quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Mitos sobre a URSS na II Guerra Mundial


Acabada a II Guerra Mundial e nos anos posteriores, a percepção na grande parte dos países era quase unânime: A União Soviética tinha sido a protagonista na derrota do nazismo.
Porém, 75 anos passados e ano após ano, no cinema, na imprensa e até em aulas de classe de dezenas de países, o seu papel foi paulatinamente diminuindo, porto em dúvida até ser praticamente reduzido a caricatura de cúmplice e espelho do Terceiro Reich.





 “ O Dia Chave Foi o Dia D”

Na maior parte da opinião pública mundial, quando do desembarque da Normandia, em junho de 1944, ficou a ideia de ter sido o ponto de inflexão da guerra, mesmo que todos os elementos históricos demonstrem que, sem deixar de ser um momento fundamental, as chaves estiveram muito antes e a quilómetros dali.

Os Estados Unidos não só retardaram a sua entrada no conflito até já quando estava muito avançado e ainda por cima sua entrada no principal teatro das operações, a Europa, chegou inclusivamente mais tarde.

Nos primeiros seis meses de participação na guerra, os Estados Unidos destinaram o triplo dos seus soldados no conflito contra o Japão no Pacifico, do que os que destinou a socorrer o Reino Unido ou a libertar a França ou a Itália.
Quando equilibrou a sua presença militar entre Pacifico e Europa, meados de 1942, já a URSS levava um ano completo sofrendo uma invasão nazi que tinha chegado às portas de Moscovo, cidade que não conseguiram conquistar depois de quatro meses

                                               Operação Barbarosa














Em 22 de Junho de 1941 – a Alemanha nazi invadiu a União Soviética mobilizando 3,6 milhões de soldados; 3600 tanques e 2700 aviões.
Por essa altura Leninegrado já levava 9 meses cercados e bombardeada. 

Quando se realizou o desembarque na Normandia a batalha de Estalinegrado, a primeira a infligir uma pesada derrota aos nazis, já tinha mais de um ano de concluída.


E a Batalha de Kursk, a que envolveu a maior quantidade de tanques em combate da história, estava a ser cumprida.




As tropas aliadas desembarcaram no norte da França quando a Wehrmacht (força de defesa nazi) levava um ano inteiro cedendo terreno e sofrendo centenas de milhares de baixas na frente Soviética.

A Dimensão das Vitimas

Ao contrário da sua visão sobre os povos Europeus, como escandinavos, britânicos ou franceses, que os nazis consideravam raças não puras, mas não inferiores à ariana, a doutrina hitleriana classificava os Eslavos ao mesmo nível dos Judeus ou Ciganos e portanto tinham de ser exterminados, expulsos e escravizados.
Por isso o Terceiro Reich fez maior escala de selvajaria e atrocidades sobre a Europa Oriental do que sobre a Ocidente do Continente.
Por exemplo, só na Republica Soviética da Bielorrússia os invasores queimaram quase 6000 aldeias e cidades e em muitas delas executaram a totalidade dos seus habitantes. Actos assim na Europa Ocidental foram muito menos comuns.
Esta guerra total em que, somando o ódio racial, estava a percepção hitleriana  de que o
Judaísmo e bolchevismo eram as duas faces da mesma moeda e ceifou a vida de entre 20 e 27 milhões de cidadãos soviéticos, a maioria deles civis.


Entre um terço e metade do total de vítimas da guerra em todo o mundo foram Soviéticos. Mas não é o foco dos Soviéticos como vítimas do nazismo que mais incomodo causa em alguns, mas sim o papel dos Soviéticos como combatentes do nazismo.



                     “ O Exercito Vermelho, valente mas criminoso”

Ao mesmo tempo que na Normandia 91 divisões aliadas ocidentais enfrentavam 65 divisões alemãs, numa frente de 400 quilómetros, no leste 560 divisões Soviéticas combatiam contra 255 divisões alemãs ao longo de 3000 quilómetros.






À volta de 70% de todas as mortes dos soldados alemães em combate, ao longo de toda a guerra, foram na Frente Oriental, em contraste com 15% na Frente Ocidental.

Só nos 200 dias que durou a Batalha de Estalinegrado morreram mais de 800.000 soldados do eixo, entre alemães e seus aliados. 

Num conflito tão sangrento não se pode negar o papel de nenhum país, que em conjunto fizeram frente a Hitler, nem do reino Unido, nem da França, Nem dos Estados Unidos, nem de nenhum outro. Por isso, é ainda mais difícil de entender como em tantos países foi e está a ser manipulada a participação Soviética.
Os dados estão aí e como não se pode negar o papel fundamental do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, então admitem, mas colocando dúvidas e distanciamento:
Sim, Sim, sofreram muito, mas…
Sim, Sim, Lutaram , lutaram muito, mas…
Desde argumentos pueris, como quem derrotou os nazis em território soviético foi o frio – como se os soldados alemães viessem de um país tropical.
Se há que falar da chegada do Exército Vermelho a Berlin, na imprensa  e na midia se faz recordando os danos civis nos combates ou nas violações cometidas por soldados Soviéticos – mas se falarmos do desembarque na Normandia, nenhum jornalista dos midia Ocidentais lhe ocorreu ofuscar a glória da operação enumerando os bombardeamentos estadounidenses contra civis franceses nas semanas anteriores e posteriores nem muito menos as mulheres francesas violadas por tropas dos Estados Unidos nas semanas posteriores ao desembarque.
Assim os abusos e crimes que acompanham todas as guerras se sublinham ou omitem conforme as conveniências.
Mas apresentar uns dados e ignorar outros não só se aplica no decurso da guerra, mas também aos eventos anteriores e posteriores.

                 “ Hitler Inicia a Guerra  pelo Pacto com Estaline”

Enquanto em qualquer artigo jornalístico sobre a II Guerra Mundial não pode faltar o Pacto Molotov- Ribbentrop – 23 Agosto 1939 – que sempre é apresentado como uma carta branca a Hitler para iniciar o conflito – o Pacto de Munique não é mencionado por acaso e é muito raro, porque não só é mais fácil de pronunciar e ainda por cima é anterior.




Em 1938, França e Reino Unido firmaram um Pacto com a Alemanha que permitia a Hitler anexar 30% do território Checoslovaco. Sem oposição armada por parte de outros europeus. Dessa forma abriu-se o apetite expansionista do Terceito Reich.
E não é que Hitler até então tenha sido um imprevisível desconhecido, não: Um ano antes, sua aviação tinha bombardeado objectivos civis como Guernica na Guerra Civil Espanhola.
Meses depois do Pacto de Munique, 7 de Dezembro de 1939, França e Alemanha firmam um pacto de não agressão, que apagava o de assistência mutua que tinham subscrito com Moscovo e Paris três anos antes para suster as ambições expansionistas de Hitler.



Em Agosto de 1939, franceses e britânicos recusaram uma proposta de tripla aliança oferecida pela União Soviética para conter Hitler, ( Estaline ofereceu enviar um milhão de tropas para deter Hitler se Reino Unido e França aceitassem um pacto com a URSS)


Uma semana depois, Ribbentrop e Molotov, só então firmaram um Pacto que agora se pretende apresentar como único.


Todos os dados deste video não são parte de uma grande investigação ou arquivos ocultos. A grande maioria deles estão disponíveis na Wikipédia, porém quase todos estão apagados da memória colectiva em muitos países Ocidentais.
Como foi possível e porquê?
Depois do final da contenda e da divisão da Alemanha, os foram aliados circunstanciais durante quase 5 anos, começaram a distanciar-se e logo acabaram enfrentando-se durante o período da Guerra Fria.
A narrativa  que impôs essa nova realidade geopolítica recorreu a tudo aquilo que pode ser usado como arma propagandista contra o inimigo.E as interpretações sobre a Segunda Guerra Mundial não foram uma excepção.
Porém esse conflito latente terminou faz três décadas. Entretanto, depois da demolição da cortina de ferro continuaram na mesma linha. Apesar da desintegração da URSS e a entrada de algumas das suas Repúblicas  na esfera de influência Ocidental, ou talvez devido a isso.
No cinema, na literatura,mas também nos meios de comunicação e nos discursos politicos, por activa ou por passiva acabou impondo-se uma única visão.
No final da confrontação entre os dois grandes blocos ideológicos não desembocou na procura de um consenso sobre o sucedido mas numa leitura esmagando a outra.
Hoje, em muitas conversações, diários e declarações politicas, a equiparação do papel jogado pela URSS e o Terceiro Reich antes e durante o conflito é quase total e praticamente uma certeza de alcance histórico, que inclusive é apoiada pelo Parlamento Europeu.
E nesta deriva  “igualadora”, alguns terminam igualando-se  involuntariamente ao regime nazi.
Como por exemplo, quando em 2017 a OTAN realizou um video de homenagem aos homens dos Bosques –um grupo armado anti-soviético, no Báltico- escondendo que colaboraram com o regime nazi e com a máquina de extermínio.






A Chave do êxito de Cuba contra o Corona Vírus

Cuba, cujo acesso a divisas depende, em grande parte, do turismo internacional, inicialmente foi reticente a fechar as suas fronteiras. De facto foi dos países mais retardatários da região neste aspecto. Porém, não ficaram de braços cruzados e desde muito cedo, tomaram medidas para conter a pandemia...
Em cuba foi delineado um plano de trabalho inicial que envolvia numerosas organizações  e ministérios.
No principio de Março, quando o coronavírus começada a golpear intensamente a Europa, foi reforçada a vigilância epidemiológica interna e nas fronteiras. À volta de um milhão de turistas da UE que visitam a ilha anualmente, o que elevava o risco de propagação importada.
O primeiro caso em Cuba foi detectado em meados de Março e pouco depois endureceram as medidas : foram encerrados os voos de entrada de turistas e , no inicio de Abril, também a cubanos que estiveram no estrangeiro. Foi suspenso o transporte interprovincial  primeiro e rural e urbano depois; foram proibidos os eventos vários e decretado o encerramento de discotecas, piscinas e ginásios entre outras.O uso de máscara tornou-se obrigatório e negar-se a usá- las em público supunha desde multas até \prisão.
Perante um baixo desenvolvimento da Internet em Cuba, o teletrablho foi anedótico e a maioria das pessoas continuaram a realizar as suas rotinas laborais diárias. como está visto, salvo este último, em geral todas as medidas, até certo ponto, não foram muito distintas das que foram aplicadas noutros países.
 Porém, o segredo Cubano está nas diferenças. Terão escutado muitas milhares de vezes como a Suécia não decretou em nenhum momento o confinamento obrigatório, mas poucas vezes ou nenhuma, Cuba também não, e ao contrário do país escandinavo, onde houve milhares do mortos evitáveis, o experimento Cubana não se saiu mal: principalmente porque não nenhum experimento.
Desde à décadas, Cuba tem uma cultura da saúde baseada na prevenção e da detenção inicial. Uma estratégia que permite manter altos padrões de qualidade sem contar com grandes recursos financeiros nem  materiais. Consiste em adiantar-se o mais possível às doenças, porque logicamente, assim é mais fácil e simples debelá-las,  e também mais económico. Esta cultura resultou clara perante a chegada do  Coronavírus, porque tanto os médicos como  os cidadãos cubanos estão acostumados a visitas domiciliares preventivas e regulares ou motivadas por outros casos epidemiológicos como o Dengue.
Ao contrário de muitos países, que colocados perante uma situação completamente nova interrogando-se sobre o que fazer , em boa medida a resposta entre os cubanos foi " de sempre". Em vez de esperaram os doentes nos Centro de Saúde, os médicos cubanos saíram a procurá-los nos seus lugares. Os casos suspeitos foram transferidos para centros de isolamento  de acordo com os testes  que descartavam ou confirmavam, se resultam em positivos por Covid 19 são internados num hospital independentemente da sua gravidade.
Se Cuba pode permitir-se esta estratégia activa, como se denomina, é pro ter o maior rácio de médicos por habitante do mundo por cada 10.000 habitantes:

Cuba : 84,22;
Estado Unido A: 26,12;
México: 23,83;
Brasil: 21,64;
Rep. Dominicana : 15,27;
Perú ; 13,05 

Os laboratórios Cubanos desenvolveram  um teste de detecção próprio que se usa em conjunto com os mais frequentes internacionalmente e maioria de medicamentos para tratar os doentes também são de fabricação Cubana, o que lhes permitem não dependerem se  outras nações querem ou não vender em tempos de incerteza ou acumulação.
Para além de fazer frente à pandemia no seu próprio país, Cuba enviou médicos para ajudar na pandemia noutras nações: Itália, Venezuela, Haiti,  e outras.
Para alguns esta acções são uma mostra de solidariedade, para outros de propaganda e também os há que consideram uma exploração dos médicos. Claro que alguns, os mesmos de sempre -e tu acreditas nos números da "ditadura" Cubana?:

Casos oficias em Cuba em 13 de Julho de 2020: E em 20. Agosto 2020:

Caos Confirmados: 2428......................................3482
Mortos                         80 .....................................    88
Recuperados              542..................................... 2863
Caso activos                   ......................................   531

SE alguma coisa aprendemos nestes meses é que quando esta pandemia ataca duro não há forma de esconder, não importa que governo seja, não se trata de confiar ou não confiar no governo Cubano ou de qual pais seja, de apoiá-lo ou não apoiá-lo mas de fazer a tentativa de observar objectivamente, evitando cair em simpatias ou antipatias politicas, como alguns países conseguiram enfrentar com sucesso a pandemia.sem ocupar grandes Manchetes.


44 ano da Festa do Avante!

De Luísa Miranda um excelente texto e belíssimo trabalho de reunir e publicar todos os cartazes da Festa do avante.

A Festa não carece de identificação, toda a gente sabe o que é a Festa. Os que estão lá sempre. Os que só vão às vezes. Os que nunca foram. Os que nunca foram mas dizem mal. Os que já foram e agora dizem mal. Os que amam, mesmo sem ir. Certo é que todos sabem o que é a Festa. e este ano mais que nunca.

Mas eu digo.vos o que é a Festa:
A Festa reúne durante três dias milhares de pessoas de todas as idades, etnias, géneros, credos e pasme-se, ideologias. 
Reúne cinema, teatro, música, feira do livro, debates palestras, divertimentos, artesanato, ciência, desporto, comida, bebida de todo o País e de outros países escolhidos por razões óbvias inerentes à Festa. A Festa tem preços aceitáveis. Certo que nem todos o podem pagar, mas dirão os da Festa que a Festa é também para angariar meios para conseguir que todos possam pagar. A Festa reúne companheirismo, amizade e boa vontade de muitos militantes. E até de não militantes. Reúne pessoas que só se vêem uma vez por ano. Reúne pessoas que só se conhecem da net. Começou muitas relações, acabou outras tantas. De certeza que é Mãe - tenho a certeza que a Festa é mulher - de muita criança feita naqueles relvados debaixo de um saco cama qualquer. A Festa fez muitos amigos, alguns que nem a própria Festa esperava.
A Festa é a força de muita gente, é alegria, é camaradagem, é noites sem dormir, meses de trabalho e dedicação de muitos. 
A Festa é esperança, é a vontade que um dia as coisas mudem. 
A Festa reúne muitos ódios e tudo é pretexto para tentar acabar com a Festa. A Festa vê as contas escrutinadas todos os anos e com isso parece ganhar ainda mais força....pelo menos terreno ganhou. 
São 44 anos de ataque cerrado, apenas um que não se realizou) . São 44 anos de porrada, de descrédito, de desconfiança, de maldade e inveja
E são 44 anos em que se provou que estavam errados. Porque não há Festa como esta! 
Ficam aqui os cartazes de todas as Festas desde 1976 (excepção a 87 que não houve) e um dia farei uma bandeira com eles. 
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DA ATALAIA!



























quarta-feira, 19 de agosto de 2020

OPERAÇÃO “MUDANÇA DE REGIME” EM CURSO NA BIELORRÚSSIA

Do "Lado Oculto"

Obviamente é uma “revolução colorida” posta em movimento pelas habitais agências norte-americanas de “mudança de regime”, com apoio activo da União Europeia. Nada do que acontece actualmente em Minsk, na Bielorrússia, é novo: já foi observado na Geórgia, no Cazaquistão, na Moldávia, nas “primaveras árabes”, durante mais de vinte anos na Venezuela, na Nicarágua e, claro, sobretudo na Praça Maidan, em Kiev. Não se trata, mais uma vez, de instaurar a “democracia”, como proclamam os manifestantes, certamente muitos na sua ingenuidade manipulada por eficazes e dispendiosos instrumentos de propaganda; pretende-se criar um regime ao serviço do Departamento de Estado de Washington, de Bruxelas e da NATO para instalar um novo posto avançado do cerco à Federação Russa nas suas próprias fronteiras. Nem que essa “democracia” seja imposta por forças militarizadas nazis, como acontece na Ucrânia e já se vislumbra em Minsk.
As eleições presidenciais na Bielorrússia realizadas em 9 de Agosto e que deram a vitória ao actual titular do cargo, Alexandre Lukachenko, foi o pretexto para o relançamento do velho plano de Washington e Bruxelas no sentido de desestabilizar a região e o país. Como se esperava mesmo muito antes de anunciados os resultados, e até da realização das eleições, os Estados Unidos e a União Europeia apressaram-se a descredibilizar os números apresentados, abstendo-se até de apresentar quaisquer provas dos seus pareceres definitivos e contribuindo para acelerar os protestos de uma oposição fragorosamente derrotada. Mesmo que os 80% de Lukachenko anunciados oficialmente sejam fruto de manipulações grosseiras – o que está ainda longe de provado, nem parece ser uma prioridade dos sectores que já contestavam os resultados antes de os conhecer – a prestação da candidata oposicionista ficou muito longe de uma situação que lhe permita proclamar vitória.
Os Estados Unidos e os seus aliados directamente envolvidos neste processo de mudança de regime, designadamente a Polónia, a Lituânia e a República Checa, preparam há meses o processo de desestabilização com os olhos postos na oportunidade criada pela realização de eleições presidenciais. Agências norte-americanas que servem de base para as “revoluções coloridas”, como a USAID e a NED, há muito que actuam em Minsk criando as plataformas favoráveis à “democracia” e à “liberdade” capazes de convergir numa mudança de regime que sirva essencialmente os interesses militares expansionistas da NATO.
As campanhas contra a Bielorrússia têm sido constantes, pois há muitos anos que Lukachenko é qualificado pela propaganda ocidental, reflectida na comunicação social corporativa, como o “último ditador da Europa”. Este slogan ignora o apoio popular do presidente e do governo em eleições sucessivas, uma prova flagrante da lógica oportunista que caracteriza os frequentes processos intervencionistas: se os resultados eleitorais agradam a Washington, o acto eleitoral é considerado impecável; caso contrário, correspondem à manipulação efectuada por governos que têm de ser afastados. Nada de diferente, aliás, do que tem acontecido nos últimos tempos na Venezuela e na Nicarágua, onde aliás vêm agora a lume novas provas de tentativas golpistas em curso com os suspeitos do costume.

O neoliberalismo não admite ser contrariado
Uma das obsessões que tem inquietado Washington e Bruxelas ao longo dos anos é o facto de a Bielorrússia ser um país que preservou sistemas sociais soviéticos, designadamente nos domínios da saúde, educação e segurança social, além de ter mantido a propriedade pública sobre as principais estruturas produtivas do país. Isto é, Minsk tem resistido às “reformas” que estão agregadas ao Consenso de Washington e às actuações do FMI e do Banco Mundial para instauração do regime neoliberal. Esse é um dos grandes problemas criados por Lukachenko, independentemente de a sua gestão ter vindo a dar sinais de estagnação.
Acresce que os planos neoliberais em relação a este país não são de agora. Na Bielorrússia, as sanções económicas, as pressões e os efeitos decorrentes de decisões adversas dos países ocidentais já remontam aos tempos das administrações Bush, prosseguindo com Obama e Trump. A Bielorrússia fez sempre parte da lista dos países-alvo de “revoluções coloridas” que entretanto foram acontecendo na Geórgia, na Ucrânia, no Quirguistão, na Moldávia – onde a maioria eleitoral absoluta do Partido Comunista foi invalidada pela imposição da arbitrariedade política – no Cazaquistão e em outras antigas repúblicas soviéticas.
A implicação da Polónia, da Lituânia e da República Checa nesta crise artificial é evidente e sustentada pela acção dos Estados Unidos com base nas citadas USAID e NED e pelo aparelho de propaganda da Rádio Europa Livre, que vem dos primórdios da guerra fria e que chega ao desplante de considerar o banqueiro corrupto e financiador da oposição, Viktar Babarika, como um “filantropo”. Aliás, os “filantropos” estão na moda e associados a todos os caminhos para o globalismo neoliberal, em que se insere agora a tentativa de golpe na Bielorrússia.

Onde se irmanam o liberalismo e o “iliberalismo”

Neste processo em Minsk actuam de maneira geminada as expressões políticas do “liberalismo” e do “iliberalismo”, este associado a grupos saudosos do nazismo, tal como aconteceu na Ucrânia, no projecto para criação do habitual “caos criativo” de onde possa sair a pretendida “democracia”. Um dos elementos mais interessantes da situação resulta do facto de serem precisamente os sectores “iliberais” e nazis os que mais defendem o envolvimento da NATO na “solução da crise”. Situação que levou o governo de Lukachenko a tomar medidas de prevenção militar nas suas fronteiras com a Lituânia e a Polónia.
O processo é alimentado pela campanha de propaganda montada através da Rádio Europa Livre e que encontra correspondência na imprensa corporativa global. É de notar a perfeita sintonia pela mudança de regime manifestada pela rede de jornais europeus corporativos ditos “de referência”, sem excepção, de Portugal à Polónia – funcionando assim como braço da “revolução colorida”.
Essa comunicação social, tanto “de referência” como tabloide é unânime em apresentar as manifestações contra os resultados eleitorais como pacíficas, o que não corresponde à realidade. Além de outras situações que necessitam de clarificação, designadamente o envolvimento de mercenários da empresa russa Wagner (detidos em Minsk), o que deverá estar associado a uma acção planeada pelos serviços secretos ucranianos, os governos ocidentais exigem a absoluta paralisação da polícia partindo do princípio de que todo o processo é pacífico. No entanto, tornaram-se flagrantes as acções terroristas de grupos nazis e outros destacamentos de extrema-direita, em paralelo com os manifestantes “liberais”, para criação do caos em Minsk e outras cidades influentes. Entre as simbologias importadas de outras acções de protesto não faltam sequer as “mulheres de branco” normalmente associadas a movimentos contra Cuba.
O objectivo de criar acontecimentos idênticos aos da Praça Maidan em Kiev, onde veio a verificar-se que atiradores nazis foram responsáveis por vítimas atribuídas à polícia, é cada vez mais evidente.
Todos estes caminhos convergem na probabilidade de agravamento das sanções impostas pelos governos ocidentais, combinada com um cerco diplomático e pressões políticas sem limites para forçar o afastamento do governo de Lukachenko.
Quanto à União Europeia, que contribuiu para levar forças nazis ao governo da Ucrânia, que se absteve de condenar as constantes acções terroristas de Kiev contra as populações russófonas, que não se inquieta com as acções evidentemente antidemocráticas dos regimes da Geórgia e do Azerbaijão, por exemplo, não tem grande autoridade – nem provas - para partir do princípio de que as eleições na Bielorrússia “não foram justas nem equilibradas”. Trata-se da mesma União Europeia que não teve uma única atitude perante a institucionalização da xenofobia de Estado nos países bálticos, onde as comunidades de origem russa são consideradas de segunda, sem os mesmos direitos que os habitantes “originários”.
A crise artificial na Bielorrússia e a repetição do processo Maidan nada têm a ver com liberdade e democracia. Na base dos desenvolvimentos desencadeados a pretexto das eleições, e planeados com muita antecipação, estão o avanço militar da NATO no Leste da Europa e o cerco à Rússia, em paralelo com a multiplicação de centros de crise nas fronteiras russas; o desejo de travar a aproximação entre a Rússia e a Bielorrússia no sentido de restabelecer laços históricos e culturais; e evitar que a Bielorrússia venha a ser, como está previsto, um dos principais ramos da Iniciativa Cintura e Estrada (ICE) ou “Nova Rota da Seda” promovida pela China para o desenvolvimento comercial entre o Oriente e o Ocidente.

MÃO DE VACA(S)
Está em andamento mais uma "revolução colorida", eufemismo bélico de ataque nazi à Bielorússia. Dizem as televisões neo-fascistas sob a égide da burguesia, que Lukashenko é um ditador. Não interessa nada que pategos reaccionários, como por exemplo, um "pensador" do laranjismo, José Eduardo Martins, não façam a mais pequena ideia do que se passa no território, não tenham nenhum tipo de conhecimento histórico da fraternidade secular entre o país e a Rússia. O que é preciso é zurrar à toa, escoicear na nacional-ignorância da direita mais estúpida da Europa a ocidente.
Isto é trombeteado aos 4 ventos como sendo a «oposição democrática» ao diabólico presidente Lukashenko. Que como já vimos, é um ditador tenebroso. E quem são estas porcas da alta burguesia corrupcional da Bielorússia? São Sviatlana Tsikhanouskaya, Veronika Tsepkalo y María Kolesnikova, que, apenas, se distinguem por serem as graciosas "esposas" de um dono de blogue, de um banqueiro e de um ex-embaixador nos EUA e empresário.
O banqueiro é o marido da porca do meio e está preso por fraude e branqueamento de capitais. O marido da gaja de cabelo "à Joãozinho" é o construtor do Silicon Valey lá do sítio, que foi despedido da diplomacia nacional por ter sido acusado de interesses obscuros na área da tecnologia, que dirigia.
É este triplo zero "oposicionista" que a comunicação social do imperialismo aponta como alternativa democrática à governação anti-estadunidense, anti-OTAN e anti-UE, do governo de perspectiva tendencial socialista.
É claro que a Rússia já os avisou...o putedo não chegará ao poder.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

SALVAÇÃO

Estou quase acabando de ler mais um livro desta desta escritora que consegue fazer-nos pensar a actualidade com base num passado não muito distante.


SINOPSE
"A morte da mulher lança um escritor num mar de sofrimento. Para lidar com a dor do luto, escreve um romance histórico. A sua personagem principal, David Negro, é um médico judeu que tem de fugir de Lisboa depois da condenação da mulher pela Inquisição..."
Nessa época as denuncias, as perseguições a quem pensasse de maneira diferente levavam as populações ululantes a apoiarem os crimes da inquisição.
Mais tarde os nazismo também conseguiu arregimentar multidões em apoio do envio e cremação nos campos de concentração nazis de comunistas, ciganos, judeus e de muita gente que se opunha e combatia  o nazismo.
Em Portugal multidões foram arregimentadas e para manifestações de apoio a um regime fascista que matava, que torturava, que humilhava toda um população explorada, faminta, miserável e sem futuro.
Hoje parece que estamos voltando ao mesmo, incentivados e manietados por uma comunicação social ao serviço do pior que existe nesta sociedade, vemos gente que tem estado encoberta, gente até com alguma honestidade a apelarem ao extermínio dos comunistas divulgando posições que só os nazis  e o fascismo tiveram coragem de colocar em prática. A propósito de um clima de terror e medo que se instalou, porque existe um vírus à solta, apelando a que os comunistas sejam fechados na Festa do Avante e que lhes seja ateado o fogo, que sejam todos identificados  pela DGS e pela ASEA para posterior processo criminal configura uma onda de ódio latente nesta sociedade que se diz democrática, tolerante e  anti racista. 
Lamentávelmente há gente de esquerda ou que se diz de esquerda que assobia para o lado, que não contesta estas posições e até alinha na campanha anti-comunista mais abjecta que temos vistos até aos dias de hoje.
Talvez o confinamento tenha trazido de positivo este facto para conseguirmos separar o trigo do joio, para esclarecer muitas posições que andavam adormecidas, para sabermos distinguir quem está de que lado da barricada. 
A bufaria, a delação, o ódio, a pulhice estão aí para sustentarem  ideologias que há muito deveriam estar erradicadas da sociedade.

"Romance intimista e envolvente, Salvação é uma obra intensa sobre a capacidade de voltar a acreditar, sobre a redenção que a escrita permite e sobre o fanatismo das grandes religiões. Mas é também, e sobretudo, a confirmação de Ana Cristina Silva como uma das mais originais e possantes escritoras da actualidade."


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

NÃO TENHAMOS ILUSÕES!....
A globalização capitalista está a levar a grande maioria da humanidade para a miséria e para o descalabro de um mercado sem freios.
Como resultado dessa pobreza e insegurança vemos trabalhadores pobres contra outros trabalhadores ainda mais pobres e as nações mais fracas serem esmagadas pelas mais fortes e poderosas.
Nestas circunstâncias o mais lógico seria os trabalhadores explorados movimentarem-se em grandes acções de massas contra o sistema capitalista.
Mas o que vemos é o contrário:
A grande burguesia, enquanto explora e oprime no chamado sistema "democrático", para se prevenir, está a lançar pelo mundo inteiro um movimento, bem estruturado, de extrema-direita, para canalizar o descontentamento dos trabalhadores para um campo que nunca prejudicará os seus interesses de classe dominante.
E isto não é apenas uma ameaça.
Esta extrema-direita, capitalista, racista e anti-imigrante, anti-progresso, já governa poderosos paises: Estados Unidos, Brasil, Polónia, Hungria, Romenia, e cresce em quase todo o mundo.
Do lado da esquerda é uma desgraça.
A maior parte das organizações com força na esquerda optaram por se integrar no sistema e tentar "humanizar" o capitalismo através de reformas.
Essas forças não querem reconhecer que o capitalismo não é reformável: será cada vez mais cruel e explorador.
Mas não há um programa radical de luta da esquerda que aponte o caminho às massas e que as faça enfrentar, pela violência, nas ruas e em todos os lugares, as forças fascistas incentivadas pelo capitalismo.
O futuro é negro.
Era necessário recorrer aos clássicos do marxismo, mas verificar que os tempos são muito diferentes e exigem outras respostas.
Classe contra classe, sim, e sempre.
Mas qual o programa das classes trabalhadores para a fase actual?
Só esse programa poderia unir as lutas, que apesar de tudo existem, sobretudo nos sectores da juventude trabalhadora, e unir a nível nacional e a nível internacional esses lutas sectoriais.
O medo do futuro está a colocar explorados contra explorados, com os exploradores a esfregar as mãos de contente.
Vamos passar tempos difíceis: já estamos a passar.
E aqui não se trata de esperança ou de desespero.
Isto trata-se de uma guerra que exige exércitos bem preparados, quer no plano organizativo, quer na táctica, quer na estratégia...
O inimigo cumpre estas condições
E nós?
MM

Rumo à Vitória

"Quando os capitalistas inauguram novas fábricas e anunciam que investiram nelas centenas de milhares de contos, isso não significa senão que centenas de milhares de contos de trabalho não pago são por eles utilizados para em novas fábricas comprar ainda mais força de trabalho, obrigar um número maior de operários a trabalhar para eles e a produzir mais mais-valia, sempre mais mais-valia. Vendo uma nova fábrica, os operários podem dizer com inteira razão:«Ali está produto do nosso trabalho, pago com produto do nosso trabalho»

Digo eu: quando os capitalistas ficam isentos de pagamento à segurança social ao abrigo do Lay Off estão a ficar com milhares de euros dos trabalhadores produzidos com a mais-valia, com o trabalho não pago. Por outro lado estão a retirar da segurança social fundos que no futuro serão necessários para a reforma dos respectivos trabalhadores que criaram  esses valor.

Em 1962 Álvaro Cunhal calculou, com base em dados oficiais, que em média numa jornada de trabalho de 8 horas de trabalho, o operário gastava apenas 2 horas e 21 minutos como trabalho necessário, isto é, 5 horas e 39 minutos o operário trabalhava gratuitamente para o patrão. Hoje como será? com a intensificação da exploração, com a redução dos salários, com a introdução de novas tecnologias, possivelmente trabalha-se mais horas gratuitas para os patrões.


Rumo à Vitória. Obras escolhidas Tomo III pag. 45