domingo, 16 de maio de 2021

DO RISCO, DA INCERTEZA E DO EGOÍSMO



DO RISCO, DA INCERTEZA E DO EGOÍSMO / Alguém que se queira vacinar contra a covid-19 sem comorbilidades graves e menos de 55 anos (idade de referência mas que podemos fazer flutuar um pouco) está, na verdade, a trocar um RISCO, associado a uma probabilidade muito baixa ou mesmo irrelevante de morte, por uma INCERTEZA.
É um erro crasso este trade-off: numa incerteza, o risco não é mensurável, porque ainda desconhecido; é como aceitar jogar à roleta russa antes de saber se o revólver tem qualquer munição, ou gatilho, ou balas de pólvora seca ou se afinal o carregador está cheio. Ao contrário, no risco sabe-se ao que se vai: pode-se ponderar, escolher. 

 
Por esse motivo, quando o risco (probabilidade de um evento dar para o torto) é baixo, como sucede com a covid-19 para os mais jovens, não será conveniente a toma de uma vacina cujos efeitos colaterais ainda não são inteiramente conhecidos. Por isso mesmo estão em fase experimental; por isso mesmo ainda não foram aprovadas quer pela EMA quer pela FDA.
E, por isso mesmo, é criminosa a atitude de políticos e autoridades de saúde que pressionam a vacinação para pessoas de baixo risco.
Esta posição é incongruente com a defesa da vacinação para os mais idosos ou vulneráveis, que eu defendo? Não, muito pelo contrário. Nestes casos, quando a taxa de letalidade é muito elevada (p. ex., é mais 30 vezes superior numa pessoa de 85 anos do que numa pessoa de 55 anos), compensa “arriscar” vacinar, porque é expectável que os benefícios compensem os eventuais (incertos e portanto desconhecidos) prejuízos.
Nestes casos estamos, porém, perante uma decisão política (no sentido de decisão ao nível de políticas públicas). E é exactamente nessa linha que os países mais desenvolvidos, mais avançados na vacinação dos idosos e vulneráveis, tinham a obrigação de desviar “inúteis” vacinas (para proteger pessoas de baixo risco) para os países menos desenvolvidos, que ainda não têm vacinadas as suas populações de risco.
A própria OMS recomenda essa estratégia de “desvio”, mas ninguém nos países ricos quer ouvir e agir em conformidade. Muitos por aqui, que até batem no peito a dizerem-se humanistas, que chamam desumanos e chalupas a quem sai da Narrativa Oficial, nem querem ouvir falar nisso. Mesmo jovens ou sem grandes maleitas, seguem felizes, como ratos para salva-vidas, até à fila da pica. São uns egoístas, reféns do pânico, assobiando para o ar enquanto idosos de países subdesenvolvidos morrem de covid-19. E de muitas outras doenças evitáveis. Como sempre. Como sempre.
 

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