quarta-feira, 2 de setembro de 2020

“Ouvimos Dizer: não queres continuar a trabalhar connosco”


Retirado de :Guilherme Antunes

BERTOLD BRECHT – “Ouvimos Dizer: não queres continuar a trabalhar connosco”
Ouvimos dizer: Não queres continuar a trabalhar connosco.

Estás arrasado. Já não podes andar de cá para lá.

Estás muito cansado. Já não és capaz de aprender.
Estás liquidado.

Não se pode exigir de ti que faças mais.

Pois fica sabendo:

Nós exigimo-lo.

Se estiveres cansado e adormeceres

Ninguém te acordará nem dirá:

Levanta-te, está aqui a comida.

Porque é que a comida haveria de estar ali?

Se não puderes andar de cá para lá

Ficarás estendido. Ninguém

Te irá buscar e dizer:

Houve uma Revolução. As fábricas

Esperam por ti.

Quando estiveres morto, virão enterrar-te

Quer tu sejas ou não culpado da tua morte.

Tu dizes: que já lutaste muito tempo.

Que já não podes lutar mais.

Pois ouve:

Quer tu tenhas culpa ou não

Se já não puderes lutar mais, serás destruído.

Dizes tu: Que esperaste muito tempo, que já

Não podes ter esperança.

Que esperavas tu?

Que a luta fosse fácil?

É assim:

Se não levamos a cabo o sobre humano

Estamos perdidos.

Se não pudermos fazer o que

Ninguém de nós pode exigir

Afundar-nos-emos.

Os nossos inimigos só esperam

Que nos cansemos.

Quando a luta é mais encarniçada

É que os lutadores estão cansados.

Os lutadores que estão cansados demais,

Perdem a batalha.

Foto retirada daqui: 


Infelizmente em Portugal e no mundo é o que mais existe.
O analfabeto politico não quer saber de politica mas opina sobre tudo mesmo sem qualquer conhecimento objectivo do que está a opinar.
Ele sabe tudo de todos os países mesmo sem os ter visitado ou lido algo sobre o assunto. 
Quando perde argumentos numa discussão politica atira com as ditaduras comunistas em Cuba, Coreia do Norte, China, Vietname e tantos outros metidos no mesmo saco. Esquece essa alimária que a verdadeira ditadura está na sua frente e ele não se dá conta disso: quando é explorado e roubado todos os dias para alimentar os parasitas, os bancos e banqueiros, as empresas e "empresários" que exigem menos estado mas ao primeiro contra tempo é vê-los a exigirem que os Estado os salve, quando as leis laborais não são cumpridas, quando lhe roubam nos salários reiais, quando o obrigam a mendigar trabalho à hora, ao dia, à semana sem qualquer direito a não ser o trabalhar, esquece o analfabeto politico que está perante uma ditadura do capital, da burguesia camuflada de democracia só porque lhe dá a possibilidade de caucionar essa ditadura através do voto de quatro em quatro anos.

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