O processo
de colictivização da terra na União Soviética foi violento? Foi!
O fim da
propriedade privada da terra, estabelecimento de cooperativas, fazendas
estatais foi bastante violento.
A grande
malicia da ideologia liberal é colocar esse processo de colectivização da terra
na U. Soviética como se fosse uma excepção na história moderna.
- O processo Inglês foi muito mais violento e repressivo;
- O processo estadunidense foi também muito mais violento;
- O processo Japonês também e tantos outros pelo mundo fora.
A marcha
para o Oeste, no processo de expropriação dos indígenas, nos Estados Unidos,
matou, desde final do século XVII até meados do século XX, cerca de 10 milhões
de indígenas.
Foram mais
pessoas assassinadas, no processo de marcha para o Oeste, de expansão colonial
interna nos Estados Unidos, do que judeus no holocausto.
O processo
do fim da propriedade aristocrática na França foi um processo ultra violento,
os camponeses quando atacaram os senhores da terra, os nobres, mataram,
incendiaram, degolaram, milhares de nobres.
No processo de
colectivização na União Soviética foi a mais violenta de todas as experiências
de colectivização socialista.
- Em Cuba não aconteceu;
- Na Iugoslávia também não
aconteceu;
- Na República Democrática da Coreia
também não aconteceu;
- Na China também não aconteceu.
O processo
acelerado da industrialização na União Soviética foi um processo violento? Foi!
- A ascensão industrial dos Estados
Unidos ao posto de primeira potência do
mundo teve como pressuposto a Guerra Civil
entre o Norte e o Sul que matou quase 1 milhão de pessoas. Até hoje é o
conflito, em território estadunidense, mais violento de todos.
Algumas
pessoas na esquerda partem do pressuposto que a violência revolucionária não
deve ser exercida.
A violência é parte constitutiva do
capitalismo.
É u direito histórico dos explorados
e oprimidos usarem a violência revolucionária.
A violência dos oprimidos não pode
ser comparada com a violência dos opressores. Não é uma questão ética de
escolha, usar a violência revolucionária é uma necessidade histórica da classe
trabalhadora porque a burguesia nunca entrega o poder sem lutar, sem derramar
um banho de sangue.
Em todas as
experiências socialistas, foram revoluções, onde pouquíssimas pessoas morreram
no processo de tomada do poder.
As pessoas
que morreram, em quase todas as experiências, foram mortas quando a burguesia
de cada país aliada ao imperialismo coordenaram a invasão com a guerra civil.
Caso da Rússia, caso de Cuba, caso da Coreia popular, caso da China.
Na Rússia
morreram pouquíssimas pessoas em Outubro de 1917. Depois morreram mais 2 milhões
porque algumas potências aliadas na primeira guerra mundial invadiram o país,
entre elas tropas britânicas,
neerlandesas, norte-americanas e japonesas, em apoio ao exército branco e para combaterem os
bolcheviques causando uma guerra que durou vários anos e teve como consequência
muita miséria e muita fome, muitas mortes.
A violência
revolucionária é defensável e é necessária.
Quando as
classes populares não usam a violência revolucionária elas sofrem a violência
reacionária.
O exemplo
mais marcante é o de Salvador Allende , no Chile, que defendia a transição para
o Socialismo por via pacífica e terminou morto por um golpe planeado e
executado pela burguesia interna e pelo
imperialismo onde milhares de trabalhadores
chilenos foram assassinados, torturados, perseguidos e mortos.
Não existe
brincadeira na luta de classes! O esmagamos o inimigo ou o inimigo nos esmaga a
nós.
É comum a
ideologia burguesa criar na história de que a repressão na experiência
socialista nasce do nada.
Por exemplo:
Cuba tem censura? Tem!
Cuba tem
algumas restrições à liberdade de expressão, Cuba tem um controle de
comunicações relativamente rígido, claro, é importante que tenha.
O governo
dos Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo, dedica todos os anos milhões
e milhões de dólares para derrubar o Socialismo Cubano.
O que os
Estados Unidos dedicam em dinheiro, para o derrube do socialismo em Cuba, para
provocar a contrarrevolução é maior que o orçamento anual de Cuba para a saúde.
É claro que
os países socialistas tiveram de adoptar medidas repressivas com alguma
dimensão, Isto é verdade para a União Soviética, para a China, para a Coreia
Popular, para Cuba.
Fala-se
muito do militarismo da Coreia do Norte. Para se exigir o fim do militarismo na
Coreia do Norte é preciso primeiro exigir que os Estados Unidos retirem os
seus: 30 mil soldados; suas armas atómicas; se bloqueio económico contra a
Coreia do Norte.
É impossível
esperar que um país como a Coreia do Norte, que foi atacada pelos Estados
Unidos, teve um terço da sua população exterminada, todas as suas cidades e
aldeias destruídas e após isso passou a ser cercada por bases militares dos
Estados Unidos e com um bloqueio económico mais brutal do mundo, que este país
não se arme até aos dentes para se defender.
Existe uma
dialéctica real entre a necessidade de tomar medidas de defesa frente aos ataques
do imperialismo- o imperialismo existe: a OTAN, os bloqueios económicos; o
imperialismo estadunidense que é a maior máquina de guerra e contrarrevolução
da humanidade; os golpes de estado promovidos e articulados pela CIA;
sabotagens, assassinatos não são detalhes históricos. São elementos
fundamentais da história da luta pelo socialismo na modernidade.
Como é que
essas medidas de defesa podem ser tomadas e devem ser tomadas sem matar a
democracia socialista?
Contrastes:
Cuba e União Soviética.
Cuba que
está ali ao lado dos Estados Unidos, que foi invadida militarmente, que nos
anos 70 foi vítimas de ataque com armas biológicos e químicas por parte dos
Estados Unidos, que é vítima constante de sabotagens, financia imprensa dos
mercenários de Miami, financia ataques terroristas na ilha- Cuba conseguiu
criar mecanismos de defesa perante o imperialismo (Cuba tem um dos serviços
secretos que é conhecido como dos mais eficientes do mundo) ao mesmo tempo que
preservou a sua democracia de base.
Cuba combina
com qualidade centralização de informações, um aparelho de Estado ultra
qualificado para repelir os ataques do imperialismo com um nível de democracia
de base muito forte.
A União
Soviética, por vários motivos não conseguiu fazer o que Cuba fez.
As medidas
de isolamento de algumas áreas sociais como medidas de combate ao imperialismo,
na União Soviética, foram se expandindo cada vez mais e matando pensamento
critico e da democracia socialista.
A Classe
trabalhadora da União Soviética não tinha mecanismos de poder popular de baixo
para cima, ao contrário de Cuba, ela era chamada a executar politicas decididas
por cima e a participar na política na qual não tinha poder decisivo. Isso fez
com que paulatinamente a capacidade do sistema soviético de se reinventar, de
se transformar, de formar dirigentes cada vez mais qualificados foi-se
perdendo. No final da União Soviética havia uma geração de dirigentes
sexagenários sem talento politico, teoricamente muito mal formados, com uma
visão muito limitada e uma apatia muito forte. Ainda que a maioria do povo
fosse contra o fim da União Soviética mas havia uma certa apatia de um povo que
foi desacostumado de exercer o poder.
Como se
defender do imperialismo sem matar a democracia socialista?
Essa questão
não se resolve com uma valorização em abstrato da democracia socialista.
É fácil
dizer que se defende o socialismo democrático mas como concretizar a democracia
socialista num país ameaçado, cercado, atacado, sob bloqueio económico
constante, que não consegue, por exemplo construir sequer uma escola?
No caso do
Vietname que passou 40 anos sem conseguir construir uma escola, teve de
enfrentar a França, depois o japão, depois de novo a França, depois os Estados
Unidos, até hoje, em várias áreas do Vietname, de vez em quando há uma bomba,
uma mina, deixadas pelos anos de guerra, que explode e tem consequências
terríveis.
Uma
perspectiva justificativa cega, sem crítica também não ajuda em nada.
Conclusão:
- É
necessário acabar com a mitologia liberal que retrata a história da modernidade
e a história do capitalismo sem violência – os períodos de maior violência da
história da experiências socialista foram muito menos violentas que os
processos sociais semelhantes da história da burguesia, da história do
capitalismo.
- É necessário
colocar que a violência revolucionária é defensável. Ela é necessária e os
excessos precisam ser criticados. No uso da violência revolucionária existe uma
dinâmica ética que a a maioria dos comunistas, na actualidade, inclusive no
século XX, não negligenciou. É fundamental pensar sempre na dimensão ética e
pensar na formulação de um estado de direito socialista como elemento de
ilimitação do poder.
Ao mesmo
tempo é necessário não descurar, não menosprezar os ataques do imperialismo, as
sabotagens, os atentados que o socialismo no mundo imperialista é um estado de
guerra permanente.
É comum na
ideologia burguesa ocultar os ataques do imperialismo e depois destacar só as
medidas defensivas e chamar tal ou tal governo de autoritário. É o que fazem
hoje com a Venezuela, fizeram com Cuba, com o Laos, com a Coreia Popular e
outros.
É necessário
ter humildade. A maioria dos comunistas, dos democratas não estuda as a
história das experiências socialistas, se não estuda de forma sistemática, de
maneira profunda e se se dá opinião sobre esses tema, essa opinião foi formada,
fundamentalmente, pela ideologia dominante.
Dizer que é
democrata por renegar as experiências do século XX, na verdade não é ser
democrata, é ser, por essência, antidemocrata, no sentido socialista da
palavra, porque está assimilando o balanço histórico do imperialismo e da
burguesia, que é, por definição, a negação de qualquer democracia socialista.
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