terça-feira, 6 de outubro de 2020

João Ferreira SIC N 05 Outubro 2021


 Uma entrevista lançada para o canal de menos acesso, uma jornalista com perguntas encomendadas mais apontar para questões sobre o Partido Comunistas, que só o PCP poderia responder, do que com a questão presidencial. Uma jornalista que come algumas palavras, barulhos de pessoas a tossir durante a entrevista. Coisa nunca antes vista.

A jornalista 

Boa noite e obrigada por ter aceitado este nosso convite.

- Começo pelo discurso de Marcelo que apelou à união e convergência neste campo de excepção a todos os níveis; disse mesmo Marcelo que é preciso sobrepor o interesse colectivo aos meros interesses individuais. 

- O que lhe pergunto é: Este discurso que parece ser consensual, se estivesse no lugar de Marcelo o que teria alterado?

João Ferreira: (JF)

- Boa noite antes de mais.

- Eu acho que nós ganharemos, em primeiro lugar, com uma correcta identificação dos problemas. É verdade que teve uma grande enfase no discurso do Presidente da República essa questão do Estado de Excepção, considerando até que seria algo se pudesse prolongar durante vários anos, isto não deve ser desacompanhado de uma explicação sobre do que estamos a falar, que problemas enfrentar, porque é a partir daí e  a partir daí que vamos identificar as soluções para esses problemas.

 Não é muito avisado ficarmo-nos por uma declaração vaga de um Estado de Excepção, mais ainda quando sabemos que no passado  Estados de Excepção foram invocados para implementar determinadas soluções que não contribuíram propriamente para ajudar o país a enfrentar os seus problemas.

-Eu creio que se idenficarmos esses problemas nós encontramos questões que sem duvidas foram agravados pela situação de pandemia que estamos a viver mas que na verdade, na maior parte dos casos, já se arrastavam. O problema tem uma dimensão estrutural.

Jornalista

- Já vinham de trás.

JF

- Já vinham de trás na sua esmagadora maioria. É evidente que a situação que vivemos : complexa, exigente, invulgar acrescenta uma dimensão a problemas pré-existentes, mas na sua esmagadora maioria não estamos a falar de problemas estruturais que o país carrega há muito anos que resultam de uma elevadíssima dependência externa, numa submissão até do ponto e vista económico mas também do ponto de vista politico do país, que limita a capacidade de resposta a problemas candentes.

Eu creio que à cabeça não há como não identificar a questão da necessária valorização do trabalho e dos trabalhadores. Se há uma lição que nós tiramos dos tempos de confinamento é que o trabalho tem um valor determinado e quem o pratica , os trabalhadores, têm um valor incontornável. Foram os trabalhadores que permitiram, em determinadas áreas, que uma parte da população pudesse ficar confinada quando isso foi necessário, assegurando a nossa vida colectiva em funções vitais, e essa é a primeira lição que temos que retirar, a importância do trabalho, os trabalhadores são de facto imprescindíveis, , mas não se tornaram imprescindíveis com a eclosão desta pandemia, já o eram anteriormente, apesar de nem sempre serem devidamente valorizados.

Isto está ligado a outro problema do país que é a muito injusta distribuição da riqueza. Nós continuamos a ter em Portugal   pessoas que empobrecem a trabalhar, fruto dos baixos salários, continuamos a ter níveis de precariedade brutais que representam uma instabilidade permanente na vida de muitos milhares de pessoas, continuamos a ter enormes dificuldades no plano da compatibilização da vida profissional e da vida familiar.

Portanto este é o primeiro problema que coloca claramente a necessidade de valorização do trabalho e dos trabalhadores.

Jornalista 

- E seriam estes os pontos que acrescentaria a  este...

JF

- Não só, temos outro, que a covid 19 também veio revelar. -que é a debilidade do país do ponto de vista da sua capacidade produtiva. Fica particularmente claro a fragilidade em que u país com pouca capacidade produtiva, a fragilidade dessas condições em que o país se encontra.

Nós até numa situação em que houve entraves à livre circulação de mercadorias - mesmo num espaço que se julgava impossível que isso poderia acontecer, no espaço europeu- em que ficou à vista a importância  do país ter níveis de aprovisionamento, por exemplo: no plano agroalimentar, mas não só, no plano industrial, que Portugal perde ao longo dos anos. Tem de se recuperar essa capacidade produtiva do país, essa capacidade  de criar riqueza e distribuir e de uma forma socialmente justa a riqueza criada.

Depois temos a questão dos serviços públicos, num momento em que foi preciso proteger a saúde dos portugueses, foi com Serviço Nacional de Saúde que contámos. Os privados desertaram, na hora H desertaram.

É a partir desta identificação dos problemas que nós podemos encontrar as respostas.

A partir deste ponto da entrevista as perguntas versaram sobre a posição do PCP quanto ao próximo ao Orçamento de Estado com o João Ferreira a salientar que estava ai como candidato à Presidência da República e não com deputado que iria debater o orçamento. Do ponto de vista pessoal deu a sua opinião sobre o que deveria conter o próximo orçamento.

A pergunta final, provocadora

Jornalista

-Foi candidato ao parlamento Europeu, à  Câmara de Lisboa, agora à Presidência da República, é o candidato para tudo do Partido Comunista Portugês, não há mais ninguém no PCP?

JF 

- Disse aqui algumas coisas a que eu fui candidato mas não disse que não fui candidato a muitas outras coisas e outros o foram...

Interrupção da jornalista - mas está claramente a preparar-se para ser o sucessor de Jerónimo se Sousa.

JF

- O que quer que lhe possa dizer a esse respeito só vai desvalorizar esta candidatura e não quero contribuir para desvalorizar esta candidatura. Acabei de lhe dizer que acho que ela é imprescindível no contexto que estamos a viver no nosso país e portanto tem de ser levada a sério...


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