Parecendo muito preocupados com a trajectória actual do PCP, trajectória
que sempre apoiaram e que ajudaram a implementar, querem mais.
Praticamente todos bem instalados na vida, empregos, reformas e subvenções
chorudas à pala de cargos que lhes foram confiados pelo voto, pela confiança
que neles depositaram, os milhares de militantes, os milhares de homens e mulheres
trabalhadores honestos destes Partido e deste país. Querem mais, querem o poder
a qualquer preço, querem o PCP a gerir os interesses da burguesia, querem um
Partido que abandone os princípios, primeiro do Leninismo, como já abertamente
defendem, e logo de seguida também Marx e Engels.
Proclama - “O ideal socialista precisa de ser reconfigurado. A exploração
capitalista não acabou, mas faz-se em novas condições. A imensa maioria vive
dos rendimentos provenientes do seu trabalho”…
Quais as novas condições da exploração capitalista? Trabalho precário,
uberização das relações laborais, trabalho cada vez com menos direitos, aumentos
dos ritmos de trabalho com a introdução das novas tecnologias, teletrabalho com
menos custos para o capital, é a isto que chamam rendimentos provenientes do
seu trabalho?
“…A estes juntam-se empresários que através do seu esforço criam emprego e
riqueza.” Pensava eu que eram os trabalhadores que criavam riqueza que através
da venda da sua força de trabalho criavam a mais-valia que enriquece cada vez
mais o capital.
“A não ser corrigida” a atual trajetória, o PCP “arrisca-se a um inexorável
definhamento que desprotegeria a luta dos trabalhadores, enfraqueceria a
aspiração pelo socialismo e abriria a porta ao avanço da direita”, lê-se no
texto, assinado por mais de quatro dezenas de antigos quadros. Carlos Brito,
Domingos Lopes, Paulo Fidalgo ou Cipriano Justo são alguns dos subscritores e
agora organizados no movimento Renovação Comunista. “É um conjunto de pessoas
que participou nas histórias do PCP e que está preocupado com o atual declínio
eleitoral”, diz Domingos Lopes. “O PCP não tem rumo nem uma estratégia
percetível e achamos que, a continuar assim, corre o risco de declinar e de se
tornar irrelevante", acrescenta Paulo Fidalgo, presidente da Renovação Comunista.
“O ideal socialista precisa de ser reconfigurado. A exploração capitalista
não acabou, mas faz-se em novas condições. A imensa maioria vive dos
rendimentos provenientes do seu trabalho. A revolução tecnológica operou
profundas mudanças no mundo dos que vivem dos seus salários. Produziram-se
mutações no tecido laboral. A sociedade atomizou-se. Tornou-se mais difícil
unificar largas massas populares. Por outro lado, entraram no mundo laboral
outras camadas sociais. Porém, aumentaram as desigualdades sociais. Em Portugal
entre vinte e vinte e cinco por cento da população vive na pobreza, uma das
mais deprimentes postulas do capitalismo.”
“O ideal socialista continua a ser o mais sólido e justo do ponto de vista
dos interesses da imensa maioria dos trabalhadores sejam efetivos, a prazo,
precários, intelectuais, funcionários públicos, criadores ou outros. A estes
juntam-se empresários que através do seu esforço criam emprego e riqueza.”
Caetano Tofes:
Ex-porteiro de hotel com 10 anos; ex-operário cerâmico; ex-operário electricista; ex-carregador de sacos de 50 kg numa fábrica de rações; ex-vendedor de rolamentos. Actual reformado roubado no tempo da troika e nunca repostos esses roubos por este governo que nos querem vender como de esquerda.

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