● Em relação ao Partido Comunista da Grécia, cujo papel na luta dos trabalhadores e do povo grego o PCP sempre valorizou, surgem no debate interrogações em relação a aspectos do seu posicionamento político como no caso do referendo de 5 de Julho.
É a cada partido comunista que compete definir em completa independência e autonomia a orientação que considera adequada para o seu país e, mesmo no caso de não a acompanhar, o PCP nunca enveredará pelo caminho da interferência nos assuntos internos de outro partido.
A solidariedade internacionalista dos comunistas portugueses é uma solidariedade de princípio que diferenças de opinião e divergências não põem em causa.
Mas é uma evidência que o PCP não pode subscrever posições que, a pretexto da solidariedade, possam ser interpretadas como de apoio à política e acção concreta de outro partido e muito menos de apoio a uma linha ideológica em que não se revê e a uma prática de relações entre partidos comunistas que considera prejudicial para a unidade do movimento comunista e revolucionário internacional. Foi partindo desta ordem de considerações que o PCP recentemente não subscreveu uma «Declaração conjunta de solidariedade com o KKE».
Da experiência grega nos últimos meses muitas lições há a tirar. Isso compete obviamente em primeiro lugar ao PCG que tirará as que considere mais adequadas. O PCP tirará as suas, com respeito pelas análises de outros partidos, mas em completa independência de juízo e, como sempre, voltado para as tarefas que a luta coloca no nosso próprio País.
O PCP rejeita tanto perversas tentativas de identificar a sua solidariedade com os trabalhadores e o povo grego com apoio ao governo do Syriza (partido com que aliás não tem relações) como insultuosas conotações que alguns pretendem estabelecer entre o que designam de «governo da esquerda patriótica» do Syriza e a alternativa patriótica e de esquerda do PCP.
O PCP considera necessário alertar para tentativas de utilizar as incoerências, contradições e cedências do governo do Syriza para justificar todo um conjunto de teses – como sejam a negação de etapas na luta revolucionária, a luta pelo socialismo como tarefa imediata e universal, a negação da questão nacional e das particularidades nacionais, o afunilamento da política de alianças da classe operária negando ou subestimando a importância da luta anti-monopolista e anti-imperialista e da luta pela paz – considerando que aqueles partidos que não as acompanham são partidos que apenas pretendem «humanizar» ou «gerir» o capitalismo quando lutam por políticas alternativas que, inseridas e inseparáveis do socialismo, não o colocam como tarefa imediata.
O PCP, respeitando os princípios do movimento comunista, não interfere na vida de outros partidos nem pretende dar-lhes lições. E nunca deu ou dará qualquer passo que possa ser usado para prejudicar outro partido comunista pelos seus adversários e inimigos. Mas também não aceita lições de ninguém e rejeita frontalmente toda e qualquer tentativa de ingerência nos seus assuntos internos, nomeadamente no que respeita à Revolução de Abril, ao seu Programa de «Uma democracia avançada, os valores de Abril no futuro de Portugal» , à alternativa patriótica e de esquerda que propõe ao povo português e ao seu projecto de sociedade socialista.

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