terça-feira, 11 de agosto de 2020

Bielorrússia

Paulo Oisiovici
Aleksandr Grigorievitch Lukashenko é o atual presidente da Bielorrússia. Eleito pela primeira vez em 20 de julho de 1994 e com mandato até 2001, foi sendo novamente reeleito. Sua política econômica salvou o país das piores consequências do capitalismo pós-soviético. Os Estados Unidos e a União Europeia proibiram a entrega de vistos para ele e a sua família.


Lukashenko foi membro do Partido Comunista da União Soviética até a Bielorrússia e os outros estados soviéticos tornarem-se independente. Ele tem experiência militar como um jovem no exército soviético. Depois que ele se tornou o vice-presidente de uma fazenda coletiva, foi eleito como deputado no Conselho Supremo da República da Bielorrússia, em 1990, quando apoiou os esforços da linha dura para expulsar reformistas na era de Mikhail Gorbachev. Ele presidiu o comité anti-corrupção do parlamento em 1993 e concorreu à presidência nas eleições de 1994.

Em 2005, 2006 e em 2008, ele foi presidente do Conselho Interestadual da Comunidade Econômica da Eurásia.

Em 2018, a Bielorrússia ocupava a 53ª posição entre 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, e está no grupo dos países com "desenvolvimento muito elevado". Com um sistema de saúde eficiente, tem uma taxa de mortalidade infantil muito baixa de 2,9 (em comparação com 6,6 na Rússia ou 3,7 no Reino Unido). A taxa de médicos per capita é de 40,7 por 10.000 habitantes (26,7 na Roménia, 32 na Finlândia, 41,9 na Suécia) e a taxa de alfabetização é estimada em 99%. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o coeficiente de Gini (indicador de desigualdade) é um dos mais baixos da Europa.

Actualmente, protestos estão sendo realizados na Bielorrússia por aqueles que não querem reconhecer os resultados das eleições, que com 80% dos votos expressam a confiança do povo bielorrusso no Presidente Lukashenko.
Essas mobilizações são uma tentativa óbvia de subversão por forças lideradas pelos EUA / UE / OTAN que não querem respeitar a vontade do povo. Tal como aconteceu na Ucrânia com o Euromaidan em 2014, que conduziu ao golpe fascista no centro da Europa, estão a ser feitas tentativas para desestabilizar o país apoiando e incitando protestos do exterior.
A Bielorrússia tem a maior renda per capita de qualquer ex-república soviética, uma economia em crescimento e serviços garantidos pelo governo. Mas a grande mídia que cobre notícias sobre os protestos em Minsk quer que acreditemos que os bielorrussos preferem se tornar a nova Ucrânia, contando com a oposição de direita neonazi e pró-europeia.
Esses são os mesmos meios de comunicação que escondem as notícias e não dizem nada sobre as evidências de apoio financeiro aos organizadores do protesto por parte de agências associadas ao Departamento de Estado dos EUA, como o NED.

Por estas razões, o Partido Comunista Italiano apela à máxima vigilância, uma vez que uma situação já grave pode rapidamente transformar-se em caos, e comunica com o governo italiano para não juntar as vozes daqueles que gostariam de mergulhar a Bielorrússia no caos, pondo assim em perigo a paz no coração da Europa ...


Comentário do Departamento Internacional do Partido Comunista Italiano (Partido Comunista Italiano, PCI)

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Você está em:Home»Saúde»Médicos da Espanha denunciam possível fraude mundial e questionam “pandemia” Foto: Tribuna Diária Médicos da Espanha denunciam possível fraude mundial e questionam “pandemia”

Antonio Gil.

Sinais cada vez mais frequentes: a narrativa inicial começa a ser questionada em todo o mundo. Será um lento despertar, como já disse, baseando-me em escritos alheios: a loucura colectiva espalha-se como fogo em palha seca. O retorno ao bom senso é mais lento, faz-se pessoa a pessoa, consciência a consciência. Quando a austeridade chegar, talvez o processo se acelere um pouco, mas só um pouco.


São estas as conclusões de uma reunião que congregou cerca de 400 médicos:

Na sequência, as conclusões que foram destacadas são estas:

1 – Máscaras não são recomendadas.
2 – O confinamento de pessoas saudáveis ​​não é recomendado.
3 – Os testes não são confiáveis, portanto, nem as estatísticas de infectados.
4 – O número de mortes também não é confiável porque, embora os pacientes tenham coronavírus, eles geralmente morrem por outras patologias.
5 – Milhares de pessoas morreram devido aos tratamentos equivocados recomendados pela OMS, principalmente no início.
6 – Após autópsias na Itália, soube-se que eles morreram de coágulos e inflamação pulmonar, portanto, são recomendados anticoagulantes e anti-inflamatórios.
7 – Embora a OMS não admita, tecnicamente agora a epidemia acabou porque a mortalidade caiu drasticamente.
8 – O único estudo para avaliar as vacinas contra gripe e coronavírus é um estudo do Pentágono dos EUA em 2020 que constatou que a vacina contra a gripe AUMENTA os riscos de coronavírus em 36 %.
9 – Mensagem dos médicos para a verdade
10 – A opinião médica não está sendo ouvida.
11 – Não somos negadores e reconhecemos a doença.
12 – A curva de epidemia, contágio e mortalidade caiu drasticamente.
13 – Os médicos opinam com rigor científico, documentação e fazemos isso dando nosso nome e sobrenome.
14 – O dogmatismo é típico da Idade Média, temos que superar esse estágio e questionar tudo para que a ciência avance.
15 – A transmissão ocorre apenas por espirros e tosse de uma pessoa com sintomas, não pelo ar, objetos, água, fala ou ar condicionado.
16 – Portanto, o uso permanente de luvas ou tiras de queixo não é recomendado, pois estão causando outras doenças respiratórias e da pele.
17 – O uso permanente de uma máscara produz doenças nas vias respiratórias superior e inferior, auto-contaminação, proliferação de microrganismos, pneumonia.
18 – O isolamento geral da população saudável não é necessário, pois na história da medicina sempre foi isolado com bons critérios seletivos apenas para os doentes.
19 – Muitas pessoas morrem por não terem os cuidados médicos corretos. Isso piora ainda mais a imagem, mantendo-os isolados por vários meses, situação imunossupressora.
20 – A OMS teve uma divulgação totalmente irresponsável de informações, divulgando estudos científicos não comprovados, eticamente proibidos.
21 – Os números divulgados confundem totalmente a população mundial. Não parece o mesmo dizer que 500 pessoas morreram do que dizer que 0,0001 de um país morreu.
22 – O dióxido de cloro tem uma tolerância muito boa, existem muitos depoimentos de médicos e pacientes que revelam uma grande melhoria na saúde, além de um amplo efeito anti-infeccioso para vírus, bactérias, fungos e parasitas. A Bolívia já autorizou oficialmente seu uso e, na Espanha, solicitamos que seja iniciado um estudo oficial para permitir seu uso.
23 – A hidroxicloroquina tem bons efeitos terapêuticos, mas não é um retroviral e possui muitos efeitos colaterais adversos, principalmente cardíacos.


24 – Devido ao manejo incorreto da situação na gestão da saúde, muitas situações graves de saúde foram causadas desnecessariamente, em muitos casos levando à morte, devido à falta de atenção médica na população, que poderia ter sido fornecida sem problemas.
25 – Os testes de PCR não detectam vírus infecciosos, mas detectam parte do material genético, mas podem ser de vírus de anos anteriores ou restos virais de vacinas contra influenza.
26 – 95% dos contaminados não apresentam a doença, embora a PCR tenha testado positivo, eles são pessoas assintomáticas.
27 – Pessoas assintomáticas não estão doentes nem são contagiosas.
28 – A situação é agravada pelo fato de os trabalhadores da saúde não receberem os elementos básicos de proteção.
29 – É importante esclarecer que a maioria dos médicos que morreram tinha outras doenças anteriores, principalmente cardiovasculares,
30 – O mesmo aconteceu com o resto das vítimas fatais, 93% tinham mais de 80 anos e apenas 5% foram tratados.
31 – Não é um vírus letal em si, como o Ebola ou o patógeno do antraz. Porém, pode agravar uma situação anterior de doença, se houver falta de atenção médica correta, podendo levar à morte a morte.
32 – As vacinas precisam de anos de pesquisa em várias fases. Não é necessário sair de forma imediata e irresponsável com uma vacina de emergência para um vírus não letal.
33 – Ao contrário do que está sendo feito, precisamos fortalecer nosso próprio sistema imunológico com os rios e praias abertos, ao ar livre, com alegria e sem o medo causado pelas medidas sanitárias erradas.
34 – Finalmente, os médicos pedem à imprensa e às autoridades governamentais responsabilidade e consciência. (sic)

Médicos da Espanha denunciam possível fraude mundial e questionam “pandemia”
Ler artigo aqui:

No mundo entre Outubro e Fevereiro cerca de 15% da população é infectada com gripe sazonal. São cerca de 5 milhões de casos graves por ano. Entre 250 mil e 500 mil pessoas morrem no mundo devido à gripe sazonal.
Segundo a OMS mais de 60 mil pessoas morrem todos os anos na Europa por gripe sazonal.

A cada minuto morrem no mundo 15 crianças com fome. E em cada minuto gastam-se 3 milhões de dólares  na industria de armamento que é uma fábrica de morte. 

Mosteiro de Alcobaça – Um Outro Olhar!


Mosteiro de Alcobaça – sangue suor e lágrimas

O Mosteiro de Alcobaça começou a ser construído em 1178 e augurado (p a igreja) em 1252.
Os monges mudaram para a Nova Abadia em 1223.
Entre 1178 e 1240 foram construídas: A igreja e o primeiro claustro – construídos em estilo pré-gótico.
No século XVII e XVIII foi construído o claustro do Rachadouro (onde hoje estão em curso obras para uma pousada – grupo Visabeira.
D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, foi obrigado a legislar vários privilégios para a igreja, com vista ao reconhecimento da independência de Portugal. Doa 40 mil hectares em Alcobaça à Ordem de Cister – depois disso o para, Alexandre III, legitima o primeiro monarca português.
O mosteiro, todo ele construído para o encontro com o divino, estilo gótico onde se prolonga em altura, fendas para a passagem da luz, aberturas com vitrais, arcos Botantes.
Nos 74 anos que durou a construção do mosteiro centenas de homens e mulheres trabalharam arduamente para que se tornasse realidade. Duas ou três gerações nasceram e morreram a construir o Mosteiro. Miseravelmente remunerados vivam e trabalhavam lá para os lados de Chiqueda, onde das entranhas da terra arrancavam, a poder de braços e ferramentas rudimentares, os pedaços de pedra que depois de trabalhadas deram origem à imponente obra que ainda hoje pode ser comtemplada em todo os eu esplendor.
O encontro com o divino, se ele existisse, teria sido feito pelos operários que lá no alto colocavam as pedras trabalhadas que viriam a sustentar os tectos trabalhados por mãos hábeis e calejadas.
Em Chiqueda os mestres e seus ajudantes e aprendizes davam forma às pedras, nas quais colocavam a sua marca para posterior identificação e respectivo pagamento, carregavam-nas em carros puxados por bois que de tanto fazerem o tajecto iam e vinham sozinhos sem ninguém a conduzi-los.
Com um olhar atento e retrospetivo podemos imaginar o suor derramado, ao longo de 74 anos, pelos operários que deram vida a tão imponente obra.
No Mosteiro existem túmulos de reis e rainhas, estátuas de santos mas nem a mínima referência aos que trabalharam arduamente, às vidas desfeitas e perdidas que construíram aquele que viria ser a casa dos Moges de Cister.
Os Monges criaram aqui as primeiras escolas públicas (públicas não de acesso geral, mas que preparavam os noviços para o ingresso na Ordem de Cister). Existiam aqui os Monges copistas, que passavam os dias copiando os livros sagrados, tendo sido substituídos no século XVI com a entrada da imprensa no Mosteiro.
No Mosteiro os Monges dividiam-se entre os cujo labor era essencialmente espiritual “os Moges Brancos” que ocupavam um lugar especial na Igreja e nunca saiam do convento, dedicavam-se ao estudo e oração.
Os Moges “Conversos” em maior número que os Moges do Coro, viviam humildemente, vestiam-se miseravelmente, contentavam-se com a comida dos pobres. Foram eles que fizeram afortuna da Ordem.
Os Monges “Conversos” exploravam os domínios, trabalhavam na granja como carroceiros, vaqueiros, sapateiro, ferreiros, vinhateiros, etc.
Na entrada da sala do capítulo existe um túmulo que, segundo o que consta, ser o de um abade cuja vida não terá sido “exemplar” e, como castigo, foi enterrado na entrada, para que os seus irmãos, numa suprema humilhação, pisassem a sua sepultura.


sábado, 8 de agosto de 2020

Total de óbitos em Portugal 2020

Mais 26% de mortes em julho (e só 1,5% com Covid-19)

Morreram 10.390 pessoas em Portugal em julho, o valor mais alto num mês comparável nos últimos 12 anos e mais 26% do que em julho de 2019. E só 159 destas mortes, ou seja, 1,5%, se deveu a Covid-19

Total de óbitos em Portugal 2020
Covid 19 Total
Março 160 10458
Abril 829 9597
Maio 421 9167
Junho 166 8386
Julho 159 10231
Este ano o número de mortes por outras doenças, retirando os óbitos por covid 19, cifra-se em 75653. De Março  a Julho foram 60 000 as pessoas falecidas por doenças várias, sendo que muitas faleceram por falta de cuidados médicos adequados.


A análise dos dados mensais da mortalidade mostra que foi a partir de março que os valores de 2020 se revelam tendencialmente acima dos valores médios. No primeiro trimestre do ano, os valores de 2020 estiveram 1.9% acima da média registada entre 2009 e 2019 e no segundo trimestre estiveram 13.8% acima daquele valor.
Ler aqui:

Morreram 10.390 pessoas em Portugal em julho, o valor mais alto num mês comparável nos últimos 12 anos e mais 26% do que em julho de 2019. As contas são feitas pelo jornal Público, esta terça-feira, a partir dos dados que existem no sistema nacional de Vigilância da Mortalidade (eVM) – dados que, se forem cruzados com as 159 mortes com Covid-19 em julho, permitem constatar que só 1,5% das mortes terão tido como causa direta o novo coronavírus.


Noticia aqui:

Anda um novo vírus à solta

Se o ridículo matasse ...


Na passada quinta feira sua excelência chegou de avião da Força Aérea ao Porto Santo, acompanhado de enorme comitiva e jornaleiros, colocou a mascara e logo foi a banhos devidamente filmado e enquadrado pelos mirones;

Na Sexta-feira o celinho foi comer bolas de Berlim a a uma esplanada , sem mascara, partiu aos bocadinhos e deu às crianças que acorreram ao acontecimento.

Numa altura em que continuam a exigir rigorosas medidas de higiene estes senhores dão o exemplo contrário do que apregoam.

Sexta-feira à tarde não faltou a respectiva declaração com os incêndios no continente mas logo foi tranquilizado pelo sr. ministro da administração interna par continuar descansado que estava tudo sob controlo.

Então sua excelência sai cá do burgo na quinta-feira à tarde com enormes incêndios activos no norte do país, um dia depois coloca a possibilidade de interromper as mini férias devido aos incêndios, só não o fez porque o Cabrita o tranquilizou, vai estar por cá de novo neste sábado, então para quê este circo ridículo que foi montado em Porto Santo? 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

6 MITOS SOBRE STALIN QUE O FASCISMO QUER QUE VOCÊ ACREDITE

domingo, 9 de fevereiro de 2020


Você já ouviu falar em Josef Vissariónovitch Stalin?

Certamente você já leu sobre ou ouviu falar em Stalin. Imagino também que você ao ler seu nome no título do artigo logo relacionou sua imagem a atrocidades, genocídios e milhares de mortes. 
Isso é vendido para o senso comum como a verdadeira imagem de Stalin. Escrevo este texto na expectativa de atingir aqueles que acreditam nessa dita “verdade” e que não se questionam sobre esse fato.
Dito isso, faço menção a Lenin, que foi o maestro da revolução soviética e estruturador de um novo modelo para o país, que estava passando por um processo de superação do feudalismo. 
Antes de deixar sua posição de líder e idealizador das estruturas, que veio a ocorrer com seu falecimento, Lenin deixou uma carta, que vinha a ser bastante polêmica, em que comenta sobre a rivalidade entre Stalin e Trotsky, fazendo crítica a ambos. 
Em determinado momento, diz a carta:
“O camarada Stálin, tendo chegado ao Secretariado Geral, tem concentrado em suas mãos um poder enorme, e não estou seguro que sempre irá utilizá-lo com suficiente prudência.


Por outro lado, o camarada Trotsky, segundo demonstra sua luta contra o CC em razão do problema do Comissariado do Povo de Vias de Comunicação, não se distingue apenas por sua grande capacidade. Pessoalmente, embora seja o homem mais capaz do atual CC, está demasiado ensoberbecido e atraído pelo aspecto puramente administrativo dos assuntos.” [1]
Após a morte de Lenin e após Stalin ter tomado a frente do partido, tornando-se, assim, uma liderança para a URSS, Trotsky foi expulso do país por motivos de contrarrevolução. Tais motivos teriam como pressuposto o revisionismo e a rivalidade que ali era vigente, como Lenin havia descrito, o que fez Trotsky tecer constantemente ataques que induziam as pessoas a acreditarem que estaria ocorrendo na URSS uma ditadura stalinista. 
A partir disso, irei descrever uma lista de ataques fantasiosos contra Stalin e desmistificá-los.

O culto à personalidade

Primeiramente é necessário ressaltar o que é “stalinismo”, termo este cuja criação representa puro sadismo. Uma vez que imputa a Stalin a figura de um tirano vaidoso e o coloca como criador de uma nova vertente do marxismo que o colocava como centro. O que, na verdade, não passa de mentira, pois Stalin em nenhum momento criou uma ideologia desconexa com o marxismo-leninismo. 
Já o “culto à personalidade” é algo ainda mais fantasioso, afinal, nem o próprio Stalin acreditava em tal conceito e tecia criticas a ele, o que é evidenciado em suas próprias palavras:
“Sinceramente, camaradas, devo dizer que não mereço nem metade das coisas lisonjeiras que me foi dito aqui. Pelo que dão a entender, sou um herói da Revolução de Outubro, o líder do Partido Comunista Internacional, o líder do Comunismo, um guerreiro lendário, e tudo mais… Isso é um absurdo, camaradas, um exagero completamente desnecessário. Este é o tipo de coisa que costumam dizer no funeral de um revolucionário morto, mas eu não tenho nenhuma intenção de morrer ainda. Na verdade eu era e continuo a ser um dos aprendizes de trabalhadores qualificados nas oficinas ferroviárias em Tbilisi.” [2]
“Me falais de vossa ‘devoção’ a mim (…), mas eu vos aconselho descartar o “princípio” da devoção as pessoas. Esse não é o caminho bolchevique. Sede unicamente devoto da classe obreira, de seu Partido e seu Estado. Isso é uma coisa boa e útil. Mas não confundais com a devoção das pessoas, esta ninharia vã e inútil, é própria de intelectuais de pouca vontade.” [3]

Stalin um tirano?

Para responder essa pergunta, vale ressaltar aqui, primeiramente, as vezes em que Stalin propôs aos camaradas do partido sua própria renuncia, o que demonstra o quão “tirano” ele era:
– Em 1924, no 13º Congresso do Partido Comunista, Stálin renunciou ao seu cargo, mas o partido negou seu pedido (incluindo Trotsky).
– Em 1934 Stálin novamente solicitou ser removido do cargo, mas o partido rejeitou novamente.
- Em 1946 Stálin e seu governo deixaram o governo, como definido pela constituição de 1936. 
Mas o partido lhe pediu, no mesmo dia, que ele formasse um novo governo.
– Em 1952, no 19º Congresso do Partido Comunista, Stálin mais uma vez entregou o cargo, o que o partido novamente rejeitou. [4] [5] [6]
Mesmo assim acusa-se bastante Stalin de autoritarismo. Menciono, portanto, Engels, pois há um trecho em que ele aborda o assunto “autoritarismo” de forma bastante esclarecedora:
“Porque é que os anti-autoritários não se limitam a erguer-se contra a autoridade política, contra o Estado? Todos os socialistas concordam em que o Estado político e com ele a autoridade política desaparecerão como conseqüência da próxima revolução social, ou seja, que as funções públicas perderão o seu caráter político e se transformarão em simples funções administrativas protegendo os verdadeiros interesses sociais. Mas os anti-autoritários pedem que o Estado político autoritário seja abolido de um golpe, antes mesmo que se tenham destruído as condições sociais que o fizeram nascer. Pedem que o primeiro ato da revolução social seja a abolição da autoridade. Já alguma vez viram uma revolução, estes senhores? Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que se possa imaginar; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade à outra por meio das espingardas, das baionetas e dos canhões, meios autoritários como poucos; e o partido vitorioso, se não quer ser combatido em vão, deve manter o seu poder pelo medo que as suas armas inspiram aos reacionários. A Comuna de Paris teria durado um dia que fosse se não se servisse dessa autoridade do povo armado face aos burgueses? Não será verdade que, pelo contrário, devemos lamentar que não se tenha servido dela suficientemente? Assim, das duas uma: ou os anti-autoritários não sabem o que dizem, e, nesse caso, só semeiam a confusão; ou, sabem-no, e, nesse caso, atraiçoam o movimento do proletariado. Tanto num caso como noutro, servem à reação.” [7]
Não há muito que acrescentar aqui, mas sim ponderar no que tange a importância de não alimentar o fantasma liberal do conceito de “autoritário”, certo que toda ordem social fruto de revolução, onde se inclui a própria ordem burguesa, é “autoritária” na perspectiva de que uma classe está impondo seus interesses a partir da força coercitiva das armas e das instituições que protegem o sistema. A diferença é que a revolução comunista, como lembra Engels, deseja o fim do autoritarismo de uma vez por todas. Para finalizar, podemos recorrer à constituição da URSS para espantar de vez o fantasma da tirania que sonda a figura de Stalin. Constituição de 1936 — URSS, Capitulo 3:
“Artigo 34 — O Soviet da União será eleito pelos cidadãos da URSS, por distritos, na base de um deputado para cada 300.000 habitantes.
Artigo 36 — O Supremo Soviet da URSS será eleito por um período de quatro anos.

Artigo 42 — O Soviet da União deverá eleger um Presidente e dois vice-presidentes para o Soviet da União.
Capitulo 4:
Artigo 57 — O mais alto órgão do poder de Estado de uma República Soviética Socialista é o seu Supremo Soviet.
Artigo 58 — O Supremo Soviet de uma República Soviética Socialista deve ser eleito pelos cidadãos da república, pelo prazo de quatro anos. 
Os cálculos para a representação deverão ser fixados pela Constituição das Repúblicas Soviéticas Socialistas.” [8]

Aliança com o nazismo?

Retornamos a governabilidade de Stalin, agora adentrando um pouco no que abrange os mortos durante o período em que Stalin era líder do governo da URSS. Já é bastante sabido que a URSS participou diretamente da Segunda Guerra Mundial (1939–1945). Sabemos também que o nazi-fascismo surgiu querendo dominar a Europa, bem como querendo fazer frente ao socialismo soviético. Ou seja, Hitler desejava combater a ascensão socialista que se estabelecia principalmente pelo Oriente. 
Mas há quem negue tal antagonismo apontando para o Pacto Molotov-Ribbentrop, que nada mais foi do que um pacto de não agressão, o qual foi necessário para a URSS. Certo que ela precisava agregar mais homens e ter mais preparo militar para, assim, poder entrar de vez no combate ao nazi-fascismo. Stalin, com plena consciência do significado do nazi-fascismo para os povos do mundo inteiro e, particularmente, para a URSS, viu a clara necessidade de convocar uma frente antifascista na Europa para barrar a ascensão nazista, desejando que Inglaterra e França compusessem esta frente. Porém, ambas as nações, por baixo dos panos, fizeram acordos com os nazistas na intenção de que a Alemanha atacasse e desmantelasse o socialismo soviético. Sobre isso, escreve o historiador Ludo Martens:
“Em Março de 1939, a União Soviética entabula negociações para formar uma aliança antifascista. A Inglaterra e a França deixam as coisas arrastarem-se, manobrando. Com esta atitude, as duas grandes «democracias» dão a entender a Hitler que poderia marchar contra Stáline sem ser incomodado a Oeste. De Junho a Agosto de 1939 realizam-se conversações secretas anglo-germânicas, durante as quais, em troca da integridade do Império Britânico, os ingleses prometem a Hitler liberdade de acção no Leste.” [9]
Por dois anos Stalin trabalhou arduamente para edificar a autodefesa do país. Do pacto de não agressão, em 1939, a URSS colheu frutos que seriam essenciais para o combate ao nazi-fascismo. Como o general Jukóv, considerado herói na guerra anti-nazista, escreveu:
“A obra de defesa nacional, nas suas linhas e orientações fundamentais e essenciais, foi conduzida da maneira adequada. Durante anos foi feito tudo ou quase tudo o que podia ser feito, tanto no sector econômico como no sector social. Quanto ao período que se estende de 1939 até meados de 1941, é uma época em que o povo e o Partido desenvolveram esforços particularmente importantes para reforçar a defesa, esforços que exigiam a utilização de todas as forças e de todos os meios. Uma indústria desenvolvida, uma agricultura colectivizada (sic), a instrução pública alargada ao conjunto da população, a unidade da nação, o poder do Estado socialista, o nível elevado de patriotismo do povo, uma direcção (sic) que, através do Partido, estava pronta para realizar a unidade entre a frente e a retaguarda, todo este conjunto de factores constituiu a causa primeira da grande vitória que iria coroar a nossa luta contra o fascismo. Só o facto de a indústria soviética ter podido produzir uma quantidade colossal de armamentos — perto de 490 mil canhões e morteiros, mais de 102 mil tanques e canhões autopropulsionados, mais de 137 mil aviões de combate — prova que os fundamentos da economia, do ponto de vista militar, haviam sido lançados de forma adequada e sólida. (…) Em tudo o que era essencial e fundamental, o Partido e o povo souberam preparar a defesa da pátria. Ora é o essencial e o fundamental que, no fim de contas, decidem o destino de um país em guerra.” [10]
Com isso, acho que não é mais necessário estender o tema, pois, a partir do que foi exposto, fica evidente que Stalin foi o responsável pela criação do maior exército de combate ao nazi-fascismo, o que fez com que ele saísse vitorioso da guerra, livrando o mundo do terror nazista.

Sobre o Gulag

Passamos então ao famoso Gulag. É importante saber que esses centros de trabalhos forçados não foram criados por Stalin, mas já eram existentes desde a época do Czar. Stalin apenas manteve esse local para prisões de estupradores, assassinos e antirrevolucionários. Pessoas que cometessem crimes leves não eram deslocadas para o Gulag e sim para prisões comuns. Vale também ressaltar que esse local não era utilizado para extermínio de pessoas. Menciono aqui uma análise baseada em uma tabela da The American Historical Review, desmentindo as mentiras propagadas por Robert Conquest, que afirmava haver milhões de presos políticos no Gulag:


“Para começar podemos comparar os números da tabela com os de Robert Conquest. Este diz-nos que em 1939 havia 9 milhões de presos políticos nos campos de trabalho e que 3 milhões mais tinham morrido durante o periode de 1937–39. Não esqueça o leitor que os números de Conquest se referem apenas a presos políticos! Além desses, diz-nos Conquest que havia os presos de delito comum que segundo ele eram em muito maior número que os “políticos”. Em 1950 havia segundo Conquest 12 milhões de presos políticos! Com os factos na mão podemos ver agora o falsificador que este Conquest na realidade é. Não há um único número que corresponda à realidade. No ano de 1939 havia em todos os campos, colônias e prisões cerca de 2 milhões de presos. Desses eram 454 mil condenados por crimes políticos e não 9 milhões como Conquest afirma. Os mortos nos campos de trabalho de 1937 a 1939 foram cerca de 160 mil e não 3 milhões como diz Conquest. No ano de 1950 havia nos campos de trabalho 578 mil presos por crimes políticos e não 12 milhões. Não esqueça o leitor que este Robert Conquest ainda hoje é uma das fontes mais importantes da propaganda da direita contra o comunismo. Para os pseudointelectuais da direita Conquest é como um deus. No que diz respeito aos números de Alexander Solzhenitsyn, os 60 milhões de mortos nos campos de trabalho, não há necessidade de comentários, o ridículo da afirmação é evidente. Só uma mente enferma pode afirmar tais fantasias.” [11]
Ou seja, ao contrário das mentiras que sobre milhões de perseguidos políticos aprisionados, os campos de trabalho forçado eram destinados de forma majoritária para a punição de criminosos, que trabalhavam para a sociedade enquanto pagavam pela sua pena.

Stalin matou milhões?

Depois de apresentar para vocês fatos devidamente documentados e embasados, questiono se ainda acreditam nos números apresentados pela mídia anti-comunista. Espero que não, mas, ainda sim, vamos mais além. Façamos uma análise, além de geográfica, sensata desses números. Seria Stalin o maior “ocultador” de cadáveres do mundo? Afinal, as acusações de mortes são de números extremamente altos, o que me faz trazer uma luz para entender melhor. Pensemos então no próprio nazismo, que é acusado de exterminar 6 milhões de pessoas. Neste caso, temos provas concretas e devidamente documentadas. Foi isto que ocorreu, existem inúmeras provas do método industrial de mortes: as camarás de gás, os trens da morte, as indústrias da morte, os crematórios etc. Enquanto sobre a URSS não houve nenhum relato de um local onde teriam execuções em massa. Se foi necessário tais atos para consagrar 6 milhões de mortes na Alemanha nazista, qual método Stalin utilizou para ocultar 22 milhões de cadáveres que supostamente “matou”? Isso é, no mínimo, cómico.

Stalin destruiu economicamente a URSS?

Vejamos o que Kruschiov, em sua detalhada análise sobre a economia das democracias populares, em que analisou os dados tabelados referentes ao volume da produção industrial na URSS e nos países capitalistas, tinha a dizer:

“Estes dados evidenciam que em um quarto de século, ou mais exatamente, em 26 anos, a União Soviética, apesar dos enormes danos que a guerra causou à sua economia nacional, aumentou a produção industrial mais de 20 vezes, enquanto que os Estados Unidos, que se encontravam em condições extraordinariamente favoráveis, só puderam aumentar a produção de pouco mais do dobro, e, em seu conjunto, a indústria do mundo capitalista não registrou sequer esse incremento.” [11]
Kruschiov fez uma análise muito aprofundada do crescimento da URSS, o que poderia render muito mais neste texto, porém, acredito que já esteja satisfatório. Podemos observar, então, de forma mais objetiva, as conquistas de Stalin dando rosto ao fato de que ele, em pouquíssimo tempo, foi capaz de transformar um país rural em uma superpotência aeroespacial [12]

Finalizando

Por fim, este é Stalin. E é isso o mínimo que você precisa saber para não ser enganado. O “mínimo” porque não foi feita uma análise aprofundada e sim pontual sobre alguns aspectos que surgiram como importantes ao escrever esse texto. Ame-o ou não, Stalin foi um grande estadista. E arrisco dizer que um dos maiores erros de Stalin foi não ter tido uma bola de cristal para prever a traição oportunista guiada pelo individualismo de Nikita Khrushev, que colocaria abaixo tudo aquilo que construiu.

REFERÊNCIAS

[1] LENINE, V. I.. Carta ao Congresso. Disponível em: <https://www.marxists.org/portugues/lenin/1923/01/04.htm#carta;. Acesso em: 05 mar. 2019.
[2] STALIN, Joseph. J.V. Stalin: Works. Moscou: S.n., 1954. p. 182
[3] STALIN, Joseph. J.V. Stalin: Works. Moscou: S.n., 1955. p. 20
[4] FURR, Grover. Stalin and the Struggle for Democratic Reform. Disponível em: <http://marxism.halkcephesi.net/Grover%20Furr/index.htm;. Acesso em: 06 mar. 2019.
[5] STALIN, J.v.. Speech at the Plenum of the Central Committee of the Communist Party of the Soviet Union. Disponível em: <http://www.revolutionarydemocracy.org/rdv8n1/stalin.htm;. Acesso em: 06 mar. 2019.
[6] SPIEGEL, Der. Ur-Kunde von Stalin. 1949. Disponível em: <http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-44437536.html;. Acesso em: 06 mar. 2019.
[7] ENGELS, Friedrich. Sobre a Autoridade. Disponível em: <https://www.marxists.org/portugues/marx/1873/03/autoridade-pt.htm;. Acesso em: 06 mar. 2019.
[8] URSS. Constituição, de 1936. Moscou, Disponível em: <https://www.marxists.org/portugues/stalin/biografia/ludwig/constituicao.htm;. Acesso em: 06 mar. 2019.
[9] MARTENS, Ludo. Um Outro Olhar Sobre Stáline. S.l: Para A História do Socialismo, 2009. Disponível em: <http://www.hist-socialismo.com/docs/UmOutroOlharStaline.pdf;. Acesso em: 06 mar. 2019. p. 196
[10] Ibidem. p. 202
[11] SOUSA, Mário. Mentiras sobre a história da União Soviética. De Hitler e Hearst a Conquest e Solzjenitsyn! Disponível em: <http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html;. Acesso em: 06 mar. 2019.
[12] POR QUE A UNIÃO SOVIÉTICA FOI A VERDADEIRA GANHADORA DA CORRIDA ESPACIAL (E NÃO OS EUA). Brasil, 26 dez. 2016. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-38407916;. Acesso em: 06 mar. 2019.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A Alemanha que caiu com o muro

A Alemanha que caiu com o muro


Quando passam três décadas do fim da barreira que ficou conhecida como Muro de Berlim, ainda não houve a oportunidade para olhar criticamente para a história das duas Alemanhas para além da narrativa panegírica produzida pelo Ocidente.
Depois de a barbárie nazi ter mergulhado a Europa na mais brutal das guerras, a Alemanha é derrotada com o avanço das tropas soviéticas e aceita a rendição incondicional. Com o objetivo de evitar o recrudescimento do fascismo, França, Reino Unido, Estados Unidos e União Soviética ficam responsáveis, na Conferência de Ialta, por controlar diferentes partes do país e decidem também dividir Berlim que estava dentro das regiões sob administração soviética. Apesar de haver divisões políticas entre os aliados, todos concordavam, então, com a ideia de construir uma Alemanha unificada com os objetivos de reconstruir o país, de democratizá-lo e de desmilitarizá-lo.

Quando o Ocidente não quis a reunificação

Rapidamente, Estados Unidos, França e Reino Unido tomaram decisões unilaterais sem o apoio da União Soviética que aprofundaram a divisão na Alemanha. Primeiro, introduziram o marco alemão como moeda. De seguida, a União Soviética propôs um referendo para instalar um governo único para todo o país com a meta de reunificar toda a Alemanha, em 1952, mas os Estados Unidos e os seus aliados europeus recusaram a proposta. Na época, um importante membro do Comité norte-americano para as Relações Exteriores afirmou que o referendo podia conduzir a uma Alemanha “livre, neutral e desmilitarizada” algo que seria perigoso para os aliados ocidentais com a possibilidade do país cair na órbita soviética. Também o General Walter Smith, embaixador norte-americano em Moscovo entre 1946 e 1948, justificou a rejeição ao referendo. “Nós não queremos de facto, nem pretendemos aceitar, a unificação da Alemanha nos termos em que os russos podem vir a querer”, declarou então. Em vez de uma Alemanha unificada, os aliados ocidentais decidiram criar unilateralmente a República Federal Alemã (RFA) em maio de 1949. Cinco meses depois, os soviéticos fizeram nascer a República Democrata Alemã (RDA). Com o país dividido em duas partes, também Berlim continuou dividida em dois lados. Durante vários anos, a RFA orquestrou operações de espionagem e sabotagem contra a RDA a partir de Berlim Ocidental. Foi com essa justificação que em 1961 a RDA decidiu construir um muro a dividir a cidade – e não o país como muitos crêem – alegando também que a RFA tinha permitido a reabilitação de muitas autoridades nazis que passaram a trabalhar nas instituições da Alemanha Ocidental.
A RFA perdeu a guerra dos direitos sexuais e reprodutivo
Outro dado muitas vezes desconhecido é a decisão que os tribunais da RFA tomaram em agosto de 1956 de proibir o histórico Partido Comunista da Alemanha enquanto na RDA coexistia a União Democrática Cristã (CDU), que hoje governa a Alemanha, com outros partidos liberais e o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED). Por exemplo, em 1972, quando a RDA aprovou a legalização do aborto, a maioria dos deputados democratas-cristãos votaram contra a decisão no parlamento. A legislação na RFA em relação à interrupção da gravidez foi, aliás, sempre mais restrita do que na RDA.
Também é pouco conhecido que a legislação aprovada em 1968 a favor dos direitos da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), ano em que desapareceu o artigo 175 do código penal que condenava as relações homossexuais – que na RFA se manteve até cinco anos depois da queda do muro – permitiu a criação de associações para reivindicar avanços para este setor da sociedade.
Como na maioria dos países, também a RDA partia de um ponto de partida em que a sociedade estava contaminada por preconceitos, que não sendo uma discriminação estrutural, todavia subsistiam. No mês em que caiu o muro, foi entregue ao governo uma petição sobre uniões de facto e adoção por parte de pessoas do mesmo sexo, algo que em países como Portugal, só começou a ter força social e política décadas depois com o casamento a ser aprovado em 2010 e a adoção cinco anos depois.

Como se vivia na RDA?

Num país com uma economia planificada, a RDA pôde mecanizar progressivamente a agricultura e a indústria sem que isso fosse sinónimo de desemprego. O pleno emprego estava, aliás, instituído pela legislação laboral e os meios humanos passaram a estar dedicados a setores onde o trabalho não é automatizável como a saúde e assistência social, serviços públicos em geral, o comércio e a restauração.
O investimento, por exemplo, não estava sujeito ao capricho da estratégia individual de cada empresa mas antes à aplicação planificada do desenvolvimento da indústria, da ciência e da técnica, assim como à criação de emprego.
No dia-a-dia dos alemães orientais, os preços de produtos de primeira necessidade como o pão, a carne, batatas, o arroz ou o leite permaneciam inalterados há 30 anos nos anos 80. Também permaneciam estabilizados os alugueres das casas, o aquecimento, a energia elétrica, os transportes e outros serviços públicos.
Entre 1974 e 1984, o salário dos operários industriais subiu 29,4%. Se comparado com 1970, os números são ainda mais impressionantes. A subida para operários e empregados em geral representou 45% enquanto se mantinham os preços dos serviços e produtos básicos. Em média, um casal recebia 1800 marcos líquidos. Desse valor, cerca de 50 marcos destinavam-se ao aluguer de casa. Ou seja, a maioria pagava entre 3% e 5% do salário pela habitação.
Os sucessivos aumentos de salários servia, sobretudo, para facilitar a compra de artigos de consumo duradouro como máquinas de lavar a roupa, frigoríficos ou televisões, que existiam em quase todas as casas. Cerca de 44% das casas tinha um automóvel. São números impressionantes se comparados com Portugal.
Para além de um importante apoio à maternidade e educação, que era gratuita, com elevados níveis de ingresso na universidade, também o acesso à saúde era gratuito. Para além dos descontos, não havia qualquer valor a pagar por tratamentos odontológicos, incluindo próteses dentárias, por óculos e também operações estéticas se prescritas por um médico.
Depois de décadas de assédio, campanhas de desinformação e promoção da divisão interna, a Alemanha não foi reunificada. A RDA foi assimilada e persistem, todavia, diferenças graves no que diz respeito aos indicadores sociais entre os dois lados da Alemanha. O desemprego, a precariedade, a especulação imobiliária passar a fazer parte da realidade do Leste da Alemanha.