população e as forças armadas para o combate sem grande alarido, tudo o resto é fanfarronice.

*Com SputnikAqui
Aqui também:

Bruno Carvalho publicado no faceboock em 2.02.2019
1 h
Foi neste dia, há 20 anos, que Hugo Chávez tomou posse como presidente da Venezuela. Fê-lo em directo para todo o país e disse que jurava sobre aquela "moribunda constituição". Dez anos antes, o povo levantava-se contra o aumento de preços imposto pelo FMI numa revolta que resultou em milhares de mortos às mãos do exército. Governavam na altura os que agora dizem que antigamente é que era bom. Um sector das forças armadas jurou vingança. À frente dos soldados progressistas estava Hugo Chávez. Depois de se tornar presidente, sofreu um golpe de Estado pelos que hoje são promovidos por televisões, jornais e rádios como se fossem democratas. A Venezuela avançou muito. Conheci gente que só viu um médico na vida quando chegaram os cubanos às favelas de Caracas. Outros aprenderam a ler e a escrever numa campanha que erradicou o analfabetismo. Milhões de venezuelanos receberam apartamentos novos e proliferaram durante anos os supermercados do Estado com produtos a preços regulados para fazer frente à guerra contínua de especulação e açambarcamento da distribuição privada. A primeira vez que fui à ópera na minha vida foi em Caracas. Milhares de venezuelanos humildes acediam ao que dantes lhes estava vedado. Ao contrário do meu país, Portugal, democratizava-se a comunicação social. As favelas enchiam-se de rádios e jornais locais. Da trabalhadora doméstica ao vendedor de frutas, todos tinham algo para dizer porque os silenciaram durante décadas. Eu era testemunha dessa vertiginosa democracia em que Hugo Chávez declarava como objectivo o Estado comunal. E, repente, as comunas começaram a surgir como cogumelos. A ideia de construção de um poder autónomo que desarticulasse o aparelho do velho Estado capitalista dando mais poder ao povo. É fácil ser-se europeu quando durante séculos evoluímos sobre a riqueza espoliada de outros países. A nossa evolução é também um reflexo disso. Queremos que a Venezuela seja como as grandes potências mundiais quando os Estados Unidos trataram de a desindustrializar quando fizeram com esta um tratado de livre comércio que, no fundo, foi como a União Europeia. Países ricos ficam com o aparelho produtivo dos países pobres. E uma e outra vez tentamos dar-lhes lições. Civilizá-los como no tempo do colonialismo, diriam alguns. Mas a Venezuela, com Cuba e a Nicarágua, faz hoje parte daquilo a que o imperialismo chama troika da tirania. É o novo eixo do mal. E há quem não perceba, quem não entenda, que hoje são eles e que amanhã podemos ser nós. Que todo aquele que ouse projectar um modelo social e económico alternativo está sujeito a ser esmagado pelos poderosos. Como o heróico povo haitiano que um dia ousou desafiar o colonizador e foi condenado ao ostracismo eterno. Há que ler As Veias Abertas da América Latina uma e outra vez e entender porque corre no sangue daqueles povos a rebeldia. Não é porque sejam violentos. É porque a liberdade só se conquista de pé e com a dignidade à esquerda, como o coração. É o povo venezuelano que nos deve servir de exemplo. Nunca os Estados Unidos e a União Europeia. Devem rir-se aqueles que nos governam e nos mantêm na pobreza de verem trabalhadores, explorados, defenderem o mesmo que eles. Eles querem-nos escravos e nós devíamos querer-nos rebeldes.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Guilherme Antunes
O QUE ELES ESQUECEM
(por Romain Migus)
O presidente francês, Emmanuel Macron, ordena a Nicolas Maduro que não reprima a oposição, MAS ELE ESQUECE as 3.300 prisões e os 2.000 feridos ligados à repressão do movimento dos "coletes amarelos".
O presidente do governo espanhol, Pedro Sanchez, dá 8 dias a Nicolas Maduro para organizar eleições, MAS ELE ESQUECE que não está no seu posto senão graças a uma moção de censura e não por eleições livres.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa Nicolas Maduro de não ser o legítimo presidente venezuelano por ter sido eleito apenas por 30,45% dos inscritos, MAS ELE ESQUECE que apenas 27,20% dos eleitores estadunidenses o escolheram.
O presidente colombiano, Ivan Duque, grita à "narco-ditadura venezuelana", MAS ELE ESQUECE que 65% da cocaína no mundo é fabricada na Colômbia, sob o olhar complacente das autoridades do país.
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, está preocupado quanto aos direitos humanos na Venezuela, MAS ELE ESQUECE ter declarado que os movimentos sociais que se opusessem à sua política seriam considerados como organizações terroristas.
O presidente argentino, Maurício Macri, acusa Nicolas Maduro de ser um corrupto MAS ELE ESQUECE que só o seu nome aparece nos "Panama Papers", não o do presidente venezuelano.
Portugal deplora a crise venezuelana que, segundo a ONU, empurrou 7,2% dos venezuelanos para os caminhos da emigração MAS ESQUECEM que 21% dos portugueses tiveram de abandonar o seu país e vivem no estrangeiro, segundo as mesmas fontes.
O presidente peruano, Martin Vizcarra, grita que há ditadura na Venezuela, MAS ELE ESQUECE que foi nomeado, sem o menor voto popular, apenas em substituição do presidente anterior destituído por corrupção.
Na Inglaterra, os dirigentes denunciam os atentados à liberdade de expressão na Venezuela, MAS ESQUECEM que mantêm, sem nenhum motivo válido, o jornalista Julian Assange em reclusão.
A Bélgica alarma-se com a situação da economia venezuelana, MAS ESQUECE que em Bruxelas a empresa Euroclear retém 1,25 mil milhões de dólares pertencentes ao Estado venezuelano.
Estas inversões acusatórias, próprias desta "Escola do mundo invertido" descrita por Eduardo Galeano, fazem parte do "modus operandi" da propaganda contra a Venezuela.
Elas visam preparar a opinião pública internacional para a legitimidade de uma acção violenta contra o Povo venezuelano. As bombas mediáticas já começaram a chover.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Partido Comunista Chileno

[Breno Altman] Após o golpe de Estado ocorrido em 1973, os comunistas tiveram a coragem política e a honestidade de fazerem uma profunda autocrítica de sua política anterior, atribuindo a essa orientação – em grande medida – as fragilidades da esquerda local em resistir à insurgência militar dirigida por Pinochet, o imperialismo e a burguesia chilena.
A decorrência disso foi a chamada linha de rebelião popular, vigente nos anos 70 e 80, com a construção da Frente Patriótica Manuel Rodriguez (braço armado do PCCh até 1987), a formação de uma frente com o MIR e a esquerda do PS, além de setores católicos e independentes, o esforço em todas as trincheiras por uma alternativa democrático e popular à ditadura pinochetista.
Nos anos 90 e no início do século atual, com a debandada dos socialistas para um acordo com a democracia-cristã, sob a égide da Concertação, o PCCh manteve a estratégia de construir um bloco popular independente, inclusive no plano eleitoral, apresentando candidaturas próprias a presidente.
Mas há alguns anos, possivelmente esgotados do longo período de marginalização institucional, pois o sistema eleitoral binominal herdado da ditadura interditava a vitória de candidatos comunistas ao parlamento, os herdeiros de Recabaren deram um giro em sua política e ingressaram na coalizão centrista de socialistas e democratas-cristãos, denominada Nova Maioria, que elegeu Michelle Bachelet para um segundo mandato como presidente.
Os comunistas puderam, então, eleger uma meia dúzia de deputados, pela aliança a qual se somavam, mas se comprometeram com um governo atolado nos marcos do neoliberalismo, incapaz de enfrentar com firmeza os entulhos da ditadura e amarrado aos interesses do grande capital.
Mesmo que, verdade seja dita, Bachelet tenha tentado ir algo além de políticas compensatórias, com o apoio dos comunistas, incluindo acenos para a convocação de uma Assembleia Constituinte (a Constituição chilena ainda é a da era Pinochet, imposta em 1980!), sua administração é ancorada em uma aliança político-social aprisionada pela lógica do capital financeiro e suas expressões políticas, como a própria DC e setores socialistas alinhados ao ex-presidente Ricardo Lagos, uma espécie de FHC local.
Próximos a novas eleições presidenciais, os chilenos assistem o crescimento de uma candidatura que, pela esquerda, ameaça romper com a polarização entre a direita e o campo da antiga Concertação.
Trata-se de Beatriz Sánchez, da Frente Ampla, apoiada por vários dos antigos aliados comunistas anteriores à adesão do partido ao esquema de poder do PS com a DC.
Mas o PCCh, que poderia ser uma força decisiva para ampliar as chances de uma alternativa progressista, segue amarrado a Nova Maioria, como uma corrente secundária e subordinada, passando ainda a vergonha de pertencer a um governo que ataca diuturnamente a revolução bolivariana e o governo venezuelano.
O partido ganhou algum conforto depois do rompimento da DC com a antiga coalizão, ocorrido há alguns meses, o que permite vender a hipótese de que a Nova Maioria poderá sair do pântano e assumir posições mais à esquerda.
Mas o fato triste é que o heroico PCCh, coluna vertebral do governo Allende e da resistência, novamente atolou em uma política que retira da classe trabalhadora independência, protagonismo e capacidade de confrontação.
O erro é novo, de fato, mas a matriz talvez seja antiga. A mesma que foi severamente criticada depois da derrota de 1973.
Após o golpe de Estado ocorrido em 1973, os comunistas tiveram a coragem política e a honestidade de fazerem uma profunda autocrítica de sua política anterior, atribuindo a essa orientação – em grande medida – as fragilidades da esquerda local em resistir à insurgência militar dirigida por Pinochet, o imperialismo e a burguesia chilena.
A decorrência disso foi a chamada linha de rebelião popular, vigente nos anos 70 e 80, com a construção da Frente Patriótica Manuel Rodriguez (braço armado do PCCh até 1987), a formação de uma frente com o MIR e a esquerda do PS, além de setores católicos e independentes, o esforço em todas as trincheiras por uma alternativa democrático e popular à ditadura pinochetista.
Nos anos 90 e no início do século atual, com a debandada dos socialistas para um acordo com a democracia-cristã, sob a égide da Concertação, o PCCh manteve a estratégia de construir um bloco popular independente, inclusive no plano eleitoral, apresentando candidaturas próprias a presidente.
Mas há alguns anos, possivelmente esgotados do longo período de marginalização institucional, pois o sistema eleitoral binominal herdado da ditadura interditava a vitória de candidatos comunistas ao parlamento, os herdeiros de Recabaren deram um giro em sua política e ingressaram na coalizão centrista de socialistas e democratas-cristãos, denominada Nova Maioria, que elegeu Michelle Bachelet para um segundo mandato como presidente.
Os comunistas puderam, então, eleger uma meia dúzia de deputados, pela aliança a qual se somavam, mas se comprometeram com um governo atolado nos marcos do neoliberalismo, incapaz de enfrentar com firmeza os entulhos da ditadura e amarrado aos interesses do grande capital.
Mesmo que, verdade seja dita, Bachelet tenha tentado ir algo além de políticas compensatórias, com o apoio dos comunistas, incluindo acenos para a convocação de uma Assembleia Constituinte (a Constituição chilena ainda é a da era Pinochet, imposta em 1980!), sua administração é ancorada em uma aliança político-social aprisionada pela lógica do capital financeiro e suas expressões políticas, como a própria DC e setores socialistas alinhados ao ex-presidente Ricardo Lagos, uma espécie de FHC local.
Próximos a novas eleições presidenciais, os chilenos assistem o crescimento de uma candidatura que, pela esquerda, ameaça romper com a polarização entre a direita e o campo da antiga Concertação.
Trata-se de Beatriz Sánchez, da Frente Ampla, apoiada por vários dos antigos aliados comunistas anteriores à adesão do partido ao esquema de poder do PS com a DC.
Mas o PCCh, que poderia ser uma força decisiva para ampliar as chances de uma alternativa progressista, segue amarrado a Nova Maioria, como uma corrente secundária e subordinada, passando ainda a vergonha de pertencer a um governo que ataca diuturnamente a revolução bolivariana e o governo venezuelano.
O partido ganhou algum conforto depois do rompimento da DC com a antiga coalizão, ocorrido há alguns meses, o que permite vender a hipótese de que a Nova Maioria poderá sair do pântano e assumir posições mais à esquerda.
Mas o fato triste é que o heroico PCCh, coluna vertebral do governo Allende e da resistência, novamente atolou em uma política que retira da classe trabalhadora independência, protagonismo e capacidade de confrontação.
O erro é novo, de fato, mas a matriz talvez seja antiga. A mesma que foi severamente criticada depois da derrota de 1973.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

«Quintal das traseiras» a ferro e fogo

Os EUA parecem ter pressa em juntar à guerra económica e à conspiração interna uma agressão militar formal contra a Venezuela. Podem continuar a ressuscitar a velha “doutrina Monroe”, mas talvez se enganem se julgarem que o seu “quintal das traseiras” ainda é o mesmo de há cem anos.

 José Goulão     23.Ene.19 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

ECONOMIA DO SOLAVANCO

Vitor Lima
3 h
CONHECEM A ECONOMIA DO SOLAVANCO ?
Na paróquia lusa vive-se de surtos investidores, do para-arranca ou do arranca para logo parar. O que não para é o crescimento da punção fiscal enquanto os rendimentos do trabalho patinam
1 - No surto do final dos anos 90 foi a Expo-98. E o Parque das Nações que estava projetado para ser um negócio lucrativo conduziu ao fecho da Parque-Expo, recentemente com um prejuízo superior a 200 M; e que entretanto cobrava o abastecimento de água aos moradores, com taxas exorbitantes.
2 - A construção da Ponte Vasco da Gama, fora do local mais conveniente (Barreio-Chelas) e sem ferrovia, por influência de um motard e colecionador de mapas antigos travestido de ministro (Ferreira do Amaral). Ficou célebre e com direito a Guiness a grande feijoada inaugural. Feijão e circo, uma inovação lusa.
3 – Seguiu-se a febre investidora dos dez estádios de futebol para ancorar a economia do evento – um campeonato de futebol - e eles aí estão, muitos deles imprestáveis, com relva não pisada.
4 – Também aconteceu a penúltima dança em torno dos locais para o novo aeroporto de Lisboa, da Ota para Alcochete e de Alcochete, num voo curto que durou uns dez anos, para o Montijo; dentro da lógica improvisada que carateriza as governanças. E a plataforma logística do Poceirão.
Agora vive-se a euforia dos portos e das dragagens
5 - Sines, não fora a visão dos singapuranos continuaria sem contentores. Agora projeta-se uma ligação ferroviária a Madrid, na esperança que os madrilenos esqueçam Algeciras, Bilbao, Valência ou Barcelona; tudo isso, num contexto global que se avizinha, algo depressivo, em torno do Brexit e das sanções que Trump vai distribuindo, como as cartas de um baralho.
6 - Em Setúbal vão dragar junto à margem norte do estuário 6 M m3 para albergar dois enormes Panamax em simultâneo; à parte os enormes efeitos ambientais, não sabemos que crescimentos de tráfego (e quais) justificam tal obra. A megalomania tem uma longa história; em tempos houve um plano para que Faro movimentasse 500000 t de carga!
7 - Como as dragagens estão na moda e, depois de abandonada a ideia peregrina de movimentar contentores na Trafaria, os ditos irão ser transferidos para o Barreiro, ao fundo do mar da Palha.
Com tanta fartura, o pobre – que irá pagar a euforia - desconfia. Alguns empresários da obra pública, bem instalados no municiamento das governanças, rejubilam. Talvez se deva incluir na festa a empresa de consultadoria que tem como sócias Ana Paula Vitorino (ministra) e Lídia Sequeira (chefe do porto de Setúbal)
E assim vai Portugal – diz o Fausto – uns vão bem e muitos mal

domingo, 20 de janeiro de 2019

GUE/NGL É O QUÊ?

GUE/NGL É O QUÊ?

Recentemente tiveram lugar em Nicósia [Chipre] os chamados "Dias de Estudo", organizados pelo grupo euro-parlamentar de "esquerda" denominado European United Left/ Nordic Green Left (GUE/NGL). Como é bem sabido, o KKE retirou-se deste grupo em 2014 uma vez que é – na sua essência – o "braço" parlamentar da estrutura oportunista do chamado "Partido da Esquerda Europeia" (PEE). O KKE na Europa coordena a sua acção com 30 Partidos Comunistas e Operários que participam na "Iniciativa Comunista Europeia". 

(…) É certamente, audacioso da parte do GUE/NGL organizar uma discussão "sobre a luta contra a extrema-direita" e designar para apresentar este tópico o representante do SYRIZA o qual já há 4 anos co-governa a Grécia com o partido de extrema-direita Gregos Independentes (ANEL).

(…) Esta política anti-popular que foi implementada pelo governo "de esquerda" do SYRIZA também levou 46,3% da população a viver abaixo da linha de pobreza. 

(…) O GUE-NGL participa na "celebração" dos "Prémios Sakharov" anti-comunistas que foram instituídos pelo euro-parlamento. 

(…) Anti-comunismo e anti-sovietismo, combinados com revisão da História e justificação dos nazis, juntamente com o refutar de esperanças que foram semeadas pelos governos sociais-democratas (velho e novo), são factores que "preparam o terreno" para o desenvolvimento de forças nacionalistas de extrema-direita e fascistas.

(…) Brecht escreveu que "o fascismo só pode ser combatido como o capitalismo, na sua forma mais crua e opressiva"

(…) Só os comunistas que mantêm uma frente contra o capitalismo, os monopólios, as uniões imperialistas, que travam uma batalha para a formação da aliança social da classe trabalhadora com os outros estratos populares e que enviarão para o caixote do lixo da História o ventre de onde nasce o fascismo, o sistema capitalista. Só com esses se fará futuro

(extracto do texto de um membro do CC e responsável das relações internacionais do PCG) —