SETE HORAS NO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE
Não, não vou dizer mal!
Se há interesses ocultos para denegrir, para colocar a opinião pública contra o Serviço Nacional de Saúde não são os médicos. Os enfermeiros, os auxiliares, os administrativos, em suma os trabalhadores, os culpados do que está mal neste serviço.
Minha mãe, de 86 anos, caiu e fraturou um braço. Foi aceite nas urgências do Hospital de Alcobaça, ontem sábado, às 10 horas e 53 minutos, passados 40 minutos fez radiografia, diagnosticada uma fratura no braço direito e encaminhada para as urgências do Hospital Distrital de Leiria. O médico pediu uma ambulância e às 13 horas dava entrada na triagem deste hospital.
Às 13 horas e 52 minutos foi-lhe colocado gesso no braço e encaminhada para a radiografia no sentido de aferir se tudo estava bem. Esperamos umas 2 horas e 30 minutos para de novo ser consultada e, para não haver duvidas, foi realizado novo exame (desta vez um TAC). Voltamos a esperar mais algum tempo ás 17 horas e 53 minutos foi-lhe dada alta com indicação de nova consulta a 14 de Janeiro para conferir se vai tudo bem.
Para quem espera 7 horas é uma eternidade. AS urgências não podem ter um médico e um enfermeiro para cada doente, há prioridades, há procedimentos.
No período que estivemos nas urgências apareceu de tudo: 3 ou 4 pessoas com cortes profundos nas mãos, dedos, nas pernas; pessoas com quedas e muito magoadas; também por lá passaram os que apenas estavam com ligeiras dores mas também foram assistidos; passou um artista que tinha caído há alguns dias, doía-lha um joelho e ontem lembrou-se de ir à consulta mas como havia algumas pessoas antes dele, decidiu voltar mais tarde porque não estava para esperar.
Parabéns ao médicos, enfermeiros, auxiliares pelo profissionalismo, pela atenção e carinho que, depois de tantas horas a consultar e tratar tanta gente, não deixaram de ter a paciência e capacidade de ouvir as queixas de toda aquela gente que por ali passou.
AS TVs, a Comunicação Social em geral deveria relatar não apenas as questões que estão menos bem mas também a dedicação, a entrega, de toda uma equipa de trabalhadores que fazem do Serviço Nacional de Saúde um dos melhores do mundo.
Caetano Tofes
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