Miguel Menezes adicionou uma foto nova ao álbum: COVID-19.
𝐀 𝐄𝐒𝐓𝐑𝐀𝐍𝐇𝐀 𝐀𝐌𝐍𝐄́𝐒𝐈𝐀 𝐃𝐎𝐒 𝐓𝐄́𝐂𝐍𝐈𝐂𝐎𝐒 𝐃𝐄 𝐒𝐀𝐔́𝐃𝐄
Temos assistido aos desabafos de vários técnicos de saúde, que têm utilizado as redes sociais para darem conta de algum cansaço causado pelo volume de trabalho que têm tido nos últimos tempos.
Conheço vários técnicos de saúde, e ao longo dos anos, o que sempre se ouviu das suas bocas foram queixas (e com razão) acerca das suas precárias condições de trabalho, fracos vencimentos e também a insuficiência do Sistema Nacional de Saúde (SNS) em fazer face ao período de mortalidade mais acentuado do Inverno, tendo estado em ruptura várias vezes nos últimos anos.
𝐁𝐫𝐞𝐯𝐞𝐬 𝐫𝐞𝐟𝐞𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐚𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐨 𝐒𝐍𝐒 𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫𝐢𝐨𝐫𝐞𝐬:
𝟐𝟎𝟎𝟕
A Gripe levava cerca de 16 mil pessoas por dia ao Hospital. Anunciava-se que os médicos estavam a trabalhar sob pressão. [1]
𝟐𝟎𝟏𝟐
Anunciava-se a pré-ruptura em muitos serviços hospitalares, com os corredores a servirem de abrigo a muitos doentes enquanto as unidades de Saúde reorganizavam os serviços por falta de camas para internamento. A maior parte teve de abrir vagas noutros serviços e reorganizar a assistência. [2]
𝟐𝟎𝟏𝟓
O secretário de Estado da Saúde afirmou que alguns hospitais estavam "a atingir os máximos da sua capacidade de resposta" e apelou à população para evitar o congestionamento das urgências hospitalares. [3] Avançou-se com a possibilidade dos hospitais em ruptura puderem desviar doentes para privados. [4] A DGS recordou que é habitual morrerem 12 mil a 13 mil pessoas no Inverno. [5]
𝟐𝟎𝟏𝟔
Noticiava-se que vários hospitais de todo o país estavam à beira da ruptura com tempos de espera na urgência que atingiam as 12 horas, apesar de na altura, ainda se estar longe do pico da Gripe. [6] Os médicos falavam em falta de meios. A maioria dos casos foram de idosos com doenças crónicas e doentes com infecções respiratórias. [7] Houve hospitais, que em desespero de causa, tentaram recrutar médicos, oferecendo-lhes verbas avultadas (1000 euros por turno). [8] Outra notícia avançava que o caos nas urgências esgotou camas e macas nos hospitais. [9]
𝟐𝟎𝟏𝟖
Filipe Froes queixava-se que o SNS estava no limite, apesar de ainda não se ter atingido o pico da Gripe. [10] Vários hospitais denunciaram condições de sobrecarga: macas aglomeradas em zonas de recepção e triagem. Enfermeiros a queixarem-se da falta de capacidade — humana e material — para atender os doentes em pleno pico da Gripe. Urgências sobrelotadas com dezenas de doentes deitados em macas acumuladas por vários espaços do hospital, etc. [11] António Costa admitiu situações de “ruptura” e “caos" em alguns hospitais devido ao surto de Gripe. [12]
Ainda em 2018, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, não tinha dúvidas ao afirmar: “Se houver um pico grande, a maioria dos hospitais não está preparada.” [13]
No programa Prós & Contras de 2018, confrontada com um pico de Gripe, surge o relato dramático de uma enfermeira, Vanda Veiga, que admitiu emocionada: "tínhamos de escolher quem ia para o 'canto da morte'." Segundo esta enfermeira, o SNS está em ruptura há anos. [14]
𝟐𝟎𝟏𝟗
Foi anunciado que o SNS estava a "cair aos bocados". [15]
𝟐𝟎𝟐𝟎
Em Janeiro, ainda antes do alegado aparecimento da pandemia de COVID-19, também se noticiava a que a Gripe estaria a conduzir as urgências dos hospitais ao caos. [16]
Em Janeiro de 2020, mais de 15 ambulâncias em simultâneo causaram o caos nas urgências do hospital de Setúbal. Os profissionais garantiram que não havia macas suficientes para transportar doentes. [17]
𝐀𝐜𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐡𝐨𝐬𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐫𝐚𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫𝐢𝐨𝐫𝐞𝐬:
O site da Transparência do SNS fornece números da actividade hospitalar nas suas várias vertentes. Ainda não há números disponíveis para 2021 e os números de 2020 estão incompletos. No entanto, tendo em conta o já publicado, constata-se uma muito menor actividade ao nível do Internamento, [18] Intervenções Cirúrgicas, [19] Consultas Médicas Hospitalares [20] e Taxa de Ocupação Hospitalar. [21]
Ao nível da actividade de Urgências há dados actualizados! E estes dizem-nos que a actividade das urgências diminuiu muito em 2020 e continua muito reduzida em 2021, se comparada com os anos anteriores. [22]
Há um serviço que permite um acompanhamento em tempo real do número de pessoas presentes nas urgências dos vários hospitais. Têm sido várias as partilhas pelas redes sociais que têm atestado o reduzido número de casos de urgência. [23]
𝐂𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐚̃𝐨:
Não duvido que neste mês de Janeiro de 2021 esteja a verificar-se um elevado volume de trabalho nos hospitais. Também não duvido do cansaço dos técnicos de saúde. O protocolo de segurança a seguir também não facilita e os procedimentos tornam-se todos muito mais demorados, o que contribui.
No entanto, como se pode ver pelas fontes apresentadas, duvido que esse volume de trabalho seja superior ao dos anos anteriores. Os dados sugerem que é inferior.
Não considero particularmente deletérios os desabafos dos técnicos de saúde, mas ao surgirem sem recurso a comparações com os anos anteriores, acabam por transmitir a ideia de que nunca houve rupturas no SNS nem falta de condições, ou excesso de trabalho, aos estimados funcionários.
É sempre perigoso oferecer informação sem termo de comparação. Excelente aproveitamento tem feito a Comunicação Social desse recurso falacioso.
Com o advento da alegada pandemia, o passado alterou-se:
- Sintomas de gripe deixaram de ser encarados como tal, criando pânico a quem os manifesta.
- Nunca antes morreram pessoas. Sobretudo de problemas respiratórios.
- As pneumonias, sobretudo quando causam a morte a alguém, nunca foram horríveis! Os raios-X aos seus pulmões nunca apresentaram extensas lesões.
- As pessoas nunca apresentaram sequelas de uma Gripe ou uma Pneumonia.
- As pessoas deixaram de falecer da patologia de que padeciam.
- A vida dos técnicos de saúde sempre foi fácil.
- O SNS nunca foi caótico. Os hospitais nunca entraram em ruptura.
Considero particularmente insólita a amnésia de muitos dos nossos técnicos de saúde (por quem nutro respeito). Mas uma coisa é certa: os incompreendidos de antanho, tornaram-se nos heróis da actualidade. Heróis da Terra Queimada de um Reino que brevemente estará reduzido a cinzas.
PS: Do desgoverno do SNS, sai ileso o governo, que aproveita a falsa pandemia de COVID-19 para se ilibar de responsabilidades, apontando o dedo à plebe que, de bom grado, aceita semelhante ónus a despeito da crescente degradação das suas condições de vida.
𝐅𝐨𝐧𝐭𝐞𝐬:

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