QUEM QUER CASAR COM A UCRÂNIA?
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Título meu para este texto/reflexão de António Gil, que merece uma correcção, como logo assinalaram - e bem - alguns leitores, a quem agradeço a chamada de atenção: na Transdnistria, a população não é húngara, mas sim romena/moldava. Tudo o resto está certo.
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A ideia que a Ucrânia é vital para a Rússia é do Big Z (Brezinsky) mas francamente é um tanto alucinada. Se dissermos que a Crimeia é importante para os russos, concordo, porque se trata de um dos poucos portos de águas quentes de que a Rússia pode dispor (e -hey- a Crimeia sempre foi russa, desde que subtraída aos otomanos e foi oferecida aos ucranianos pelo alcoolatra Krutschev, numa noite de copos, segundo os registos conhecidos).
O Donbass? certamente! é população russófona que sempre se sentiu culturalmente russa. Talvez também Odessa e Mariupol (pelas mesmas razões da Crimeia) ainda abram o apetite russo (historicamente, como se poderá verificar pela própria arquitectura, estas cidades AINDA são russas!)
O resto da Ucrânia (Kiev e seu subúrbios rurais, a Galitzia que sempre se sentiu polaca e a Transnístria com sua população húngara) não interessam à Rússia nem, para ser sincero, ao Ocidente: são buracos negros, quem os herdar vai gastar muito esforço antes dessas regiões produzirem o que quer que seja, que tenha algum valor de troca.
A verdade é que a Ucrânia hoje é uma noiva encalhada com quem ninguém quer casar. Nem a UE nem os EUA estão interessados no destino dos pobres ucranianos, utilizam-na como um preservativo, para prosseguirem seus fins.
Vou ser muito crú: a jogada ucraniana da administração Biden nem tem nada a ver com a Ucrânia. Trata-se apenas de impedir o nord-stream 2, criando uma situação de conflito que alarme a Alemanha. Assim como a política da actual administração americana para com Taiwan e respectivo exibir de músculo apenas visa impedir os acordos comerciais entre China e UE.
Os EUA não querem saber dos ucranianos, dos chineses da Formosa ou de Hong-Kong, muito menos dos uigures. O cálculo é outro, é de facto fazer descer uma cortina de ferro entre Europa e Ásia, impedir a nova rota da seda chinesa que ligará África, Ásia e Europa por vias terrestres e assim acabará com o domínio das potências marítimas.
Aquilo que, no século XIX McKinder chamava ''heartland'', que isolaria o Império britânico e os EUA e suas políticas navais de canhoeira. Ainda estamos nisto, depois de duas guerras mundiais que visaram sobretudo impedir a aliança russo-alemã.
Os anglo-saxónicos (EUA e Império britânico) foram bem sucedidos nisso: de facto impediram que uma grande massa continental obstasse a seus planos.
Mas agora o desafio ainda é maior: a Alemanha ainda conta (pouco) mas a grande força motriz da ''heartland'' está na aliança formal China-Rússia.
Erros sucessivos dos ''génio estratega ocidental'' atiraram a Rússia para os braços da China. Já não há forma de reparar esses danos.
António Gil
Comentários:
Com tanto povo, uma confusão é desculpável! Na Transnísrtria são romenos/moldavos, meu caro, e não húngaros! Mas, já agora, informo que, em atlas de 1890 e 1912 (não é engano),os mapas étnicos indicam Tártaros na Crimeia, e ucranianos em Donetsk... e até em Voronezh/Voronej!!!!
Isso! Embora, por ironia, esses tártaros sejam descendentes de MONGÓIS do século XIII. Só que os russos davam o nome de tártaros, nome duma tribo mongol, a TODOS os mongóis, por serem dominantes na Horda do Ouro. Quando esta caiu, no século XV, pediram auxílio aos turcos do outro lado do Mar Negro. Mas não são turcos. Sei disto, porque estudei os mongóis a fundo quando era adolescente, e, na Universidade, fiz trabalhos sobre este tema. Posso acrescentar que as populações do Leste da Ucrânia foram muito russificadas no século XIX, e também na época de Estaline. Como já disse, em atlas de 1890 e 1912, essas regiões, e outras limítrofes hoje indiscutivelmente russas, aparecem como habitadas por ucranianos. Entre 1917 e 1919, Kiev tentou mesmo incluir algumas dessas regiões limítrofes na Ucrânia independente de então!
Transnistria e constituída maioritariamente por Moldavos e ucranianos . Os romenos se existirem são residuais e não são bem vindos. Ali só se fala Russo e ainda se glorifica a União Soviética. Não há lugar para Romenos, porque eles ainda consideram os Moldavos russos e acima de tudo porque não perdoam o amor dos Moldavos a união Soviética, quando o que eles ( romenos) anseiam e a unificação da Moldávia a Roménia tal como foi em tempos idos ( com a Roménia à cabeça) na Bessarabia

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