Guilherme Antunes está com António Carvalho e 7 outras pessoas.
(…) Ao invés de tantos jovens maoistas, operários e estudantes, que procuravam sinceramente os caminhos da Revolução no momento em que o PCF começava subterraneamente a derivar, os chefes de fila do maoísmo francês terão sabido de forma notável tirar partido dos tremendos equívocos do Maio de 68: porque esse movimento altamente contraditório viu ao mesmo tempo a maior greve operária da história e o emergir de uma corrente dita liberal-libertária (os antepassados lilis dos bobos) que dissimulava o seu anti-comunismo, mesclado de anti-patriotismo e anti-republicanismo primários, por detrás da retórica ultra-revolucionária do esquerdismo, de forma a atacar sempre «pela esquerda» os «crápulas estalinistas» do PCF (Cohn-Bendit, dixit): o sociólogo Michel Clouscard analisou admiravelmente a emergência do liberal-libertarismo anti-comunista e euro-atlântico no seu já clássico estudo do Capitalisme de la Séduction. Substituindo ao anti-fascismo oriundo de 36 e do CNR um «anti-totalitarismo» confusionista que fazia tábua rasa de qualquer análise de classe dos fenómenos políticos, Bernand-Henri Levy, André Glucksmann e os seus epígonos tipo Bernard Kouchner terão desempenhado um papel nacional e mundialmente reaccionário: com as suas engenhocas intelectuais fulminantes (amálgamas, condensados históricos ineptos, caricatura furiosa da história soviética, tom profético destinado a intimidar os eventuais objectores), Gluksmann e seus pares terão facilitado que tomasse forma, no terreno ideológico, o novo bloco histórico mundial contra-revolucionário no qual vivemos, ou melhor, no qual ainda sufocamos (…)
Extracto de um texto do filósofo marxista George Gastaud.
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