quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Brasil - Lula

E agora? É hora de chutar o tabuleiro!
por Mauro Iasi [*]
Mauro Luís Iasi é um pesquisador, político e professor universitário brasileiro, filiado ao Partido Comunista Brasileiro.

"Marx disse certa vez que não se deve brincar com a insurreição se não se quiser levá-la até as últimas consequências.
Ao que parece o lulo-petismo espera que as massas garantam que Lula não seja preso e dispute as eleições, mas que depois saiam de cena para que tudo volte aos trilhos da normalidade para que se possa remendar o pacto social esgarçado pelo golpe."
'. A confirmação da condenação de Lula seguiu o script esperado. Apesar da inconsistência de provas, fatos e fundamentos jurídicos, era necessário retirar o ex-presidente da disputa eleitoral de 2018 e seguir com um governo cuja única lealdade é com as contra-reformas e os interesses do grande capital. O fim da democracia de cooptação operada pelos governos petistas abriu espaço para a barbárie explícita e a canalhice que presenciamos, política, jurídica, cultural e comunicacional.
Os pesados ataques contra os trabalhadores, em especial a reforma trabalhista e a ameaça da reforma da previdência, não tiveram a resposta necessária porque o petismo e seus aliados ainda esperavam a "marcha dos acontecimentos" que desembocaria nas eleições de 2018, ainda que programaticamente isso não garantisse a reversão das medidas aprovadas até aqui. Com a condenação de Lula a conjuntura muda radicalmente em dois sentidos.
Primeiro que a aposta nas eleições se transforma em um desafio aberto à legalidade institucional estabelecida, uma vez que a manutenção da candidatura do ex-presidente se torna uma desobediência civil. Segundo que as frágeis aparências de normalidade institucional podem se esvanecer rapidamente e abrir espaço para medidas políticas mais duras de parte da classe dominante e do segmento usurpador no comando do Estado.
Nesse cenário, a combinação de espaços institucionais estabelecidos e ações por fora e além da legalidade ganha relevo para os dois lados envolvidos na disputa. Da parte das classes dominantes, isso não é uma novidade, porque diferente de certo setor da esquerda, a classe dominante nunca acreditou na institucionalidade democrática e sempre a utilizou pragmaticamente segundo seus interesses. O Estado trata a todos de forma igual perante a lei, mas nada que uma mala de dinheiro e um lobby eficiente não possam contornar. A burguesia pode operar no terreno da democracia porque tem os instrumentos de coerção do Estado e do domínio econômico à sua disposição. Assim, pode alternar formas democráticas e autoritárias com mais eficiência, o que não se dá com os trabalhadores.
Quando uma força política escolhe operar nos limites da institucionalidade, fica muito difícil romper e operar com formas abertamente insurgentes. A única força política que pode criar as condições para tanto é a disposição das massas em romper a legalidade no sentido da rebelião. Como todo bom leitor de Lênin sabe, esta é uma condição objetiva – isto é, não está ao alcance desta ou daquela força política colocar as massas em movimento, de certa forma elas reagem a uma determinada situação política.
O que a burguesia talvez tenha feito, inadvertidamente ou não, é dar o pretexto para que as massas entrem em cena numa dimensão que pode ir além da institucionalidade dada. Entretanto, neste ponto intervém a intencionalidade política dos sujeitos. Marx disse certa vez que não se deve brincar com a insurreição se não quiser levá-la até as últimas consequências. Ao que parece o lulo-petismo espera que as massas garantam que Lula não seja preso e dispute as eleições, mas que depois saiam de cena para que tudo volte aos trilhos da normalidade para que se possa remendar o pacto social esgarçado pelo golpe. De certa maneira a rebelião das massas se converte em um instrumento de chantagem ou ameaça para que os segmentos burgueses caiam em si e aceitem renegociar os termos do pacto.
Esse é um jogo perigoso. Primeiro porque não se deve blefar quando se trata de uma política revolucionária que se pretenda séria. Parece que não se convoca as massas para que a classe trabalhadora estabeleça as condições de seu próprio poder, mas para que garanta a correlação de forças para que se recomponha as condições que marcaram a conciliação de classes que prevaleceu até 2016. O grande problema dessa alternativa é que o petismo se assusta mais com a rebelião das massas do que a burguesia: não há lugar para a insurreição na estratégia democrática popular e o PT não sabe o que fazer quando ela se apresenta, como ficou evidente em 2013. Por outro lado, a burguesia tem meios jurídicos, políticos e repressivos para enfrentar um descontrole social – alguns desses instrumentos, aliás, gentilmente oferecidos pelos governos petistas como a manutenção da Lei de Segurança Nacional, a Portaria Normativa que estabelece as Operações da garantia da Lei e da Ordem de dezembro de 2013 e a Lei Antiterrorismo, só para citar alguns dispositivos –, além, é claro, de um sistema judiciário que se emancipou da tutela incomoda do Direito e da Justiça.
Portanto, trata-se de definir até onde as forças políticas estão dispostas a tensionar a legalidade. Estou convencido de que a burguesia mantém suas apostas, mesmo se for necessário romper (como tem feito no governo do usurpador) qualquer base legal, política e institucional. O PT está disposto a fazer o mesmo? Não sei.
Quais são os próximos passos indicados pelo o segmento dominante? Tentar tocar as eleições sem Lula, diante do risco da extrema direita e da ausência de uma candidatura que possa retomar a estabilidade que a burguesia precisa, ou, cancelar as eleições e constituir alguma espécie de transição, uma junta provisória que prepare as condições políticas de uma alternativa mais estável nos termos da ordem, como o semi-presidencialismo, o parlamentarismo ou outra forma qualquer.
Volto a dizer: a burguesia pode cancelar as eleições de 2018. E pergunto: as forças populares estão dispostas a colocar o enfrentamento diante das contrarreformas e o arbítrio burguês acima das eleições, inclusive agindo no sentido de inviabilizá-las?
O ponto obscuro é o próximo passo do petismo. Será que ele está mesmo disposto a resistir e enfrentar a decisão judiciária com todos os meios necessários, ou é mais um blefe? A moderada e elegante presidente nacional do PT afirmou recentemente que a única maneira de reagir à consolidação de um cenário político no qual Lula vai preso e é impedido de disputar as eleições é a greve geral. Vejam vocês! A esquerda já sabia que a única maneira de evitar a consolidação do golpe contra os trabalhadores, a reforma trabalhista e da previdência é a greve geral, mas o PT discordava disso, pois acreditava que existia outra possibilidade: a candidatura de Lula. Agora que essa alternativa saiu de cena… então, vamos à greve!
Marx e Engels, em um famoso texto de 1850, diziam que os trabalhadores não podem evitar que a pequena burguesia aja como o segmento social vacilante que está condenado a ser, mas os trabalhadores devem, em suas palavras, "agir no sentido de contrapor-se às dissuasões burguesas" contemporizadoras e "obrigar os democratas a concretizar o seu fraseado terrorista atual" ("Mensagem do Comitê Central à Liga [dos comunistas]", em: Karl Marx e Friedrich Engels, Lutas de classes na Alemanha , Boitempo, 2010, p. 67). Querem um Greve Geral? Certo, então vamos fazê-la até que as medidas contra os trabalhadores sejam revogadas e até que o governo Temer caia. Aí discutiremos o que fazer. Certamente alguns irão propor que tudo volte ao "normal" e que volte a se convocar eleições "limpas" (como as de 2014, na qual o financiamento privado jogou R$ 5 mil milhões nas mais diferentes candidaturas, menos nas do PCB, do PSTU e do PCO). Nós manteremos nossa proposta de estabelecer um Poder Popular Revolucionário fundado em uma nova forma de governabilidade na classe trabalhadora da cidade e do campo, na juventude e nas massas urbanas.
Não importa agora que uns se mobilizem em torno de um líder cujos interesses no fundo, ao nosso juízo, são contrários aos da classe trabalhadora porque quer recompor o pacto desfeito. Neste momento se produz uma aproximação interessante na qual o interesse do lulopetismo em enfrentar a decisão que tira Lula das eleições coincide com o interesse da esquerda em enfrentar as contrarreformas reacionárias com uma Greve Geral. Se os interesses forem os mesmos (derrotar o governo Temer e suas contrarreformas), ótimo! Caso contrário, os caminhos se bifurcarão e nós, como temos feito, tomaremos a caminho da esquerda.
27/Janeiro/2018
[*] Professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB.
O original encontra-se em blogdaboitempo.com.br/...
e em pcb.org.br/porta…/18524/e-agora-e-hora-de-chutar-o-tabuleiro
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Filosofia

GEORGES GASTAUD
(…) Termino afirmando uma convicção que nasce da dialéctica do optimismo e do pessimismo tão querida de Gramsci: face às contradições que a nossa época acumula, época de passagem do capitalismo ao Comunismo, no momento mesmo em que, monstruosamente, a primeira experiência socialista da história deu lugar à re-mundialização da exploração mais selvagem, o mundo do trabalho, a Humanidade progressista, os investigadores que querem pensar o sentido do seu trabalho, e mesmo simplesmente o indivíduo que compreende que nenhuma actividade individual tem sentido se a sua nação, a sua classe social, a Humanidade inteira correrem para o abismo da desumanização, terão cada vez mais de se reapropriar do materialismo dialéctico. É a isso que chamo «sabedoria da Revolução», dessa revolução na sabedoria, um ideal chamado a reencontrar o sentido cívico inicial que lhe dava Tales e Sólon, perdendo o seu carácter apolítico burguês. O renascimento da filosofia marxista é indispensável para conceber um segundo Renascimento da Humanidade numa época em que esta é obrigada a escolher entre a luta e a derrota, entre o Socialismo de segunda geração e a barbárie definitiva, em suma, entre os dois «fins da história», o «final feliz», através da Revolução e o mau final, o declínio e a exterminação. E para isso é necessário que os marxistas, ultrapassando aquilo a que Domenico Losurdo chama «a autofobia comunista», assumam de modo crítico a sua orgulhosa re-filiação no campo do materialismo dialéctico.
Conclusão da comunicação do filósofo apresentada no Congresso «Marx em Maio»

Maio 68

CAGALHÕES DE 68
(…) Ao invés de tantos jovens maoistas, operários e estudantes, que procuravam sinceramente os caminhos da Revolução no momento em que o PCF começava subterraneamente a derivar, os chefes de fila do maoísmo francês terão sabido de forma notável tirar partido dos tremendos equívocos do Maio de 68: porque esse movimento altamente contraditório viu ao mesmo tempo a maior greve operária da história e o emergir de uma corrente dita liberal-libertária (os antepassados lilis dos bobos) que dissimulava o seu anti-comunismo, mesclado de anti-patriotismo e anti-republicanismo primários, por detrás da retórica ultra-revolucionária do esquerdismo, de forma a atacar sempre «pela esquerda» os «crápulas estalinistas» do PCF (Cohn-Bendit, dixit): o sociólogo Michel Clouscard analisou admiravelmente a emergência do liberal-libertarismo anti-comunista e euro-atlântico no seu já clássico estudo do Capitalisme de la Séduction. Substituindo ao anti-fascismo oriundo de 36 e do CNR um «anti-totalitarismo» confusionista que fazia tábua rasa de qualquer análise de classe dos fenómenos políticos, Bernand-Henri Levy, André Glucksmann e os seus epígonos tipo Bernard Kouchner terão desempenhado um papel nacional e mundialmente reaccionário: com as suas engenhocas intelectuais fulminantes (amálgamas, condensados históricos ineptos, caricatura furiosa da história soviética, tom profético destinado a intimidar os eventuais objectores), Gluksmann e seus pares terão facilitado que tomasse forma, no terreno ideológico, o novo bloco histórico mundial contra-revolucionário no qual vivemos, ou melhor, no qual ainda sufocamos (…)
Extracto de um texto do filósofo marxista George Gastaud.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Brasil- LULA

INVESTIGUEM- Guilherme Antunes
Numa altura de histeria patética de apoio ao Lula por parte de vários militantes do PCP ou amigos da CDU, creio que não será pior fornecer alguns apontamentos breves sobre a governação de “esquerda” da personagem. Sem prejuízo de voltar ao tema, tantas vezes quantas eu considerar oportuno para ajudar (infimamente) a esclarecer o que eu puder.
Por exemplo no ano 2000 a participação predadora de empresas estrangeiras na indústria da cana de açucar era de 1%. Dez anos depois situava-se já em 20%, graças à política de “esquerda” do Lula.
Entre 2007 e 2009, houve 45 fusões ou aquisições de fábricas no Brasil. Metade das que eram de propriedade brasileira foram adquiridas por grupos estrangeiros.
As entradas de leão (de esquerda) foram rapidamente esquecidas pelo PT e por Lula, logo em 2002. A incontornável (tão famosa que ela é) “Carta aos Brasileiros” é a proposta eleitoral com que Lula se apresenta aos votos. Do lado do Congresso, deitando fora o essencial que tinha ao seu dispor, a matéria-prima dos movimentos sociais que deveria ter sido o seu escudo imbatível(?) para assegurar uma verdadeira prática política de esquerda, ainda que reformista. Ficou antes conhecida como “Carta aos Banqueiros”.
A escravatura existente no Brasil, e imensa no tempo das presidências do Lula, conforme foi denunciado por tanta gente, desde logo pelo Movimento dos Sem Terra (da sua área política), envergonha profundamente a complacência do seu mandato.
Talvez já muito poucos se recordem do “Fome Zero” programa emancipador, de verdadeira construção de um outro tipo de cidadão. Uma tentativa eficaz de luta autonómica dos produtores. Abandonada por pressão absoluta dos presidentes de Câmara e do grande capital por detrás deles.
Substituído pelo famigerado “Bolsa Família”, de âmbito compensatório, trombeteado pela comunicação social petista falseada. Este programa de caridade nunca poderia ser o caminho, já que foi construído sob uma ideia esmolar com oratória emboscada.
Deram ao povo vários bens pessoais, sim; televisão, frigorífico e telemóvel passaram a ser bens conseguidos com relativa facilidade, sim; Até carro em 2ª mão, sim. Mas como os trabalhadores moram nos bairros de lata da periferia das cidades, não têm saneamento básico, a educação é horrível, etc, etc. O desafogo económico (enfim…) não acompanhou a inclusão política. Naturalmente que como nada daquilo foi sustentado caiu com estrondo. Lula sorria afável para o grande capital nacional e internacional.
Culminou a GRANDE BOUFFE com a chamada entusiástica de Joaquim Levy, como ministro da Economia. Propositadamente não vou dizer quem é o facínora. Investiguem…ou não.

Anti-Stalinismo


Queiram ou não, o “anti-stalinismo” é uma arma do anti-comunismo!”XX Congresso do PCUS (1956): Um marco na profusão do “anti-stalinismo” e da divisão do MCI, germe da derrota do Socialismo na URSS e no Leste da Europa.A morte (ou assassinato de Staline) em 953, abriu caminho às forças, concepções e práticas, no Partido e no Estado, que fizeram amadurecer as condições para a eclosão contra-revolucionária e liquidacionista. O forte movimento operário, a generalizada mobilização popular que edificou o Socialismo sob a direcção de Staline e de outros fiéis leninistas, tinha de ser domesticado, para que o revisionismo triunfasse.
O “arsenal” maior da operação, foi o chamado “Relatório secreto” sobre o culto da personalidade, apresentado no final dos trabalhos do XX Congresso, pelo provocador Krutchov e o bando liquidacionista que tomou o poder. A técnica própria do oportunismo, é a mesma que Gorbatchov e direcções de importantes PCs utilizaram e utilizam. Sempre em nome de mais socialismo, mais leninismo, mais democracia socialista, destacando os erros e escondendo as virtudes, deitaram a “água suja do banho com o menino”.
Como Secretário-geral do PCUS. Nikita Khruschov e o seu bando de mal-feitores, colocaram (se) como tarefa, “limpar” todas as referências a Staline, todas as suas marcas, às realizações na edificação do Socialismo na URSS sob a sua direcção, num processo a que a propaganda “oficial” chamou de "desestalinização".
Na prática, o objectivo era varrer do coração das massas e povos soviéticos, a sua profunda ligação e apreço a Staline. Não apenas ao revolucionário, ao comunista e dirigente respeitado, mas ao leninista fiel e convicto. A chamada “destalinização” que terminou oficialmente no período das “meias-tintas” brejnevianas, não foi apenas a chamada denúncia dos “erros” e do culto da personalidade de Staline. Foi uma profunda perseguição de comunistas revolucionários comprometidos com o que de mais belo e marcante teve a edificação do Socialismo na URSS.
Ao mesmo tempo, no chamado processo de “destalinizaçõ”, são recuperados e reabilitados, aqueles cuja vida foi marcada pela traição, conspiração, sabotagem e ligações aos inimigos externos do Socialismo. O objectivo era claro: diabolizar Staline e diabolizar o marxismo-leninismo, e as suas teses fundamentais, pois essas seriam as ferramentas indispensáveis ao oportunismo para a liquidação Socialismo. Se Krutchov “teorizou”, Gorbatchov concretizou. No meio, fica um período de vacilação e cedência de Brejnev / Suslov. As “meias-tintas” permitiram um rápido desenvolvimento das forças contra-revolucionárias. Permitiu como o próprio afirmou, o desenvolvimento do “plano” do traidor M. Gorbatchov.
O “plano” de Krutchov e do bando de oportunista que tomou de assalto a direcção do PCUS e do Estado, era claro e ao mesmo tempo ocultava a perfídia. Atacando a figura de Stáline, Khruschov atacava indiretamente o socialismo as suas realizações, feitos e conquistas, o modo e sistema de produção socialistas que galvanizou amplas massas de forma heroica.
Nos tempos que correm, onde muitos não se deixaram trucidar pelo arsenal “anti-stalinista”, realizam-se estudos sérios a partir das fontes, sobre o período da edificação do Socialismo. São lições de História e ao mesmo tempo alertas e avisos. Muitos, como Ludo Martens, Grover Furr, e de forma muito peculiar D. Losurdo, trazem à luz do dia aquilo que os vencedores procuram permanentemente ocultar. Indo às fontes, acabam por desmontar a cabala construída na mentira. Os dados estatísticos e históricos falam por si. “Mentiras sobre a União Sovietica”, de Mario Sousa“http://www.mariosousa.se/mentirassobreahistoriadauniaosovie…”, dão-nos dados incontestáveis. Uma análise de comunista e a partir da trincheira ideológica e de classe comunistas.
A discurseta, o lixo ideológico, depois da morte de Stáline,difundido e veiculado por tudo o que é cão e gato, ilustra a ampla aliança do anti-comunismo. Nela junta-se tudo o que é reformistas de vários matizes, “comunistas” ligth, trotskystas, arrependidos, revisionistas, numa aliança estreita com a burguesia e o seu aparelho ideológico.
Limpar da memória colectiva, aquilo que a História objectiva não consegue apagar, ou seja, todo o legado e realização revolucionárias no período da edificação do Socialismo na URSS, um período rico de realização civilizacional não só para os trabalhadores e povos soviéticos, mas o que representou e representa para o proletariado mundial.
O XX Congresso do PCUS marca o compasso contra-revolucionário. Assim, o objetivo principal: a destruição da ditadura do proletariado! Ou seja, afastar o empecilho à concretização do “plano”. A metamorforização do Partido e Estado começou na cabeça até aos pés. Empreenderam a liquidação sistemática de toda a estrutura socialista e revolucionária da União Soviética cujas repurcussões foram devastadoras para o MCI, cujas marcas são amplamente visíveis e que vão da claudicação à transmutação. Uns mais acelerados, outros a passo mais lento. Um passo tacticista.
No ano do Centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro, esquecer, omitir, é o mesmo que diabolizar Staline. O “anti-stalinismo”é uma arma do anti-comunismo. Não se pode ser comunista e “anti-stalinista” ao mesmo tempo. Ser-se-á outra coisa qualquer. Não se pode valorizar a realização gigantesca, avançada e pioneira dos trabalhadores e povos soviéticos e esconder o real peso e valor da figura insigne de Staline. Não se pode agradar aos que lutam pelo Socialismo e o comunismo e agradar à burguesia. Não se pode falar no feito heróico do povo e Exército Vermelho soviéticos na II GGM, e esconder o papel do seu principal arquitecto da vitoria, como afirmava e escreveu o Marechal da URSS Jukov, o nome de Staline!
Ainda muito coelho se prepara para saír da cartola. Mas façam lá as piruetas grotescas que queiram, mas o “anti-stalinismo” é uma arma do anti-comunismo!





Brasil

João Vilela
O assassinato do antigo dirigente do MST Márcio Matos Oliveira, para mais cometido com o requinte de malvadez de ser feito diante do seu filho de seis anos, é mais um capítulo a juntar à longa senda de barbaridades que o agronegócio e o latifúndio já levaram a efeito no sentido de tentar dobrar a espinha do movimento camponês no Brasil. Já em Julho do ano passado Ademir Souza Pereira foi assassinado pelos jagunços dos agrários quando encabeçava a Liga dos Camponeses Pobres em luta pela reforma agrária, e esse era o décimo-primeiro assassinato de um activista dos trabalhadores rurais nesse ano. A guerra (e a palavra guerra não tem aqui nenhum sentido retórico: trata-se de uma guerra em sentido pleno, com mortos, feridos, humilhados, e todo o cortejo de horrores de qualquer conflito militar convencional) de classes que o latifúndio vibra sobre os camponeses em luta, sobre posseiros e meeiros, sobre os assalariados agrícolas, sobre os assentamentos, sobre os dirigentes sindicais e os activistas, tornam todas as considerações da esquerda poético-fofa relativamente à invalidade do recurso à violência um abjecto e ridículo discurso de merda. Na verdade, e aliás, esta violência, de que ela não tem a ideia mais vaga - que afinal não há chique nenhum em falar de camponeses sujos de pó em luta pela terra com o facão de cortar cana à cinta, quando se pode discutir se servir sushi nas cantinas universitárias é apropriação cultural -, é o que mais revelador pode haver no que concerne à compreensão que a burguesia tem de quem são os seus inimigos, históricos e de morte. Perante os trabalhadores que reclamam os meios de produção que são deles, porque eles sim os trabalham, e eles sim geram os frutos da produção, não há discussão académica, não há garantias constitucionais, não há Estado de direito. Há jagunços armados, bastões de polícia, prisões
e tribunais, tropa se se precisar. Todo o idealismo subjacente aos delírios reformistas é estilhaçado a golpes de martelo, a tiros de espingarda, no caso vertente com crianças a assistir e tudo. Sim, o capitalismo é um sistema bárbaro e impiedoso, não é um conjunto de senhores mal intencionados que vamos derrotar com bons argumentos e melhores estratégias de comunicação. Haverá gente cujo coraçãozinho repleto de amor e sentimentos meiguinhos tremerá de choque perante esta novidade, e isso é normal. Ter crescido na bolha acolchoada de um primeiromundismo simpático, quantas vezes sem ter de fazer contas ao ordenado e a julgar que o planeta inteiro é composto por gente como os seus amiguinhos sôdótores bem postos na vida e sem carências de maior, torna extremamente complicado perceber o que é a vida de um camponês sem terra lá longe, na América Latina. É também por isso desculpável, porque fruto de uma falta de mundo assombrosa, que essa mesma gente trate a violência política como o objecto das suas píveas ético-filosóficas, por não perceber que ela é o quotidiano da gente que lhe permite tomar café a 0,60€.
Calorosamente, aos meus irmãos de classe que no Brasil e no mundo enfrentam a inclemência do poder burguês e a sua violência áspera e desapiedada, a minha saudação de comunista. Aos trabalhadores do MST, que hoje viram tombar um companheiro da forma mais vil e mais cobarde, o abraço sincero de quem deseja que do sangue que correu se levante a onda vermelha que imporá a reforma agrária. E ao burguês assassino, à classe asquerosa dos agrários e dos patrões que hoje causou uma baixa nas fileiras da nossa classe, a promessa e a certeza de que um dia lhes mostraremos a parte que lhe cabe no latifúndio.