As jornas dos tempos modernos
Há mercados de homens e mulheres em Portugal. Pagos ao dia. Mal pagos. Contas que não entram nas contas. Mais homens do que mulheres. Imigrantes, sobretudo. Arregimentados, para a construção civil e para outros trabalhos precários. O desemprego motivado pela pandemia ameaça agora trazer às ruas uma realidade do século passado.
Filomena Abreu
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Antigamente, por essas aldeias e campos fora, centenas de homens juntavam-se manhã cedo nos centros das aldeias para venderem a sua força de trabalho ao preço que o "senhor" ou o capataz oferecem-se.
Eram contratos os "mais capazes" para o trabalho do duro do campo. Os outros voltavam para casa humilhados por não conseguirem um dia que fosse de jornada de trabalho de forma a proporcionarem alimento às suas famílias.
Quarenta e cinco anos de pois do 25 de Abril em que a esperança de um trabalho certo, digno e pago justamente era uma ambição volta estar em causa devido às politicas de desregulação,de cortes nos direitos laborais, de leis impostas pelos sucessivos governos PS, PSD e CDS com o aval dos traidores da UGT e outros sindicatos ditos independentes.
A exploração desenfreada, a nova escravatura está aí de novo: nos trabalhos do campo, nos estivadores, na construção civil e quase em todos os sectores o trabalho precário à hora, ao dia, à semana é uma prática corrente sem que ninguém lhe ponha um travão.
Soeiro Pereira Gomes caracterizou muito bem esta questão em vários escritos.
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