sexta-feira, 26 de abril de 2019

história do Massacre de Lisboa

 história do Massacre de Lisboa

Luísa Miranda ( Fac 19.04.2019)


Há uns anos na noite conheci um homem, por estas alturas de Pascoa, que me contou a história do Massacre de Lisboa, entre outras bastante interessantes. Desconhecia por completo essa história e quando cheguei a casa fui pesquisar. Nunca tinha dado isto na escola, ou na faculdade - bem, aí se calhar dei, mas era raro ir as aulas. Nunca mais ninguém me falou desta história. Mas hoje já vi dois posts sobre este tema. 

Na chamada semana santa em 1506 foram mortos cerca de 4000 judeus dos quase 100 mil exilados em Portugal. Foram acusados de serem responsáveis pela peste, pela morte pela fome, pela escassez da epoca. isto tudo pq 1500 anos antes não acreditarem que Jesus era o Messias. Foram queimados vivos no Rossio e reza a história que nada disto foi a mando do rei. Foi ira popular espicaçada pela igreja. A bosta da igreja. 
Há 503 anos atrás, no dia de hoje, abriu.se três dias de matança ns ruas, que a história resolveu apagar. Em nome de Jesus, dizem eles. 
A quantidade de imbecilidades que já se fez em nome de deus, jesus, ala, buda e o raio que os parta não devia ser apagada, muito menos glorificada. Devia ser repetida todos os dias, em altifalantes, até as pessoas perceberem que a religião tem sido ao longo da história a forma mais fácil de manipulação e que maior impunidade dá. Tem sido também uma bela desculpa para uma série de conflitos geo politicos. Tem sido o palco imaculado das maiores barbaridades. E isto dá tanto jeito a tanta gente.

As Últimas Palavras de Cristo na Cruz


As Últimas Palavras de Cristo na Cruz

Frederico Lourenço (Faceboock)


Quem se dispuser a ler debaixo do microscópio os quatro relatos da crucificação e morte de Jesus nos quatro evangelhos canónicos verificará que nenhum dos evangelistas cumpre as nossas expectativas de encontrarmos tudo o que pensamos saber (ou o que estamos habituados a ver no cinema) sobre o que Cristo disse na cruz. É somente em Lucas (23:34), por exemplo, que Jesus perdoa os seus crucificadores: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”.


Mas estas palavras, ausentes dos outros evangelhos, serão autênticas? O mais antigo fragmento do Evangelho de Lucas, um papiro do século III, omite estas palavras. Elas estão também ausentes do Codex Vaticanus e Codex Bezae, ambos do século IV. Estão ausentes de traduções antiquíssimas de Lucas para siríaco e copta, o que prova que os tradutores se basearam em originais gregos em que Jesus, pregado na cruz, não proferia estas palavras a perdoar os seus carrascos.

O Evangelho de Lucas é também o único em que Cristo, na cruz, diz a um dos que com ele foram crucificados as palavras lindíssimas “hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). De igual modo, é só em Lucas (23:46) que Jesus diz, antes de morrer, “Pai, em Tuas mãos deponho o meu espírito”. Reconheça-se que a impressão transmitida pelo Evangelho de Lucas, de repositório de preciosidades ausentes dos outros evangelhos (desde logo o Bom Samaritano ou o Filho Pródigo), adquire consistência com estas três frases únicas ditas na cruz. No entanto, no seu relato da paixão e crucificação de Jesus, Lucas nunca poderia ter servido de fonte única ao cabotino-mor Mel Gibson, pois no Evangelho de Lucas, por extraordinário que isso possa parecer, Jesus não é flagelado. Mais surpreendente ainda: não é coroado de espinhos.

Outra curiosidade é que só Lucas descreve a crucificação de Jesus como um “espectáculo” (23:48), usando para tal, em sentido próprio, a palavra “teoria” na sua única ocorrência no Novo Testamento. Quem assistiu a esta “teoria”? Lucas não especifica nomes, ao contrário dos outros evangelistas, mas afirma que “todos os conhecidos” de Jesus olhavam à distância para o que estava a acontecer, assim como “as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia”.

Que mulheres seriam essas? Mateus (27:56) identifica algumas delas: Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e de José; e a mãe dos filhos de Zebedeu. Marcos (15:40) identifica-as como Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e de José; e Salomé. João (19:25), por seu lado, identifica três Marias: a mãe de Jesus; a tia de Jesus; e Maria Madalena.

Em João elas não estão à distância, como nos outros evangelhos, mas sim junto da cruz. E de forma única no Evangelho de João, com as três mulheres está também um homem: o anónimo discípulo amado. Sobre a identidade do discípulo amado têm sido várias as hipóteses aventadas: desde João, filho de Zebedeu (a proposta tradicional) a Tomé e Lázaro. A circunstância de ele estar junto da cruz – facto omitido nos outros evangelhos – chama a nossa atenção. E mais ainda a situação de Maria, mãe de Jesus, se encontrar também ali. Como se explica que mais nenhum evangelho (nem sequer os apócrifos evangelhos de Pedro e de Nicodemo) mencione a Virgem Maria nos relatos da paixão e ressurreição de Jesus? Talvez a resposta mais plausível seja que os evangelistas Marcos, Mateus, Lucas, Pedro e Nicodemo não referem a sua presença pela simples razão de que não lhes passou pela cabeça que ela pudesse lá ter estado. Seja como for, é ao relato de João que temos de agradecer obras-primas artísticas como a Crucificação de Matthias Grünewald, a Pietà de Michelangelo ou, num nível bem menos sublime, o Stabat Mater de Pergolesi.
Devemos então interpretar como isentas de facticidade histórica as palavras unicamente ditas no Evangelho de João pelo Crucificado à sua mãe (“Mulher, eis o teu filho”) e ao seu discípulo amado (“Eis a tua mãe”)? Como é seu apanágio, o quarto evangelho deixa-nos desarmados perante os seus enigmas. Quando chegamos ao capítulo 19 onde se narra a crucificação, a mãe de Jesus (de quem nunca se diz neste evangelho que se chamava Maria ou que era virgem) andava desaparecida desde as bodas de Caná no Capítulo 2. O seu aparecimento inexplicado junto da cruz é muitas vezes interpretado como tendo somente valor simbólico, mas nada nos garante que não haja alguma centelha de verdade histórica na crucificação narrada por João, de quem dependemos, de resto, para informações que estão ausentes dos outros evangelhos: o letreiro trilingue a proclamar a identidade do Crucificado; e o facto de Jesus ter sido pregado na cruz.

Esta informação não é dada no relato da crucificação propriamente dita – que tem em comum com os outros evangelhos o facto de, ao contrário do desclassificado filme de Gibson, primar pela sobriedade e pelo “understatement” – mas sim no episódio pós-ressurreição em que Tomé diz “a não ser que veja nas mãos dele a marcas dos pregos... não acreditarei”. É certo que o apócrifo Evangelho de Pedro também menciona os pregos, mas, dos quatro evangelhos canónicos, só o de João os refere. 

Os evangelhos canónicos relatam-nos a vida de Cristo, mas é só muito raramente que entram, por assim dizer, na cabeça de Jesus e nos dizem o que ele estaria a sentir em determinada situação. Temos o caso da reacção espontânea de amor sentida por Jesus pelo jovem rico em Marcos 10:21, ou a irritação violenta sentida por Jesus no mesmo capítulo do mesmo evangelho (v. 14: remeto para a minha nota sobre esta passagem na tradução que publiquei dos Evangelhos). Temos também a expressão de sentimento interior traduzida pelo sintoma do choro em João 11:35, capítulo onde Jesus também se irrita duas vezes (em João 13:21 ele “agita-se no espírito”). A raridade destes momentos que nos transmitem as emoções de Jesus explica o facto de não nos ser dito, nos relatos canónicos da Paixão, o que Jesus estava a sentir ao ser agredido, flagelado, coroado de espinhos e crucificado.

No entanto, o apócrifo Evangelho de Pedro tem o cuidado de frisar que Jesus passou por todo o sofrimento da Paixão sem sofrer. Esta ideia herética, porém, colidia com a noção ortodoxa da natureza de Jesus, que excluía o conceito de um salvador só aparentemente humano. Outros escritos apócrifos de inspiração gnóstica (como o apócrifo Apocalipse de Pedro) falarão de um Jesus corporal a ser pregado na cruz, enquanto o verdadeiro Jesus se ri da cena da crucificação: “apegar-se-ão ao nome de um homem morto”, diz Cristo nesse Apocalipse de Pedro, “convencidos de que desse modo se tornarão puros; só que em vez disso se macularão ainda mais”.

No canónico Evangelho de João, é certo que (novamente de forma única) o Crucificado declara que tem sede (João 19:28). Mas o evangelista sublinha que a razão deste desabafo de Cristo na cruz era a necessidade de cumprir a Escritura (Salmo 68 do Antigo Testamento grego, correspondente ao Salmo 69 do hebraico). Será que o Jesus do Evangelho de João sente mesmo fome e sede (contraste-se Lucas 24:42)? O grande estudioso Ernst Käsemann interrogou-se sobre o sentido em que poderá ter corpo humano “alguém que caminha sobre a água e através de portas fechadas, que é intangível para quem o quer agarrar, que se senta junto do poço da Samaria para pedir, cansado, um pouco de água, ele que não precisa de beber e tem outro alimento que não aquele providenciado pelos seus discípulos” (ver a minha nota a João 1:14).

Ao contrário do que acontece em Mateus (27:46) e Marcos (15:34), Jesus, no Evangelho de João, não morre perguntando a Deus porque o abandonou, mas diz “está cumprido” (João 19:30). As famosas palavras em aramaico, diferentemente transliteradas por Mateus e por Marcos, devem ser interpretadas como sinal de desespero dilacerante – como prova de que não se tratou de uma crucificação sem sofrimento (como propõe o apócrifo Evangelho de Pedro)? Por outro lado, é preciso dar a devida importância ao facto de Mateus, Marcos e Lucas registarem a “voz grande” com que Jesus grita as suas últimas palavras. Este homem à beira da morte, depois de todos os maus tratos sofridos, não sai desta vida com um gemido, mas sim com um grito. Sobretudo no caso de Marcos, considerado o evangelho mais antigo, chama a nossa atenção o uso do verbo grego “gritar” neste momento da morte na cruz, já que de resto o evangelista emprega o verbo apenas em 1:3, na citação de Isaías.

Outra curiosidade linguística chama a nossa atenção na frase aramaica “Elôí elôí lemá sabakhtháni” (seguindo a transliteração que lemos em Marcos). No conjunto dos quatro evangelhos, este momento (e o correspondente de Mateus) é o único em que Jesus invoca Deus por meio da palavra “Deus” e não pela palavra “Pai”. Também é a única ocorrência de uma oração de Jesus em que as palavras não são dele, mas sim uma citação do Antigo Testamento. Na cruz, portanto, o Crucificado de Marcos e de Mateus exprime-se de forma extremamente atípica.


Todas as palavras atribuídas pelos evangelistas a Cristo na cruz levantam cada uma delas uma problemática própria, quer no que toca à sua história textual, quer no que diz respeito ao problema sobremaneira melindroso da sua historicidade. No século XVIII, o compositor austríaco Joseph Haydn contornou o problema das palavras ditas na cruz na sua obra musical “As Sete Últimas Palavras do Nosso Salvador na Cruz”, concebendo inicialmente a obra como peça exclusivamente instrumental (existem versões para orquestra, para quarteto de cordas e para instrumento de tecla). A obra foi depois remodelada em forma de oratório, mas a sua versão mais eficaz e comovente é a instrumental.



Talvez porque o mistério de Deus crucificado – independentemente daquilo que os seus seguidores quiseram mais tarde pensar que o Crucificado tivesse dito – seja algo que, em última análise, as palavras não podem exprimir. E quando a palavra soçobra, só a música nos pode levar mais longe.


(na imagem: Cristo Crucificado, por Matthias Grünewald)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Jerónimo de Sousa sobre a ausência de uma democracia na Coreia do Norte:

EXCLUSIVO-POLÍGRAFO: Jerónimo de Sousa sobre a ausência de uma democracia na Coreia do Norte: "O que é uma democracia?"


Numa grande entrevista a publicar amanhã no Polígrafo, o secretário-geral do PCP recusa admitir que o regime de Kim Jong-un não é uma democracia. Além disso, o líder comunista - que sublinha, porém, que não seguiria o modelo coreano em Portugal - também não assume que Nicolas Maduro seja um ditador. E comenta, pela primeira vez, o processo que Miguel Casanova, filho do militante histórico José Casanova, colocou ao partido por despedimento ilegal.

Depois de Bernardino Soares ter afirmado em 2003, numa entrevista ao Diário de Notícias, que tinha dúvidas de que a Coreia do Norte não fosse uma democracia(uma frase que até hoje o persegue), Jerónimo de Sousa também faz declarações equívocas sobre o regime coreano. Numa grande entrevista ao Polígrafo que amanhã, segunda-feira, será integralmente publicada, o secretário-geral do Partido Comunista Português não admite que a Coreia do Norte não é uma democracia.
Perante a questão sobre se o país liderado por Kim Jong-un é ou não democrático, Jerónimo de Sousa recusou-se a “fazer essa classificação”. Face à insistência do jornalista do Polígrafo, Jerónimo chegou mesmo a questionar: “O que é a democracia?” Resposta do repórter: “É um sistema que passa por termos políticos eleitos.” Ao que Jerónimo contrapôs: “É uma opinião."
Fique com a passagem (e com o vídeo) de uma conversa marcante, em que o líder comunista também renova a sua solidariedade para com o presidente venezuelano Nicolas Maduro (que se recusa a qualificar como um ditador) e em que comenta, pela primeira vez, as acusações de Miguel Casanova, o filho do militante histórico do PCP José Casanova, que colocou o partido em tribunal por despedimento ilegal:
Incomoda-o o facto de a Coreia do Norte não ser uma democracia?
Eu não fazia essa classificação de ser ou  não ser. O que eu acho é que, primeiro, há o principio que eles afirmam, em segundo lugar, nós, em relação ao nosso projeto de sociedade, seria com certeza bem diferente do modelo da Coreia do Norte, tendo em conta a nossa cultura, tendo em conta a nossa história, tendo em conta o nosso povo. Estas opiniões críticas não invalidam que nos coloquemos do lado de uma solução política, de uma solução pacífica...
Estava a ouvi-lo e lembrei-me de uma frase que ainda hoje queima o PCP: a de Bernardino Soares, que bem conhece, segundo a qual não tinha a certeza de que a Coreia do Norte não fosse uma democracia.
Não estava a fazer a pergunta a ver se eu caía nessa, não?
Porque é que tem tanta dificuldade em admitir que não há uma democracia na Coreia do Norte?


O problema não é esse. O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia.
Não, eu fiquei foi com dúvidas, depois da sua resposta, se concorda com ele, porque o Jerónimo de Sousa não me disse se considera ou não que a Coreia do Norte é uma democracia, disse-me que não tinha certezas sobre isso.
As certezas que tenho são as conclusões do congresso do PCP: nós temos diferenças de opinião e até divergências.
Porque é que tem tanta dificuldade em admitir que não há uma democracia na Coreia do Norte?
O problema não é esse. O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia.
Passa por termos políticos eleitos, por exemplo. Esse é um princípio basilar da democracia. Na Coreia do Norte isso não existe, existe um princípio sucessório.
É  uma opinião. Digo-lhe pela terceira vez: nós, em relação a esse e outros países que se afirmam de construção do socialismo, nessa matéria temos diferenças e divergências. Os caminhos para a transformação social e o socialismo na nossa pátria são de certeza diferentes.
O PCP defende uma democracia; a Coreia do Norte não.
O PCP defende uma democracia avançada tendo em conta os valores de Abril, sem perder a perspetiva da construção do socialismo.






A “Guerra Híbrida” da CIA contra a Venezuela

Achille Lollo Brasil de Fato
Apesar da “Operación Constitucion”, ter acabado com o retorno miserável e silencioso de Juan Guaidò a Caracas, e com a captura dos quatro comandantes do dito “Exército de Libertação Venezuelano” (1), atualmente na região de Tona, no departamento colombiano de Santander, as “antenas” da CIA e os funcionários colombianos da Inteligência e Contrainteligencia Militar Conjunta-J2, continuam os preparativos para criar um “foco” subversivo nos estados venezuelanos de Tachira, Zulia, Amazonas e Apure, a partir dos quais promover a guerra civil, que envolveria a Colômbia e, portanto, a imediata intervenção militar dos Estados Unidos.
Com base nessa perspectiva, no dia 4 de março, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, voltou ao ataque lembrando que “… o presidente Donald Trump continua firmemente convencido da necessidade urgente de acabar com o governo liderado por Nicolas Maduro, mesmo com uma solução militar ( 2) e sem autorização internacional! … ”
Uma declaração escandalosa que não foi bem recebida nem mesmo pelos lacaios do Grupo Lima (3), registrando novamente a dissidência dos generais brasileiros e dos argentinos, a quem se juntou o desentendimento de muitos altos oficiais colombianos.
De fato, em 25 de fevereiro, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, presente no encontro do grupo de Lima, realizado na capital colombiana, Bogotá, reafirmou diante do aturdido Mike Pence a posição contrária dos militares brasileiros, que o próprio general Mourão anunciou, pela primeira vez, em 23 de janeiro, logo após Juan Guaidò ter sido coroado com o título de “Presidente Interino” por Donal Trump. Um pronunciamento que rompeu a ênfase belicosa da Casa Branca, porque o general Hamilton Mourão, que na época, ocupava o cargo presidencial na ausência do presidente Jair Bolsonaro, declarou com extrema clareza: “O Brasil e suas Forças Armadas não se envolverão na política interna da Venezuela! “.
Consequentemente, a posição expressa pelo vice-presidente brasileiro, general Mourão na reunião do grupo de Lima, influenciou o posicionamento dos generais argentinos, que, apesar das declarações belicosas do presidente Macri, categoricamente lembraram que: “… as Forças Armadas argentinas poderiam integrar uma missão de paz na Venezuela somente se a mesma for votada e autorizada pela Assembléia das Nações Unidas! .. “.
Mas, também, na capital colombiana – onde o clima político é cada vez mais complexo devido à crise econômica e ao permanente estado de instabilidade causado pela corrupção e o narcotráfico -, os abraços e apertos de mão do presidente Iván Duque Márquez com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, não convenceram os generais do Estado-Maior, porque depois de a trágica experiência do “Plano Colômbia”, nenhum oficial e soldado colombiano quer arriscar sua vida em uma difícil “guerra nas florestas”, especialmente com a Venezuela!
Na realidade, apenas a explosão de uma guerra civil devastadora, que ameaça danificar a infraestrutura da indústria petrolífera (poços, refinarias e portos de embarque), poderia convencer o Congresso dos Estados Unidos da necessidade de intervir militarmente na Venezuela e, portanto, autorizar os generais do Pentágono para realizar um “ataque cirúrgico” contra a Venezuela.
Um ataque que, no entanto, o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (SouthCom), no mês de outubro passado, em uma sessão do Comitê de Defesa do Senado, definiu “arriscado”, porque “… O exército bolivariano é estruturado horizontalmente, com cerca de dois mil generais que comandam e controlam os diferentes setores da defesa territorial … “. Além disso, Galen Carpenter, analista do conservador “Cato Institute” e especialista em questões militares internacionais, em entrevista à “BBC News Mundo” enfatizando os riscos da invasão , lembrou que: “… Embora possa haver razões para uma divisão interna, o que é certo, é que a maioria das forças do exército bolivariano em caso de ataque dos EUA, se mobilizarão todas para repelir a invasão! … “.
Um argumento que, entretanto, não encontra os oficiais da FANB despreparados. De fato, em 2018, o general venezuelano Jacinto Pérez Arcay (4), imediatamente após a decisão do governo bolivariano de substituir o dólar pelo yuan chinês nas operações de venda de petróleo, apresentou, ao Estado-Maior da FANB e ao próprio presidente Maduro, um estudo detalhado sobre as possíveis operações do SOUTHCOM, que poderiam ser feitas para abrir o caminho para à invasão terrestre das tropas dos EUA. Ainda segundo o general Jacinto Pérez Arcay e outras fontes de inteligência militar da FANB “… A primeira operação militar da SouthCom seria um ataque cirúrgico com aviões e mísseis contra as bases aéreas de Palo Negro e Barcelona e contra a base naval de Puerto Cabello!…”.
Segundo o chefe do Pentágono, general Jim Mattis, para determinar a dissolução da organização territorial do exército venezuelano e, portanto, permitir o desembarque dos fuzileiros navais com a função de pacificar e não de lutar, o SOUTHCOM deveria realizar un ataque aéreo cirúrgico contra todos os objetivos militares da Venezuela, sem sofrer nenhuma perda. De fato, para o general Mattis, a dissolução orgânica das FANB sempre foi a condição “sine qua non” para realizar a invasão da Venezuela em um curto espaço de tempo e sem graves perdas, para depois poder empossar um novo governo. Por esta razão, o chefe do Pentágono sempre alertou o presidente Donald Trump de que “… Sem essa condição, um ataque contra a Venezuela poderia se tornar uma aventura trágica!…”
Um tema que o general Jim Mattis, repetidamente, reiterou ao presidente Donald Trump, lembrando-lhe, também, de que sem a participação e, acima de tudo, sem a logística do exército brasileiro e do colombiano, o envolvimento dos “fuzileiros navais” na Venezuela seria extremamente arriscado. Uma posição que, segundo alguns analistas, foi uma das causas de sua demissão por Trump, do cargo de secretário de Defesa. Deve-se ressaltar que também os generais H.R. McMaster, John Kelly e Michael Flynn, todos contratados e depois demitidos pelo presidente, tiveram muitas discussões “amargas” com Donald Trump por causa dos problemas políticos e militares ligados à questão venezuelana.
A guerra nas mãos da CIA
Como resultado, Mike Pompeo – a eminência cinzenta do governo Trump, sem a opinião vinculante dos generais, pudera dar à CIA a responsabilidade absoluta pelo planejamento e pela execução de todas as operações subversivas, necessárias para provocar uma crise profunda e destrutiva na Venezuela, capaz de destruir a resistência do governo de Nicolas Maduro. Nessa perspectiva, e tendo recebido o claro apoio de muitos países “democráticos” da União Européia, o governo Trump triplicou o chamado “fundo pela restauração da democracia na Venezuela”, que agora ultrapassa 120 milhões de dólares. Além destes, devem ser adicionados os fundos para as “operações secretas” da CIA na Venezuela, que segundo alguns “rumores” seriam estimados em oitocentos milhões de dólares para o ano em curso. Portanto, foi nessa base que a CIA conseguiu fortalecer a colaboração com os serviços secretos brasileiros e colombianos e com os setores da inteligência militar brasileira e colombiana, para entender o que está acontecendo dentro da Venezuela. De fato, para os analistas de Langley, é importante saber: 1) Até que ponto os diferentes setores da oposição ainda são críveis? 2) Que tipo de mobilizações populares conseguiriam realizar? 3) Existem as condições e a capacidade para a oposição criar um “foco subversivo urbano” nas principais cidades da Venezuela, ao mesmo tempo em que os grupos paramilitares orquestrariam uma “guerrilha rural” nos estados que fazem fronteira com a Colômbia?
A resposta é certamente negativa, também porque, depois da aventura de Juan Guaidò, a divisão dentro da oposição cresceu com a consequente inatividade política dos partidos opositores. Um contexto que levou a CIA a recorrer à ação do ciberterrorismo, que, hoje, é o único elemento de conflito ativo nessa guerra híbrida, porém, cada vez mais isolado em termos políticos pela classe média e os setores populares.
Infelizmente, nos últimos trinta dias, o ciberterrorismo da CIA causou sérios danos à economia venezuelana, com sabotagem às linhas de transmissão e aos centros de fornecimento de eletricidade. De fato, no dia 7 de março houve o primeiro apagão nacional, que durou 60 horas, paralisando todas as redes de computadores do país. Sabotagens que não reduziram a confiança no governo pela maioria da população. Pelo contrário, o “apagão” provocou um maior descrédito para com os partidos e as lideranças da oposição, especialmente aqueles que pretendem uma mudança política imediata, recorrendo a todas as formas de luta, incluindo as violentas. Por esta razão e para mascarar o fracasso político, o presidente estadunidense Donald Trump e a eminência cinzenta dos New-Cons (5), Mike Pompeo, voltaram a agitar a bandeira da solução militar, estimulando a guerra psicológica dos meios de comunicação enquanto esperam a ressurreição da oposição.
Portanto, a situação política que existe hoje na Venezuela, apresenta três questões: 1) Porque o presidente Donald Trump e o grupo do “New-Con”, mesmo sabendo que a oposição está praticamente deslegitimada, insistem em querer acabar com urgência e a todo custo com o governo de Nicolas Maduro? 2) Por que Mike Pompeo, enquanto falava de ”retorno à democracia na Venezuela” apoiou o projeto subversivo formulado pela CIA (terrorismo e destruição econômica progressiva da Venezuela)? 3) Porque John Bolton arquivou a opinião dos generais do Pentágono, segundo os quais o desenvolvimento de ações subversivas fortaleceria a posição de Maduro e o papel do exército bolivariano, anulando, assim, a missão pacificadora dos “fuzileiros navais” dos EUA e a possibilidade de ” restaurar a democracia “sem disparar um tiro?
Para responder a estas questões é necessário recorrer à análise de alguns cientistas políticos, especializados em “geoestratégia dos blocos dominantes”, em particular aos conteúdos do professor brasileiro José Luis Da Costa Fiori (6), que, no mês de agosto de 2018, publicou um artigo analisando o novo papel da chamada “Guerra Híbrida” como parte integrante da política geoestratégica do governo de Donald Trump. Uma forma de conflito polivalente dentro de uma guerra de baixa intensidade, que seria a tentativa extrema dos Estados Unidos de impor o controle político e econômico a todos os estados do continente latino-americano.
De fato, para o professor Fiori, o termo “Guerra Híbrida” identifica a evolução da solução militar tradicional (bombardeio e invasão dos fuzileiros navais) e da histórica tentativa de golpe de Estado, com uma “Guerra de Quarta Geração” (Fourth Generation War), onde o Departamento de Estado, a CIA e a Casa Branca articulam ao mesmo tempo uma série de ataques (econômicos, legais, financeiros, diplomáticos, midiáticos, políticos, psicológicos, subversivos e cibernéticos). Ataques que visam desestabilizar os governos anticapitalistas hostis às multinacionais estadunidenses e, sobretudo, ligados a Cuba, como é o caso do governo venezuelano de Nicolas Maduro.
O desenvolvimento urgente de uma “Guerra Híbrida” O elemento-chave desta “Guerra Híbrida” é a urgência do governo imperialista de Donald Trump em querer pôr em marcha “a todo o custo”, a complexa multiplicidade dos elementos subversivos desta “guerra de baixa intensidade”, onde o principal objetivo seria a realização de uma aparente rebelião popular espontânea, capaz de absorver os principais ramos das forças armadas e os setores mais dinâmicos dos trabalhadores das empresas estatais de energia e petróleo. Portanto, se considerarmos que a chamada ” complexa multiplicidade subversiva” têm seus tempos para se afirmar no contexto político-institucional venezuelano, fica claro que ela não pode ser improvisada e muito menos não pode ser acelerada despropositadamente. O exemplo mais óbvio foi o fracasso da “Operacion Constitucion”.
Na verdade, logo após o governo bolivariano ter conseguido contornar a maioria das sanções financeiras do governo estadunidense, o presidente Donald Trump oportunisticamente jogou a carta do “Juan Guiadò, presidente interino”, esperando que a oposição fosse capaz de realizar uma “revolução colorida” e assim impor um novo governo, totalmente controlado e dependente da Casa Branca e das multinacionais. De fato, a CIA, o Departamento de Estado e a Casa Branca tentaram repetir em Caracas uma segunda “Operação Maidan” (7).
Com o fracasso desse projeto, crescem as críticas dos executivos das indústrias petrolíferas estadunidenses ligados a Rex Tillerson, diretor da multinacional Chevron, também contratado e depois demitido pelo presidente Trump. De fato, o “mau-humor político” desses executivos se deve ao fato de que, agora sem os 1.300.000 barris de petróleo venezuelano, eles são forçados a importá-los da Arábia Saudita a preços mais altos, enquanto, antes das sanções decretadas por Trump contra a PDVSA, todas as refinarias do Texas refinavam o barato petróleo da Venezuela.
Por outro lado, as sanções de Trump não paralisaram a produção petrolífera da PDVSA, uma vez que a OPEP estabeleceu novas cotas de produção com preços mais altos, enquanto a China e a Índia logo assinaram novos contratos de compra com a PDVSA, comprando todos os barris de petróleo que, anteriormente através da empresa CITGO Petroleum Corporation, eram destinados aos Estados Unidos. Deve ser enfatizado que os novos contratos da PDVSA não são mais fechados em Dólares, mas em Yuan, isto é a moeda chinesa que, atualmente, Rússia, China e Índia usam no comércio bilateral.
O uso do Yuan, bem como da moeda criptografada criada pelo governo bolivariano, é, na realidade, a verdadeira razão da urgência geoestratégica da Casa Branca em querer desestabilizar o governo de Nicolas Maduro. De fato, essas transações financeiras contribuem no enfraquecimento do poder do dólar no mercado financeiro global.
É imperativo lembrar que a guerra de agressão dos EUA contra o Iraque, bem como a guerra contra a Líbia, eclodiram quando Saddam Hussein e depois Gaddafi tentaram sair da área do dólar, vendendo dívidas dos EUA para comprar ouro, prata e diamantes, e querer usar o Euro como moeda básica no lugar dos petrodólares na venda de petróleo e gás. A essa altura, não se pode esquecer que, quinze dias antes do ataque “humanitário” à Líbia por aviões da Otan, o Banco da Inglaterra se apropriou da reserva de ouro da Líbia ao negar ao presidente Gaddafi a transferência das barras de ouro para o Banco Central de Trípoli. Será uma coincidência, mas também o governo venezuelano sofreu a mesma “expropriação” por parte do Banco da Inglaterra, quando o presidente Maduro pediu a repatriação da reserva de ouro da Venezuela, equivalente em 14 toneladas de ouro depositadas naquele banco britânico desde os anos setenta!
A última justificativa para a urgência desta “Guerra Híbrida” diz respeito à tentativa dos EUA de cortar o envolvimento das empresas chinesas e indianas na economia da Venezuela. De facto, estas empresas triplicaram a construção de grandes projetos de infra-estruturas e, acima de tudo, a exploração de numerosas jazidas minerais, em particular as novas minas de ouro e de coltan (8), que garantem ao Estado bolivariano novas formas de riqueza com as quais resistir as sabotagens e sanções impostas unilateralmente pelos Estados Unidos.
Uma presença, sobretudo a chinesa, que a Casa Branca considera um perigo, já que suas empresas e seus bancos alimentam na América Latina uma possível alternativa às rígidas regras impostas pelo FMI e pelas multinacionais estadunidenses e européias, além de apresentar soluções tecnológicas invejáveis que quebram a hegemonia dos conglomerados de Wall Street. Um contexto que nos faz descobrir um segundo acaso com a Nicarágua, onde as empresas chinesas deveriam ter começado a trabalhar na construção de um segundo canal, alternativo ao de Panamá e capaz de garantir a navegação entre o Oceano Atlântico ao Pacífico a qualquer tipo de navio. Também na Nicarágua, como na Venezuela, a oposição começou a desafiar o governo de Daniel Ortega, querendo a todo custo sua renúncia em nome da chamada “mudança democrática” e o cancelamento do contrato com as empresas chinesas, envolvidas na construção do novo canal!
Resistência e preparação combativa das FANB
A grande reforma geoestratégica e a reestruturação do sistema de defesa nacional que o presidente Hugo Chavéz implantou, imediatamente após o fracassado golpe de Estado de 2002, foi considerada por todos os governos dos Estados Unidos um “um autêntico ato de guerra”. O fortalecimento militar das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), desejado e coordenado pelo Comandante Chávez, deu início a um conflito político progressivo, que o governo dos EUA acentuou nos últimos dez anos. Um conflito latente que com o governo de Donald Trump, então se transformou em uma guerra silenciosa de baixa intensidade.
No entanto, a principal razão que levou os generais do Pentágono a considerar o Estado bolivariano “irrecuperável como o cubano”, é de natureza estratégica e também militar. De fato, os novos conceitos de defesa territorial e os novos mecanismos de organização militar que o presidente Hugo Chávez introduziu nas Forças Armadas venezuelanas eliminaram, rapidamente, todos os métodos de organização e os conceitos teóricos importados das academias militares dos EUA. Deve ser lembrado que nos anos 60 o exército venezuelano era considerado o pupilo do Pentágono, apresentado como modelo para todos os exércitos do continente sul-americano.
No entanto, o comandante Chávez – seguindo a experiência das FAR cubanas – além dos fundamentos teóricos, mudou toda a estrutura do sistema de defesa, investindo vários bilhões de dólares na compra de novas armas tecnologicamente mais avançadas para todas as unidades das FANB, e equipar todas as unidades com um sistema de comunicações de última geração, incluindo os batalhões da “Milicia”. Material de guerra produzido pelas empresas russas que, após o fim da Guerra Fria, superaram a eficiência tecnológica de muitas indústrias militares dos Estados Unidos ou dos países da União Européia. É o caso dos bombardeiros Sukhoi e, acima de tudo, do Sistema de Radar e de Mísseis de Defesa Aérea S-300VM, produzido pela empresa russa Antey-Almaz.
O elemento mais importante da reforma geoestratégica e militar de Chavéz não foi apenas a introdução de novas armas tecnologicamente avançadas, mas, acima de tudo, a estruturação do potencial de guerra nas novas linhas de defesa delineadas no país. Neste âmbito, a grande inovação foi a criação do Comando de Defesa do Espaço Aéreo (CODAI), que é o braço direto do setor de defesa subordinado ao Comando Estratégico Operacional (CEOFANB), baseado em Caracas. Assim, com a implementação de um novo conceito de defesa territorial, entendido como um elemento fundamental da aliança política das Forças Armadas com o povo, foi realmente fácil transformar o antigo exército – que estava sujeito às intenções despóticas das oligarquias -, em verdadeiro exército popular, em permanente mobilização para defender a soberania e a legitimidade do governo bolivariano.
Condição que permitiu o rápido crescimento, intelectual e político, do corpo de oficiais e de recrutas, promovendo a formação de uma “Milicia Nacional Bolivariana”, perfeitamente armada e organizada para integrar o sistema de defesa territorial nacional ao lado das FANB (Forças Armadas Nacionais Bolivarianas).
Como nas FAR cubanas e em todos os exércitos que nasceram para defender uma perspectiva revolucionária, também na FANB o elemento que hoje distingue sua organização e sua estrutura foi, sem dúvida, a preparação política combativa, que transformou o soldado e o oficial em um sujeito político ativo e presente na evolução do contexto social e econômico do país. É por isso que todos os apelos da oposição pela deserção em massa ou para levar a cabo um golpe contra o governo bolivariano de Nicolas Maduro fracassaram.
No entanto, o elemento que mais irritou os generais do Pentágono foi a decisão do Presidente Nicolas Maduro de instalar o Sistema de Defesa Aérea S-300VM em todas as regiões fronteiriças. Desta forma, qualquer tentativa de penetrar no espaço aéreo venezuelano por mísseis, aviões espiões ou caças-bombardeiros é imediatamente detectada pelos radares do sistema, que têm uma capacidade efetiva de leitura de até 10.000 metros de altura e 300 quilômetros em linha de superfície. Quem tenta de violar o espaço aéreo venezuelano sem autorização é imediatamente detectado e, em seguida abatido pelo sistema de defesa antiaérea, que é composto de cinco linhas de fogo: 1) Canhões antiaéreos de 20 e 40mm; 2) Mísseis portáteis MANPADS-Igla5 com alcance de 5.000m, 3) Mísseis PECHORA 2M S-125 com alcance de 20.000m; 4) Mísseis BUK-2ME com alcance de 25.000m; 5) Mísseis S-300VM com alcance de 30.000m.
Argumentos que sempre foram debatidos nas difíceis reuniões dos generais Jim Mattis e John Kelly com Donald Trump e Mike Pompeo sobre a possibilidade de realizar um “bombardeio cirúrgico”, com o qual destruir os objetivos estratégicos da Venezuela. Na verdade, Donald Trump e Mike Pompeo, não tendo conhecimentos de tecnologia militar, nunca entenderam que com a criação por parte do CODAI venezuelano (Comando Integral de Defesa Aeroespacial) de uma eficiente área de exclusão aérea (NOTAM A0 160/19), todo tipo de missões de ataque aéreo contra a Venezuela resultam extremamente arriscadas. Isso porque todo o espaço aéreo venezuelano é protegido por baterias de radar e mísseis S-300VM, incluindo o espaço aéreo marítimo que se estende até as ilhas de Curaçao, Aruba e Bonaire!
Na realidade, os radares venezuelanos controlam perfeitamente a atividade aérea a mais de 100 quilômetros de suas fronteiras. Em particular os espaços aéreos da região colombiana de Cucuta e o brasileiro de Pacaraima, que, segundo o plano subversivo “Operación Constitución”, deveria ter sido o ponto de partida da sonhada invasão estadunidense disfarçada com o envio de alimentos.
Na prática, o presidente Nicolas Maduro, seguindo a orientação do Comandante Hugo Chavéz, completou a instalação das baterias de mísseis S-300VM em todo o país, protegendo todo o espaço aéreo da Venezuela com um autêntico guarda-chuva armado com mísseis antiaéreos, controlados remotamente pelos poderosos radares russos, capazes de detectar até 300 quilômetros qualquer tipo de interferência eletrônica!
Assim, dada a impossibilidade de promover uma revolta popular, resultando inviável um golpe de Estado e, também, inatingível um Impeachment contra o Presidente Nicolas Maduro, os homens da CIA tentam desgastar e deslegitimar o governo bolivariano com a sabotagem cibernética.(9). O seja, o último capítulo da Guerra Híbrida inventada por Mike Pompeo e Donald Trump!
Achille Lollo, jornalista italiano, atualmente é diretor de “ADIATV” e analista do jornal online “Contropiano”.
Notas 1 – No dia 1º de fevereiro, as unidades especiais do Exército e da SEBIN capturaram primeiro na avenida José António Paez os auto-nomeados “comandantes do nascente ELV”, os ex-coronéis aposentados Oswaldo Garcia Palomo e José Acevedo Montonès. Mais tarde foram capturados os outros dois “comandantes” Antonio José Labichele Barrios e Alberto José Salazar Cabana.
2 – Em 4 de fevereiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista à CNN, reiterou “… a vontade da Casa Branca de acabar com o ditador venezuelano mesmo com uma solução militar …”.
3 – O “Grupo Lima” foi formado dentro da OEA (Organização dos Estados Americanos) para isolar diplomaticamente o governo bolivariano e apoiar a subversão da oposição.
4 – Jacinto Péerez Arcay, General, é o Chefe do Estado-Maior do Comando Nacional das Forças Armadas.
5 – New-Con (Novos Conservadores) é o grupo criado dentro do Partido Republicano por Mike Pompeo e John Bolton, que sempre apoiou Donald Trump.
6-José Luis da Costa Fiori, é um acadêmico brasileiro especializado em macroeconomia política internacional. Foi também analista do BID (Banco Internacional de Desenvolvimento) e depois lecionou por dois anos (2005/2006) na Universidade de Cambridge.
7 – “Operação Maidan”, foi o código do projeto subversivo que a CIA e o Departamento de Estado usaram para derrubar o governo da Ucrânia.
8 – O Banco Central da Rússia foi o principal comprador mundial de ouro em 2018. Especificamente, vendeu todos os títulos do governo dos EUA que possuía e, ao mesmo tempo, comprou 274,3 toneladas de ouro. Desta forma, a Federação Russa tornou-se o quinto possuidor no mundo dde barras de ouro depois de Estados Unidos da América, Alemanha, França e Itália.
9 – Na quinta-feira, 7 de março, a Venezuela foi alvo de uma série de ataques cibernéticos ao sistema de controle da usina hidrelétrica de El Guri. Após o apagão, um novo ataque foi orquestrado na Venezuela. Desta vez contra as estruturas da região petrolífera de Orinoco, a maior reserva de petróleo bruto do planeta. O governo bolivariano afirmou que esta sabotagem foi realizada com uma tecnologia que apenas o governo dos EUA tem e com a qual é possível provocar um apagão em todo o país.
Juan Guaidó, Iván Duque, presidente da Colômbia e Mike Pence, vice-presidente dos EUA, em encontro na Casa Branca / Twitter de Mike Pence/Reprodução
https://www.brasildefato.com.br/2019/04/03/artigo-or-a-guerra-hibrida-da-cia-contra-venezuela/

terça-feira, 2 de abril de 2019

Sobre Sindicatos e Sindicalização

Algumas notas sobre o relatório do Banco de Portugal sobre sindicatos e sindicalização com dados de 2010. Segundo este relatório:
-A Fiequimetal abrange 25% dos trabalhadores assalariados contados por este estudo (certamente baseado no INE). É a federação mais abrangente quanto ao potencial de trabalhadores que pode sindicalizar.
-O CESP (sindicato de comércio e serviços) é a estrutura sindical mais abrangente a seguir à Fiequimetal sendo que que abrange cerca de 20% dos trabalhadores assalariados contados por este estudo.
-Importa clarificar que quando digo "abrangente" refiro-me ao potencial número de trabalhadores sindicalizados caso a sindicalização chegasse a 100% dos trabalhadores de sectores incluídos dentro destes sindicatos e federações sindicais - isto é a percentagem destes sectores no total de assalariados de Portugal. Esta percentagem é portanto muito diferente da percentagem de sindicalizados nos sectores ligados a estes sindicatos.
-A indústria transformadora inclui a esmagadora maioria dos trabalhadores abrangidos pela Fiequimetal (mais de 24%) mas quando olhamos para taxas de sindicalização que estão discriminados em 3 casos: os trabalhadores da indústria transformadora têm cerca de 12% de sindicalização, os trabalhadores da indústria extractiva têm semelhante taxa de cerca de 12% de sindicalização e é curioso o caso dos trabalhadores do sector eléctrico que têm mais de 60% de sindicalização. É difícil de perceber estes 60% de sindicalização do sector eléctrico pela sua pouco visível actividade sindical mas acima de tudo é difícil de perceber porque o Estado burguês e os seus órgãos dão ênfase a este sector colocando-o num item aparte (ainda para mais enfatizando uma alta taxa de sindicalização) quando por exemplo não colocam um item aparte para o sector petrolífero que esta diluído dentro do sector da indústria transformadora.
-O sector do comércio em que se move o CESP previsivelmente tem uma taxa de sindicalização de menos de 5%, muito inferior às taxas de sindicalização nos sindicatos da Fiequimetal.
-O sector dos transportes é um sector estratégico como todos sabemos e tem uma taxa de sindicalização de mais de 31%, sendo que conta com 5% do total de assalariados. Conta com a sua própria federação da CGTP que é a Fectrans.
-Neste estudo de 2010 o sector da construção civil tinha uma taxa de sindicalização de menos de 3% apesar de abranger um considerável número do total de assalariados, 11%. Sabemos que este sector foi quase reduzido a zero nos anos de crise económica recente e provavelmente já recuperou parcialmente mas é um sector particularmente vulnerável a falências fraudulentas e a despedimentos em massa.
-Considerando os sectores industriais todos, o sector da construção civil, o sector dos transportes, indústria transformadora, indústria extractiva, sector eléctrico, o sector das águas e saneamento e informação e comunicação, a classe operária industrial abrange cerca de 40% do total de assalariados. Apesar de haver diferenças grandes de taxas de sindicalização dentro destes sectores, as altas taxas de sindicalização são a norma na maior deles e elas concentram-se em poucas estruturas sindicais como a Fiequimetal e a Fectrans. No caso da Fectrans ao longo das últimas décadas isto correspondeu a maior actividade grevista embora com capitulações chave a quando da entrada do presente governo burguês (a geringonça).
-É um dado recorrente deste e de muitos outros estudos que a sindicalização tem baixado drasticamente desde o fim do prec (desde o golpe de 25 de Novembro de 1975). Nomeadamente há dados e estimativas que referem 60% de sindicalização geral de todos os sindicatos em 1978 e uma redução para 19% em 2014. Este estudo do Banco de Portugal calcula que a taxa de sindicalização era já apenas de 11% em 2010. E este número é me confirmado por várias fontes burguesas e do Estado burguês. A própria CGTP e UGT admitem publicamente a alguns jornais burgueses que o seu número de filiados diminuiu significativamente (apesar do aumento de sindicalizados no caso especial do sector do turismo). A CGTP também admite publicamente que a taxa de sindicalizados no sector do Estado é muito superior à taxa de sindicalizados no sector privado. E isto corresponde claramente a muito maior visibilidade das greves da CGTP no sector do Estado. Não são dados números exactos dos sindicalizados no sector do Estado mas fala-se nos jornais burgueses que a taxa de sindicalizados no sector privado baixou para 8% nos últimos anos.
-É curioso que os congressos da CGTP debatem problemas financeiros e medidas administrativas para os conter mas não a questão da diminuição importante do número de sindicalizados. São as forças burguesas liberais e sociais-democratas, como o PS e o Bloco de Esquerda, as Universidades burguesas e outros órgãos do Estado burguês que escrevem estudos sobre esta questão com o claro intuito de um dia tomarem controlo da CGTP, que ainda é maioritária e ligada ao PCP. Se o PCP pratica uma espécie de amadorismo reformista, o PS e o BE são os mais competentes profissionais da conciliação de classes.
-Salta à vista que o sector bancário (abrangendo menos de 4% dos assalariados), que é um bastião da UGT e do mais desbragado e histórico sindicalismo amarelo, tem uma taxa de sindicalização de mais de 63%. Se isto não é aristocracia operária como poder explicá-lo? Certamente não é pela actividade grevista no sector bancário que é praticamente nula. Também não é de estranhar que as tácticas mafiosas da UGT em conluio com os patrões façam da sindicalização uma decisão forçada sob chantagem como sabemos que acontece nos barcos turísticos do rio douro. Mas isto coloca outra questão maior que alcança tanto UGT como CGTP que é o caso de tantos sindicatos que não apenas não fazem quaisquer greves (nem quando exigida pelos trabalhadores) como não têm praticamente actividade nenhuma (nem assembleias nem eleições) e se fecham nos seus escritórios. Os sindicatos sem a participação dos trabalhadores são uma fraude, uma fonte de parasitagem e de corrupção face aos patrões.


Loukianos Stathopoulos

"As Greves e Austeridade em Portugal"

Algumas notas sobre o estudo "As greves e a austeridade em Portugal: Olhares, expressões e recomposições" de Hermes Augusto Costa, Hugo Dias e José Soeiro.
-Este estudo provém do Centro de estudo Sociais da Universidade de Coimbra que é conhecido pelo seu carácter reformista social-democrata, nomeadamente pela pela sua proximidade ao Bloco de Esquerda e ao PS. Aqui se destaca o dirigente do BE, José Soeiro e o académico reformista, Hermes Augusto Costa. Em outros trabalhos ligados a estas mesmas pessoas aparece o ex-líder da CGTP e ex-dirigente do PCP, Manuel Carvalho da silva.

-Este estudo é particularmente útil para comparar taxas de sindicalização com a dimensão e intensidade das greves por sector e por sindicato.

-Conclui-se por este estudo que obviamente em termos gerais a taxa de sindicalização tende a ser proporcional à dimensão e intensidade das greves. Isto é particularmente verdade olhando para o movimento sindical como um todo. Em termos de sectores muitas vezes verifica-se o que li em outro relatório da CGTP que diz que uma parte importante dos trabalhadores não sindicalizados fazem greve e uma parte importante dos trabalhadores sindicalizados não fazem greve (estes últimos a CGTP atribui principalmente à UGT, mas na CGTP também há muitos e por responsabilidade das cúpulas sindicais).
-Este estudo indica uma taxa de sindicalização geral de 19% em 2010.
-São particularmente analisados os anos de crise capitalista de 2010 a 2012. As fontes são dados do governo burguês de turno.
-Entre 2010 e 2012 os sectores com maior participação de trabalhadores em greve são o sector dos transportes, o das indústrias transformadoras e o sector da saúde. O sector dos transportes destaca-se de muito longe em relação aos outros e chega a ter perto de 30% dos trabalhadores do sector em greve.
-Outros dados deste mesmo estudo mostram como entre 2007 e 2013 há um grande aumento da percentagem dos trabalhadores "da administração directa e indirecta do Estado" em greve chegando a um máximo de perto de 30% em 2011 no auge da crise capitalista - é de destacar que o sector dos transportes era até esse momento quase todo do Estado e que contribui muito para estes números. Mas é no mínimo estranho que os trabalhadores abrangidos neste quadro dos trabalhadores "da administração directa e indirecta do Estado" em greve entre 2007-2013 aumentem para o dobro entre 2008 e 2010, o que permite concluir que os dados do governo são falseados de forma a que a participação real dos trabalhadores em greve foi muito maior.
-Um quadro específico sobre as greves dos trabalhadores "da administração directa e indirecta do Estado" (2007-2013) e outro quadro sobre as greves em todos os sectores indiferenciados entre Estado e privado (2010-2012) não batem certo em relação ao número muito mais alto de trabalhadores do Estado a participar em greves no quadro específico sobre as greves dos trabalhadores do Estado. Este é um dos muitos elementos que mostram a pouca exactidão dos números fornecidos pelo Estado sobre as greves. Permite-me colocar a hipótese de que tanto as confederações sindicais como o Estado burguês se sentirem mais confortáveis a dar ênfase ao sindicalismo dos trabalhadores do Estado em detrimento dos trabalhadores do sector privado.
-O olhar crítico e de dúvida sobre fontes de informação burguesas é sempre essencial mas creio que este estudo permite ver e confirmar algumas tendências essenciais. Por exemplo o facto do sector dos transportes ter de longe a maior actividade grevista e o facto de isso corresponder a uma alta taxa de sindicalização. Em sentido contrário o estudo mostra que o bastião amarelo do sector bancário com uma alta taxa de sindicalização (mais de 60%) não corresponde a uma alta taxa de participação em greves. Confirma-se uma grande participação em greves no sector eléctrico que corresponde um pouco à sua alta taxa de sindicalização, ainda que muito abaixo do sector dos transportes. Em geral verifica-se um aumento do número de greves nos anos da crise tanto no sector do Estado como no conjunto dos sectores do Estado e do sector privado.
-É a minha convicção também suportada por estes números que os sindicatos do sector dos transportes poderiam ter derrotado todas as tentativas de privatização do sector dos transportes em curso durante o fim do governo do PSD e o início do governo do PS através das greves generalizadas do sector e que o sacrificar dos trabalhadores da CP Carga e da TAP neste processo foi uma traição das cúpulas sindicais nomeadamente da Fectrans e da CGTP (sempre com a preciosa ajuda da UGT para agradar aos patrões e aos governos burgueses).


Loukianos Stathopoulos


quinta-feira, 14 de março de 2019

Em defesa das FARC


Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues critica a hipocrisia dos grandes do capital ao prestarem homenagem ao actual presidente da Colômbia e lamenta a atitude assumida por Hugo Chávez em Santa Marta.

O presidente da Venezuela não foi coerente com a sua politica anti-imperialista. Durante anos sugeriu que às FARC fosse reconhecido o estatuto de organização beligerante; agora cede às pressões de um criminoso como Juan Manuel Santos que vê na guerrilha revolucionaria colombiana um grupo de terroristas.



Artigo aqui:



Alfonso Cano, Herói da Colômbia




Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colombia caiu combatendo no dia 4 de Novembro.
Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colombia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de carácter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC.
Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não supreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu.



FARC - A luta continua

O comunicado das FARC sobre a renúncia aos sequestros motivou uma chuva de comentários, interpretando a decisão como prólogo do fim da guerrilha. O andamento da história vai desmentir tais profecias. O comandante Timoleon Jimenez, seu actual comandante-chefe, já informou que a organização revolucionária continuará a sua luta por uma Colômbia livre, democrática e independente.

Ler aqui:



FARC: 48 anos de luta Revolucionária




Não há precedente na história da América Latina para uma saga revolucionária comparável à das FARC. Fundada há quase meio século, a guerrilha das FARC luta contra o mais poderoso exército do Sul do Hemisfério, armado e financiado pelo imperialismo estado-unidense.

Sucessivos governos anunciaram ao longo dos anos em Bogotá o seu fim iminente. Mas não há calúnia nem discurso dos presidentes e generais da oligarquia colombiana que possa esconder o óbvio: as FARC-EP - guerrilha-partido marxista-leninista - prosseguem a luta por uma Colômbia independente, democrática e progressista.




A situação na Colômbia e o projecto das FARC-EP

Influentes media nos EUA manifestam preocupação face à situação socio-política e militar na Colômbia. Têm muitas razões para essa súbita preocupação: divergências no interior do regime; denuncia publica de envolvimento de chefes militares com a rede narco paramilitar; agravamento da crise económica; os efeitos dos Tratados de Livre Comercio impostos pelos EUA e pela União Europeia; o avolumar do descontentamento popular e, sobretudo, uma série de derrotas infligidas pelas FARC-EP a forças do Exército e da Polícia Nacional.




As negociações de Havana estão desde o início armadilhadas. Mas tal não impede que o balanço actual seja muito positivo. O interesse que as conversações de Havana e o prólogo de Oslo suscitaram permitiu que a voz da guerrilha chegasse a milhões de pessoas em dezenas de países. Em conferências de imprensa, em entrevistas e artigos, dirigentes como os comandantes Ivan Marquez, Rodrigo Granda, Jesus Santrich e outros projectaram a imagem real das FARC e da sua organização revolucionária, incompatível com a perversa caricatura que delas exportam Santos e os seus generais.



Colômbia: Estagnação nas conversações de Havana

A Delegação de Paz das FARC divulgou em Havana, sede dos Diálogos, um primeiro balanço sobre «o estado das conversações». De 200 propostas mínimas para resolver problemas do campo e da participação politica que apresentaram, somente foi possível chegar a 25 acordos parciais com o governo de Juan Manuel Santos.
Não é de admirar: o governo colombiano participa nos Diálogos porque não teve condições políticas para o recusar. Mas a sua aposta permanece na guerra, não na paz: o orçamento de estado da Colômbia para 2014 inclui para as Forças Armadas (isto é, para o financiamento da guerra contra as Farc) a verba astronómica de 274 biliões de pesos, o equivalente a 14 717 mil milhões de dólares.


Preso há três anos e três meses com base numa acusação forjada, Joaquín Perez Becerra foi agora libertado. A sua libertação de deve ser saudada como uma vitória das forças que lutam há décadas contra o neofascismo colombiano, por uma sociedade democrática e independente, um Estado soberano na nação fundada por Bolívar.

Ler aqui:



A difícil luta pela paz na Colômbia.

Embora o diálogo de paz em Havana tenha até agora avançado de forma globalmente positiva, os dirigentes das FARC são prudentes no que diz respeito ao seu desfecho. A paz não está próxima. O povo colombiano deseja-a intensamente, mas as forças empenhadas em sabotar os Diálogos de Havana são poderosas.


Ler aqui:





Do cessar-fogo na Colômbia
à paz, desejada, mas muito distante

Miguel Urbano, um dos revolucionários que mais escreveu sobre a heroica luta das FARC-EP e mais divulgou a sua epopeia faz, nesta hora de refluxo, o comentário possível aos acordos recentemente assinados em Havana, entre aquela organização revolucionária e o governo da Colômbia.
Termina, confessando a sua dificuldade em «imaginar que tipo de «reconciliação» (…) será possível, num contexto em que a classe dominante não esconde a sua fidelidade ao neoliberalismo ortodoxo e à íntima aliança com os Estados Unidos».


Ler aqui:



Que futuro para as FARC?

Em Cartagena de Indias ,foi ontem,26 de Setembro, assinado o Acordo Definitivo de Paz ,que poe termo na Colômbia a uma guerra de 52 anos .
Miguel Urbano Rodrigues presta homenagem às FARC-EP, mas distancia-se do otimismo que na cerimonia , a que compareceram 14 chefes de estado e de governo, expressaram o presidente Juan Manuel Santos e o comandante-chefe da organização guerrilheira, Rodrigo Londoño.