
Guilherme Antunes está com António Garrochinho e 9 outras pessoas.
(…) Termino afirmando uma convicção que nasce da dialéctica do optimismo e do pessimismo tão querida de Gramsci: face às contradições que a nossa época acumula, época de passagem do capitalismo ao Comunismo, no momento mesmo em que, monstruosamente, a primeira experiência socialista da história deu lugar à re-mundialização da exploração mais selvagem, o mundo do trabalho, a Humanidade progressista, os investigadores que querem pensar o sentido do seu trabalho, e mesmo simplesmente o indivíduo que compreende que nenhuma actividade individual tem sentido se a sua nação, a sua classe social, a Humanidade inteira correrem para o abismo da desumanização, terão cada vez mais de se reapropriar do materialismo dialéctico. É a isso que chamo «sabedoria da Revolução», dessa revolução na sabedoria, um ideal chamado a reencontrar o sentido cívico inicial que lhe dava Tales e Sólon, perdendo o seu carácter apolítico burguês. O renascimento da filosofia marxista é indispensável para conceber um segundo Renascimento da Humanidade numa época em que esta é obrigada a escolher entre a luta e a derrota, entre o Socialismo de segunda geração e a barbárie definitiva, em suma, entre os dois «fins da história», o «final feliz», através da Revolução e o mau final, o declínio e a exterminação. E para isso é necessário que os marxistas, ultrapassando aquilo a que Domenico Losurdo chama «a autofobia comunista», assumam de modo crítico a sua orgulhosa re-filiação no campo do materialismo dialéctico.
Conclusão da comunicação do filósofo apresentada no Congresso «Marx em Maio»
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