domingo, 17 de fevereiro de 2019

Manhattan de Caracas:

Manhattan de Caracas: retratos da classe média venezuelana segundo a Bloomberg.


As mobilizações da oposição de direita na Venezuela contra a Revolução Bolivariana têm classe social bem definida. Desde que Nicolás Maduro assumiu a presidência do país em 2013, é um fato que os protestos mais radicais e de maior repercussão estão geralmente circunscritos aos municípios de classe média alta na Área Metropolitana de Caracas, governados historicamente por partidos da oposição, e em estados como Táchira, Miranda, Mérida e Carabobo.[1] Os manifestantes antichavistas que ocupam vias públicas há anos são em sua maioria os netos de uma classe média que ascendeu nas décadas de gradual “branqueamento” do país, com importantes elos com as elites locais.[2]

Porém, é tão raro que a mídia internacional apresente essa dimensão socioeconômica e territorial da direita venezuelana que é até surpreendente quando um veículo de comunicação opta por destacar tais nuances. Foi o que fez a Bloomberg Business Week em um contundente artigo de 2017, assinado por seu correspondente na Venezuela, Andrew Rosati,[3] sobre a vida noturna de jovens manifestantes. A matéria “A Manhattan dos partidos venezuelanos contra um cenário de crise” é retrato categórico de quem vive no município de Chacao, um dos mais importantes centros comerciais de Caracas.[4]

Os manifestantes opositores apresentados pela Bloomberg desafiam a narrativa, apresentada hegemonicamente nas mídias globais, das “massas populares duramente reprimidas pelo governo autoritário chavista”. Entre as cenas cotidianas retratadas por Rosati, estão os bares, pubs e restaurantes caros que servem de espaço de reunião e entretenimento para os jovens opositores. Um dos mais simbólicos pontos de encontro é o bar La Esquina, frequentado por empresários, desportistas, celebridades televisivas e, é claro, militantes políticos.
No pátio do La Esquina, a estudante de culinária e manifestante anti-Maduro, Alexandra Lovera, contou sua vida dupla enquanto fumava narguilé e bebia uísque e sangria: “De dia, estou em marcha ou nas barricadas. Eu chego em casa, tomo banho e mando mensagem para os meus amigos, e pergunto: ‘Qual é o plano?’. É como uma rotina”. Essa é a dinâmica diária dos protestantes em Chacao: nas manhãs e tardes, eles lotam as praças e ruas do município, erguendo barricadas e atirando pedras. Depois que o sol se põe, as luzes se acendem, e o coquetel escolhido não é um molotov, mas uísque escocês. Portanto, o município que é o epicentro da agitação política na Venezuela aparece também, para esse seleto grupo de caraquenhos, como o melhor lugar para o escapismo.
Segundo a Bloomberg, para quem vê de longe, a capital venezuelana parece queimar dia e noite. Durante o dia, os protestos contra o governo ardem as ruas de Caracas em meio à mais grave crise econômica, política e social do país. Depois do anoitecer, as classes altas preenchem os bares, clubes de strip-tease e shoppings de Chacao, naquilo que o então prefeito opositor, Ramón Muchacho,[5] dirigente do partido de direita Primeiro Justiça, chamou de “Manhattan de Caracas”.

Faces das Manhattan caraquenha

Chacao é, de fato, um dos distritos mais abastados ao leste de Caracas, atraindo venezuelanos expatriados dispostos a gastarem suas poupanças acumuladas por meio de contratos antigos e recentes com o Estado venezuelano. Chacao também dispõe de uma zona financeira, centros comerciais e um enclave de golfe de elite chamado The Country Club, onde a filiação custa surpreendentes US$ 100 mil – 458 vezes o salário médio da Venezuela.[6] A vizinhança é repleta de edifícios baixos e residências fechadas e se estende do rio Guaire até a montanha verdejante que separa Caracas do Mar do Caribe.
O local esteve entre as regiões controladas por prefeitos opositores na região oriental de Caracas, como também são as cidades de Socopó, Barinas, Valencia, San Antonio de Los Altos, San Cristóbal e Los Teques.[7] Todas elas são bastiões históricos da direita venezuelana. Merecem destaque também outras regiões de classe média do Município Libertador de Caracas, como El Paraíso e Montalbán, no sudoeste da capital, e a parte baixa de El Valle. Todas estas áreas estão historicamente ligadas a famílias pertencentes às velhas estruturas e grupos de poder da Quarta República venezuelana (1953-1999).[8]
Nos casos específicos de El Paraíso e Montalbán, moram militares aposentados da antiga Guarda Nacional. A parte inferior de El Valle tem características semelhantes, embora conte com setores menos abastados que foram beneficiados pelas antigas políticas de habitação promovidas por governos pré-Chávez, considerando que estes habitantes tendem a ser militantes dos partidos de oposição ou funcionários públicos.
“Este é o país do surrealismo mágico”, afirmou Edgar Grossmann, dono de uma empresa de transportes que se debruçou sobre o bar La Esquina enquanto uma festa de aniversário borbulhava atrás dele. “O país vai para o inferno, mas as pessoas continuam saindo. Não há alternativa”, disse à reportagem da Bloomberg.
Chacao se tornou o principal polo de concentração de protestos por ser o distrito mais central controlado pela oposição, próximo aos prédios dos ministérios e ao Palácio Presidencial de Miraflores. Após um dia de manifestações, a Bloomberg relata que os clientes chegam ao La Esquina ainda usando as roupas brancas da oposição e bonés vermelhos, amarelos e azuis. “Você protesta de manhã, mas isso não significa que você pare de viver”, ponderou o dono do estabelecimento desde 2015, Juan Carlos Senior.
Por conta do medo da criminalidade, muitas das festas noturnas no distrito deram lugar, em grande parte, a confraternizações durante tarde. Contudo, nos fins de semana, linhas de carros SUVs escuros – vários blindados e protegidos por seguranças – esperam por passageiros em festas até tarde da noite. Em um lounge bar onde DJs tocam house music, Tomas Perez, proprietário de uma empresa de construção civil, disse à reportagem que foi sequestrado duas vezes e, por isso, passou a sair pela cidade em um Toyota 4Runner à prova de balas: “Esse é o padrão para aqueles que desejam sair à noite”.
Em Chacao, jantares finos também podem ser desfrutados pelo preço de fast food. O chef Carlos Garcia diz que uma refeição da alta culinária venezuelana moderna em seu estabelecimento custa o equivalente a US$ 20. “Aqui, você fica luxuoso”, afirmou Garcia. Tal luxo é desfrutado principalmente por aqueles que têm acesso à moeda forte dos EUA por meio do mercado negro de dólares. Muitos cidadãos têm dólares evadidos da lavagem de dinheiro, e algumas empresas multinacionais pagam em moeda forte. Outros venezuelanos têm contratos governamentais que lhes permitem acesso à moeda.

Classes médias de ontem e de hoje

A reportagem da Bloomberg evidencia não só o relativo conforto das classes médias altas de Caracas, mas também a própria natureza de classe da oposição venezuelana, traço apagado pelas coberturas midiáticas sobre a crise no país. Na prática, são os moradores dessas regiões não só os que menos sofrem com a situação política e econômica da Venezuela, mas também partícipes do agravamento dessa crise, haja vista que, enquanto não estão frequentando bares e pubs à noite, promovem protestos violentos que afetaram desproporcionalmente as pessoas dos setores mais pobres da sociedade venezuelana.
Apesar das paralisações de transporte público causadas por bloqueios de estradas e do medo da violência física, as classes trabalhadoras da Venezuela não podem deixar de trabalhar e, para elas, as atividades básicas acabaram se transformando desde 2014 em lutas diárias.[9] Isso inclui, em especial, trabalhadores domésticos e do setor de serviços que trabalham nos municípios mais ricos, onde as guarimbas se concentram, e passaram a enfrentar jornadas de trabalho mais longas. A maior parte dos supermercados também está localizado nessas mesmas áreas, o que agravou o desabastecimento para os mais pobres, já sobrecarregados com escassez de produtos, e ataques a programas governamentais de alimentação.
Nesse sentido, deve-se destacar que uma das principais causas da crise venezuelana remonta à intervenção direta do governo norte-americano, que, em aliança com setores da burguesia local, vêm promovendo uma guerra econômica contra o país. Acontece que na Venezuela de hoje, tal qual no Chile de 1973, a pressão dos EUA precisa contar com um contínuo esforço contrarrevolucionário, com as elites se aproveitando do potencial revolucionário das massas populares para amedrontar as classes médias e jogá-las cada vez mais contra o governo bolivariano.[10]
Esse papel político nada progressivo das classes médias venezuelanas não consiste em uma novidade de momento, mas na posição constituída historicamente nas disputas pelo poder material e ideológico no país. Aquilo que chama-se hoje de classe média Marx denominava, no século XIX, de pequena-burguesia, refletindo acerca da renda econômica de tal classe, mas também da consciência de classe que representaram ao longo dos séculos. Enquanto o proletariado era a classe revolucionária por ser produto direto da exploração pelos donos do capital, a pequena-burguesia, em tese, poderia atuar como aliada contra a burguesia visando se salvar da ruína da sociedade capitalista.[11]
Por pequena-burguesia, entende-se uma classe composta nem pelos proprietários dos meios de produção – industriais ou agrícolas – nem por trabalhadores assalariados precarizados. Na perspectiva marxista, ela é formada fundamentalmente por membros da burocracia estatal, estamento militar e funcionários dos sistemas educacional e cultural, contando pouca ou nenhuma autonomia em relação aos interesses próprios da grande burguesia.[12] Em diferentes níveis de estratificação social, inclui-se no status de classe média desde o técnico até o profissional que trabalha para uma empresa ou profissionais liberais que obtém margens de lucro razoáveis, como engenheiros, médicos, advogados, administradores, entre outros.[13]
Na Venezuela, a classe média conceitua um segmento social que começou a ser instalado no país com a exploração petroleira no início do século XX e se consolidou nos anos 1960. Entre os incorporados nesse estrato social, estão os indivíduos dotados de uma base material superior (salários mais altos) que a média da classe trabalhadora, o que lhes permitiu realizar trabalhos não manuais e elevar seu nível de consumo; mas são dotados também de uma identidade que colonizou os aspectos da vida cotidiana, tais quais suas aspirações, gostos pessoais, entre outros. Assim, não sendo proletários nem proprietários, as classes médias lutam para se diferenciar das classes populares ao reivindicar uma superioridade moral e racional, muitas vezes, inexistente.
Como classes que, por vezes, tendem a se beneficiar das transformações sociais gerais, são tomadas pela ideologia do medo da pauperização iminente. Nela habita o pânico de se sentirem pobres, perdendo o pouco que valorizam (casas, veículos, uma renda média e a esperança de um futuro próspero).[14] A possibilidade de uma repentina expropriação é algo presente em suas visões de mundo diárias, e isso definitivamente explica por que a ideia de “comunismo” lhes causa horrores. Dessa forma, o fantasma que persegue a classe média é sempre o risco de queda social e de pobreza, algo do qual “precisam” escapar eternamente.
O caso específico da Venezuela é emblemático: quem é o núcleo principal da oposição interna à Revolução Bolivariana se não as classes médias altas oriundas de uma oligarquia vernacular, aliada do establishment dos EUA há décadas? Ao agitar os fantasmas do “comunismo ateu” que come criancinhas e força uma família de sem-tetos a viver na sala de estar de cada casa, esses setores historicamente repetem os clichês propagados contra governos populares, como os de João Goulart em 1964 e Salvador Allende em 1973. A partir do medo visceral de perderem o que têm, as classes médias se tornam o alvo perfeito para desenvolverem sentimentos antipopulares e individualistas, sendo visceralmente manipuladas e colocadas na perspectiva mais conservadora possível.

A classe média e o chavismo

As origens dos setores pequeno-burgueses venezuelanos remontam à década de 1960 e 1970, quando a alocação de parte dos recursos da renda petroleira proporcionou as condições para a consolidação de uma classe média. Os mesmos segmentos sofreram com a queda do preço do barril de petróleo a partir dos anos 1980 e começaram a exigir mudanças para que sua base material retornasse, já que a renda era cada vez menor. Com a crise econômica da década de 1980 e o enfraquecimento do Estado venezuelano, esse estrato social – composto por pequenos e médios comerciantes e, principalmente, funcionários da administração pública – passou a constituir um elemento fundamental na organização da sociedade civil, adormecida pelo rentismo petroleiro.
Nesse contexto, um setor da classe média atuou de maneira reacionária, aliando-se a segmentos da elite venezuelana e tornando-se um obstáculo fundamental não só a novas políticas econômicas, mas retardando políticas voltadas para a transformação da educação e cultura no país. Entre a rebelião popular do Caracazo em 1989 e a revolta militar do 4 de Fevereiro de 1992, Chávez surgiu na fissura histórica da crise política oferecendo uma alternativa e convocando o povo, e mobilizando as vontades para a proposta de mudanças efetivas a partir dos marcos democráticos.
A classe média, na sua composição social instável e insegura, também havia sido um centro de recrutamento para projetos de mudança ou ruptura revolucionária, e assim não havia sido diferente no movimento de oficiais militares e profissionais ligados a conspiração de Chávez em 1992, que depois serviriam de núcleo para o seu movimento disputar as eleições.
Ao mesmo tempo, os partidos tradicionais do Pacto de Punto Fijo fracassaram em oferecer oportunidades de poder para os setores médios descontentes devido à concentração do controle partidário e estatal na mão de reduzidas elites políticas que remontavam ao início do Pacto.
O chavismo nascente foi abraçado por setores mais amplos da classe média, que entrarem neste projeto de transformação na esperança de recomporem sua base material após anos de crise. Porém, tal inclusão durou pouco. A despeito do governo Chávez, no contexto da redistribuição das receitas petroleiras, aumentar a base material de toda a sociedade, os membros das classes médias enxergaram na retórica socialista do chavismo uma tentativa de equalização por baixo. Assim, as lideranças opositoras, embora não fossem maioria, souberam capitalizar o discurso elitista e o radicalizar, convocando as classes médias continuamente para tomarem as ruas e apelando para ações violentas.
A grande ironia é que, em variados aspectos, tal classe média instrumentalizada pela oposição também desfrutou de medidas implantadas nos anos de chavismo. Esses setores foram favorecidos com a eliminação de empréstimos indexados, medidas específicas em defesa das vítimas de golpes imobiliários, baixas taxas de juros no cartão de crédito, linhas de crédito especiais para empresas, facilitação do acesso direto a moradias e microcréditos para veículos. Durante o governo Hugo Chávez, nunca os venezuelanos compraram tantos automóveis – primeiro recorde de 320 mil carros em 2006 –, graças à eliminação do Imposto sobre Valor Agregado sobre veículos. O número de clientes de cartões de crédito dobrou de 1999 a 2010, com uma taxa anual de juros inferior a 30% nesse período.[15]
Entre os jovens, as classes médias se beneficiaram do crescimento em 198% nas matrículas universitárias entre 1998 e 2011, o que fez da Venezuela o segundo país com maior corpo discente no ensino superior nos anos 2000. No ramo alimentício, 70% da classe média venezuelana afirma ter sido beneficiada pela missión Mercal, a rede pública de supermercados, de acordo com o Grupo de Pesquisa Social Século Siglo XXI (GIS XXI). Além disso, mais de 1,5 milhões de venezuelanos também passaram a colher os benefícios da Previdência Social, gerando um salto de 400% de 1999 a 2011.
Por outro lado, a crise econômica grave dos últimos anos, de fato, afetou parcela da classe média venezuelana. A desvalorização da moeda teve um impacto negativo maior sobre esse estrato social do que sobre os mais pobres, uma vez que é a classe média que tende a adquirir mais produtos em dólares, como carros, computadores, imóveis ou viagens aos EUA.[16] Como a Venezuela importa quase 70% de seus bens de consumo e a desvalorização leva a uma inflação geral de preços, esses bens importados se tornaram subitamente mais caros.
Outra razão pela qual a inflação afeta mais a classe média é o fato de ela depender de um salário reajustado no início do ano. Os pobres, que estão empregados na economia informal, podem adequar sua renda de acordo com a inflação, cobrando mais por seus produtos e serviços sem precisar esperar por um aumento salarial anual. Mesmo com o governo Maduro aumentando a cada ano o salário mínimo, a medida não chega ao ordenado de técnicos e profissionais liberais.
Além disso, os mais pobres tendem a formar redes sociais que amortecem o impacto da inflação, contando com grandes comunidades e famílias extensas que se ajudam mutuamente e também na forma de serviços públicos gratuitos de saúde e educação. Já a classe média costuma depender dos serviços de saúde e educação privados. E não se pode negar que, até antes da crise de 2014, os padrões de consumo na Venezuela aumentaram, incluindo os serviços básicos de água e eletricidade, bem como alimentos e bens de luxo, o que estimulou um maior aumento nas importações. Por conseguinte, maior dependência do comércio exterior.
É possível considerar também a transformação de alguns espaços específicos dominados por grupos corporativos dos setores médios. A empresa estatal de petróleo, PDVSA, era formada por casta de administradores e especialistas abastados, repletos de prestígio social e alguma influência política – a PDVSA era chamada de “Estado dentro Estado”. Os quadros da empresa passaram por uma grande transformação com o chavismo, especialmente por ter se envolvido em conspirações contra o governo – muitos saíram e um número ainda maior de novas pessoas entraram. Chávez também mudou o sistema de promoções dentro do exército, historicamente a principal via de ascensão social.
Durante o governo Chávez, quatro vezes mais venezuelanos também passaram a emigrar para os EUA do que costumavam fazer no final da década de 1990.[17] A insegurança pessoal e a radicalização política predominante são as principais causas dessa opção pelo “sonho americano”. Só em 2009 cerca de 11 mil venezuelanos obtiveram status de residência permanente legal nos EUA, segundo o Serviço de Imigração e Cidadania do Departamento de Segurança Interna americano. Isso significa que, em média, a cada 47 minutos um venezuelano recebia o greencard.

Ódio de classe criollo

A ameaça de perdas econômicas e prestígio social gera uma onda de ressentimento que, desde o começo da era Chávez, foi instrumentalizada por grupos opositores na política e nas instituições privadas. A classe média venezuelana está sujeita à manipulação comunicativa que usa o medo e a confusão, alimentando a fantasia de que seu status social será eliminado às custas dos valores individualistas próprios do capitalismo: “você vai perder o seu carro e seu apartamento e seus filhos serão tirados de você pelo Estado”.[18]
Em resposta a esse sentimento, as classes médias venezuelanas tentam manter sua unidade autoafirmando sua identidade perante as classes baixas. Assim, recorrem a formas de estigmatização de setores populares que, depois do chavismo, passaram a compartilhar de seus espaços públicos.[19] Apelam a estereótipos contra aqueles grupos considerados “inferiores” na pirâmide socioeconômica e, dada crescente polarização política nas últimas duas décadas, essas demonstrações de ódio de classe frequentemente descambaram para a violência aberta.
Nas fileiras de frente das manifestações anti-Maduro, os atos de violência desses grupos não incluem apenas barricadas de rua, queima de ônibus, vandalismo contra instalações de saúde pública e arremessos de coquetéis molotov com fezes humanas.[20] Entre esse conjunto de táticas, os manifestantes desferem ataques contra alvos precisos que consideram tipicamente chavistas, ou seja, transeuntes pobres e de pele escura.
O caso mais emblemático deles foi o brutal ataque, durante um protesto em maio de 2017, a Orlando Figuera, um jovem afro-venezuelano trabalhador de supermercado, que teve 80% do seu corpo queimado por manifestantes da direita venezuelana. Conforme registrado em vídeo, os espectadores em seu entorno nada fizeram para ajudá-lo.[21] Enquanto Figuera não resistiu à agressão, outra vítima de origem semelhante, Carlos Ramirez, conseguiu sobreviver, apesar das queimaduras graves sobre seu corpo. Ramirez disse depois que implorou por sua vida, gritando “Não me mate! Eu não sou chavista! Por favor, não me matem!”, enquanto os manifestantes de rua o espancavam e o incendiavam.[22]
Esse flagrante clima de ódio classista que descamba para o racismo explícito constitui a expressão mais bárbara de uma classe que orienta seu comportamento a partir de considerações de status social, definidos por seu poder de compra a nível individual e não propriamente pelo acúmulo real de capital. Tal comportamento típico, majoritariamente ignorado pelos meios de comunicação convencionais, é a natureza de classe que guia o antichavismo da direita na Venezuela. Nesse aspecto, o artigo da Bloomberg – uma agência de notícias do mercado financeiro americano – não deixa de impressionar pelo furo a esse bloqueio informativo.
De acordo ainda com a matéria de Andrew Rosati, a vida noturna das classes médias venezuelanas em Caracas consiste em uma “procura por uma válvula de escape”. José Cabrera, universitário de 22 anos entrevistado no terraço de bar em Chacao, disse que quando não está estudando, participa de todas as manifestações que pode, mas seus amigos o criticam por sair para a boemia caraquenha à noite. “Olha, eu marcho, eu protesto, eu faço o meu dever pelo meu país. Mas o que vamos fazer à noite? Vamos bloquear uma rua? Vamos marchar até o Palácio de Miraflores? Eu voltarei às ruas amnahã às 7 da manhã sofrendo de ressaca".

Artigo aqu

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Cartel da Saúde, S.A.

O País adora discutir a ADSE, como tantos outros assuntos, a partir de uma posição de saber pouco e achar que sabe muito. Normalmente, cai-se numa verborreia qualquer sobre ter de se acabar com a ADSE porque é um privilégio.

Que há anos a esta parte ela seja inteiramente paga pelos próprios trabalhadores é ignorado pela maioria, mais uns quantos sonsos que, sabendo, fingem que não sabem.
Depois diz-se que os funcionários públicos têm mais é de contribuir para o Serviço Nacional de Saúde. Coisa que fazem, claro, porque pagam os mesmos impostos que os outros.
Reparem, estas mesmas pessoas não querem defender o Serviço Nacional de Saúde, querem atacar a ADSE.
Porque não têm nenhum problema com sistemas de saúde complementares de outras profissões (SAMS, PT-ACS, etc). E muito menos com seguros de saúde privado. Esses podem ser feitos, as pessoas são livres, gastam o seu dinheiro como quiserem. Só os funcionários públicos não podem. Devem ser menos que os outros.
Mas enfim, adiante. Uma das razões porque há quem não goste da ADSE é que ela tem poder de mercado negocial. Por ser o maior subsistema complementar do País negoceia com os privados numa posição de menor assimetria de poder de mercado que muitos outros. Um dos segredos dos privados na Saúde é este: são contra a ADSE, mas existem muito por conta da ADSE.
E é aqui que vos quero trazer hoje. O lugar dos privados na Saúde tem sido muito discutido a propósito da Lei de Bases da Saúde. Independentemente de onde nos posicionemos nesse assunto – e entre a visão de Maria de Belém e a da atual Ministra vai um mundo, e eu prefiro o segundo – há aqui sinais muito preocupantes.
Uma empresa privada na área da Saúde é livre de querer ou não continuar a manter o acordo com a ADSE. Mas o que assistimos nos últimos dias foi muito diferente. Foram diversas empresas privadas, em perfeita consonância de posição negocial, exercerem um poder de mercado conjunto como forma de pressão negocial. Alguém algures decidiu combinar que iam todos fazer o mesmo.
Isto tem um nome e é ilegal: é um cartel.
Eis as maravilhas do mercado a funcionar por si. Supondo que na Autoridade da Concorrência as pessoas estão acordadas, as buscas devem decorrer ainda hoje e a punição será rápida e exemplar. Distorcer o funcionamento do mercado é sempre grave. Fazer isso com serviços de saúde é gravíssimo.
Brinco, claro está, não vai acontecer nada. Mas para quem quiser abrir os olhos, aqui está um bom exemplo de porque é que cometer aos privados um papel maior no âmbito da prestação de cuidados de saúde é um erro, mesmo que nos posicionemos ideologicamente mais à direita. Os privados, como se vê, não distinguem saúde de outros bens e serviços quando se trata de prosseguir o lucro custe o que custar. Nem que seja vidas humanas.
Agora imaginem que o SNS não existia. Onde iriam mais de um milhão de pessoas tratar-se? Onde iríamos todos, e a que preço? Não é preciso especular: íamos acabar por ter um mercado de cuidados de saúde onde a taxa de sobrevivência dependeria do decil de rendimentos. E recusar isso, meus caros amigos, não é já tanto uma questão ideológica. É uma questão de sermos civilizados.
Cartel da Saúde, S.A.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

UMA HISTÓRIA DA OPUS DEI

sábado, 9 de fevereiro de 2019

ESPECIAL - UMA HISTÓRIA DA OPUS DEI - A fortuna escondida do Opus Dei em Portugal

Um elemento do Opus Dei foi preso, no dia 2 de Novembro, por revelar documentos secretos do Vaticano. Em Portugal, os membros da Obra controlam mais de 17 entidades, que possuem dezenas de imóveis. E receberam uma herança avaliada em 41,8 milhões de euros euros.
Em 1984, o presente de Natal chegou ao Opus Dei com dois dias de atraso. Foi a 27 de Dezembro que Maria Antónia Barreiro, uma milionária divorciada, infeliz e solitária, entrou no escritório do advogado que era há dois meses o administrador da sua fortuna e disse que queria alterar o testamento.

A única coisa de que tinha a certeza era que já não queria deixar tudo à amiga que indicara como principal herdeira dois meses antes, na altura em que modificou o testamento pela nona vez. "A sua amiga é rica ou pobre?", perguntou-lhe o advogado. "É muito rica", respondeu a cliente milionária. "Se é rica, já não estou com pena", admitiu José Afonso Gil, um dos mais antigos e influentes supranumerários (membros casados) do Opus Dei em Portugal. Sentado num cadeirão no seu escritório da Rua Castilho, em Lisboa, o advogado contou à SÁBADO que sugeriu a Maria Antónia Barreiro que deixasse tudo à Misericórdia ou à sua paróquia. 

Perante a recusa da cliente, propôs-lhe então a criação de uma fundação com o seu nome "para fazer coisas muito boas". E acrescentou: "Não é para enriquecer." Nem seria necessário – a fortuna já era enorme: juntava a herança do pai, Acácio Domingos Barreiro, sócio do Banco Português do Atlântico (comprado em 1995 pelo BCP de Jardim Gonçalves), e a do avô, José Domingos Barreiro, antigo armazenista de vinhos em Marvila.



Maria Antónia Barreiro aceitou e José Afonso Gil [na foto acima, a posar perante um retrato da ex-cliente] isolou-se na sua casa de Galamares, em Sintra, para redigir o novo testamento, incluindo três desejos da cliente que teriam de ser respeitados após a sua morte: primeiro, a fundação teria de pagar 50 contos por mês (o equivalente a 865 euros a preços actuais) ao seu motorista, a título vitalício, desde que ele continuasse a ser "prestável e digno"; segundo, ficaria assegurada a limpeza do jazigo da família; e, por fim, a fundação mandaria rezar durante cinco anos uma missa mensal em sua memória, bem como dos seus pais e do seu irmão.

Quanto ao património, constituído por dezenas de prédios, armazéns e terrenos, deveria beneficiar "os estabelecimentos de formação cultural então existentes na cidade de Lisboa". Mas caberia aos dois testamenteiros, José Afonso Gil e José Alves Mendes (outro advogado membro da Obra), escolher as instituições a apoiar financeiramente. Ambos são membros vitalícios do conselho de administração da fundação. José Afonso Gil é há 27 anos o presidente.

Um terceiro administrador, também a título vitalício, seria indicado pela Sociedade Lusitana de Cultura, uma das mais antigas entidades fundadas em Portugal por numerários (membros que vivem em celibato, em centros do Opus Dei). O representante actual é o espanhol Jon Velasco, que é simultaneamente o número dois na hierarquia portuguesa da prelatura (estatuto jurídico atribuído à organização).

Depois, o Conselho Geral da Fundação integra dois dos mais destacados membros do Opus Dei: Francisco Oliveira Dias, ex-presidente da Assembleia da República, e Carlos Câmara Pestana, vice-presidente do BPI e presidente do Itaú, que frequentava semanalmente o mesmo centro da Obra que o advogado José Afonso Gil e os banqueiros Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto (até à sua saída do Opus Dei, em 2008).

Prédios, jóias, depósitos...
Maria Antónia Barreiro era proprietária de 50% do quarteirão da pastelaria Suíça, na zona mais central de Lisboa, e que foi logo vendido. Possuía também uma quinta no Cartaxo, que foi dividida em parcelas e também comercializada – um ex-numerário disse à SÁBADO que o negócio foi feito por 700 mil contos (cerca de 10 milhões de euros a preços actuais), mas José Afonso Gil diz que não se recorda. A herança incluía mais 18 prédios espalhados por Lisboa, 25 jóias no cofre da residência, 21 depósitos a prazo em cinco bancos e ainda títulos do tesouro que a deviam compensar pela nacionalização do BPA, de que era accionista. 

Maria Antónia Barreiro era crente, mas desconfiava do Opus Dei, muito por culpa de Gregorio Ortega Pardo, um numerário espanhol que nos anos 60 fugiu de Portugal com uma fortuna da organização. José Afonso Gil diz à SÁBADO que explicou à sua cliente que o seu património serviria para ajudar a formar pessoas numa perspectiva cristã. "Deus gostará do seu gesto", disse-lhe. Mas admite que nunca lhe falou em concreto da ideia de usar tudo em obras do Opus Dei, como tem vindo a suceder.

Esta doação é uma das maiores alguma vez recebidas em todo o mundo pela instituição fundada em 1928 por S. Josemaría Escrivá. É mesmo comparável com o maior donativo de sempre, de 66 milhões de dólares (valores de 1999), que permitiu financiar a construção da sede em Nova Iorque. 

A contabilidade da Fundação regista actualmente, entre património e activos financeiros, uma riqueza global de 41,8 milhões de euros. Contudo, este valor baseia-se em avaliações de imóveis feitas a partir do valor patrimonial declarado nas Finanças – e que é bastante inferior aos preços de mercado. Em nome da Fundação, há pelo menos 83 imóveis, espalhados pelas freguesias de S. Sebastião da Pedreira, Penha de França, Olivais, S. Domingos de Benfica e Campo Grande. Um destes é o apartamento onde a herdeira milionária viveu nos seus últimos anos de vida, um quinto andar na Avenida Miguel Bombarda, e que é hoje uma residência usada por padres do Opus Dei para dar formação a outros sacerdotes.

"Não cometamos esse erro"
Este imóvel é usado pela Obra, mas formalmente não lhe pertence. Apesar das ligações evidentes a vários dos edifícios que usa, a organização rejeita que lhe pertençam por não estarem em seu nome. "A propriedade e gestão das coisas móveis e imóveis onde funcionam centros e casas de retiro são de instituições autónomas não lucrativas, cujos responsáveis mantêm uma relação de coordenação com a prelatura", explica à SÁBADO Pedro Gil, assessor de imprensa da organização.

Os únicos imóveis detidos formalmente pelo Opus Dei são três jazigos. O resto está em nome de uma série de cooperativas, fundações, associações e empresas controladas pelo Opus Dei através da presença nos órgãos sociais de numerários com cargos de responsabilidade ou peso histórico na organização. 




"Os jesuítas perderam muitas coisas porque era fácil localizá-las. Não cometamos esse erro", terá dito Josemaría Escrivá (na foto em cima), citado pelo jornalista Santiago Aroca numa investigação na revista Tiempo e na edição espanhola do livro Opus Dei de Michael Walsh. Pedro Gil diz que a atribuição da frase ao fundador da Obra é "espúria" e rejeita que este sistema de organização económica tenha sido escolhido para proteger o património. Segundo o assessor de imprensa, o objectivo é que o Opus Dei se concentre na sua missão espiritual, deixando as tarefas de gestão entregues a outras entidades. No entanto, recusou-se a indicar à SÁBADO quais são as instituições que gerem os bens da prelatura em Portugal. Mesmo depois de confrontado com uma lista de 17 instituições, admitiu que continha informações "sobretudo correctas", mas disse que não estava completa e recusou-se a ser mais claro, por entender que se trata de um assunto da esfera privada da organização.

Também não quis comentar o facto de, nos anos 90, terem sido criadas várias empresas controladas por membros da Obra com a função essencial de servir as necessidades dos centros do Opus Dei. Surgiu assim o ateliê de arquitectura que projectou o oratório S. Josemaría, uma empresa de contabilidade, uma de abastecimento alimentar aos centros e ainda outra, controlada pela secção feminina, que se ocupava essencialmente da decoração dos espaços da organização, como contou à SÁBADO Paulo Andrade, que foi numerário até 1993 e chegou a ser subdirector de um centro.

O Opus Dei tornou-se polémico depois de ter sido implicado em vários escândalos financeiros e, mais recentemente, por os seus membros terem sido retratados como conspiradores no livro O Código Da Vinci. Os fiéis seguidores de Josemaría Escrivá procuram ser santos, atingindo a perfeição em tudo o que fazem. Os numerários também se mortificam regularmente, atingindo as costas com uma espécie de corda de algodão (a que chamam disciplinas) e usando um arame (cilício) na perna.

Os testamentos dos membros do Opus Dei
O dinheiro não é um detalhe na relação individual de cada membro com o Opus Dei. Os seguidores de Escrivá que são casados (os supranumerários) devem doar mensalmente uma verba equivalente ao que gastam com um filho. Já os numerários, a elite constituída por membros que vivem em celibato em centros da Obra, têm de observar regras mais rígidas na relação com o dinheiro e com os bens materiais. Por exemplo, não podem aceitar ofertas que não entreguem ao centro onde vivem nem guardar dinheiro do salário sem autorização do director do centro – entregam tudo o que ganham e vivem com uma pequena mesada calculada em função das suas despesas fixas.

Os numerários têm de registar um testamento ao fim de seis anos e meio de ligação à instituição, quando fazem a chamada "fidelidade", para o vínculo se tornar definitivo. O objectivo, segundo Pedro Gil, assessor de imprensa do Opus Dei, é "suavizar essa preocupação sobre o futuro" e permitir ao numerário "ter o coração mais liberto para a sua missão". São livres de deixar os seus bens a quem entenderem, mas a esmagadora maioria acaba por dizer que pretende que fique tudo para a Obra. 




O ex-numerário Paulo Andrade (na foto acima) recorda que recebeu a indicação da cúpula da organização sobre as duas instituições do Opus Dei que devia indicar como beneficiárias, bem como os dois numerários que seriam os testamenteiros. Quando saiu da Obra, pediu que lhe devolvessem o testamento, mas não conseguiu: "Disseram-me que o iam destruir. Passou-se o mesmo com outras pessoas. Mas acho que, se me acontecesse alguma coisa, seriam os primeiros a apresentar-se com o documento."

As heranças são assim, naturalmente, uma grande fonte de património para o Opus Dei. A Cooperativa de Fomento de Iniciativas Culturais (Cofic), entidade que financia o governo da Obra (em 2008, por exemplo, o seu orçamento ascendeu a 500 mil euros), dispõe de quatro imóveis localizados em Viseu que foram recebidos em 2007 pelo testamento de Nuno Girão, um numerário histórico, que dirigiu o Opus durante o Estado Novo. São três edifícios na Rua Direita e uma residência para membros, que teriam um valor comercial de cerca de 1,1 milhões de euros, segundo uma estimativa feita no local a pedido da SÁBADO pelo avaliador Artur Augusto Rodrigues. Pela herança de outra numerária, a Cofic recebeu duas casas, com mais de 3.800 metros quadrados de área total, e um terreno com 5.250 metros quadrados no distrito de Coimbra.

Um palacete comprado à família Espírito Santo
Todos os membros da direcção e do conselho fiscal da Cofic são numerários e vivem em casas do Opus Dei. Entre os 18 imóveis da cooperativa, sobressai uma quinta no Paço do Lumiar [na foto em baixo], com uma área superior a 10 mil metros quadrados. É lá que está instalada a própria sede do Opus em Portugal e onde vive o líder máximo (vigário regional), o padre José Rafael Espírito Santo. Não tem qualquer relação de parentesco com a família dos banqueiros Espírito Santo, que foi a proprietária do imóvel, ocupado a seguir ao 25 de Abril de 1974 por elementos do PCP. Em 1978, 11 filhos de Manuel Espírito Santo (presidente do BES entre 1955 e 1973) venderam a propriedade à Cofic, que teve de contrair junto da Caixa Geral de Depósitos um empréstimo no valor de 7.500 contos (meio milhão de euros a preços actuais), entretanto já amortizado. Não se sabe o preço negociado na altura, mas um perito imobiliário da Remax, que não viu o interior do palacete, estima que valha actualmente 19,6 milhões de euros no mercado.




Outro grande imóvel da Cofic, com 1.925 metros quadrados, fica no número 193 do Campo Grande, onde funciona o Clube Xénon, vocacionado para organizar actividades para rapazes e um dos principais pontos de captação de novas vocações, segundo o ex-numerário Paulo Andrade. Esta propriedade foi doada em 2006 pela ISCAL, Sociedade Imobiliária Civil, uma instituição administrada por três numerárias do Opus Dei, com sede numa quinta de Vila Nova de Gaia – trata-se da Quinta de Enxomil, onde a prelatura construiu um enorme edifício com dezenas de quartos para acolher os participantes nos seus retiros. Um centro semelhante, com essa mesma finalidade, foi erguido em Almançor, no Alentejo, em terrenos doados por Alfredo Cunhal (tio do líder histórico do PCP, Álvaro Cunhal) e fundador do Banco da Agricultura, onde Jardim Gonçalves e José Afonso Gil se conheceram.

"Começa-se pelas cabeças"
Assim que instituiu a fundação com o nome da antiga cliente, José Afonso Gil combinou com os dirigentes do Opus Dei que iria criar uma residência para estudantes universitários. "Começa-se pelas cabeças", justifica à SÁBADO. Comprou então, por 550 mil contos (que correspondem hoje a cerca de 5,7 milhões de euros), um terreno junto à Universidade Católica e ainda conseguiu ficar com um espaço maior depois de negociar uma permuta com o então presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio.

Foi aí que mandou construir a residência universitária de Montes Claros (com piscina, campo de futebol e pavilhão de squash) e o Oratório S. Josemaría Escrivá, inaugurado em 1998. Quem frequenta as missas do Opus Dei pode estacionar numa garagem com três pisos subterrâneos, que também pertence à Fundação. E ao lado está a AESE, Associação de Estudos Superiores de Empresas, igualmente controlada pela Obra. José Afonso Gil decidiu também adquirir uma moradia de 600 metros quadrados onde funciona o Clube Darca, um centro de actividades para raparigas, junto à Biblioteca Nacional.

Mas a maioria dos imóveis da Fundação Maria Antónia Barreiro concentra-se em Marvila, onde ficavam os armazéns de vinho de José Domingos Barreiro, o avô da benemérita. Aí, a Fundação tem 10 prédios, nove lojas e nove armazéns – um deles está arrendado há 22 anos a uma metalúrgica, que paga 2.398 euros mensais. Só este espaço, que tem quase 2.400 metros quadrados, valerá mais de meio milhão de euros. Ainda na zona oriental de Lisboa, a Fundação é proprietária de mais de metade da Rua Fernando Palha, onde vários edifícios são ocupados por espaços comerciais no rés-do-chão.

"Cá está a massa para safar isto"
Em 1993, José Afonso Gil, que era também advogado do BCP, vendeu os títulos do tesouro que a Fundação tinha herdado e recebeu 1,5 milhões de contos (cerca de 11,7 milhões de euros a preços actuais). Metade dessa verba foi logo investida na Fomento, cooperativa fundada em 1978 por um grupo de pais para administrar quatro colégios (onde a orientação espiritual está a cargo da prelatura) e que se encontrava numa situação financeira apertada. Jardim Gonçalves, um dos fundadores da cooperativa que manteve responsabilidades na sua gestão, conseguia que o BCP continuasse a dar crédito à Fomento, mas era cada vez mais difícil pagar as dívidas. 

"Entreguei ao Jorge Jardim 700 e tal mil contos [mais de 5,4 milhões de euros a preços de hoje]. Ele até telefonou à mulher à minha frente e disse qualquer coisa como isto: ‘Olhe, cá está a massa para safar isto’", recorda José Afonso Gil. O encontro entre os dois amigos deu-se no gabinete do então presidente do BCP na Rua Augusta. A Fundação Maria Antónia Barreiro ficou desde então credora dos colégios em 4 milhões de euros.

Dois dos actuais administradores da Fomento dirigem também uma outra cooperativa, a Socei, criada para gerir os valiosos imóveis onde estão instalados os colégios Planalto, em Telheiras, e Mira Rio, no Restelo. Um avaliador da Remax, a pedido da SÁBADO, estima que as duas moradias que constituem o Colégio Mira Rio possam valer 6,9 milhões de euros.

No Porto, o Colégio Cedros, que ocupa cerca de 15 mil metros quadrados em S. Pedro da Afurada, foi avaliado em 2,7 milhões de euros por João Saraiva, também da Remax. Junto a este colégio, a cooperativa possui dois terrenos com cinco mil metros quadrados com um valor comercial estimado em 640 mil euros.

A intervenção de Jardim Gonçalves
Jardim Gonçalves, que foi talvez o mais proeminente membro da Obra no mundo dos negócios, não participou apenas na gestão inicial dos colégios do Opus Dei. Ajudou também a fundar o Centro de Orientação Familiar, que promove acções de formação para casais e tem sede num terceiro andar da Travessa do Possolo, ao lado da residência de Cavaco Silva, em mais um imóvel da Fundação Maria Antónia Barreiro.



O banqueiro (na foto acima) pertenceu ainda ao núcleo de fundadores da AESE, Associação de Estudos Superiores de Empresas, uma instituição criada em 1980 para dar formação em gestão de empresas "segundo uma perspectiva cristã do homem e da sociedade". Pelo menos 18 dos 23 fundadores eram membros da Obra fundada por S. Josemaría Escrivá. Entre eles, além de José Afonso Gil estão também Osvaldo Aguiar, anterior administrador financeiro do governo do Opus Dei, Carvalho Cardoso, ex-presidente do Belenenses que colaborou com António Champalimaud e geriu a Mundial Confiança, e Silvério Martins, fundador do CDS e ex-administrador da Rádio Renascença e do Banco Pinto de Magalhães.

Uma figura-chave nos corpos sociais da AESE até há pouco tempo foi José Fonseca Pires, um médico de 45 anos que pertence ao governo do Opus Dei em Portugal, onde desempenha o cargo de vogal de São Gabriel, ou seja, é o responsável pelas actividades dos supranumerários, os membros que vivem com as respectivas famílias. É também o presidente da Sociedade Lusitana de Cultura.

Quem normalmente dá a cara pela instituição de ensino é o seu vice-presidente e director-geral, José Ramalho Fontes, que tem morada registada numa vivenda com piscina e campo de ténis, que partilha com outros membros do Opus Dei em Linda-a-Velha. Este imóvel tem um valor comercial estimado por um avaliador da Remax, a pedido da SÁBADO, em 3,2 milhões de euros e está registado em nome da Cofic, a cooperativa que financia o governo da Obra.

Capital de risco
Em Junho de 2007, a AESE diversificou investimentos e ajudou a fundar uma sociedade de capital de risco chamada Naves, entrando com 11,76% (132.888 euros) dos 1,13 milhões de euros de capital social, transformando-se na sua maior accionista. O domicílio fiscal da Naves é também o da escola superior, na Calçada da Palma de Baixo. Os lucros líquidos desta sociedade de capital de risco mais do que quadruplicaram entre 2008 e 2010 (de 45.928,61 para 191.042,23 euros) e o total do activo também não parou de subir (de 903.693,38 euros em 2007 para 1.255.203,98 em 2010). 

A Naves tem, por sua vez, participações em duas sociedades: uma imobiliária de Gaia (chamada In Time) e a Várzea da Rainha Impressores, empresa presidida por Zita Seabra, que também dirige a Alethêia, precisamente a editora que em 2011 republicou a biografia de Josemaría Escrivá escrita por um dos mais antigos padres da prelatura, Hugo de Azevedo, e que foi apresentada no auditório da AESE a 9 de Janeiro de 2012 (dia em que o santo faria 110 anos). 

A AESE serve também para cimentar a ligação entre o Opus Dei e o mundo empresarial, conta Paulo Andrade, que ajudou a fundar a Escola Profissional Val do Rio, em Oeiras, com outros membros do Opus Dei, em 1989. Para obter financiamento, recebeu indicações de Raul Diniz e Eugénio Viassa Monteiro, dois numerários que foram directores-gerais da AESE. Aconselharam-no a marcar uma reunião com um grupo de empresários, dizendo que ia da parte deles, para lhes solicitar apoio financeiro. Vasco Pessanha, presidente da Inapa, e Abel Pinheiro, do grupo Grão-Pará, não são membros do Opus Dei mas aceitaram contribuir com um donativo para a criação da escola.

Uma outra instituição ligada ao Opus Dei é o Centro de Actividades Culturais do Campo Grande: é proprietária do número 72 da Alameda das Linhas de Torres e do edifício número 300 do Campo Grande – este foi comprado a seguir à revolução de 1974 por 7 mil contos (o equivalente actual a 1 milhão de euros). Possui também a sede histórica do Opus Dei no Porto, onde funcionam o Colégio Universitário da Boavista e o Clube Vega. O Centro de Actividades Culturais do Campo Grande é dirigido por dois membros do governo da Obra em Portugal: José Reis, um ortopedista encarregado das actividades para jovens a nível nacional, e o padre Isaac Fernandez, que ocupa o cargo de delegado de estudos.

O Hotel 3 Pastorinhos
O membro do governo que lida mais de perto com questões financeiras é o que ocupa o cargo de administrador. Trata-se do numerário Joaquim Claro, que é o presidente do Hotel 3 Pastorinhos, em Fátima. Os outros dois membros do conselho de administração também são numerários: Vítor Cunha, engenheiro do Porto, e Pedro Gil, que é assessor de imprensa do Opus Dei e filho de José Afonso Gil, presidente da Fundação Maria Antónia Barreiro – entidade que possui quase todo o capital social do hotel.

Há 21 anos, a Fundação tinha como sócia a EATIS, Empresa de Actividades Turísticas Internacionais, uma sociedade anónima que dividiu o capital social em partes iguais por quatro numerários: Osvaldo Aguiar, Raul Diniz, Luís Rebelo Pereira e Pedro Gil.

O hotel de três estrelas fica a 50 metros do Santuário, mas, segundo os Relatórios e Contas, em 2010 teve apenas 1.426 euros de resultado líquido, valor substancialmente inferior aos 76 mil euros verificados em 2009. As receitas atingem praticamente 1 milhão de euros por ano, só que esse valor fica ligeiramente aquém das necessidades de financiamento. O hotel, que está avaliado pelas Finanças em 4,5 milhões de euros, não parece um grande negócio, mas tem uma importância estratégica para a Obra, por permitir a realização de retiros na capital religiosa do País, com autonomia, sem ter de recorrer, por exemplo, a casas de religiosas, diz um ex-membro da prelatura. 

Uma mulher caprichosa e esbanjadora
Maria Antónia Barreiro pediu frequentemente ao seu motorista que a levasse a Fátima nos últimos meses de vida e ia à missa quase todas as semanas. Mas o dinheiro era a base de todas as suas relações: dava mesadas e roupa às amigas – e a uma delas ofereceu mesmo um apartamento no Algarve; casou-se apenas uma vez, com o filho de um industrial, mas divorciou-se ao fim de cinco anos, o que implicou a perda de uma grande parte do seu património.

Era uma mulher caprichosa e uma autêntica esbanjadora. Ia à Loja das Meias e comprava dois casacos iguais, prevendo logo a hipótese de alguém lhe roubar um. Comprou, de uma só vez, 32 lenços da Cartier numa loja da Rua Castilho. Pagou 1.500 contos (mais de 26 mil euros a preços actuais) por um relógio em ouro branco, só para fazer pirraça a uma amiga, mas irritou-se por a peça amarrotar as suas camisolas no pulso e foi devolvê-la à ourivesaria uma semana depois, pedindo apenas 250 contos, um sexto do preço inicial. E incitava o motorista a andar mais depressa, no seu Jaguar ou no BMW 635, que passou a ser utilizado pelo presidente da Fundação após a sua morte. Morreu com um problema cardíaco no Hospital da Cruz Vermelha, a 11 de Janeiro de 1986, menos de um ano depois de assinar a última versão do testamento.

No velório de Maria Antónia Barreiro, apareceu a amiga indicada no penúltimo testamento. Só quando se preparava para combinar com o advogado um encontro para receber os bens é que descobriu que afinal havia um testamento mais recente, que tinha anulado o outro documento. 



O próximo grande investimento do Opus Dei, através da Fundação Maria Antónia Barreiro, é a construção da nova residência universitária feminina (Colégio Universitário dos Álamos) prevista para o n.º 189 do Campo Grande, um edifício degradado onde funcionou o histórico restaurante Quebra Bilhas e que pertencia, desde 1939, à Sociedade de Perfumarias Nally. O imóvel foi comprado em 2008 por 2 milhões de euros. Para financiar o negócio, a Fundação decidiu vender vários edifícios, incluindo 10 fracções de um prédio na Rua dos Correeiros, em Lisboa, que permitiram um encaixe de 770 mil euros. 

José Afonso Gil tem já disponível todo o dinheiro de que precisa para construir a residência feminina, assim que a Câmara autorizar: são 4,5 milhões de euros. E admite que tem planos para o próximo grande investimento: um centro para tratar doentes que precisam de cuidados paliativos. Mas só avança depois de ouvir a opinião dos líderes do Opus Dei.
*Com Manuel Almeida e Raquel Lito

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

AINDA A VENEZUELA

A queda de Maduro é boa para quem?

Nicolas Maduro é um desastre político e o regime da Venezuela é condenável por se suportar no culto da personalidade, no abuso da autoridade, na burocratização, na corrupção e numa economia rentista, dependente do preço do petróleo.

E, no entanto, o que vejo nos jornais e nas TVs sobre a crise política venezuelana deixa-me cada vez mais certezas de que a oposição a Maduro conduz o país a um desastre, reforça-me a convicção de que a queda de Maduro, nestas condições, prejudica o povo da Venezuela e, sobretudo, aumenta-me o número de perguntas sem respostas

Porque é que a União Europeia tenta disfarçar o apoio a Juan Gaidó, o autoproclamado "presidente interino" da Venezuela, dando um prazo hipócrita de uma semana para Maduro convocar eleições?...Queda de Maduro é boa para quem?

De 




Johana Tablada
4.02.2019

Para as pessoas que eu quero e me surpreendem a cada dia nas redes apoiando a campanha suja contra a #Venezuela. De verdade vocês acham que cabe ao Donald Trump a bolton e Marcos loiro designar com uma chamada telefónica ao presidente da Venezuela? Vocês tem certeza que é isso que precisa da nossa América Latina?
De verdade se pode ser humano e ilustrado e apoiar um golpe de estado, e uma intervenção militar disfarçada de "Humanitária"? no mesmo coração do nosso continente que recém-se proclamou zona de paz? Peço-vos que pensem se é isso em verdade o que desejam. Se for permitido com total impunidade que se saiam com as suas com a brutalidade disso que hoje fazem que inclui a ameaça de uso da força, o roubo descarado de 20 mill milhões de dólares do petróleo venezuelano que é do povo e a a. Pressão sobre todos os governos do mundo, todos seremos muito menos livres, incluindo os amigos que lhes cai mal maduro e não se lembram que por ele votaram muitos mais milhões de pessoas do que por quem hoje desenvolvem uma ilegal operação de mudança de regime em aberto. Violação dos princípios da carta das Nações Unidas. Por que a ONU não reconhece a guaidó e almagro sim me dói ver pessoas ilustradas que conhecem a história deste hemisfério, que conhecem a história de Cuba dizendo absurdos como que Cuba controla os militares na Venezuela.
Nada marcou mais a história de Cuba do que a defesa da sua soberania e independência e poucas coisas marcaram mais a política externa de Cuba para a Venezuela e para todos os países que são quase 200 com os quais temos relações que o respeito pela sua soberania. Soberania e independência de todos os países. Não se nos ocorre e ninguém nos permitiria também não lhes dizer o que devem ou não fazer. Por trás dessa acusação infame de que a Venezuela se mantém pela repressão que organiza Cuba e não sei o quanto absurdo que dizem, está a difamação ignorante ou desrespeitosa contra a vontade e dignidade da maioria do próprio povo venezuelano e dos seus militares que não apoiam o Chamado Miserável dos Estados Unidos a que se coloquem a apoiar uma operação tão grosseira e desleal contra o seu próprio povo. Outra pergunta. O que teria acontecido se há mais de uma década a Venezuela como a Cuba não lhe tivesse imposto duras sanções? Que aconteceria se a Venezuela tivesse dito à Colômbia há anos atrás quando milhões cruzavam a fronteira fugindo da guerra que esse país vizinho era um fator de instabilidade para a região? Quando alguém disse que havia que intervir na Colômbia pela guerra civil interna que a batia durante décadas. Por que os Estados Unidos defende tanto governos que não podem se levantar nem remotamente perto da Venezuela em matéria de liberdades, eleições e estabilidade? Por favor pensem, cada quem deve pensar também o que significa para Cuba que os Estados Unidos se namore com a sua nesta região que avançou séculos nas últimas décadas em matéria de luta contra a pobreza, políticas sociais, integração e independência em frente aos esquemas. Tradicionais de dominação dos Estados Unidos.
Viva a América Latina como zona de paz! Tirem as mãos da Venezuela e deixem os venezuelanos resolverem entre eles os seus problemas, que se acabaen as pressões, as sanções, a extorsão e a ameaça. Que se ponha freio aqueles que só desejam-- los novamente dos seus recursos naturais e voltar a mandar para as favelas aos milhões que pela primeira vez em séculos a revolução bolivariana abriu as portas das escolas, hospitais e a participação real nos processos. Politicos que governam seu destino.
Por que não fazem o mesmo com os governos da Europa que colocam tranquilamente têm primeiros ministros com um 30 % do eleitorado ou menos?
Por que quando estava pronto o acordo entre o gobno da Venezuela e a oposição em Dominicana, foram expulsos para trás os da oposição porque os Estados Unidos lhes pediu para não assinar nada?
Por que o presidente dos Estados Unidos é presidente se teve 3 milhões de votos menos que o seu adversário _
Por que não se si presidente a líder do Parlamento dos Estados Unidos que hoje é mais popular que o trump? Por que não se promove a intervenção em todos os países (são muitos) que têm a população partida à metade em relação ao apoio aos seus governos? E onde a cada dia há assassinatos d eperiodistas, líderes sociais, ativistas e outras violações que não acontecem na Venezuela. O que acontece com aqueles que nunca tiveram eleições e sufocam qualquer tentativa de qualquer um de participar de uma mudança democrática.. Enfim.... o mar. Tomara que se pare a excesso deste atropelamento. Depois não tenham que se arrepender nem se sentir cúmplices de ter suas mãos manchadas de sangue inocente para que voltemos todos para a época das cavernas.
Por último, alguém pode me dizer qual país está melhor depois de uma intervenção dos Estados Unidos? Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, etc..
Na América Latina Estados Unidos não entra direto desde a invasão para o Panamá, antes granada, Chile e muitos outros, já vimos os golpes de estado no Paraguai, Honduras, as tentativas na Venezuela em 2002 e depois outra vez com a guarimba... E esta bricolage perigosa de agora.
Por favor, piensenlo outra vez antes de se juntar ao lado errado da história dos Estados Unidos e da América Latina.

As nove razões dos EUA para declararem guerra à Venezuela

Para o imperialismo EUA o que está em causa na Venezuela é bastante mais do que a recolonização do «pátio das traseiras» e o saque (já realizado em relação a muitas toneladas de ouro) das riquezas do país. Tal como no Médio Oriente, é o confronto com Rússia e China e com qualquer país que não se sujeite ao seu domínio. E é também represália pelo dispendioso insucesso na Síria, Iraque, Afeganistão.

Não há crise humanitária na Venezuela


Segundo Alfred de Zayas, comunidade internacional deve trabalhar em solidariedade à Venezuela para suspender as sanções, "pois são essas que pioram a escassez de alimentos e remédios"

sábado, 2 de fevereiro de 2019

A VIDA DOS CIGANOS ANTES DA 2ª GUERRA MUNDIAL

Durante a Segunda Guerra Mundial, entre duzentos e quinhentos mil ciganos europeus foram exterminados nos campos de concentração nazistas. Entre os ciganos, o massacre é denominado de porajmos e começou a ser recuperado pela historiografia apenas a partir dos anos 1970.


Os denominados povos ciganos, que já falamos en passant no post "Ciganos da vida real pelo mundo" têm uma grande história de perseguição desde um longínquo passado da sua origem na Índia. Hoje estão assentados, em sua maioria, na Europa, mas estão presentes também, em menor proporção, no resto do mundo, sendo que o Brasil tem a maior população significativa em um só país.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019