Há quem diga que o nazismo foi derrotado pelos Soviéticos em 1945, mas o Sr. deve querer voltar a alimentar os fornos crematórios com livros e com os corpos dos Judeus, Ciganos, Comunistas e outros que não correspondam aos padrões que V.Exºª enxerga.
Mas parece que o Sr. Padre parou no tempo e quer de volta estas barbaridades.
Um gajo tão novinho com uma mentalidade tão arcaica é difícil de encontrar nos tempos que correm.
Assisti ontem a um funeral ( diga-se em abono da verdade, com cerca de 70 pessoas) onde este senhor fez uma palestra religiosa digna dos tempos das cavernas.
O Sr. já não tem vida, não tem alma, é um cadáver putrefacto que deambula por aí sem sentimentos, sem amor até ao próprio Deus em que acredita.
"A história da relação entre Constance Chatterley e Mellors, o guarda de caça do seu marido inválido, é o romance mais controverso de Lawrence e talvez o seu texto mais comovente sobre o amor."
"Era óbvio, olhando para eles, que conheciam o amor, isto é, tiveram a experiência física. É curiosa e subtil, mas inequívoca, transformação que isso provoca no corpo quer dos homens, quer das mulheres: a mulher floresce, as suas formas ficam mais redondas, as formas angulosas atenuam-se, a expressão torna-se inquieta ou triunfante; o homem torna-se mais calmo, mais interiorizado, e o contorno dos ombros e dos rins menos acentuado, mais hesitante."Pág 10
“ A trovoada tinha passado, e a chuva, que havia diminuído de intensidade, rebentou de novo. Houve um último relâmpago, um último sinal da tempestade que se afastava. Connie estava inquieta.” …
“…Ela abriu a porta e ficou a olhar a chuva, súbita e grossa, que parecia uma cortina de aço. Apeteceu-lhe, de repente, correr à chuva. E, num abrie e fechar de olhos, despojou-se das meias, depois do vestido e das roupas interiores. Ele susteve a respiração.
Os seios longos e bicudos, animalmente vivos, que vibravam e saltitavam com os movimentos de Connie. A sua pele era cor de marfim, sob aquela luz esverdeada. Voltou a calçar os sapatos de borracha, lançou-se, com uma gargalhada louca, numa corrida por entre a chuva pesada erguendo os seios, abrindo os braços em movimentos rítmicos de dança que aprendera muitos anos antes em Dresden. Era uma figura estranhamente pálida, levantando-se, baixando-se, curvando-se. A chuva cía e brilhava nas suas ancas fortes, erguendo-se de novo e correndo com o ventre exposto à chuva, depois vergava-se de novo para que apenas o seu torso amplo e as suas nádegas fossem oferecidas ao homem numa espécie de homenagem, repetindo um preito selvagem.
Ele riu de um modo estranho e despiu-se. Era demais! Com um leve tremor, desatou a correr exibindo a sua branca nudez na chuva que caía em bátegas e obliquamente. Flossie saltou à frente dele, soltando um ladrido de alegria. Connie, com o cabelo encharcado e colado à cabeça, voltou o rosto corado e viu-o. Os seus olhos azuis brilharam de excitação ao mesmo tempo que voltava e começou a correr depressa com um movimento invulgar pela clareira e pelo caminho abaixo, açoitada pelos ramos encharcados. Corria, mas ele não via mais que a cabeça dela, encharcada, umas costas molhadas inclinadas para a frente, parecia que voava, e as nádegas roliças reluziam, Uma nudez feminina, receosa e bela.
Estava quase a chegar à larga pista, para passeios a cavalo, quando ele conseguiu alcança-la, colocando o seu braço nu em torno da cintura macia e molhada. Ela deu um grito, endireitou-se e a sua carne suave e macia esbarrou contra o corpo dele. Manteve então voluptuosamente todo colado a ele aquele corpo feminino, macio e frio, que ia aquecendo rapidamente, enquanto as mãos do homem o comprimiam. A chuva escorria pelos corpos, que fumegavam. Apertou com ambas as mãos o adorável e maciço traseiro de Connie, contra si, com frenesim, tremendo, imóvel sob a chuva. Deitou-a num terreno a meio do atalho, no silêncio ruidoso da chuva, possui-a num abraço violento e rápido, num ápice, como um animal. Levantou-se quase imediatamente, limpando a chuva dos olhos. pag 58
Quem nunca imaginou uma corrida na floresta com a chuva batendo nos corpos nus que se abraçam e rebolam no chão molhado fazendo amor intensamente?
«O Amor nos Tempos de Cólera é um romance (...) onde se fundem o fulgor imagístico, o difícil triunfo do amor, as aventuras e desventuras da própria felicidade humana (...) Ao longo dum flash-back de quatrocentas páginas vertiginosas, compostas numa espécie de pauta estilística e musical, da qual não estão sequer ausentes o humor, a poesia e a vertigem das imagens (...) o leitor recupera o ritmo encantatório duma escrita que não tem conhecido imitadores à altura.»
O amor entre Florentino Ariza e Firmina Daza concretizado em pleno numa idade já avançada.
"Pois tinham vivido juntos o suficiente para de darem conta de que o amor era amor em qualquer tempo e em qualquer lugar, mas tanto mais denso quanto mais próximo da morte" pag. 368
E o barco continuou rio abaixo rio acima e os noivos recuperando o tempo que não tiveram em jovens para se amarem sem tabus, sem constrangimentos, sem pressas.
Este romance do jornalista Miguel Urbano Rodrigues tem agora uma razão acrescida para ser lido. É, podemos dizê-lo, um romance de amor, mas o seu cenário atravessa um dos locais mais em voga, embora por más razões, nos dias que correm, o Afeganistão. Mas também a Índia, o Perú, ou o México. Romance de um homem que conhece bem os quatro cantos do mundo, a leitura de "Alva" torna-se fascinante pela sua simplicidade e clareza, pela intemporalidade de um amor e da procura de um sentido para a vida.
"Nas quatro letras de um título carismático, Miguel Urbano Rodrigues situa-nos perante a intensidade do amor, o apelo da solidariedade, a busca da compreensão humana e outros valores fundamentais, enquanto se multiplicam e acentuam a escalada do terrorismo, o fantasma da angústia e do medo, o desgaste da indiferença e da rotina."
Este romance tem um dos inícios mais conhecidos da literatura mundial: "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira".
A trama gira em torno do caso extra-conjugal da personagem que dá título à obra, uma aristocrata da Rússia Czarista que, a despeito de parecer ter tudo (beleza, riqueza, popularidade e um filho amado), sente-se vazia até encontrar o impetuoso oficial Conde Vronski.
No decorrer da obra, também são tratadas questões importantes da vida no campo na Rússia da época, onde algumas personagens debatem a respeito das melhores maneiras de gerir suas propriedades de terras, bem como o tratamento com os camponeses, então chamados de mujiques.
Publicado entre 1875 e 1877. Ana Karinina é dos melhores romances psicológicos da literatura moderna.Nele é-nos oferecido um exaustivo retrato da sociedade russa do séc. XIX. Num ambiente rígido e conservador, o corte com as normas estabelecidas é sempre encoberto com grandes doses de hipocrisia.Assim, o amor adúltero que Ana, uma bela e apaixonada aristocrata, sente pelo jovem Conde de Alejo Vronsky, terá que ser escondido da sociedade conservadora da época..
"Nada disto nos explica, porém, que, algures na Ásia Central, um jovem tenha escrito, no inicio da segunda metade do século XX, uma história que é - juro-o - a mais bela história de amor do mundo. Uma história ao mesmo tempo breve e imensa. Uma história de amor onde não há uma palavra inútil, uma frase que não tenha eco no coração"
" Quando Djamila ria, os seus olhos rasgados, negros como as amoras, chispavam com juvenil vivacidade..."
"Percebi, de súbito, os seus modos estranhos que chocavam as pessoas e as faziam troçar. a sua natureza sonhadora, o seu amor á solidão e o seu carácter taciturno. Compreendi porque velava no monte de vigia e se quedava sozinho à noite junto de rio; porque apurava sempre o ouvido a outros inaudíveis rumores e porque se lhe iluminavam repentinamente os olhos e alteavam as sobrancelhas, habitualmente franzidas. Era um homem profundamente apaixonado. Mas eu notei que não estava apaixonado simplesmente por outra pessoa: era um amor diferente, imenso, era o amor à vida, à terra.Gurdava esses amor dentro de si , na sua musica, e vivia inspirado por ele. Uma pessoa assim nunca conseguiria cantar assim, por muito formosa ou rica que fosse a sua voz."
" Chovia, e eu, deitado na palha, sentia pulsar o coração debaixo da minha mão. Era feliz. Experimentava a sensação que se experimenta ao contemplar o o sol quando se sai á rua após uma doença. A chuva e o fulgor dos relâmpagos chegavam até mim através da palha ; mas sentia-me satisfeito e adormeci a sorrir, sem compreender se me embalava o sussurro de Daniar ou o de Djamila, ou o rumor da chuva, mais calma, tombando sobre a palha."
Sr. Padre Ricardo, Quando eu morrer quero ser cremado, não quero padres nem discursos. --talvez até abrisse uma excepção para o senhor me mandar para o inferno, mas sei que nunca o fará a um ateu -- quanto ao ser cremado terei o prazer de sentir aquele calor a envolverem-me e, quem sabe, talvez a coisa se componha e eu tenha a última erecção e um último orgasmo em vida/morte pensando nos livros sensuais e eróticos que li.
Para o céu não quero ir, já pensou na chatice de encontrar por lá aquelas virgens ofendidas e beatas empedernidas que, cheiinhas de vontade mas, primeiro que se ajeitem ainda rezam três avé-marias?
Para o inferno é que quero ir, aí irei encontrar gente culta e bonita, rebelde e apaixonada. Com todas aquelas chamas vou encontrar toda aquela malta sem roupa ao redor de várias fogueiras alimentadas pelos romances que protagonizaram e que leram.
É para aí que vou levar os meus livros "eróticos e sensuais" que o sr. abomina. Terei todo o prazer em encontrar por lá Constance Chatterley e Mellors envoltos numa manta de trapos junto à fogueira que alimentarei com o livro que lhes diz respeito; também lá devem estar Florentino Ariza e Firmina Daza curtindo o seu amor na velhice e navegando no seu barco ao som da música do Fausto; é possível que por lá andem Alva e Pedro fazendo amor sem tabus e pesquisando nas profundezas do inferno as origens dos antepassados; a Ana Karenina e Vronski deambulam por lá tal como vieram ao mundo mostrando a sua sensualidade e amor que ainda exala dos seus corpos; Djamila e Daniar ela rindo com aqueles olhos rasgados e negros e ele olhando-a deslumbrado.
Se fosse real seria era aí que os meus livros de romance e sensuais teriam um fim alimentando as fogueiras do prazer, da sensualidade e do amor eterno.
AMEN!






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