quinta-feira, 4 de abril de 2019

Jerónimo de Sousa sobre a ausência de uma democracia na Coreia do Norte:

EXCLUSIVO-POLÍGRAFO: Jerónimo de Sousa sobre a ausência de uma democracia na Coreia do Norte: "O que é uma democracia?"


Numa grande entrevista a publicar amanhã no Polígrafo, o secretário-geral do PCP recusa admitir que o regime de Kim Jong-un não é uma democracia. Além disso, o líder comunista - que sublinha, porém, que não seguiria o modelo coreano em Portugal - também não assume que Nicolas Maduro seja um ditador. E comenta, pela primeira vez, o processo que Miguel Casanova, filho do militante histórico José Casanova, colocou ao partido por despedimento ilegal.

Depois de Bernardino Soares ter afirmado em 2003, numa entrevista ao Diário de Notícias, que tinha dúvidas de que a Coreia do Norte não fosse uma democracia(uma frase que até hoje o persegue), Jerónimo de Sousa também faz declarações equívocas sobre o regime coreano. Numa grande entrevista ao Polígrafo que amanhã, segunda-feira, será integralmente publicada, o secretário-geral do Partido Comunista Português não admite que a Coreia do Norte não é uma democracia.
Perante a questão sobre se o país liderado por Kim Jong-un é ou não democrático, Jerónimo de Sousa recusou-se a “fazer essa classificação”. Face à insistência do jornalista do Polígrafo, Jerónimo chegou mesmo a questionar: “O que é a democracia?” Resposta do repórter: “É um sistema que passa por termos políticos eleitos.” Ao que Jerónimo contrapôs: “É uma opinião."
Fique com a passagem (e com o vídeo) de uma conversa marcante, em que o líder comunista também renova a sua solidariedade para com o presidente venezuelano Nicolas Maduro (que se recusa a qualificar como um ditador) e em que comenta, pela primeira vez, as acusações de Miguel Casanova, o filho do militante histórico do PCP José Casanova, que colocou o partido em tribunal por despedimento ilegal:
Incomoda-o o facto de a Coreia do Norte não ser uma democracia?
Eu não fazia essa classificação de ser ou  não ser. O que eu acho é que, primeiro, há o principio que eles afirmam, em segundo lugar, nós, em relação ao nosso projeto de sociedade, seria com certeza bem diferente do modelo da Coreia do Norte, tendo em conta a nossa cultura, tendo em conta a nossa história, tendo em conta o nosso povo. Estas opiniões críticas não invalidam que nos coloquemos do lado de uma solução política, de uma solução pacífica...
Estava a ouvi-lo e lembrei-me de uma frase que ainda hoje queima o PCP: a de Bernardino Soares, que bem conhece, segundo a qual não tinha a certeza de que a Coreia do Norte não fosse uma democracia.
Não estava a fazer a pergunta a ver se eu caía nessa, não?
Porque é que tem tanta dificuldade em admitir que não há uma democracia na Coreia do Norte?


O problema não é esse. O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia.
Não, eu fiquei foi com dúvidas, depois da sua resposta, se concorda com ele, porque o Jerónimo de Sousa não me disse se considera ou não que a Coreia do Norte é uma democracia, disse-me que não tinha certezas sobre isso.
As certezas que tenho são as conclusões do congresso do PCP: nós temos diferenças de opinião e até divergências.
Porque é que tem tanta dificuldade em admitir que não há uma democracia na Coreia do Norte?
O problema não é esse. O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia.
Passa por termos políticos eleitos, por exemplo. Esse é um princípio basilar da democracia. Na Coreia do Norte isso não existe, existe um princípio sucessório.
É  uma opinião. Digo-lhe pela terceira vez: nós, em relação a esse e outros países que se afirmam de construção do socialismo, nessa matéria temos diferenças e divergências. Os caminhos para a transformação social e o socialismo na nossa pátria são de certeza diferentes.
O PCP defende uma democracia; a Coreia do Norte não.
O PCP defende uma democracia avançada tendo em conta os valores de Abril, sem perder a perspetiva da construção do socialismo.






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