domingo, 25 de outubro de 2020

REFORMA AGRÁRIA – BARRETO MENTIU E CALUNIOU


REFORMA AGRÁRIA – BARRETO MENTIU E CALUNIOU
Tinha visto aqui vários comentários, mas só hoje pude ver o programa televisivo do bafiento António Barreto, onde mentiu, mentiu, e atacou, atacou e voltou a atacar a Reforma Agrária e o PCP.
Afinal qual era a situação e como se vivia nos campos, aldeias e vilas do Alentejo e Ribatejo no tempo do fascismo e antes da Reforma Agrária? Que alterações na vida e na economia trouxe a Reforma Agrária?
Sabias que os 500 maiores latifundiários possuíam mais terra (dos 1000 aos 10.000 ha) que os 500 mil proprietários mais pequenos?
Que eram base de sustentação do fascismo que governava para, entre outros, manter os privilégios dos grandes agrários que se comportavam como senhores feudais, como o filme “A Herdade” tão bem retrata, e promoviam uma agricultura atrasada, com mão-de-obra de miséria, não investiam na mecanização e centenas de milhares de hectares de terra estavam abandonadas? O trabalho só deixou de ser de sol a sol após as heroicas e sangrentas lutas pelo horário de trabalho. O desemprego, a falta de rendimentos e de proteção social desgraçavam as famílias, a fome, as doenças, a falta de luz faziam aumentar brutalmente a migração para a designada Área Metropolitana de Lisboa e a emigração, particularmente para França.
São conhecidas as célebres praças de jorna, que Saramago, Manuel da Fonseca e Alves Redol, entre outros escritores, tão bem trataram nas suas obras, assim como a heroica luta dos assalariados agrícolas e pequenos camponeses e a forte repressão de que foram vitimas, ilustrada também em romances de Manuel Tiago.
As inúmeras lutas pelo pão e pelo trabalho nos campos, vilas e aldeias do Sul de Portugal foram o resultado disso mesmo.
Com o 25 de Abril de 1974, os trabalhadores viram crescer a esperança de pôr fim ao desemprego, à fome e à miséria.
Transformarem a agricultura que os grandes agrários condenaram ao atraso e abandono numa agricultura desenvolvida.
Os latifundiários e os monopolistas, inimigos da democracia e do MFA, tudo faziam para criar dificuldades à jovem democracia, paralisavam a produção, provocavam o caos económico, fomentavam o descontentamento popular.
Os agrários mantinham incultos centenas de milhares de hectares, cessavam o cultivo de terras ou mal as aproveitavam, abatiam gado e, em muitos casos, deixavam-no morrer à fome, destruíam culturas, lançavam os trabalhadores para o desemprego.
É neste quadro e não noutro que os trabalhadores, contra a vontade dos agrários, começam a cultivar as terras abandonadas, a tratar das árvores e dos gados desprezados, a dar vida a uma agricultura arruinada, para terem trabalho, pão e uma vida desafogada.
Em dois anos, as áreas semeadas aumentaram mais de 139%; as áreas de regadio cresceram mais 126%; as máquinas e alfaias agrícolas mais 169%; as cabeças de gado mais 112%; foram criados mais 50 mil postos de trabalho e eliminando, praticamente, o desemprego.
A ocupação das terras foi a resposta à criminosa sabotagem económica e à atividade que punha em perigo a liberdade e a jovem democracia.
A Reforma Agrária trouxe consigo a construção de uma rede de creches, jardins-de-infância, centros de 3.ª idade, cooperativas de consumo, o acesso a bens que nunca tinham tido possibilidade de ter.
Pelo país ergueu-se uma onda de solidariedade, com brigadas de trabalho voluntário (mais de 10 mil dias de trabalho solidário), brigadas estudantis de trabalho e alfabetização (Movimento Alfa), onde tive o prazer e a honra de participar, recolha de fundos e donativos para aquisição de máquinas e sementes. Até do estrangeiro chegavam donativos e brigadas de trabalho voluntário.
Contra esta transformação socioeconómica, os governos de Mário Soares e de Sá Carneiro empreenderam uma ilegal, furiosa e agressiva guerra à Reforma Agrária. Lançaram uma ofensiva militar, cercaram e invadiram as cooperativas agrícolas com centenas de homens da GNR, cavalos, cães, jeeps e autometralhadoras, em alguns casos helicópteros e aviões, e espancaram mais de 2 milhares de trabalhadores, feriram e prenderam. Em 27 de Setembro de 1979, foram assassinados a tiro Caravela e Casquinha.
Entre 1977 e 1985, foram retirados mais de 700 mil hectares das melhores terras das UCP/Cooperativas, foram destruídos 52 mil postos de trabalho, foram roubadas cerca de 250 mil cabeças de gado e 122 mil máquinas agrícolas. A esta ofensiva criminosa responderam os trabalhadores com uma resistência heroica que ficará gravada para sempre como momento maior na luta dos trabalhadores portugueses.
Em Novembro de 1977, e depois em Maio de 1979, foram entregues petições na Assembleia da Republica, com 100 mil e 277 mil assinaturas, respetivamente, reclamando o fim da destruição da Reforma Agrária.
Com a destruição da Reforma Agrária e o latifúndio restaurado, voltaram as terras por cultivar, o desemprego, a desertificação.
Quem viveu ou conheceu a mais bela conquista da revolução de Abril, como foi denominada a Reforma Agrária, sabe que ela um dia voltará, porque é absolutamente necessária para o Futuro de progresso e desenvolvimento de Portugal.
(apoiei-me no livro de António Gervásio "A Reforma Agrária é necessária")

 

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