segunda-feira, 21 de março de 2022

As causas da fome na Ucrânia

As causas da fome na Ucrânia (O tal Holodomor é uma palavra ucraniana que quer dizer “deixar morrer de fome”, “morrer de inanição”.)


Em 1932-1933 houve fome na Ucrânia. Mas foi provocada principalmente pela luta de morte que a extrema-direita ucraniana moveu contra o socialismo e contra a coletivização da agricultura.

 No decurso dos anos 30, esta extrema-direita ligada aos hitlerianos já tinha utilizado a fundo o tema da «fome provocada deliberadamente para exterminar o povo ucraniano».

 Após a II Guerra Mundial esta propaganda foi «ajustada» com o objectivo principal de encobrir os crimes cometidos pelos nazis e mobilizar as forças do Ocidente contra o comunismo.

Com efeito, desde o começo dos anos 50, a realidade do extermínio de seis milhões de judeus impôs-se ante a consciência mundial. A extrema-direita mundial tinha necessidade de uma quantidade superior de mortos «vítimas do terror comunista». E, em 1953, o ano do macartismo triunfante, assistiu-se a um crescimento espectacular do número de mortos na Ucrânia durante a fome ocorrida 20 anos antes.

Como os judeus tinham sido mortos de forma deliberada, científica, era necessário que «o extermínio» do povo ucraniano tomasse também a forma de um genocídio cometido a sangue frio. A extrema-direita, que nega com convicção o holocausto dos judeus, inventa então o holocausto ucraniano!




A fome de 1932-1933 na Ucrânia teve quatro causas:

·        Antes de mais foi provocada pela verdadeira guerra civil desencadeada pelos kulaques e os elementos reaccionários contra a coletivização da agricultura. (Frederick Schumann viajou como turista pela Ucrânia durante o período da fome. Já como professor do Williams College, publicou, em 1957, um livro sobre a União Soviética. Nesta obra fala-se da fome.)

A oposição (dos kulaques) manifestou-se de início pelo abate do gado bovino e cavalar, que consideravam preferível a vê-los coletivizados. Dado que a maioria das vacas e dos cavalos pertencia aos kulaques, o resultado foi terrível para a agricultura soviética. Entre 1928 e 1933, o número de cavalos passou de cerca de 30 milhões para menos de 15 milhões; de 70 milhões de cabeças de gado bovino, das quais 31 milhões vacas, passou-se para 38 milhões, das quais 20 milhões de vacas; o número de carneiros e cabras diminuiu de 147 milhões para 50 milhões e o de porcos, de 20 milhões para 12 milhões. Em 1941, a economia rural soviética ainda não tinha recuperado completamente destas perdas terríveis (...)

Alguns (kulaques) assassinaram  Funcionários, incendiaram propriedades colectivas e chegaram a queimar as suas próprias colheitas e sementes. Um número ainda maior recusou-se a semear e a colher, talvez na convicção de que as autoridades lhes fariam concessões e lhes assegurariam de qualquer forma a alimentação. O que se seguiu foi a “fome” de 1932-1933. (...) Relatos macabros, fictícios na sua maior parte, apareceram na imprensa nazi e na imprensa de Hearst nos Estados Unidos (...). A fome, nas suas fases ulteriores, não foi o resultado de um défice de alimentação, apesar da redução importante das sementes e das colheitas, consequência das requisições especiais na Primavera de 1932, motivadas aparentemente pelo receio de uma guerra com o Japão.

 A maior parte das vítimas foram kulaques que se haviam recusado a semear os seus campos ou que tinham destruído a sua colheita.

É interessante constatar que este testemunho é confirmado por um artigo publicado em 1934, de Isaac Mazepa, chefe do movimento nacionalista ucraniano e antigo primeiro-ministro de Petliúra em 1918. Na altura, gabou-se de a direita ter conseguido em 1930-1932 sabotar em grande escala os trabalhos agrícolas. «Começou por haver distúrbios nos kolkhozes, noutros lugares foram mortos funcionários comunistas e seus colaboradores. Mas depois desenvolveu-se sobretudo um sistema de resistência passiva que visava entravar sistematicamente os planos dos bolcheviques para as sementeiras e colheitas. Os camponeses faziam parte da resistência passiva; mas, na Ucrânia, a resistência adquiriu o carácter de uma luta nacional. A oposição da população ucraniana provocou o descalabro do plano de colheitas de 1931 e, sobretudo, de 1932.

 A catástrofe de 1932 foi o golpe mais duro que a Ucrânia soviética suportou depois da fome de 1921-1922. As campanhas das sementeiras falharam tanto no Outono como na Primavera. Vastas áreas foram deixadas incultas. Ainda por cima, no ano anterior, no início das ceifas, em várias regiões, sobretudo no Sul, 20, 40 e mesmo 50 por cento dos cereais foram deixados nos campos, não foram colhidos ou foram destruídos durante a malha.

·        A segunda causa da fome foi a seca que atingiu grandes zonas da Ucrânia em 1930, 1931 e 1932.

Para James E. Mace, de Harvard, trata-se de uma história inventada pelo regime soviético. No entanto, Michail Kruchevski, um dos principais historiadores nacionalistas, na sua História da Ucrânia, refere-se ao ano de 1932 nos seguintes termos: «Este novo ano de seca coincidiu com condições agrícolas caóticas. O professor Nicholas Riasnovsky, que leccionou no Russian Research Center, em Harvard, escreve que os anos 1930 e 1931 foram marcados por condições de seca. O professor Michael Florinsky, que lutou contra os bolcheviques durante a Guerra Civil, assinala: «Secas severas em 1930 e 1931, especialmente na Ucrânia, agravaram a situação da agricultura e criaram condições próximas da fome.

·        A terceira causa da mortalidade foi uma epidemia de tifo que assolou a Ucrânia e o Cáucaso do Norte. Hans Blumenfeld, um arquitecto canadiano de renome, que se encontrava na época na cidade de Makaiévka, escreveu: «Não há dúvida de que a fome tem feito muitas vítimas. Não disponho de dados para calcular o seu número. (...) Provavelmente a maior parte das mortes de 1933 foi causada por epidemias de tifo, de febre tifóide e de disenteria. Doenças transmitidas pela água eram frequentes em Makaiévka; eu próprio sobrevivi à justa de um ataque de febre tifóide. Horslet Grant, o homem que inventou a estimativa absurda de 15 milhões de mortos pela fome (isto é, 60 por cento da população ucraniana, que contava 25 milhões de pessoas em 1932), assinala, todavia, que «o pico da epidemia de tifo coincidiu com o da fome». (...) É impossível separar estas duas causas que foram as mais importantes em número de vítimas.

·         

·        A quarta causa da fome foi a inevitável desordem provocada pela reorganização total da agricultura e igualmente profunda transformação de todas as relações económicas e sociais: a falta de experiência, a improvisação e confusão nas directivas, a falta de preparação, o radicalismo esquerdista de determinadas camadas mais pobres e de alguns funcionários.

O número de um a dois milhões de mortos da fome é importante. Estas perdas humanas foram largamente causadas pela oposição feroz das classes exploradoras à organização e à modernização da agricultura numa base socialista. Mas a burguesia inscreverá estas mortes na conta de Stáline e do socialismo. Este número, de um a dois milhões, deve ser comparado com os nove milhões de mortos causados pela fome de 1920-1921. Esta foi essencialmente provocada pela intervenção militar de oito potências imperialistas e pelo apoio que prestaram aos grupos armados reaccionários.

 A fome não foi além do período que precedeu a colheita de 1933. Medidas extraordinárias tomadas pelo governo soviético garantiram o sucesso da colheita desse ano. Logo na Primavera, 16 mil toneladas de sementes, alimentos e forragens foram enviados para a Ucrânia. A organização e a gestão dos kolkhozes foram melhoradas e vários milhares de tractores, de debulhadoras e de camiões suplementares foram fornecidos. Hans Blumenfeld apresenta nas suas Memórias um resumo da experiência que viveu durante a época da fome na Ucrânia. «Uma conjunção de um número de factores (a causa).

 Em primeiro lugar, o Verão quente e seco de 1932, que já tinha visto no Norte de Viátka, fez fracassar a colheita nas regiões semi-áridas do Sul.

Depois, a luta pela colectivização tinha desorganizado a agricultura. A colectivização não era um processo que seguia uma ordem e regras burocráticas. Consistia em acções dos camponeses pobres, encorajados pelo Partido. Os camponeses pobres revelavam grande entusiasmo em expropriar os kulaques, mas mostravam menos fervor na organização de uma economia cooperativa. Em 1930, o Partido já tinha enviado quadros para combater e corrigir os excessos. (...) Depois de, em 1930, ter dado provas de prudência, o Partido desencadeou nova ofensiva em 1932. Como consequência, a economia dos kulaques deixou de produzir nesse ano e a nova economia colectiva ainda não estava a produzir em pleno. Com uma produção insuficiente, assegurava-se, em primeiro lugar, as necessidades da indústria urbana e das forças armadas; não era possível fazer de outro modo, já que o futuro de toda a nação, inclusive dos camponeses, dependia delas (...) Em 1933, as chuvas foram suficientes. O Partido enviou os seus melhores quadros para ajudar no trabalho organizativo dos kolkhozes. Tiveram êxito. Após a colheita de 1933, a situação melhorou radicalmente e com uma velocidade impressionante. Tive a impressão de que havíamos puxado uma carroça muito pesada através de uma montanha na incerteza de o conseguirmos, mas, no Outono de 1933, tínhamos ultrapassado o cume e a partir daí podíamos avançar em ritmo acelerado.

Hans Blumenfeld sublinha que a fome atingiu tanto as regiões do Baixo Volga e a Região do Cáucaso do Norte como a Ucrânia. «Isso refuta o “facto” de um genocídio anti-ucraniano similar ao holocausto antisemita de Hitler. Para os que conheceram bem o défice desesperado de força de trabalho que havia na altura na União Soviética, a ideia de os seus dirigentes reduzirem deliberadamente esse recurso raro é absurda.»

 

 


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

II GUERRA MUNDIAL PODIA TER ACABADO EM 1942.

II Guerra Mundial podia ter acabado em 1942 ou 1943 se os Estados Unidos e Inglaterra se aceitasse coordenar as suas acções  co a URSS após a derrota dos nazis na batalha de Moscovo.

Batalha de Moscovo foi a vitória mais importante para a URRS em 12 e 13 de Dezembro de 1941.

O plano dos ingleses - PLANO IMPÉNSÀVEL - admitia uma nova Guerra Mundial para destruir totalmente a União Soviética e submetê-la completamente aos Estados Unidos e Reino Unido. 

Quanto aos Estados Unidos já tinham estabelecido contactos  com Hitler em Novembro de 1922, estabelecendo um vinculo muito estreito entre Hitler e os Estados Unidos para apoio militar e financeiro no sentido de acabar com a União Soviética.

Estados Unidos, principal financiador da república de Weimar,  investindo mais de 30 mil milhões de dólares para recuperação e desenvolvimento do potencial militar e industrial da Alemanha durante 1919 e 1923.

A Grã-Bretanha competiu com os Estados Unidos para ver quem mais favores fazia aos nazis. Estados Unidos converteram-se no país mais rico do mundo durante a II Guerra Mundial tal como logo depois da I Guerra Mundial.


    Segundo Valentín Falin a Guerra começou em 1919 durante a assinatura do Tratado de Versalhes - O primeiro Ministro Francês da altura declarou que esse tratado nada mais era que a continuação da Guerra.

    Churchil comenta durante a II Guerra Mundial que para ela a Guerra começou em 1914 com a I Guerra Mundial..

 




Mais de 600 bases militares dos Estados Unidos no estrangeiro


Mais de 600 bases militares dos Estados Unidos no estrangeiro 

Oficialmente, os Estados Unidos, confirmam 625 bases e instalações militares implantadas no estrangeiro. Isto é, três vezes mais que países existentes no mundo.

Segundo especialistas o número real ascende a pelo menos 750 distribuídas por 80 países.
Há tropas estadunidenses, de forma permanente, em 5 continentes e e  sulcando os 7 mares. 


 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Uma Moral Nova e Superior

                                       Uma Moral Nova e Superior

“ Ser comunista não consiste apenas em ter um objectivo político e lutar pela sua realização. Ser comunista não é apenas uma forma de agir politicamente. É uma forma de pensar, de sentir e de viver.” Pág 195

Quando este livro foi publicado muitos comunistas disseram que foi escrito e dirigido a Gorbatchov, diziam até que era o seu livro de cabeceira. Na realidade este livro também foi traduzido para russo e lido por muito desses cidadãos.

Mas este livro foi escrito e publicado em português para os portugueses. Um livro dirigido aos membros da C. Politica, do Comité Central, das Organizações Regionais, das C. Concelhias e de Freguesia, das Células de Empresa e a todos os militantes e simpatizantes que o quisessem ler.

Desde 1985 (ano em que o livro foi publicado pela primeira vez) até hoje muitos comunistas esqueceram ou ignoraram o seu conteúdo, os seus ensinamentos, os princípios pelos quais os comunistas se devem orientar.

“A moral Comunista sofre o influxo criativo e formativo do ideal político e da prática revolucionária” pag 196

“…a luta contra o parasitismo e as injustiças sociais, pela igualdade dos seres humanos independentemente do sexo, da nacionalidade e da raça, as vitórias e realizações na construção do socialismo, as exigências e sacrifícios que aos militantes coloca a prática revolucionária, exercem poderosa influência na formação dos conceitos morais, acentuando os traços de generosidade, de dedicação, de isenção, de respeito pelos outros, de respeito pela verdade, de coragem, de sacrifício, de heroísmo.”

Pelo que assisto por aqui nas redes sociais há um retrocesso assustador na defesa e na prática dos princípios que nos devem nortear.

- Vê-se por aqui a instigação ao ódio, ao insulto, contra os que não alinham na propaganda do sistema, nomeadamente em relação a esta questão actual do covid 19, todos os que questionarem são apelidados de reacionários, de terraplanistas, de estarem ao serviço da direita e dos  negacionistas, dos trumpistas, dos bolsonaristas, dos cheguistas e de muitos outros istas…. Vejo aqui gente que publica uma foto da moca de Rio Maior como argumento contra os seus camaradas que questionam o discurso oficial (talvez tenham esquecido que essas mocas foram utilizadas pelos terroristas em 1975 para espancarem, assassinarem e mal tratarem muitos comunistas e democratas)

- Aparecem por estas badas pessoas com o emblema no casaco, com a bandeira na janela mas que são racistas, que não podem com ciganos nem pretos, nem refugiados;

Para os defensores da verdade só a verdade deles conta. Dentro ou fora, por muito que outros tenham preocupações, duvidas e as coloquem à discussão são automaticamente barrados e apelidados de contrarrevolucionários, de estarem ao serviço de interesses obscuros, de estarem do outro lado da barricada, etc.etc.

Hoje um desses senhoras da verdade absoluta bloqueou-me porque contestei a sua forma de argumentar e o ódio que estava a instigar com os seus artigos jornalísticos com os seguintes argumentos:

 eu vou bloquear-te

Bruno

não quero na minha lista gente que se diz comunista e que anda a espalhar mentiras como os fascistas do Chega

Enter

Bruno

os camaradas cubanos iam rir-se na tua cara quando ouvissem as tuas mentiras

Enter

Bruno

 

é muito triste ver gente a contribuir para o discurso da direita

 

Tudo isto porquê, porque lhe apresentei um conjunto de dados oficiais, pediu-me provas, disse-lhe para pesquisar que tudo estava na página da DGS. També o critiquei por fazer artigos de apelo ao ódio contra todos os que não estão com o discurso oficial.

 

Fez bem. Que passe bem e seja feliz na sua profissão de jornalista.

 

Para todos este o meu conselho é que tirem o pó ao livro que têm lá na prateleira,  voltem a ler ou leiam pela primeira vez, meditem e tentem levar à prática os ensinamentos que Álvaro Cunhal nos deixou.


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Daniel Ortega traiu a Revolução sandinista


 Miguel Urbano Rodrigues     12.Nov.16

A trajectória pessoal e política de Ortega, agora reeleito presidente da Nicarágua, é um caso de estudo. De dirigente da luta armada anti-somozista a possuidor de uma fortuna pessoal que supera a que o próprio Somoza extorquiu ao seu povo, de lutador pelo socialismo a patriarca de uma família de oligarcas, o sucesso de Ortega é o insucesso da libertação do seu povo.

Daniel Ortega foi reeleito presidente da Nicarágua. É o terceiro mandato consecutivo.

O principal partido da oposição apelou ao boicote, mas a abstenção foi inferior à prevista pelas sondagens.

A vitória do candidato sandinista foi bem recebida pelo governo de Obama. As relações económicas dos EUA com a Nicarágua são aliás consideradas corretas pelo Departamento de Estado.

Paradoxalmente, Ortega não abdicou do discurso de esquerda, cultivando uma imagem anti-imperialista que lhe permitiu nos últimos anos manter relações privilegiadas com Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e alguns partidos comunistas.

Mas a fachada progressista do regime é hoje incompatível com a realidade politica, social e económica do país.

Desde que perdeu as eleições presidenciais em 1990 Daniel Ortega imprimiu à FSLN uma orientação que deslocou gradualmente para a direita o partido revolucionário fundado por Carlos Fonseca Amador, que destruiu a ditadura de Somoza numa luta épica de anos. Fonseca, que foi o ideólogo da guerrilha, era um marxista criativo e talentoso. Conseguiu o que parecia impossível: unificou as três tendências da organização revolucionária, obtendo no combate ao somozismo o apoio da Igreja, dos sindicatos, dos trabalhadores e de intelectuais liberais.

A vitória da FSLN, dirigida por Daniel Ortega e um punhado de comandantes com prestígio internacional, gerou uma grande esperança na América Latina. Transcorrida mais de uma década da morte do Che na Bolívia, os Sandinistas demonstraram que em circunstâncias excecionais a luta armada podia enfrentar e derrotar regimes apoiados pelo imperialismo.

Tive a oportunidade em 1983 de visitar a Nicarágua revolucionária e conhecer alguns dos comandantes sandinistas nesses dias em que a FSLN mobilizava a solidariedade das forças progressistas da América Latina e da Europa.

No exercício do poder, o governo da FSLN não demonstrou porem a mesma lucidez e firmeza da organização guerrilheira.

Alvo de uma ofensiva permanente do imperialismo americano, que financiou e armou os mercenários contra-revolucionários, a Frente Sandinista fracassou na tarefa de reconstruir a economia e perdeu gradualmente o apoio de amplos setores da população.

Cedendo a pressões de Washington, Ortega – contra a opinião de Fidel Castro - convocou eleições para a Presidência en 1990. A campanha eleitoral da oposição foi generosamente financiada pelos EUA. O desfecho foi a eleição da liberal Violeta Chamorro e ficou a assinalar o fim inesperado da Revolução Sandinista.

A CRISE DA FSLN

A Frente Sandinista mergulhou numa crise profunda logo após o seu afastamento do governo.

Daniel Ortega candidatou-se à Presidência nas eleições seguintes, tendo perdido novamente. Mas não foi uma surpresa a sua eleição em 2006. O desfecho era esperado.

Alguns dos comandantes mais destacados que haviam participado da guerra contra Somoza tinham rompido com Ortega por discordarem da guinada à direita que o ex-presidente imprimira ao partido. Entre outros, Ernesto Cardenal, Luis Carrion e Victor Tirado.

Ortega tinha optado por uma politica de alianças incompatível com os princípios e a ideologia do sandinismo,
Firmou nomeadamente um acordo com o ex-presidente Arnoldo Aleman, condenado a 20 anos de prisão por corrupção e branqueamento de capitais. Aleman fora, sublinhe-se, um somozista esforçado.

ROSARIO MURILLO, «A BRUXA»

Foi sobretudo a mulher, Rosario Murillo, que teve um papel decisivo na metamorfose do dirigente máximo da FSLN.

Professora, escritora, poeta, Rosario, que foi também guerrilheira, é uma católica fervorosa.

Amiga pessoal desde a juventude do arcebispo de Manágua, defendeu sempre a necessidade de boas relações com a Igreja. Teve o descaramento de propor o seu nome para o Premio Nobel da Paz.

Fez o marido esquecer que Don Miguel Obando y Bravo fora admirador de Anastasio Somoza e apoiara a contra-revolução.

Elevado a Cardeal, Obando cimentou uma íntima aliança com Daniel Ortega quando este voltou à Presidência em 2007.

Rosario, reeleita vice-presidente, concentra hoje nas suas mãos um enorme poder e acumulou em negócios ilícitos, uma fortuna colossal.

Ocorreu o inimaginável. A família Ortega-Murillo concentra hoje mais riqueza do que Somoza no auge da sua ditadura.

Quatro dos filhos de Daniel são multimilionários. Laureano negociou com a China o projeto de construção do Canal que ligará através da Nicarágua o Atlântico ao Pacifico, obra faraónica que ameaça arruinar o Canal do Panamá. Juan controla o audiovisual. Outros irmãos enriqueceram com a distribuição de petróleo barato recebido da Venezuela bolivariana. Um regabofe!

Rosario, conhecida pela alcunha de “Bruxa”, é a personalidade que domina a família e o governo.

DE HERÓIS A GRANDES EMPRESÁRIOS

A crise da FSLN principiou com a deserção de Sergio Ramirez, que foi vice-presidente da República no primeiro governo de Ortega.
Sergio, que estudou na Alemanha, era um social-democrata mascarado de revolucionário. Escritor de talento, passou em tempo mínimo de sandinista a inimigo da Revolução.

Seguiram-se outras ruturas com o passado, mais graves.

Humberto Ortega, irmão de Daniel, foi durante a luta armada o principal estratego da guerrilha. Ministro da Defesa após a vitória, reformou o exército e aderiu à esdruxula doutrina do «centrismo». Recebeu inclusive a medalha do mérito militar dos EUA. A sua adesão ao capitalismo não surpreendeu. Enriqueceu no negócio das madeiras.

O ministro da Agricultura de Daniel, Jaime Weelock, é hoje um próspero empresário. Bayardo Arce, outro dos comandantes da insurreição, também enriqueceu rapidamente.

Daniel Ortega repete com frequência que a situação económica do país melhorou acentuadamente. Mas não diz que a Nicarágua recebeu durante os seus governos 4 800 milhões de dólares de organizações financeiras internacionais tuteladas pelos EUA.
Do FMI tem recebido elogios.

Daniel Ortega insiste em afirmar que pratica uma política de esquerda. Não se abstém de criticar o imperialismo nos seus discursos enquanto elogia Cuba e a Venezuela bolivariana. Mas Washington considera inofensiva essa oratória.

Poder-se-ia inferir deste artigo que encaro com pessimismo o futuro do povo Nicaraguense. Seria uma conclusão errada. A memória de Sandino, de Carlos Fonseca e da gesta heroica da insurreição guerrilheira que destruiu a ditadura de Somoza permanece viva no povo da Nicarágua. Um dia ele retomará a luta rumo ao socialismo interrompida pela traição de Daniel Ortega.

Estou consciente de que um governo do partido de extrema-direita seria pior do que o de Ortega-Murillo. Mas indigna-me a hipocrisia dos media e dirigentes de esquerda que insistem em caracterizar o governo de Ortega como revolucionário.

Vila Nova de Gaia, Novembro de 2016

Ver aqui:

E aqui:

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Há 28 anos um povo lutou contra os eucaliptos. E a terra nunca mais ardeu

 

Em 1989 houve uma guerra no vale do Lila, em Valpaços. Centenas de pessoas juntaram-se para destruir 200 hectares de eucaliptal, com medo que as árvores lhes roubassem a água e trouxessem o fogo. A polícia carregou sobre a população, mas o povo não se demoveu.

«Foi o nosso 25 de Abril», diz Maria João Sousa, que tinha 15 anos quando a revolução chegou à sua terra. No dia 31 de março de 1989, a rebate do sino, 800 pessoas juntaram-se na Veiga do Lila, uma pequena aldeia de Valpaços, e protagonizaram um dos maiores protestos ambientais que alguma vez aconteceram em Portugal.

A ação fora concertada entre sete ou oito povoações de um escondidíssimo vale transmontano, e depois juntaram-se ecologistas do Porto e de Bragança à causa. Numa tarde de domingo, largaram todos para destruir os 200 hectares de eucalipto que uma empresa de celulose andava a plantar na quinta do Ermeiro, a maior propiedade agrícola da região.

À sua espera tinham a GNR, duas centenas de agentes. Formavam uma primeira barreira com o objetivo de impedir o povo de arrancar os pés das árvores, mas eram poucos para uma revolta tão grande.

Em 1989 houve uma guerra no vale do Lila, em Valpaços. Centenas de pessoas juntaram-se para destruir 200 hectares de eucaliptal, com medo que as árvores lhes roubassem a água e trouxessem o fogo. A polícia carregou sobre a população, mas o povo não se demoveu.

«Foi o nosso 25 de Abril», diz Maria João Sousa, que tinha 15 anos quando a revolução chegou à sua terra. No dia 31 de março de 1989, a rebate do sino, 800 pessoas juntaram-se na Veiga do Lila, uma pequena aldeia de Valpaços, e protagonizaram um dos maiores protestos ambientais que alguma vez aconteceram em Portugal.

A ação fora concertada entre sete ou oito povoações de um escondidíssimo vale transmontano, e depois juntaram-se ecologistas do Porto e de Bragança à causa. Numa tarde de domingo, largaram todos para destruir os 200 hectares de eucalipto que uma empresa de celulose andava a plantar na quinta do Ermeiro, a maior propiedade agrícola da região.

À sua espera tinham a GNR, duas centenas de agentes. Formavam uma primeira barreira com o objetivo de impedir o povo de arrancar os pés das árvores, mas eram poucos para uma revolta tão grande.

A polícia respondeu com uma carga à população, mas revelou-se incapaz de travar os avanços de 800 populares sobre a propriedade. [Arquivo JN]
«Naquele dia ninguém sentia medo. Eles atiravam tiros para o ar e parecia que tínhamos uma força qualquer a fazer-nos avançar»
Maria João Sousa

Maria João, que nesse dia usava uma camisola vermelha impressa com a figura do Rato Mickey, nem deu pelo polícia que lhe agarrou no braço. «Ide para casa ver os desenhos animados», atirou-lhe, mas a rapariga restaurou a liberdade de movimentos com um safanão: «Estava tão convicta que não sentia medo nenhum. Naquele dia ninguém sentia medo nenhum. Eles atiravam tiros para o ar e parecia que tínhamos uma força qualquer a fazer-nos avançar.»

A tensão subiria de tom ao longo da tarde. «Houve ali uma altura em que pensei que as coisas podiam correr para o torto», diz agora António Morais, o cabecilha dos protestos. Havia agentes de Trás os Montes inteiros, da Régua e de Chaves, de Vila Real e Mirandela.

Mas também lá estava a imprensa, e ainda hoje o homem acredita que foi por isso que a violência não escalou mais. Algumas cargas, pedrada de um lado, cacetadas do outro, mas nada que conseguisse calar um coro de homens e mulheres, canalha e velharia: «Oliveiras sim, eucaliptos não».

«Não queríamos arder aqui todos»

A guerra tinha começado a ser preparada um par de meses antes, quando António Morais, proprietário de vários hectares de olival no Lila, percebeu que uma empresa subsidiária da Soporcel se preparava para substituir 200 hectares de oliveiras por eucaliptal para a indústria do papel. «Tinham recebido fundos perdidos do Estado para reflorestar o vale sem sequer consultarem a população», revolta-se ainda, 28 anos depois.

«Nessa altura o ministério da agricultura defendia com unhas e dentes a plantação de eucalipto.» Álvaro Barreto, titular da pasta, fora anos antes presidente do conselho de administração da Soporcel e tornaria ao cargo em 1990, pouco depois das gentes de Valpaços lhe fazerem frente.

Ver aqui:

sábado, 22 de maio de 2021

O 25 de Abril

 

Luis Marques


Momento com a História

No dia 25 de abril de 1974, uma falange das Forças Armadas Portuguesa, levam a cabo um golpe militar que viria a ficar conhecido como a “Revolução dos Cravos”, pondo fim ao regime totalitário do Estado Novo vigente desde 1933.
O nome ”Revolução dos Cravos”, deve-se a Celeste Caeiro, uma florista, filha de mãe espanhola, foi ela a responsável pelo nome que a revolução tomou. Os militares empunharam as armas, os jornalistas deram voz e relataram os acontecimentos, mas foi ela e os seus simples cravos, únicas flores que tinha e que colocou nas armas do militares que estavam no Chiado, que deram nome ao golpe que acabou com várias décadas de um estado totalitário. Foi esta mulher de pouco mais de um metro e meio de altura, que foi distribuindo cravos vermelhos e brancos que haveriam de entrar nos livros de história.
A Revolução de 25 de abril de 1974, liderada por um movimento militar, o MFA (Movimento das Forças Armadas), composto na sua maioria por capitães que tinham participado na chamada “Guerra Colonial”, a que se lhes juntou alguns oficiais milicianos de patentes inferiores. Este movimento viria a depor o regime totalitário vigente, culminando com a implantação de um regime democrático.
O nascimento do Movimento dos Capitães deu-se em 1973, e designação original, está ligado à publicação de dois Decretos-Leis: o primeiro n.º 353, de 13 de julho de 1973 e o segundo n.º 409, de 20 de agosto do mesmo ano, com os quais, o regime liderado pelo Professor Marcello Caetano pretendia resolver o problema da falta de oficiais com que o Exército se debatia perante a continuação da Guerra Colonial. Todavia, a evolução do movimento não deve ser entendida apenas como um perspetiva corporativista, já que a contestação ao regime não abrandou com a suspensão dos dois diplomas, e exoneração do Ministro da Defesa, Sá Viana de Rebelo. As reuniões destes militares continuaram e o movimento politizou-se.
A recusa de Marcello Caetano em aceitar uma solução política para a guerra levou a que os oficiais de nível intermédio, os que na realidade suportavam o combate no teatro de operações, percebessem que o fim do conflito passava pelo derrube do regime do Estado Novo.
Os capitães sabiam ser este também o sentimento geral da população portuguesa, cansada de uma guerra sem sentido, e de um regime totalitário que em boa da verdade; diga-se, já durava desde o golpe militar de 28 de maio de 1926, agravando-se o mesmo, com a entrada em vigor da Constituição portuguesa de 1933, que institucionaliza os Estado Novo, ou Segunda República Portuguesa, e que veio dar a Oliveira Salazar, o poder total sobre o País, que governou até 27 de setembro de 1968, quase até às porta da sua morte, ocorrida em 27 de julho de 1970. Mas sabiam ainda, pós a publicação em fevereiro de 1974, do livro do General Spínola “Portugal e o Futuro”, que podiam contar com o apoio dos seus chefes militares.
As reuniões efetuadas pelos militares em: 18 de agosto de 1973, em Bissau; 21 de agosto, em Lisboa; 9 de setembro, em Alcáçova; 6 de outubro, reunião quadripartida; em 24 de Novembro, em São Pedro do Estoril; 1 de dezembro, em Óbidos; 5 de dezembro, na Costa da Caparica e 5 de março, em Cascais, vieram a ser fulcrais para a organização do golpe.
A primeira reunião, que teve lugar na Guiné, juntou na sal de jogos “do Clube Militar de Bissau cerca de duas dezenas de capitães. Como frisou Carvalho (1984, p. 132), “foi em Bissau que se formou a «Comissão do Movimento dos Capitães», que teve como missão preparar um projeto de carta para enviar ás mais altas individualidades do Estado, visando revelar o descontentamento dos signatários face aos decretos publicados”.
Outras reuniões que marcaram de forma decisiva o percurso da contestação foi a de 24 de novembro de 1973, que teve lugar em São Pedro do Estoril, na Colónia Balnear de O Século, na qual, pela primeira vez, foi defendida abertamente a teoria do golpe militar, cabendo ao tenente-coronel Luís Banazol a arrojada proposta de ser efetuada uma revolução armada seja qual for o seu preço e as suas consequências e alguns dias depois, a reunião de 1 de dezembro desta vez em Óbidos, dirigida por “Vasco Lourenço, Vítor Alves, Hugo dos Santos e Lopes Pires”. Aqui foram apresentados à votação três cenários alternativos: Golpe militar; Continuação da luta contra os Decretos- Leis 353/73 e 409/73, com perspetivas de passar a golpe militar; e continuação da luta legislativa contra os Decretos.
Foi aprovada a última hipótese por cento e setenta e três votos a favor, sendo que a primeira teve cento e vinte e cinco e a segunda alternativa apenas obteve onze. Porém, a que contemplava o golpe militar ganhava apoios, verificando-se que uma larga faixa dos participantes a admitia abertamente. Começou, então, a desenvolver-se o carácter revolucionário da contestação. Nesta reunião, o Movimento dos Capitães passou a designar-se por “MOFA”, como forma de “ultrapassar o âmbito do Exército e alargar o Movimento aos outros ramos das Forças Armadas.
No dia 5 de Dezembro realizou-se nova reunião da Comissão Coordenadora, na Costa da Caparica, se elegeu um órgão executivo constituído pelos majores Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves e o capitão Vasco Lourenço. Foi, também, criado um grupo de trabalho para elaborar o Programa do MOFA, coordenado pelo major Melo Antunes e constituído pelos tenentes-coronéis Lopes Pires, Franco Charais e Costa Brás, major Hugo dos Santos e coronel Vasco Gonçalves, do Exército, capitão-tenente Vítor Crespo, 1º tenente Almada Contreiras, da Marinha, majores Morais e Silva e Seabra e o capitão Pereira Pinto, da Força Aérea.
A 5 de Março de 1974, teve lugar em Cascais, no ateliê do arquiteto Braula Reis, amigo do major Sanches Osório, outra reunião, em que participaram elementos do Exército, Armada e Força Aérea, onde foi aprovado o documento “O Movimentos das Forças Armadas e a Nação, apresentado pelo major Melo Antunes, que constituiu o primeiro documento político produzido pelos oficiais conjurados.
A estrutura organizativa registou alterações ao longo do processo de contestação e mais tarde na preparação do golpe de 25 de Abril. De entre os diferentes elementos que integraram essa estrutura ao longo do referido trajeto importa destacar três elementos que foram decisivos na organização do Movimento, na preparação do golpe e na condução dos objetivos políticos: o capitão Vasco Lourenço, o major Otelo Saraiva de Carvalho e o major Melo Antunes. Entretanto, o MOFA, por proposta de Spínola, transforma-se em MFA “para subentender a adesão de sargentos e praças” dando-lhe assim um cariz mais abrangente.
Quando as tropas saíram para a rua, os objetivos definidos caíram nas suas mãos, um após outro: a Emissora Nacional, o Rádio Clube Português «RCP», a RTP, o Banco de Portugal, a Marconi, os Ministérios, o Aeroporto de Lisboa e, por fim, o Quartel do Carmo, onde se refugiava Marcello Caetano. Bastaram dezassete horas e quarenta e cinco minutos para a operação militar que abateu o Estado Novo. Um regime, sem força anímica, sem vontade de continuar e sem tropas fiéis, não esboçou qualquer iniciativa importante que tivesse por objetivo contrariar a cação das tropas revoltosas. O poder seria transmitido, por Marcello Caetano, ao general António de Spínola, que tinha sido mandatado pelo MFA para essa missão.
Resta lembrar que o sucesso desta revolução se devem aos valorosos militares, destacando particularmente: Melo Antunes, “O Estratega”; Otelo Saraiva de Carvalho, “O Impetuoso”; Salgueiro Maia, “O destemido” e não esquecer o papel fundamental que um herói, um simples cabo de nome José Alves da Costa da Povoa do Varzim, que desafiou as ordens de um brigadeiro do regime, Junqueira dos Reis, para disparar sobre os seus camaradas de armas. O próprio Salgueiro Maia deixou marcada para sempre a importância desse momento decisivo: "Aqui é que se ganhou o 25 de Abril". Neste dia, os agentes da DGS foram os únicos que reagiram abrindo fogo e provocando vítimas mortais entre os civis, registando-se quatro mortos e quarenta e cinco feridos.
Como diria o Professor Adriano Moreira num dos seus livros publicado em 1985: «É saber antigo que um regime forte, apoiado nas Forças Armadas, não pode ser derrubado senão na sequela de uma guerra perdida que destrua o exército, ou por revolta do exército».
Texto retirado do futuro livro “365 dias de História”.
Luís M. Cunha.
Bibliografia:
Carvalho, Luís Pedro Carvalho. ”O Movimento dos Capitães, do MFA e o 25 de Abril: Do Marcelismo à Queda do Estado Novo”. Dissertação de Mestrado em Ciência Política”, Universidade Lusófona, Lisboa. 2009; Barreto, António; Mónica, Maria Filomena. ”Dicionário de História de Portugal”. Lisboa, Livraria Figueirinhas, 2000. ISBN: 972-661-167-9; 25 de Abril: Uma revolução ao comando dos microfones – artigo de Marta Portocarrero, Universidade do Porto, 22 de abril, 2012; Cronologia pulsar da revolução (Centro de Documentação 25 de Abril); Valentim Alexandre.”A questão colonial na implantação do Estado Novo”. • Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.1993;
Três militares no dia 25 de abril de 1974, encostados a um carro de combate durante a “Revolução”