sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Albano Nunes: “Marx não nega a importância de alianças com outras forças democráticas”


“O Capital” foi escrito há mais de 150 anos e existem hoje conceitos e práticas económicas que não existiam então. É possível concluir a teoria de Marx nos dias de hoje? Como?

Não, não é possível ‘concluir’ a teoria de Marx, pela simples razão de que o marxismo é uma teoria, inseparável da prática e por definição inacabável. O que é, não só possível mas absolutamente necessário, é desenvolver e enriquecer o marxismo em ligação com a evolução do progresso da ciência e a evolução da sociedade, e pela reflexão e intervenção coletiva dos comunistas e das massas populares. Vejam-se os desenvolvimentos que o pensamento de Marx teve com base na experiência da Comuna de Paris. Ou, com a passagem do capitalismo à sua fase imperialista e a primeira revolução socialista vitoriosa, enriquecendo-se com o genial contributo de Lénine, um contributo tão valioso que o seu nome ficou para sempre associado ao de Marx no conceito de marxismo-leninismo.


Na atualidade da globalização imperialista, da generalização e diversificação das lutas libertadoras e anti-imperialistas, do espantoso desenvolvimento de ciências e técnicas como a biologia ou a inteligência artificial, novos aprofundamentos são indispensáveis.

O “Manifesto Comunista” defende que o partido de proletariado não faz coligações com os chamados “partidos da burguesia”. No entanto, o PCP viabilizou o governo do PS. O que dizer disso?

A pergunta parte de dois equívocos: no que respeita ao “Manifesto Comunista”, Marx não nega a importância de alianças do proletariado, defende sim alianças para combater o capital e não para se colocar a reboque e ser instrumentalizado pela burguesia como até então tinha acontecido, nomeadamente nas revoluções burguesas de 1848/49. Marx centra-se na necessidade do proletariado criar o seu próprio partido de classe independente e oposto à burguesia, mas não nega, antes defende a necessidade, preservando essa independência, de alianças com outras forças democráticas.

Quanto ao PCP, não se ‘aliou’ nem ‘coligou’ com o PS, coisa impossível dada a conhecida dependência deste partido em relação ao grande capital e às imposições externas. A posição do PCP em relação à solução política que saiu das eleições de 2015, um governo do PS, está balizada na posição conjunta PCP/PS visando o afastamento do PSD/CDS do governo e a reposição de direitos e rendimentos de que os trabalhadores e o povo haviam sido violentamente esbulhados. Por isso o PCP valoriza os avanços que neste sentido se verificaram, nomeadamente no Orçamento do Estado, ao mesmo tempo que sublinha que se trata de avanços limitados e que, só rompendo com a política de direita e os constrangimentos da União Europeia, só com uma política patriótica e de esquerda, será possível desenvolver o País e assegurar a soberania de Portugal.

Uma sociedade sem propriedade privada, onde o Estado é capaz de responder às necessidades dos povos e em que o salário não é fator de divisão de classes pode ainda ser objetivo de um projeto político? Não estarão estas ideias desfasadas do mundo atual?

Marx nunca defendeu a abolição de ‘toda’ a propriedade e muito menos da propriedade de bens pessoais. O que defendeu foi a necessidade do poder da classe operária expropriar os ‘principais’ meios de produção tornando a propriedade social determinante e possibilitando o racional planeamento da economia. Aliás, a importância decisiva do Estado ter sob o seu controlo e propriedade sectores estratégicos indispensáveis não só ao desenvolvimento do país mas à defesa da sua soberania está patente nas consequências da privatização de empresas como os CTT, a EDP, a ANA e outras.

Essa é hoje a posição geral dos partidos comunistas, com a consideração, de acordo com a situação concreta de cada país, do maior ou menor peso da pequena propriedade e da propriedade individual, da dimensão do papel do mercado, do carácter mais ou menos imperativo da planificação, além de outros aspetos. As diferentes experiências de construção de uma sociedade socialista, uma realidade extraordinariamente nova em termos de tempo histórico, continuam a ser objeto de estudo, consideração e de diferenças de opinião.
Se há algo no seu programa que o PCP e outros partidos comunistas consideram comprovado e adquirido é a concepção de Marx quanto à expropriação do grande capital monopolista e ao controlo pelo poder dos trabalhadores dos sectores chave da econo
:Retirado daqui



Parece-me haver uma grande contradição. Afinal o que está na exposição patente no museu do vinho , em Alcobaça, não está conforme a palestra de Albano Nunes.

Ver cartaz ao lado.



quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O imposto secreto que nos andam a cobrar

Está na altura de subir o salário mínimo. Mesmo. Desde logo, para repor uma enorme injustiça social. Haver quem trabalhe e seja pobre devia deixar-nos a todos indignados.
Por outro lado, há fortes evidências de que os aumentos do salário mínimo nas últimas décadas aumentam o rendimento disponível para os mais pobres. Existe, portanto, uma relação direta entre estes aumentos e a diminuição da pobreza.
Segundo algumas estimativas nos Estados Unidos cerca de 33% dos aumentos de rendimento resultantes das mudanças no salário mínimo beneficiam os 15% com menores rendimentos. Se olharmos para os 33% por menores rendimentos, esses retêm 80% dos aumentos.
Por cá, estes estudos não abundam, e é indispensável que se comecem a fazer. Temos de poder ter melhor e mais detalhada informação. Os recursos existem, é preciso quem invista nisto.
Estas pessoas devem poder viver do seu trabalho. Mais, e aqui assumo o recado direto aos meus amigos da ortodoxia do défice: remunerar adequadamente o trabalho baixa os custos do Orçamento com políticas sociais (ainda por cima, insuficientes) de apoio a estas famílias.
Ao aumentar o salário mínimo transferimos a responsabilidade por dar condições de vida para as empresas que beneficiam dos resultados desse trabalho nos seus lucros e aliviamos os demais contribuintes deste imposto oculto, que não financia hospitais nem escolas nem transportes, mas que subsidia trabalho pago abaixo do seu valor.
Andamos a pagar impostos para suportar famílias que não conseguem viver do seu trabalho para benefício de empresas lucrativas. Este é um imposto que eu, por mim, deixava de pagar. E vocês?
Podemos diminuir a pobreza e o défice. O que é preciso é ter coragem de afrontar o lobby das empresas que procuram preguiçosamente maximizar o lucro pagando salários o mais baixos possível, em vez de apostarem na inovação ou na excelência de gestão. Felizmente não são todas, e são cada vez menos.
Comparando com os níveis anteriores à crise, estão por repor 6 mil milhões de euros nos rendimentos do trabalho. Esses 6 mil milhões estão, em parte, do lado do aumento dos impostos e, na sua maioria, do lado dos rendimentos de capital. Há muito espaço de manobra para corrigir esta enorme assimetria. O salário mínimo é um instrumento que faz isto discriminando positivamente os mais pobres e aliviando os demais trabalhadores do encargo com políticas sociais que passam a ser desnecessárias. Todos ganham, e ganham mais os que mais precisam.
É razoável, justo e prudente que se comece pelo salário mínimo. 600 euros, ou mesmo 615 são o mínimo dos mínimos e deveria ser bastante mais.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Por que votamos em Hitler

OLIVER STUENKEL – Por que a Alemanha, o país com um dos melhores sistemas de educação pública e a maior concentração de doutores do mundo na época, sucumbiu a um charlatão fascista?
Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. Como escreveu em seu livro “Minha Luta”:

Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular (…), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (…) A arte da propaganda consiste precisamente em poder despertar a imaginação do público através de um apelo aos seus sentimentos.

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas. Os judeus – que representavam menos de 1% da população total – eram o bode expiatório favorito. Os alemães “verdadeiros” não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: “Alemanha acima de tudo”, “Renascimento da Alemanha”, “Um povo, uma nação, um líder.”

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prometeu — e implementou — um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Hitler.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos alemães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evitar problemas com os nazistas.

Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu nunca teria votado nele ”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou publicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais

.REtirado daqui:

O PAPEL DAS CLASSES MÉDIAS NA LUTA DE CLASSES

Há uma epidemia de vazio conceitual que assola o país. Certas pessoas tratam de temas que desconhecem com pretensão de especialistas, outras usam de intensa desonestidade intelectual para influenciá-las e conduzi-las. O resultado é a grave distorção ou deformidade de conceitos.


Li e ouvi muitos versando sobre a luta de classes. Alguns, intelectualmente inescrupulosos, a negam ou dizem que é uma invenção marxista difundida por historiadores e sociólogos mal-intencionados. Outros, habituados a chafurdar no lamaçal do obscurantismo, reproduzem largamente esta falácia.
Há classes? Há luta de classes. Óbvio. Límpido como cristal. E não foi Marx quem a criou, mas como cientista social a desvelou, a expôs, a trouxe à luz do conhecimento. Numa sociedade segmentada em classes, quem está embaixo luta para subir e quem está em cima luta para evitar que isto aconteça.
Parece sórdido? E é muito! A ascensão das classes economicamente desfavorecidas traz dissabores aos privilegiados. Coloca em risco seus tão caros privilégios. Em princípio, porque os mais pobres são a mão de obra usada para os trabalhos mais pesados, aqueles que os privilegiados não querem executar, haja vista os ofícios de pedreiro, gari, estivador, doméstica e etc. Caso ascendam, se tornarão mão de obra mais cara ou simplesmente deixarão de realizar as atividades braçais e mal-remuneradas.
Outro fator que marca a luta de classes é de ordem psicossocial: ligado à percepção de riqueza e pobreza. Há uma teia complexa de elementos que implicam nestas percepções, mas o objetivo deste texto não é o de discuti-la.
Para alguém se identificar como rico ou remediado, há de ter a referência da pobreza. Portanto, o reconhecimento de um indivíduo como sendo parte das classes médias depende de ter como parâmetro pessoas que estejam posicionadas acima e abaixo dele na pirâmide social.
Estas tensões sociais colocam as classes médias numa posição paradoxal: conviver com a ansiedade e a ilusão por ascender e a terrível angústia de empobrecer. E, dentro da perspectiva do empobrecimento, ele pode ocorrer pela perda do patrimônio, mas também pela ausência da referência de pobreza, isto é, pela ascensão das classes mais pobres.
Este fenômeno psicossocial fica evidente ao se analisar as mentalidades de parte das classes médias brasileiras, que demonstra grande incômodo ao compartilhar espaços públicos – que antes eram de exclusividade sua – com grupos que recentemente ascenderam.
Exemplos destas mentalidades são as manifestações de protesto, claramente sectárias, de que aeroporto virou rodoviária ou que os shoppings tornaram-se espaços de rolezinhos. A maior parte daqueles que se queixam talvez não consiga reconhecer em si a postura preconceituosa. Não compreendem que boas maneiras e respeito não estão ligados à classe social.
É esta parcela das classes médias que se projeta a tal ponto nas elites, que passa a defender seus valores e posturas com enorme afinco, como se fizessem parte delas. Ofendem-se frente a qualquer crítica feita às classes altas. Não se apercebem da opressão que sofrem pela parte de cima da pirâmide social, pois são profundamente alienados. São defensores figadais da meritocracia e não enxergam que, ao tentar legitimá-la, assumem que eles próprios não teriam mérito, pois não fazem parte das elites.
A forma injusta de produção e distribuição de riquezas – característica histórica do Brasil – intensifica sobremaneira as tensões sociais. A sociedade segmentada por classes conviverá eternamente com a luta de classes. Ela se torna mais branda à medida que diminuímos as desigualdades sociais. Mas continuará existindo enquanto houver classes, isto é, a distinção entre aqueles poucos que gozam de privilégios e a grande maioria que se sacrifica para mantê-los.

«O sujeito oculto: ao vencedor as batatas.»


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«O sujeito oculto: ao vencedor as batatas.»
Mauro Luis
«Para a teoria marxista, a classe e a consciência de classe se inserem em um movimento de continua constituição e desconstrução, determinado pela luta de classes […] quando analisamos o movimento objeto da classe trabalhadora {no Brasil} desde a crise da autocracia burguesa nos anos 1970 até hoje, vemos claramente um processo no interior do qual se tornou possível a fusão de classe e a passagem para uma classe em si nos anos 1980, seguida de uma interrupção nesse caminho e sua desconstrução como classe que culmina no período de conciliação de classes dos governos petistas e sua reversão à serialidade no período recente.

Uma pergunta assombra os cérebros inquietos que procuram compreender o cenário que se abre com a eleição de Bolsonaro: como isso foi possível? É compreensível, uma vez que essas pessoas se pautam pela razão e o bom senso e imaginam que os acontecimentos se definem por uma certa razoabilidade. Infelizmente, o que a história nos comprova é que na luta de classes, como na guerra, a primeira vítima é a razão.

Em um importante documentário de 2003, dirigido por Errol Morris, chamado Sob a névoa da guerra, o ex-Secretário de Defesa dos EUA, McNamara, afirma exatamente isso: “a racionalidade não nos salvará”. É evidente que qualquer pessoa sensata, diante das alternativas apresentadas, não escolheria alguém que revelasse o despreparo, a barbárie explícita e a evidente idiotia do candidato em questão. Mas não se trata de escolhas movidas pela razão e, por mais que doa constatar, não se trata de pessoas sensatas.Para dar um toque de perversidade ao já trágico cenário, muitos dos que se beneficiaram das limitadíssimas políticas compensatórias na área social e das condições de inserção via consumo, votaram contra o PT.

É evidente que há um componente de manipulação. Isso tudo não teria a intensidade que teve não fora o massivo ataque dos meios de comunicação, a ação judicial que priorizou o ataque aos petistas envolvidos nos esquemas de corrupção, à insistente vinculação da pregação moral de um certo fundamentalismo religioso às posturas minimamente progressistas no campo dos costumes como depravação e uma ameaça à família e aos bons costumes. Da mesma forma, ficou comprovado um poderoso e milionário esquema de organizações que difundem uma espécie de liberalismo raivoso de extrema direita na criação de movimentos e personalidades para agir na propaganda e contra informação como armas de guerra e de desestabilização, como as iniciativas dos bilionários irmãos Charles e David Koch, da ultradireitista John Birch Society, da organização Students for Liberty, além de recursos vindos de partidos (PSDB, DEM, etc.) e empresários.

Se somarmos a isso a doutrinação sistemática operada por um conjunto de segmentos ditos religiosos, mais precisamente envolvidos em empresas altamente lucrativas de exploração da fé e do obscurantismo, temos uma boa explicação da imensa capacidade de manipulação de massa operada.

Caso o petismo dependesse de si mesmo teria sido derrotado de forma ainda mais fragorosa. Para muitos, isso é um mistério. As pessoas deviam reconhecer o que foi afirmado como o melhor governo de nossa história, a atenção aos que se encontram abaixo da miséria absoluta, o Bolsa Família, o acesso à universidade, a valorização do salário mínimo, as oportunidades de consumo e crédito, e tudo isso fazendo com que os empresários, o agronegócio e os bancos ganhassem muito dinheiro, como o ex-presidente adora lembrar.

Até aqui, trabalhamos apenas no descritor do movimento dos segmentos e sua polarização entre a extrema direita e o centro esquerda. Uma questão segue sem resposta: por que a classe trabalhadora não saiu em defesa, primeiro do governo do PT e depois da democracia contra o fascismo? Ou pelo menos, por que não o fez na dimensão e força que poderia?

Eis que aparece nosso sujeito oculto: a classe trabalhadora. Lembram dela? Aquela que teria deixado de existir em tempos agora “pós-industriais”, numa sociedade do “fim do trabalho”; aquela cuja identidade de classe a multiplicidade de identidades secundarizou e cuja centralidade na luta política se diluiu em “novos sujeitos” e “novas formas de luta”… Pois então, este sujeito que ninguém mais via, que havia deixado de existir e ter importância nas disputas políticas, este sujeito decidiu a eleição a favor do fascismo.

Queria, aqui, somar minha modesta contribuição no que diz respeito à configuração de classe e da consciência de classe. Já faz tempo que temos alertado para o fato de que a mudança da morfologia da classe trabalhadora, apesar de não alterar (concordando com os autores acima citados) a sua centralidade na ordem capitalista contemporânea, não deixar de produzir importantes alterações no que diz respeito à consciência de classe.

Resumidamente, sabemos que não há uma correspondência mecânica entre o ser da classe e sua consciência, de forma que os trabalhadores, pela posição que ocupam nas relações sociais, possam adquirir uma consciência correspondente. Os trabalhadores, na forma imediata de sua manifestação, são apenas indivíduos inseridos na divisão social do trabalho e na concorrência, se apresentando portanto como adversários imediatos uns dos outros. Nesta forma imediata, configuram aquilo que Sartre chama de “serialidade”. Isto é: estão no mesmo espaço, fazendo a mesma coisa, mas não se conformam como um grupo ou uma forma mais orgânica de unidade política. É no enfrentamento contra as contradições da ordem capitalista, primeiro de forma isolada e casual, depois de maneira mais sistemática, que esses indivíduos encontram pontos de fusão que podem levá-los à condição de classe, primeiramente como mera oposição aos capitalistas (como classe em si), depois, em certas condições, como possibilidade de se constituir como sujeitos de um projeto histórico contra e para além do capital (classe para si).

Como vemos, para a teoria marxista, a classe e a consciência de classe se inserem em um movimento de continua constituição e desconstrução, determinado pela luta de classes, como bem captou E. P. Thompson. Ora, quando analisamos o movimento objeto da classe trabalhadora desde a crise da autocracia burguesa nos anos 1970 até hoje, vemos claramente um processo no interior do qual se tornou possível a fusão de classe e a passagem para uma classe em si nos anos 1980, seguida de uma interrupção nesse caminho e sua desconstrução como classe que culmina no período de conciliação de classes dos governos petistas e sua reversão à serialidade no período recente.

Caso agreguemos a isso as transformações no mundo do trabalho, compreenderemos a base material que, somada aos desvios políticos, leva a uma configuração da classe em novo e brutal momento de serialidade. O que nos interessa neste momento é entender como isso se manifesta em um particular comportamento político. Para tanto, temos que remeter nossa análise para uma passagem do famoso O 18 de brumário de Luís Bonaparte em que Marx trata dos camponeses, naquela oportunidade procurando responder qual seria a base de massa para a aventura golpista de Luís Bonaparte.

Em síntese, Marx afirma que os camponeses, pela posição que ocupavam nas relações sociais e diante das formas de propriedade, formavam um certo agrupamento de classe mas no entanto não constituíam uma classe propriamente dita. Por viverem do mesmo modo, partilharem de uma determinada cultura e manifestarem certos interesses, formavam uma classe; mas, não formavam uma comunidade mais ampla do que aquela dos interesses e situações mais imediatas, não formavam qualquer união nacional, não podiam se representar, tinham que ser representados, por isso, não eram ainda uma classe. Seriam, na metáfora do autor, como “batatas que somadas, constituem um saco de batatas”.

Muita gente considera que isso não passava de um preconceito de Marx em relação aos camponeses. Mas na minha avaliação essa observação não vale apenas para as condições objetivas do campesinato na França daquela época, e pode servir para qualquer classe em seu processo de formação – inclusive para o proletariado urbano e, mais do que isso, cabe perfeitamente para a condição se serialidade que estamos descrevendo.

No caso presente, o que os uniu foi o ódio. Vejam, não é um ódio ao PT, é um profundo descontentamento com a vida, com a violência diária vinda da criminalidade, das condições de moradia, um ódio diante de uma sociedade hipócrita que valoriza a meritocracia e retira as condições para que se desenvolvam suas potencialidades, um ódio contra uma corja de sangue sugas que controlam as instituições de governo para saquear os recursos e enriquecer ilicitamente, um ódio contra uma democracia representativa que não representa ninguém além daqueles que dela se apropriaram como instrumento de garantia de privilégios, com juízes que se colocam sob a capa da lei para ser injustos, contra a desigualdade gritante, contra a opulência de poucos que são sempre os maus… Enfim, ressentimento e ódio contra um mundo que os despreza.

A centro esquerda viu nesse ódio, por vezes, apenas um recurso eleitoral, como quando tentou se valer dele no segundo turno de Dilma contra Aécio em 2014, para depois das eleições voltar ao discurso pragmático da governabilidade aliando-se aos seus algozes. O fato é que essa força foi desprezada no sentido de dar forma a uma consciência de classe, anticapitalista e socialista.

Coube à direita dar forma a esse ódio, colando nele a máscara de seu adversário. O PT é o culpado da crise, das filas no atendimento na saúde, da precariedade da educação, da corrupção, da desagregação das famílias, da explosão de uma sexualidade aberrante que ameaça, de mulheres que levantam a voz e colocam o dedo na cara de quem as oprime, de índios (meu deus, ainda tinham índios neste país) querendo as terras tão bem ocupadas por mineradoras, madeireiras e o agronegócio. A mensagem da extrema direita encontra o ódio de uma boa parte dos trabalhadores e os representa: essa democracia é uma farsa (pode fechar o Congresso e o STF), este Estado é um cabide de emprego, privatiza tudo, manda a polícia atirar para matar, tirem os doutrinadores das escolas, matem vadios, negros, índios, feministas, petistas, comunistas…

Esse ódio e esse enorme ressentimento não nasce dos trabalhadores, como é possível perceber. Ele vem de fora, contrabandeando coisas que os trabalhadores não teriam porque temer. Por que um trabalhador deveria se preocupar com uma maior ou menor presença do Estado na economia, ou defender privatizações, ou destruir sua possibilidade de se aposentar um dia? Esse ressentimento nasce dos setores médios, que vêm acumulando ódio há anos. A extrema direita, que como sempre nasce dos segmentos médios e pequeno-burgueses, logrou colar seu ódio e ressentimento no ódio dos trabalhadores e, assim, ganhar base de massas para seu projecto reaccioná

A chave do enigma está em uma frase do Marx que citamos acima: não podem se representar, tem que ser representados. A impossibilidade de se conformar como uma classe encontra a unidade fora de si, em tempos de crise e acirramento da luta de classes, numa figura salvadora, aparentemente acima dos interesses em luta, que se sobrepõe à imagem abstrata de Nação e Ordem e as personifica: Luís Bonaparte na França do Segundo Império, Getúlio Vargas na década de 1930, Perón na Argentina, ou em outras situações mais agudas em que se somam outras determinações, Mussolini na Itália, Hitler na Alemanha… Mais recentemente, Tump nos EUA, e agora Bolsonaro no Brasil.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018


terça-feira, 30 de outubro de 2018

BOLSONARO OU LE PEN

Sérgio Martins


BOLSONARO OU LE PEN – EU COMPREENDO O APOIO DE TRABALHADORES A BOLSONARO OU LE PEN1. Poucos irão ler este escrito até ao fim. Hoje lê-se menos. Hoje o tempo livre e mesmo parte do restante tempo é ocupado maioritariamente no facebook e noutras redes sociais olhando para uma imagem e duas linhas de texto entre fotografias, fofocas, sensacionalismos e noticias falsas (fake news). E temos ainda as séries da televisão. Mais à frente, no ponto 6 irei abordar como as redes sociais e a televisão reduzem a nossa informação e formação. Poucos irão ler este escrito até ao fim mas alguém há-de ler.2. Bolsonaro tem mais apoiantes nas classes altas mas eu compreendo a atracão de alguns, julgo mesmo que muitos, TRABALHADORES, inclusivamente IMIGRANTES PORTUGUESES, no Brasil por BOLSONARO e na França por LE PEN.2.1. Estou a falar de trabalhadores, desde não qualificados até técnicos superiores, que construiram um pensamento ou, melhor, que foram enquadrados para construir esse pensamento.2.2. Não estou a falar de quem é de naturalmente de direita ou extrema-direita porque é e sem saber porque é. Não estou a falar dos pobres de direita que são de direita porque pensam que os ricos é que desenvolvem a sociedade ou que os pobres são quase todos uns malandros que querem direitos e recusam deveres. Não estou a falar de uma baixa burguesia que pouco mais tem que os trabalhadores mas pensa que é e comporta-se como a alta burguesia. Todos estes têm um pensamento feito e poucos poderão mudar. Estou a falar de outros que se pensavam de esquerda ou que não tinham opinião ou que não pensavam como Bolsonaro ou Le Pen mas que agora apoiam.3. As razões do BRASIL e da FRANÇA têm uma raiz comum.3.1. No BRASIL é o CRIME vindo das favelas. A CORRUPÇÃO veio por arrasto porque não se resolve o crime. Apesar de nos dados oficiais o PT não ser o partido mais corrupto. Apesar de Bolsonaro e o seu partido estarem acusados de corrupção. Apesar BOLSONARO NÃO IR RESOLVER a corrupção porque tem corruptos a apoiá-lo e a corrupção já é uma forma de funcionamento do Brasil há muitas décadas (até na ditadura militar).3.2. Como é possível que Bolsonaro diga que as MULHERES porque podem engravidar devam ganhar menos que os homens e que haja mulheres e até homens a apoiá-lo? Porque muitas e muitos estão dispostos a abdicar da justiça social e da liberdade perante a possibilidade de se livrarem do crime.3.3. Apesar de BOLSONARO NÃO IR RESOLVER o crime porque não vai acabar e o seu programa até vai agravar as desigualdade entre pobres e ricos no Brasil. Nos países capitalistas com grandes desigualdades entre pobres e ricos existe a tendência para elevada criminalidade. Bolsonaro até poderia cercar e invadir as favelas que não conseguiria acabar com o crime, que arranjaria outros territórios. No máximo o que poderá fazer é arranjar umas (poucas) zonas fortemente patrulhadas e seguras para os brancos e os ricos mas isso não acabará com o crime na maior parte do Brasil, nem sequer acabará com o crime sobre a maior parte dos brancos.3.4. Na FRANÇA é o CRIME dos JOVENS ISLÂMICOS. É terrível uma pessoa ter de trabalhar no duro e 8 horas por dia mais 2 horas de deslocação para poder comprar uma casa e um carro e depois vir uma onda de jovens islâmicos dar fogo ao carro. Pior ainda é se esses jovens islâmicos não trabalharem e receberem SUBSÍDIOS enquanto “nós” temos que trabalhar.3.5. Nem sequer interessa refletir os reflexos do comportamento radicalizado dos “ARABES” pelas bombas que Israel, os EUA ou França lançam sobre o território santo da Palestina, sobre os irmãos muçulmanos do Iraque, da Siria ou da Líbia. Mais os “arabes” que se sentem discriminados porque devido à sua origem só poderem aceder a trabalhos de salário mínimo ou ocupações em programas estatais com subsídios abaixo do salário mínimo.4. Ao entrarmos na parte dos SUBSÍDIOS cruzamos a FRANÇA com o BRASIL e PORTUGAL. Cruzamos os subsídios aos “ARABES”, com a Bolsa Família nas FAVELAS e o rendimento mínimo dos CIGANOS.4.1. No tema dos subsídios considero que A ESQUERDA ESTÁ ERRADA por considerar que por se ser pobre, discriminado ou refugiado tem naturalmente direito a um subsídio sem se preocupar se o subsidio vai fazer com que deixe de ser pobre ou que vá integrar-se na sociedade.4.2. Em Portugal, a maior parte recebe mas nem todos os ciganos recebem o RENDIMENTO MÍNIMO e a maioria que o recebe não são ciganos. O Rendimento Mínimo de uma família de 2 adultos e 2 crianças é de 500 EUROS POR MÊS. A primeira reação de alguns será dizer “TANTO?” mas sejamos realistas 500 euros para 4 pessoas é uma miséria, é menos de 1 salário mínimo para dar casa, de comer, de vestir a 4 pessoas. Não vai tirar as pessoas da pobreza.4.3. Alguns governantes para tratar da inserção põem-nos a fazer cursos de jardineiros ou em estágios de jardineiros a ganhar menos que o salário mínimo. Isto não adianta nada, não os tira da pobreza e nem os motiva.4.4. Sou favorável a que se dê uma oportunidade a sério a um CIGANO, um “ARABE” ou FAVELADO. Em Portugal, se tens 20, 30, 40 ou 50 anos, terás um contrato para cumprir de um ano para jardinagem por 620 euros por mês e para a tua mulher um contrato para cumprir de um ano para uma cozinha por 620 euros por mês. É aprender e trabalhar para se ter uma oportunidade real no futuro e realmente se integrar na sociedade. Não se tenta que trabalhem em troca de um subsídio baixo e dá-se uma verdadeira oportunidade. Terá principalmente de ser o Estado a fazer isto porque muitos falam mas não dariam trabalho a um cigano ou um “arabe”.4.5. Uma sociedade verdadeiramente de esquerda, no limiar até socialista ou comunista, é solidária e socorre as pessoas em momentos de adversidade mas NÃO É LAXISTA e pouco rigorosa.5. Uma sociedade verdadeiramente de esquerda, no limiar até socialista ou comunista, é uma sociedade rigorosa, promotora da lei e DEFENSORA dos seus cidadãos.5.1. À esquerda temos medo que as FORÇAS POLICIAIS atirem sem perguntar antes, que julguem no lugar dos juízes, que prendam sem provas e que prendam e torturem comunistas. Temos medo e com razão porque a história demonstra quanto é fácil a extrema-direita, os fascistas, os nazis, os rambos, os racistas ou os homofóbicos atuarem dentro das forças policiais.5.2. Mas o nosso medo não pode impedir que à esquerda uma das medidas verdadeiramente prioritárias é que sejamos os primeiros defensores e impulsionadores do reforço das FORÇAS POLICIAIS na prevenção e combate ao crime. Não é tornar as forças policiais em carrascos e juízes mas é dar proteção aos cidadãos.5.3. NÃO CONTAM os nossos discursos e textos sobre a necessidade de mudança de sistema para combater o crime. Não vamos conseguir mudar a sociedade nos próximos tempos e as pessoas precisam de proteção agora.6. NÃO CONTAM os nossos discursos e textos sobre como temos de acabar com o sistema capitalista para se combater o crime porque a esmagadora maioria não vai compreender. Os maiores sucessos do capitalismo foram um sistema de ensino que ensina a trabalhar e a consumir para o capitalismo mas não ensina o pensar e o pensamento critico, uma televisão que nos entretém adormecendo o pensamento e encaminhando-nos para a sociedade de consumo, as redes sociais que reduzem a informação a uma fotografia e 2 linhas sem contraditório, sem fundamentação e suscetíveis à manipulação das noticias falsas (fake news).6.1. O capitalismo conseguiu fazer VENCER o individualismo, o egoísmo, o pensamento acrítico e também violência com o ensino, a televisão e a sociedade de consumo, agora tudo amplificado pelas redes sociais. E nem sequer conseguimos explicar ou que nos entendam que tudo isto – BOLSONARO, LE PEN, FASCISMO, EXTREMA-DIREITA, FACEBOOK, REDES SOCIAIS, NOTICIAS FALSAS - é para os ricos ficarem mais ricos à conta de todos os outros, à conta da maioria de nós.6.2. Lamento mas acusamos e explicamos mas NÃO NOS ENTENDEM. A informação hoje é uma fotografia e 2 linhas ou 1 minuto de uma acrítica reportagem televisiva. É isso que a maioria quer aceitar e consegue entender. As nossas explicações e teorias não cabem numa fotografia e 2 linhas ou 1 minuto de televisão.6.3. Dizemos que a LUTA DE MASSAS é o caminho e assim foi durante toda a histórias mas cada vez temos menos massas para mobilizar face à alienação e manipulação crescentes e esmagadoras.6.3. Mais abertura para o ganho de consciência e para a formação social e política tinham os operários e camponeses ANALFABETOS OU INCULTOS do século passado do que temos nós agora anestesiados e entretidos pelas redes sociais, televisão e consumo.7. Uma política verdadeiramente de esquerda tem que oferecer de imediato SEGURANÇA, integração, educação, saúde, cultura e justiça social. Não se pode ignorar a segurança porque senão não teremos a quem oferecer integração, educação, saúde, cultura e justiça social.8. O combate nas REDES SOCIAIS tem de ser feito ao nível e com a linguagem da maioria da audiência e não com a nossa linguagem que a maioria não consegue descodificar.