sábado, 30 de novembro de 2019

25 De Novembro1975


O Texto é do "Capitão de Abril" agora coronel reformado,Rosado da Luz que aqui no face dá pelo nome de Amjrluz Luz e trata da contra-revolução do 25 de Novembro de 1975 que conheci de perto ou, se quiserem, por dentro.
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O MEMORIAL DA MENTIRA (I)
Foi há 44 anos...
O actual Regime, a actual Ordem Institucional que rege este país, foi fundada faz exactamente hoje 44 anos, num dia cinzento e negro, que ficará um dia na história, conhecido como, O DIA DA FRAUDE, O DIA DA MENTIRA INSTITUCIONALIZADA.
É que toda esta, dita democracia, mergulha as suas raízes numa mentira, numa fraude, numa aldrabice, numa montagem.
É esse Dia da Fraude, da Aldrabice, que alguns pequenos e grandes aldrabões da actual classe politica dominante quer celebrar de forma institucional, enquanto que outros (entre os quais se contam alguns que conceberam, planearam, executaram e dirigiram o golpe, ou que com ele colaboram e, através do qual, tomaram o poder — afinal, como sempre acontece, era essa a finalidade do Golpe do 25 de Novembro —, mas que o fizeram de boa fé e foram, são e serão sempre homem dignos), conscientes dessa mentira e conscientes de que também eles foram enganados (mesmo que nunca o possam admitir) e que essa mentira é mesmo "fracturante", se recusam fazê-lo.
As minhas memórias desses dias foram gravadas a fogo e, ao ver os resultados desta vergonhosa golpaça, ao olhar para o que estes 44 anos de história, produziram como classe social, que desde há 4 décadas ate hoje, domina economicamente, politicamente, socialmente, ideologicamente e culturalmente este país, e cujas raízes vão mergulhar, directa e indirectamente, na hierarquia social, económica, política e ideológica dos 48 anos de fascismo, o meu ressentimento e revolta continuam a arder em chama viva ... e nunca se apagarão.
Passaram 44 anos.... Hoje, os mais jovens daqueles que viveram conscientemente durante os tempos negros do fascismo e participaram, também conscientemente, de um ou de outro lado, nos acontecimentos subsequentes ao 25 de Abril, tem mais de 70'anos.
Somos portanto uma.minoria, cada vez mais minoritária e, pela Lei da Natureza, em vias de extinção. Pública e politicamente, a nossa Era já passou há muito. Tenho perfeita consciência de que tudo aquilo que alguns de nós, que vivemos esses tempos, dissermos agora, que vá em sentido contrário ao da HISTORIOGRAFIA OFICIAL, pouco ou nada vale.
O REESCREVER DA HISTÓRIA, ATRAVÉS DA MENTIRA DESPUDORADA É SEMPRE UM MEIO MUITO EFICAZ PARA MANTER O REBANHO NA ORDEM.
E ESSE REESCREVER DA HISTÓRIA É SEMPRE FEITO POR AQUELES QUE, DE FORMA VENAL E COM FINS VENAIS, TOMARAM O PODER E PRETENDEM DEPOIS TORNAR LEGITIMO ESSE SEU PODER AOS OLHOS DAQUELES QUE VÃO DEPOIS DOMINAR E EXPLORAR.
Claro que contam depois para tal, com a cumplicidade activa e venal de muitos historiadores (os cronistas do regime) e de toda a grande comunicação social, hoje o grande exército ao serviço da reprodução e perpetuação do poder destas classes minoritárias dominantes.
Depois, bem depois a mentira ganha vida própria e é só a ir alimentando... Até um dia ... ATÉ UM DIA, QUANDO O ACTUAL REGIME DA MENTIRA ACABAR ...
Faz pena e faz também pensar que espécie animal é esta a que pertencemos (haverá vida inteligente no planeta Terra ?), quando se vêem alarves encartados (como o rapaz do Chega) ou tristes idiotas anónimos (e aí este Facebook é o jardim zoológico exemplar, onde eles podem ser observados), a perorar cheios de certezas e até de emoções, quer elas sejam ódios ou entusiásticos aplausos, sobre acontecimentos que ignoram totalmente e que se deram 10 ou 20 anos antes de terem nascido.....
Mas, para não perder a sanidade, para não perder o respeito por nós próprios, pela nossa dignidade, re-acendamos o fogo da memória, re-avivemos o vulcão da revolta, ... enquanto não vier por aí o alemão ...
... entretanto, como acontece com esta data uma vez por ano, fui avivando o fogo da memória (a memória é como o paludismo, não tem cura e dá de vez em quando) e fui escrevendo, escrevendo e, quando cheguei ao fim, dada a dimensão do escrito, para não torrar a paciência de quem porventura a tiver para ler este memorial dividi-o em várias partes.
Esta é a parte (I)
COPCON, noite de 24/25.
Com o Otelo inexplicavelmente (ou talvez não...) ausente em Belém, o COPCON assemelhava-se nessa noite a um Etna prestes a explodir e a submergir Pompeia. E todos tínhamos disso consciência. Espalhados pelas salas, numerosos sargentos páras de cabeça perdida. O vergonhoso e golpista General (graduado) Morais da Silva, o CEMFA de então, assumira dar corpo à tarefa suja, que os golpistas haviam arquitectado, de montar uma provocação máxima para ver quem cairia nela.
TODA A SUA ESTRATÉGIA FOI MONTADA EM CIMA DE ALGO QUE É, ETICAMENTE, DEONTOLOGICAMENTE, MILITARMENTE, UMA VERDADEIRA VERGONHA, MAS QUE OS VENCEDORES, OS HERÓICOS FUNDADORES "DESTA" DEMOCRACIA, ASSUMIRÃO PARA A HISTÓRIA, COMO UMA ESTRATÉGIA BRILHANTE.
ISSO MOSTRA A QUALIDADE MORAL DESTA GENTE. E TUDO ISTO FOI FEITO EM ESTREITA LIGAÇÃO E OBEDIÊNCIA A LIDERANÇAS POLÍTICAS-PARTIDÁRIAS, NACIONAIS E INTERNACIONAIS. E VEM DEPOIS ESTA GENTE FALAR EM ÉTICA E EM INDEPENDÊNCIA PARTIDÁRIA ...


Para começar e de acordo com a estratégia concebida e planeada pelo colectivo conspirador (os 9 e, acima deles, quem dirigia politicamente alguns deles), aquele general golpista, decidira ordenar a "EXPULSÃO imediata (uma manobra provocatória extrema) do Corpo de Tropas da Força Aérea". Para tal, mandara passar a toda a gente uma Guia de Marcha "para o Exército", sem se saber bem para onde nem como, pois não só a estrutura do Exército não fora tida ou achado nisto, como, o mais importante, não estava minimamente preparada para algo desta dimensão. Era algo nunca visto. A Força Aérea cortou, de repente, todo o apoio financeiro, pessoal e logístico a um Corpo de Tropas paraquedistas, incluindo até a comida. In extremis, foram algumas unidades do Exército, como aquela que eu comandava, o Forte de Almada, que decidiram de emergência partilhar a sua comida com os camaradas assim abandonados. Todas aquelas centenas de sargentos e praças ficaram sem saber qual o seu futuro.
Em segundo lugar, quase todos os oficiais que comandavam e enquadravam as Tropas Paraquedistas (123 !!) desertaram. De forma planeada abandonaram todos ao mesmo tempo, cobardemente, provocatoriamente, os seus homens à sua sorte e foram juntar-se aos golpistas na Base Aérea da Corte Graça. Era o total decepar de um Corpo de Tropas de combate, altamente operacional e disciplinado que assim ficava, naturalmente, descomandado, desnorteado.
Estas duas manobras constituiram assim uma provocação máxima que tinha 100% de probabilidades de gerar uma reacção violenta, intempestiva por parte de tropas de combate assim tão vergonhosa e injustamente insultadas, assim tao vergonhosa e injustamente desprezadas, desprestigiadas, humilhadas. Os militares treinados para o combate, para matar ou morrer, mais do que a qualquer outra provocação, tendem a reagir violentamente à injustiça de uma humilhação desta grandeza, sobretudo quando são os seus comandantes, aqueles a quem se habituaram a obedecer e a ver como exemplos que os abandonam, que desertam vergonhosamente e se tornam cúmplices assumidos, na injustiça, na humilhação.
Finalmente e de caminho, a maioria dos pilotos desertaram das suas Bases Aéreas e foram juntar-se aos golpistas na Corte Garça, levando para lá a maioria dos aviões de combate, sobretudo os Fiat G91 e os T6 Harvard.
Sentado num maple da Sala de Operações, assistia a todo aquele caos. Os sargentos paraquedistas eram uma presença insólita. Desesperados e revoltados não aceitavam o que lhes tinham feito. Recusavam-se DESOCUPAR as Bases Aéreas que tinham sido até aí a sua casa. Alguns mais excitados gritavam que tinham que OCUPAR as Bases Aéreas. Aqui o Ocupar era apenas uma questão semântica, porque eles já lá estavam. Os comandantes dos páras tinham desertado das bases e o mesmo tinha acontecido com a estrutura operacional e de comando de combate aéreo da Força Aérea. As Bases Aéreas, onde estavam aquarteladas as tropas paraquedistas tenham ficado praticamente desertas. Uma total, inaceitável e imperdoável insubordinação e um crime de rebelião (do qual eu outros fomos, posteriormente, pateticamente acusados) pois foi tudo feito à revelia (e contra) o COPCON (Comando Operacional do Continente) que, legalmente era o seu Comando Operacional.
Com raras excepções, os sargentos paraquedistas eram agora os chefes máximos daquele Corpo de Tropas. Obviamente sem experiência ou preparação para uma tarefa desta dimensão.
Recordo bem que foi este grito ("ocupar as Bases Aéreas") que nos alarmou a todos porque todos sabíamos perfeitamente que QUEM TOMASSE A INICIATIVA DE INICIAR QUALQUER MOVIMENTAÇÃO MILITAR, ASSUMIA O ÓNUS DE SE TER REBELADO CONTRA A HIERARQUIA LEGAL, CONTRA A ORDEM LEGAL ENTÃO EXISTENTE.
QUEM TOMASSE ESSA INICIATIVA ERA "O GOLPISTA".
Todos tínhamos percebido obviamente a boçal manobra provocatória e recordo o Mário Tomé a gritar com os sargentos paraquedistas que isso era cair na armadilha que os golpistas nos estavam a montar.
TODOS TÍNHAMOS CONSCIÊNCIA, DESDE HÁ BASTANTE TEMPO, QUE UM GOLPE PARA DESTRUIR O 25 DE ABRIL ERA INEVITÁVEL.
E TODOS SABÍAMOS QUE ELE TERIA QUE VIR "DE DENTRO".
A seguir ao 11 de Março, fomos assistindo à cisão do núcleo duro dos militares do 25 de Abril, com um sector significativo a entoar o estafado (tínhamos ouvido exactamente isso durante 48 anos): "VÊM AÍ OS RUSSOS" E VÊM PELA MÃO DO PCP.
OS COMUNISTAS, "ORTODOXOS" OU "ESQUERDISTAS", HAVIAM COMEÇADO PROGRESSIVAMENTE A SER CONSIDERADOS COMO O PAPÃO.
A SANTA MADRE IGREJA, O MAIS ACTIVO SUPORTE DOUTRINÁRIO DA DITADURA SALAZARISTA FASCISTA DURANTE MEIO SÉCULO, QUE HAVIA SIDO ESTRUTURADA IDEOLOGICAMENTE PELO GOEBBELS DE SOTAINA, O CARDEAL CEREJEIRA, ERA AGORA A SUA AGUERRIDA HERDEIRA ... E PARTIU EM CRUZADA, COM O CÓNEGO MELO À FRENTE.
Durante meses, em todas as cidades, vilas, aldeias e lugarejos mais recônditos,.as missas eram os comícios semanais dessa cruzada, que muitas vezes, passou a integrar autênticos autos de Fé contra os comunas.
Claro que a classe capitalista reinante, mais a direita inteligente, mais todos os serviços secretos que por aqui andavam e actuavam sabiam que o PCP não constituía perigo algum, porque o Brejnev e o Kissinger já se tinham entendido e esse respeito em Vladivostok no fim de Dezembro de 1974.
Portugal era da NATO e quer os americanos quer os soviéticos não estavam interessados em alterar os equilíbrios que tantas vantagens trazia a ambos. O PCP, visto como um mero prolongamento do PCUS era um embaraço e "ficara proibido" pelo Brejnev de ir além de um certo score eleitoral. A moeda de troca, como sabemos, foi Angola e Moçambique.
A verdadeira história da relação de dependência e/ou independência do PCP relativamente ao PCUS e das tensões que isso foi provocando no seio do próprio PCP é surpreendentemente complexa, contraditória e ainda hoje está por divulgar. Mesmo no seio daqueles que na altura integravam a estrutura mais próxima de Cunhal ainda hoje existem interrogações, interpretações e explicações absolutamente contraditórias.
Muitos de nós sabíamos disto desde a primavera-verão de 75 e passávamos o tempo a dizê-lo, mas ninguém nos ligava. Hoje, já tudo isso se sabe, mas isso agora é uma história fora da HISTORIOGRAFIA OFICIAL que a ninguém interessa.


Entretanto, no meio de tudo isso, naquela altura, era o exaltante dia a dia que ocupava a cena e ultrapassava tudo. Era uma febre, uma verdadeira loucura. Uma loucura exaltante e inesquecível para alguns de nós (sem dúvida o melhor período da minha vida, aquele que não trocava por nada), mas terrivelmente assustadora para outros.

Daniel Santana!!!??? Raimundo, estavas, estávamos por dentro. O Rosado da Luz, é rapaz da minha terra, ligeiramente mais novo, mas absolutamente digno, como todos os militares de Abril, só homens dignos são capazes de tamanho arrojo. O Rosado afirma: " ... É esse Dia da Fraude, da Aldrabice, que alguns pequenos e grandes aldrabões da actual classe politica dominante quer celebrar de forma institucional, enquanto que outros (entre os quais se contam alguns que conceberam, planearam, executaram e dirigiram o golpe, ou que com ele colaboram e, através do qual, tomaram o poder — afinal, como sempre acontece, era essa a finalidade do Golpe do 25 de Novembro —, mas que o fizeram de boa fé e foram, são e serão sempre homem dignos), conscientes dessa mentira e conscientes de que também eles foram enganados (mesmo que nunca o possam admitir) e que essa mentira é mesmo "fracturante", se recusam fazê-lo. ... " --- Aqui em cima, outro "bem informado" diz: " ... Os paraquedista ocuparam as bases, a extrema esquerda fez barulho, o P CP como sempre esperou pelo resultado, ... ". Tu afirmaste: " ... Raimundo Narciso, na altura dirigente do PCP e responsável pelas ligações do partido aos militares, mais tarde deputado do PS, afirma que a ordem partiu da esquerda militar e “teve o aval do PCP”. ... " ------- Como estavas por dentro, estará tudo aqui, foi só "aval" !!?? Não será que também ele Rosado foi enganado ("mesmo que nunca o possa admitir"), pois fracturante ou não é um tudo nada mais complexo, e que os intervenientes foram mais? Por coincidência, (depois nem tanto), o 25 de Novembro regressa sempre, por uma troca de impressões na página da Tereza Bento, em que também participou o Duran Clemente, comecei a fazer a história da minha "gloriosa" passagem, qual mancebo idoso, pelas Forças Armadas. Claro com cunho irónico, só assim "tamanha glória" tem cabimento. Mas ... mas tudo o que afirmo se passou, e vou ter um maior cuidado quando chegar ao termo da minha carreira de mancebo primeiro, e depois aspirante idoso, que foi exactamente o 25 de Novembro. - O 1º episódio já saiu do prelo e encontra-se na minha página.



Original aqui:

A “dramática aventura” do 25 de Novembro que ditou o fim da Revolução


Portugal viveu, há 44 anos, a “dramática aventura” do 25 de Novembro, que opôs militares da extrema-esquerda e “moderados”, ditou o fim da revolução portuguesa e a normalização democrática do país.
A expressão “dramática aventura” é do general Costa Gomes, o Presidente da República que, do Palácio de Belém, em Lisboa, foi negociando com todas as barricadas para evitar um confronto que poderia ter arrastado o país para uma guerra civil.
De um lado estava a esquerda militar, influenciada pela extrema-esquerda e comunistas, dividida entre “gonçalvistas”, próximos do ex-primeiro-ministro Vasco Gonçalves e do PCP, e “otelistas”, apoiantes do estratego do 25 de Abril e chefe do COPCON (Comando Operacional do Continente), adeptos da “via revolucionária”.
Do outro estavam os “moderados”, congregando militares e forças à direita do PCP - incluindo o PS de Mário Soares e o PSD de Sá Carneiro - e que acabaram por ter o aval de Costa Gomes.
Um ano e meio depois da Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974, que derrubou a ditadura mais antiga da Europa, de quase meio século, a revolução estava na rua. A banca e os seguros já tinham sido nacionalizados e a reforma agrária no Alentejo e Ribatejo estava no auge.
Desde julho de 1975, no Norte e no Centro do país, bombas destruíram sedes do PCP. Nas ruas gritavam-se vivas ao poder popular, à revolução e “abaixo os comunistas”. Esse Verão de 1975 passou para a História como o Verão quente.
Desde 1974, sucederam-se os golpes e contragolpes, o 28 de Setembro, ainda em 1974, o 11 de Março, num país governado por um Conselho da Revolução.
Nos jornais, durante esse outono quente e com uma cadência quase diária, eram anunciados golpes e mais golpes. À esquerda e à direita.
Chega-se então a novembro. O barril aqueceu e está pronto a “explodir”.
O “rastilho” foi a escolha de Vasco Lourenço, do Grupo dos Nove, os moderados, para comandante da Região Militar de Lisboa, em substituição de Otelo, que os revolucionários viam como um chefe para a revolução socialista.
Os acontecimentos precipitam-se a 20 de Novembro.
Dias depois do cerco da Assembleia da República por trabalhadores da construção civil, em greve, e do sequestro do primeiro-ministro, Pinheiro de Azevedo, o Governo entra... em greve. Fica para a história o desabafo de Pinheiro de Azevedo dizendo que não gostou de ser sequestrado: “Chateia-me”!
E se o “rastilho” do 25 de Novembro foi a substituição de Otelo, a “faísca” foi a entrada em ação dos paraquedistas. A unidade levantou armas em protesto contra a ameaça do chefe de Estado-Maior da Força Aérea, general Morais da Silva, de dissolver o regimento, decisão que os “páras” não aceitam.
O resultado é uma sublevação dos paraquedistas, que ocupam as bases de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da Região Aérea, no Monsanto, em Lisboa.
Esta revolta serviu para justificar o avanço do grupo militar dos “moderados”, que, há meses, preparava um plano militar para responder a um eventual golpe da esquerda radical.
Além de Melo Antunes e Vasco Lourenço e do operacional Jaime Neves, à frente dos Comandos da Amadora, surge então o nome de um militar que viria a ser Presidente da República (1976-1986): Ramalho Eanes. Seria ele o operacional do plano que deu a vitória aos moderados.
Em Belém, os “moderados” tentam convencer Costa Gomes a dar cobertura ao seu plano militar. O Presidente general vai adiando e negociando para acalmar os ânimos: com os militares “revolucionários”, com o PCP, para não sair às ruas e não apoiar a “aventura” dos paraquedistas.
Otelo Saraiva de Carvalho é chamado a Belém. E aí fica. Retido e impossibilitado de comunicar com as suas “tropas” no quartel do COPCON.
Mas foram necessários dois dias para dominar a situação.
Na tarde de 25 de novembro é decretado o estado de sítio em Lisboa - a única vez que tal aconteceu. Os revoltosos ameaçavam matar o general Pinho Freire, no Comando Aéreo no Monsanto, Lisboa, mas este foi detido numa sala com telefone, que serviu para comunicar o sucedido ao Grupo dos Nove.
À noite, os comandos ocupam a base do Monsanto e libertam Pinho Freire.
Os confrontos acontecem no dia seguinte, 26 de novembro. Comandos cercam as instalações da Polícia Militar em Lisboa, ocupada pelos revoltosos. Do tiroteio resultaram três mortos - dois comandos e um polícia militar.
Passados 44 anos, porém, há ainda alguns aspetos menos claros. Quem deu a ordem aos “páras” para ocupar as bases? E o PCP deu aval à decisão?
Otelo nega ter sido ele. Ramalho Eanes considera que foi Otelo a dar a ordem ou que “deu cobertura”.
Raimundo Narciso, na altura dirigente do PCP e responsável pelas ligações do partido aos militares, mais tarde deputado do PS, afirma que a ordem partiu da esquerda militar e “teve o aval do PCP”. Esta última versão, porém, é desmentida por Álvaro Cunhal, líder histórico do PCP, passados 25 anos sobre a revolução, no livro “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril”, publicado em 1999.
24 NOV 2019 / 10:55 H. 










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