quinta-feira, 10 de dezembro de 2020


10.12.2020

É um texto de 2018, longo, mas creio que sempre actual...


Da aritmética simples…
“o amor pela verdade pode custar caro a quem o exercita. Mas a verdade acaba por triunfar sobre a mentira. A política de mentira está condenada à derrota final. É à política da verdade que o futuro pertence.” .

O reformismo não tem como objectivo a destruição, o derrube do capitalismo. A sua acção e prioridade será sempre a acção e intervenção iunstitucional, devidamente integrada nas instituições e regras do regime. A primazia dessa acção no quadro dessas prioridades, têm sempre como base, a disputa das eleições. Ele, contabiliza a sua força em votos e mandatos e na promoção de reformas no quadro dos paramentos da burguesia. É lá que esgota o essencual da sua intervenção. Os programas do reformismo não assentam em linhas de ruptura com o regime e o sistema, mas a de introdução de pequenas reformas, que por um lado atendem aos problemas das camadas populares, e por outro, limitam e condicionam a acção das massas. Como afirmava K. Marx, os Governos nos regimes de democracia-burguesa, assumem-se como os Conselhos de Administração do capitalismo.

Significa então por estas questões, de que são dispensáveis as pequenas reformas? Não de todo. A separação entre o reformismo e a acção revolucionária reside exactamente, na definição quanto ao que é a tactica e o que é o objectivo estratégico. E está na concepção e prática, onde o reformismo transforma o que é estratégico, a destruição do capitalismo e a edificação do socialismo, como um objectivo longínquo e inalcançável e privilegia o objectivo limitado da pelas pequenas reformas, como o eixo central de toda a sua actividade.

O que diferencia a acção e objectivos revolucionários do reformismo e dos reformistas, não é necessariamente o programa político que procuram ou anunciam querer concretizar, mas a estratégia com que se propõem realizar esse objetivo. Se na acção revolucionária concreta inserida na luta de classes e na elevação dos objectivos e reivindicações -a um ponto que deixe o regime da burguesia ingovernável, que leve a uma crise revolucionária,- ou um caminho que não só se enquadra na defesa desse regime e do seu Estado de classe, como procura manietar e limitar os objectivos de luta do movimento de massas dos trabalhadores e das camadas populares de forma a impedir a ruptura com o capitalismo que gera uma política reacionária e perpetua a exploração e a opressão capitalistas.

Para o reformismo, tudo se resume a votos e mandatos. Tudo se resume à disputa eleitoral e à proposta parlamentar e co-gestão do capitalismo e a profundo desprezo pela acção revolucionária das massas organizadas. Dizendo ombater a política de direita dos governos capitalistas e as suas consequências para a esmagadora maioria do povo, despreza igualmente o combate ao regime económico e social que gera a política de direita: o capitalismo.
O reformismo usa o logro e a mentira e a chantagem sobre os trabalhadores e as camadas populares. Sempre ancorado nos “males menores” resultantes das pequenas reformas, arrasta o movimento sindical e o movimento popular nessa linha, teoria e prática, de apoio à sua intervenção parlamentar. O seu discurso de compromisso, esconde as suas reais razões e objectivos. A mentira é uma das suas armas e sempre de serviço.

A influência do reformismo no movimento operário e popular está profundamente associado às derrotas dos trabalhadores. A história do movimento operário e comunista está recheado de exemplos.
Um dos pais do reformismo, Bernstein, formulou uma tese comprovada pela vida como oportunista, de queseria possível atingir o socialismo por meios pacíficos através de sucessivas reformas progressistas no quadro institucional. O “movimento é tudo, o objectivo quase nada”a fasta-se enormemente da teoria marxista da luta de classes, e o facto teimoso de que perante um Estado violento ao serviço da burguesia, só pode ser derrotado pela violência revolucionária das massas.

As teses e prática do reformismo, essa infecção mortal, chegou ao MCI. Chegou e de forma decapitante da sua força política e ideológica e de classe. O XX Congresso do PCUS, que para além do difamante “Relatório Secreto”, retoma as teses oportunistas de que é possível uma chegada ao socialismo por uma etapica “via pacífica”. O chamado “eurocomunismo” que teoricamente tem como base o “Manifesto de Champigny” surge como consequência das novas teses do Partido soviético.

O Partido Comunista Francês, assume ser possível, por meios institucionais, respeitando a regras e o regime da burguesia e o seu Estado, chegar ao socialismo sem a necessidade de uma rutura revolucionária, sem o derrube do Estado de classe da burguesia.
E como concretizaria então esse objectivo de uma viagem pacífica e sem solavancos? Segundo as teses do Manifesto do PCF, a luta de massas, nomeadamente da forte e unida classe operária francesa e do seu movimento sindical de classe, deveria ser colocada na luta por preformas graduais de forma a debilitar e enfraquecer as forças do capital monopolista.

Um caminho previamente traçado, ao qual tudo deveria ser sacrificado. O importante era que a burguesia aceitasse A luta de massas seria no sentido de obrigar a burguesia a ceder o seu poder “democraticamente” e sem empurrões.Pois com um bom programa e um discurso aceitável pelo inimigo de classe, o objectivo seria pacificamente atingido.

O crescente anti-sovietismo tendo por base o anti-stalinismo, seria um dos elementos de “auto-crítica” perante a burguesia. Seria o PCF por isso absolvido e plenamente aceite nas regras do jogo do regime.Ao festim da degenerescência política e ideológia do PCF, juntaram-se ao G. Marchais, dirigentes como Georges Marchais, Berlinguer e Carrillo. Somaram-se então numa sinergia do oportunismo, as esses do “Compromisso Histórico” do PCI num afã de aproximação à Democracia Cristã e um PCE profundamente comprometido com a monarquia bourbónica e a Constituição de 1977. O veneno infecto espalhou-se e influenciou importantes parcelas do MCI e as suas consequências resultaram no desaparecimento do PCI, a diluição do PCE no frentismo exacerbado e comprometido com a gestão do regime, e a um PCF social-democrata que de comunista apenas conserva a sigla.
A unidade com a social-democracia, o frentismo interclassista negando à classe operária o papel dirigente na luta de massas, a apetência e candidatura para gerir o capitalismo dando-lhe um caracter humanizado e um rosto humano, teve os seus momentos mais degradantes, com a participação em governos do regime, onde a marca era o retirar e afrontar direitos dos trabalhadores e o compromisso com os objectivos do capital, mormente as pequenas reformas. O exemplo gritante do PCF, o seu contorcionismo oportunista, teve episódios dignos de registo, e que se devem constituír em ensinamentos. Trancrevo, partes de um importante texto de G. Gasteaud:
Pois foi assim que a "coisa" se deu, de avordo com um artigo de G. Gausteaud: (...) Assim Aragon proclama com uma ingenuidade desarmante perante o histórico comité central de Argenteuil de 1966, tornado maior na consolidação do novo curso direitista: é preciso fazer tudo para adequar a teoria do partido à sua política de união a qualquer preço com o PS ou seja se necessário rever a teoria marxista e alinhar nas exigências eleitorais (e com a baixa da maioria de De Gaulle e o facto que ele não tinha mais de 6% entre um e outro (Miterrand, NDLR), tínhamos a perspectiva, que temos agora, e que não é uma perspectiva filosófica nem está mesmo verdadeiramente longe de alcançar, esperemos, para as eleições legislativas, uma maioria para a esquerda. Esta questão não é uma questão filosófica e para mim ela comanda as questões filosóficas e não o contrario» (em Aragon e o Comité Central de Argenteuil», pg. 136/137, Anais da Sociedade dos Amigos de Aragon e de Elsa Triolet, 2000) Em momento algum Aragon duvidou da natureza de classe do PS, dos fins estratégicos de Mitterrand, do conteúdo de classe de mudança, da diferença entre o PCF e a Federação da Esquerda…) não, Mitterrand, então grande vedeta dos «dias de diálogo» organizados por Garaudy, que ganhava no próprio seio do PCF por intermédio dos seus intelectuais mais prestigiados, e isso em nome das «vias pacíficas para o socialismo» grosseiramente abatidas pelo eleitoralismo mais raso e mais ingénuo! Ou, conformar os seus ideais e a sua teoria às necessidades imediatas e aos êxitos eleitorais mais efémeros, é a própria essência do oportunismo e vemos hoje os óptimos resultados: não só o povo francês está em desespero, não só a perspectiva de uma mudança se tornou quase invisível, mas o PCF que seguiu à letra todos os conselhos eleitoralistas de Aragon está às portas do desaparecimento eleitoral e da liquidação organizacional.(...)

O PCF traiu definitivamente a classe operária e as camadas populares de França. Governou por duas vezes em coligação com os sociais-democratas, contribuindo para os ataques ao povo francês. Desde então prossegue sistematicamente na sua ajuda à social-democracia, conclamando os trabalhadores a apoiarem aquelas forças que cavam a sepultura que lhes é destinada. Face à crise, o PCF reivindica o “desenvolvimento”, ocultando que ele se verificará em condições em que os direitos dos trabalhadores serão literalmente arrasados e um inferno real será criado para a classe trabalhadora.

Mas a classe trabalhadora de cada país pode determinar o seu próprio futuro e desfrutar a riqueza que produz e não viver nas condições de eras passadas. Mas o Partido Comunista, como a vanguarda da classe trabalhadora, deve ter uma estratégia para o derrube do capitalismo, pelo socialismo. Deve ter um plano para concentrar e preparar forças, desde já, para este objectivo. Em última análise, deve preparar a própria classe trabalhadora e os seus aliados para a realização deste objectivo. Isto nada tem a ver com o que o oportunista PCF diz acerca do "comunismo da nova geração", com "democracia", com "socialismo" que nega as leis científicas da construção socialista, e a perspectiva impossível de um capitalismo humanizado que ele propagandeia.

A doença que varre o MCI não atingiu de forma destrutiva todos os Partidos Comunistas. Muitos, têm resistido e superado erupções oportunistas no seu seio. Dito de outra forma, as forças sadias desses partidos, responderam e derrotaram às derivas social-democratizantes em cada momento concreto, algumas dessas derivas, partiram de parte substancial das suas direcções. Porque nunca foram as bases as responsáveis pela descaracterização e posterior liquidação desses partidos. O problema foi sempre a cabeça, na direcção. Mas tal não significou que o virús do reformismo tenha sido erradicadom bem como os projectos de liquidação, enquanto partidos revolucionários. O vírus encuba de acordo com as condições para se se desenvolver mais rápido ou lentamente, que em grande medida depende do grau de compreensão da massa militante desses partidos. No caso francês, G. Marchais já no final de vida, ensaia uma autocrítica sobre os rumos direitistas do PCF e as suas particulares responsabilidades, mas já não tinha auditório para o ouvir, ou melhor, já não tinha partido. Robert Hue e os que seguiram, foram ainda mais longe no processo destrutivo, e nas suas claras opções de classe. È conhecida a resposta de R. Hue a um jornalista que lhe perguntava a sua opinião sobre a Ditadura do Proletariado, ao que respondeu que” não gosto de ditaduras sejam elas quais forem”. Tal desiterato, revela bem a podridão ideológica em que caíram estes partidos que ainda conservam erradamente uma sigla.

Um PartidoComunista tem ser uma força efectiva de oposição e portanto, não uma força co-gestionária do regime e usar essa posição para exercero seu papel de vanguarda, desenvolvendo toadas as formas de luta e também a intervenção parlamentar, não se deixando capturar pelos tiques e práticas do parlamentarismo burguês.

Afirmava Lenine o que deve ser um discurso de verdade e de falar a verdade às massas, que “a república democrática, a assembleia constituinte, as eleições gerais etc. na prática significam a ditadura da burguesia, e para a emancipação do trabalho do jugo do capital não há outro caminho que a substituição desta ditadura pela ditadura do proletariado. Só a ditadura do proletariado pode emancipar a humanidade da opressão do capital, das mentiras, da falsidade, da hipocrisia da democracia burguesa, da democracia para os ricos, só a ditadura do proletariado está em posição de estabelecer a democracia para os pobres, ou seja, fazer que os bens da democracia sejam realmente acessíveis aos trabalhadores e aos camponeses pobres, enquanto que atualmente (inclusive na democracia burguesa mais democrática) os bens desta democracia na realidade são inacessíveis para a grande maioria dos trabalhadores”. [(Democracia e Ditadura – Lénine)

No plano internacional, muitos acolheram e difundem as teses sociais-democratas do PPE, outros, escolheram uma “via de centro” onde recusando formalmente entendimentos com o PEE, concentram o seu ataque e crítica a outros partidos irmãos, acusando-os de práticas sectárias e dogmáticas na medida em colocam o objectivo do Socialismo na sua intervenção diária, recusando o etapismo degradante que corrói esses mesmos partidos.Muito que se fale em unidade do MCI, é evidente a aproximação entre esses partidos e a quase recusa de entendimento e cooperação com os partidos da Iniciativa Comunista. Um sinal que necessita de ser lido com o necessário espírito crítico comunista.

As concepções, teoria e prática do reformismo instalado em inúmeros PCs, a sua postura ante o Estado de classe da burguesia, é umaa falha grave na sua caracterização e por isso, uma ausência de clareza não inocente. Pois tal caracterização a partir de uma posição comunista, só se pode entender o Estado da burguesia como o instrumento repressivo ao serviço da classe dominante.
A tactica adoptada por muitos PCs de que é possível através de sucessivas reformas e pequenos ganhos, atingir etapicamente o objectivo final, consagra uma deriva direitista, de claudicação e cedência ao inimigo de classe, quando se propõe sem o papel dirigente da classe, tudo doluír em soluções governativas exclusivamente no quadro do regime e ilusoriamente poder governar melhor o capitalismo que os partidos capitalistas. Saíram caras aos trabalhadores e aos povos dos respectivos países, as experiências de participação em governos da burguesia nos regimes e regras da burguesia. Desde a Unidade Popular no Chile, Chipre, França, a soma tem sido na perda e no atraso. por muito que panfletem, nada têm a ver com acção revolucionária e com o marxismo-leninismo. Quando afirmam que têm, mentem aos trabalhadores e às massas.Tais concepções, anulam o efeito pretendido que querem dar à luta de massas, na medida em que tudo é encarrilhado em função da acção parlamentar fomentando alianças de facto, com os autores da política de direita que pretendem combater. Tal prioridade não é mero fruto do acaso, ou de um erro de avaliação, por muito que panfletem, nada têm a ver com acção revolucionária e com o marxismo-leninismo. Quando afirmam que têm, mentem aos trabalhadores e às massas.

“A nossa época não se assemelha à dos anos em que Marx e Lenin – em contextos históricos aliás diferentes – sem rejeitar a luta por reformas, iluminaram o fosso intransponível que separa o reformismo da atitude revolucionária.” (MUR) “O marxismo não é estático. A grandeza do leninismo é identificável precisamente pela capacidade de Lenin para inovar como estratego e tático, mantendo uma fidelidade intransigente a princípios, valores e lições do marxismo.” (id)

O portunismo veste várias roupagens, incluindo o uso de um léxico comunista como papel de embrulho para esconder o conteúdo de claudicação. Mas como afirmava Álvaro Cunhal: “o amor pela verdade pode custar caro a quem o exercita. Mas a verdade acaba por triunfar sobre a mentira. A política de mentira está condenada à derrota final. É à política da verdade que o futuro pertence.”
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Poderão manietar a luta de classes entre interesses antagónicos, mas não conseguirão parar a roda da história e o processo de emancipação dos trabalhadores, porque a história da sociedade e do processo histórico, é o resultado da milenar luta de classes. Poderão liquidar os destacamentos mais avançados da classe operária, os Partidos Comunistas, “mas os trabalhadores serão capazes de reconstruír de novo os seus partidos de vanguarda ancorados na acção revolucionária e no marxismo-leninismo.
“Os marxistas trabalham incansavelmente, não perdendo uma única «possibilidade» de reformas e da sua utilização, não reprovando, antes apoiando e desenvolvendo atentamente, qualquer saída dos limites do reformismo tanto na propaganda como na agitação e na acção económica de massas, etc. Quanto aos liquidacionistas, que se afastaram do marxismo, com os seus ataques contra a própria existência de um todo marxista, com a sua infracção da disciplina marxista, com a sua pregação do reformismo e da política operária liberal, apenas desorganizam o movimento operário.” (in Marxismo e Reformismo de V. I. Lenine)
Das erupções oportunistas no interior do PCP, destaca-se o facto de que exceptuando a página negra do V Congresso que formalizou o “desvio de direita” /1956 / 1959), o que marcou a sua história, não foram “desvios esquerdistas”, mas de guinadas à direita. Das erupções oportunistas com o objectivo de liquidar o Partido enquanto Partido Comunista, tiveram expressão pública e notória e com amplo apoio da comunicação social dominante, o chamado “Grupo dos Seis”. “Plataforma de Esquerda”, “Terceira Via”, “Grupo dos 24 de Almada” e mais recentemente os chamados “Renovadores”. A resposta das orças sadias do Partido derrotaram o plano liquidacionista, sobretudo nos XVI e XVII Congressos. Mas significa por isso que o gérmen do oportunismo foi efectivamente derrotado? Outros, com novas roupagens, assumem conceptualmente e na prática a coberto de uma nova linguagem, o que oi derrotado em determinado momento. Os destino óbvios desta “tropa fandanga”, foi o de engrossar os Partidos do sistema, nomeadamente em cargos institucionais. A lista é grande. Todos usavam os mesmos “argumentos”. Todos pretendiam “democratizar” e “renovar” o PCP. Ou seja, liquidar a natureza da classe, objectivos, funcionamento e em resumo a sua identidade comunista. Com novas roupagens, o gérmen progride. É necessário que cada qual, assuma o seu lugar na trincheira de defesa das características essenciais do Partido da classe operária. Para isso, “é necessário toda a confiança no Partido e nas suas forças. “Mas nunca uma confiança cega e acrítica (em relação a tudo o que vem de cima) porque isso, pode significar a morte do Partido, enquanto Partido Comunista” (sic).

Luis Piçarra

 



 

27 dados estatísticos que você deve conhecer se quiser mudar o mundo













1. Existem aproximadamente 210 milhões de órfãos no mundo.


2. E, pior ainda, calcula-se que 15% deles acabará suicidando-se antes de completar 18 anos.

3. 75% das 50 milhões de mortes ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial foram civis. Atualmente 22 países do mundo mantêm algum tipo de conflito armado, e a população civil é sempre a que mais sofre.

4. 22.000 crianças morrem ao dia por culpa da pobreza e da fome.

5. A União Européia subsidia a criação de gado com 2 euros  ao dia, motivo pelo qual o orçamento destina 1,2 bilhões a mais para vacas do que a programas de luta contra a pobreza.

7. Achamos que a escravidão foi abolida, mas a cada ano milhares de jovens, sobretudo mulheres, se tronam escravas sexuais pelas redes  do crime organizado.

6. Os Estados Unidos gasta 200 bilhões de dólares ao ano no sistema penitenciário, uma cifra que excede com sobras o PIB de 140 países estrangeiros.

8. Calcula-se que aproximadamente 20% das crianças e adolescentes do mundo têm transtornos ou problemas mentais, derivados de problemas de bullying e de uma excessiva pressão escolar.

9. O Brasil é o 8° país com mais adultos analfabetos do mundo.

10. Os Estados Unidos gasta 20 bilhões de dólares em ar condicionado para os soldados no Iraque e Afeganistão. Mais que o orçamento da NASA.

11. Tanto em países pobres como nos ricos, entre 30 e 50% da comida é jogada no lixo. Enquanto muitas pessoas morrem de fome ou sofrem de desnutrição.

12. 80% da população mundial vive com menos de 9 euros ao dia.

13. Lamentavelmente estudos apresentados pela Universidade de Kent demonstram que a maior parte das pessoas que doam dinheiro para ajudar os necessitados, não fazem pela causa, senão para se sentir bem consigo mesmo. Somos egoístas ao extremo.

14. A ONU alertou que 150 espécies animais desaparecem a cada dia por culpa do homem.

15. O Brasil quebrou um vergonhoso recorde, com o maior número de pessoas mortas em um ano, segundo dados do Mapa da Violência 2014. Ao todo, foram 56.337 mortes, superando o número de vítimas no conflito da Chechênia, que durou de 1994 a 1996.




16. Dois milhões de crianças morrem a cada ano por doenças que têm cura (diarreia, pneumonia), simplesmente porque não podem conseguir o tratamento necessário.

17. Um quarto da população mundial vive sem electricidade.

18. 1,2 bilhões de pessoas vivem em lugares sem acesso à água potável.

19. E 1,6 bilhões de pessoas, que vivem em lugares com água potável, não tem acesso a ela.

20. Os barcos de carga e cruzeiros despejam no mar 6.350.293 toneladas de lixo ao ano.

21. 34% das pessoas sem lar dos Estados Unidos têm menos de 24 anos.




















22. 250 milhões de crianças entre cinco e os quinze anos de idade trabalham para sobreviver. A maioria deles em condições péssimas de segurança e higiene.

23. Há 300.000 meninos soldados no mundo.

24. Apesar de que a maioria dos países do mundo tenha abolido a pena de morte, 1.591 pessoas morreram condenadas em 2014. 91% deles nos Estados Unidos, China, Suam, Irã, Paquistão e Iraque.

25. 315.000 mulheres morrem durante o parto por culpa da desnutrição.


26. 805 milhões de pessoas passam fome, a maioria delas são crianças.

27. 350 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de depressão neste momento.





 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Gorbatchov: a restauração do capitalismo

A melhor análise das realidades existentes nos países socialistas durante o período entre 1956 e 1990 continua a ser a que foi feita, nos anos 60, pelo camarada Mao TséTung. Hoje esta análise pode ser definida como mais precisão e corrigida em alguns pontos, à luz dos recentes acontecimentos ocorridos na Europa de Leste, na URSS e na China. Mao via assim o futuro do socialismo: «A sociedade socialista cobre um período histórico extremamente largo. Durante todo este período a luta de classes entre a burguesia e o proletariado continua. A questão sobre qual sistema sairá vitorioso, o capitalismo ou o a via socialista, permanecerá em aberto durante este período. Isto significa que o perigo da restauração do capitalismo se mantém.» «A revolução socialista realizada exclusivamente no campo económico (no que respeita à propriedade dos meios de produção) não é suficiente e não garante a estabilidade. Tem de haver também uma revolução socialista completa nos campos da política e da ideologia. No domínio da política e da ideologia, a luta para decidir a disputa entre capitalismo e socialismo prolongar-se-á por muito tempo. Algumas décadas certamente que não serão suficientes; cem, talvez centenas de 9 anos serão necessários para a vitória final. Durante este período histórico do socialismo temos de manter a ditadura do proletariado e levar a revolução socialista até ao fim, se quisermos prevenir a restauração do capitalismo. Temos de empreender a reconstrução socialista de modo a criar as condições necessárias para a passagem ao comunismo.» «Antes de Khruchov chegar ao poder, as actividades dos novos elementos burgueses eram limitadas e em grande parte reprimidas. Mas desde que Khruchov chegou ao poder, e gradualmente tomou o controlo da direcção do Partido e do Estado, esses novos elementos burgueses começaram a aparecer em posições dominantes no coração do Partido e do governo, no campo da economia, assim como no sector da cultura e outros. Tornaram-se uma classe privilegiada na sociedade soviética.» «Mesmo sob o domínio de Khruchov e da sua facção, a massa dos membros do PCUS e do povo seguiu as gloriosas tradições revolucionárias cultivadas por Lénine e por Stáline, aderindo ao socialismo e aspirando avançar para o comunismo. Um grande número de quadros soviéticos continua a apoiar as posições revolucionárias do proletariado na via para o socialismo. Estão firmemente contra o revisionismo de Khruchov.» «A luta de classes, a luta pela produção e a experimentação científica são os três movimentos revolucionários principais na construção de uma nação socialista poderosa. Estes movimentos representam uma garantia segura, que permite aos comunistas combater a burocracia, armarem-se eles próprios contra o revisionismo e dogmatismo e manterem-se invencíveis para sempre. Constituem a garantia futura que permitirá ao proletariado unir as amplas massas laboriosas e praticar uma ditadura democrática. Vamos supor que, na ausência destes movimentos, os latifundiários, os agrários ricos, os contra-revolucionários, os elementos obscuros e outras criaturas de diversos tipos terão rédea solta. Suponhamos ainda que, em certos casos, os nossos quadros fecham os olhos e já não distinguem entre o inimigo e nós próprios e que colaboram com o inimigo e se deixam corromper e desmoralizar. Se os nossos quadros foram atraídos desta maneira para o campo do inimigo ou se o inimigo logrou infiltrar-se nas nossas fileiras e se muitos dos nossos operários, camponeses e intelectuais ficaram indefesos perante as tácticas brutais do inimigo, se estas suposições se tornarem realidade, então num curto espaço de tempo, talvez alguns anos ou um década, terá lugar inevitavelmente uma restauração contra-revolucionária à escala nacional. Neste caso não demorará muito até o Partido marxista-leninista se tornar num partido revisionista ou fascista e toda a China mudará de cor.» 

 

A " QUINTA DO BILL"

A 22 de MAIO.

Ora aqui temos teorias da conspiração lololol

O texto foi traduzido de um video( aqui eliminado) feito por jornalistas de investigação franceses, contem FACTOS facilmente comprováveis.

...

"O génio, o multimilionário, o filantropo, sente-se responsável do destino dos seus semelhantes.

" Seus semelhantes" é o termo q ele utiliza para falar dos inferiores, q não ele, mas q têm semelhanças com

ele.

Ele diz ter previsto esta pandemia, porém ele apenas quis por em prática o ensaio; " evento 201" ( no youtube pra quem quiser ver) e julga-se, por isso, melhor que ninguém saber como resolver...

Ainda assim, encontrou alguns obstáculos, tais como D.Trump, o populismo, a cloroquina, ou simplesmente, algo q se chama de liberdade.

Bill Gates vem de uma família abastada, o pai Advogada, já estava conectado à Elite e à fundação Rockfellers.

Bill, poderíamos dizer, é a continuação dos Rockfellers.

A sua vida mudou quando entrou na Universidade de Harvard.

Aí conheceu as pessoas q mudariam a sua vida e um trio mágico cria a Microsoft...

Em 10 anos, sorte ou malabarismo, a Microsoft/windows é n°1 no mercado.

Sabe-se q a Microsoft trabalhou com a NSA - Agência Nacional de Segurança Americana num programa de vigilância de nome " PRISMA"

Estas colaborações entre NSA e grandes multinacionais, como a IBM, não são novidade e já acontecem desde os anos 70 . Portanto podemos concluir q o nosso amigo Bill Gates foi recrutado pelo complexo militar/industrial, assim como Mark Zuckerberg, aliás, q tb esteve em Havard e ambos fizeram exactamente o mesmo percurso.

E assim se deu de um dia para o outro, uma explosão tecnológica/comercial q lhes permitiu conquistar mto poder, muita influência.

E Bill, aparece multimilionário, uma figura de sucesso do capitalismo americano, o símbolo da sociedade de consumo, até que, nos anos 90, o multimilionário vai longe demais, com o seu modelo económico neoliberal, de globalização financeira, este sistema de domínio comercial, não agrada a todos e as queixas de abuso de posição e de poder, de monopólio, no caso bem conhecido, em q obrigava a adquirir o seu programa: "windows" junto com o compra de um computador...e os processos multiplicaram-se contra a Microsoft.

Depois dos anos 2000, Bill Gates muda a sua imagem, deixa o comando da Microsoft para se dedicar a filantropia e cria a "Fundação Bill e Melinda Gates"...

Porém quem gere a fundação é um tal de Warren Buffet, de quem nunca ninguém fala, o cérebro do Bill, e segunda consta a terceira fortuna mundial. Tb dirigente duma das maiores sociedades de investimento do mundo : "Berkshire Hathaway" e aquilo q nunca se diz, é q o Bill faz parte dessa sociedade q investe, na coca-cola, no petróleo, IBM, Heinz, Duracell, junk food em geral, nos bancos, American Express, etc. Este Sr. Buffet é apoiante de Hillary Clinton, por exemplo e tb do Estado de Israel...

A Fundação Bill e Melinda Gates, tem pretensões filantrópicas em assuntos de saúde, de educação, de luta contra a pobreza relacionado com a agricultura. Esta fundação, com os seus orçamentos faraónicos, permitiu a Gates dominar alguns países pobres, nomeadamente em África e Gates tornou-se mais importante q alguns chefes de Estado. Impõe a sua visão, influência nos investimentos desses países. Com a sua visão, pretende implementar a agricultura química, a biotecnologia. Financia e orienta para a agricultura de AGM's ( alimentos modificados geneticamente) de onde está estreitamente ligado à Monsanto, mas q ninguém divulga.

A sua visão do mundo tecnológico, tecnocrática, malthusiana e de eugenia q o levam a defender ou melhor impor as suas diversas causas... entre as quais a vacinação...

A sua fundação financia as suas nobres causas, através dos rendimentos de um fundo, fundo esse q investe, no armamento, petróleo, coca-cola, a junk food, etc

Este sistema " filantrópico" permite-lhe ter muita influência e estimular o crescimento dos seus parceiros, da bolsa e das multinacionais...

É financiador principal da OMS e da "Johns Hopkins" q está ligada a um escândalo e foi condenada pelos tribunais por ter feito ensaios terapêuticos em dezenas e dezenas de crianças cobaias, mas q ninguém fala.

Estas duas organizações internacionais são oficialmente quem mais propagam a psicose do corona vírus, divulgando diariamente números estatísticos e recomendações, para seus "prostitutos" da midia

Assim nos vendem, a psicose, a doença e os remédios...

Finalmente, Bill Gates é apenas o boneco da Nova Ordem Mundial, a quem foi proporcionado todos os meios para crescer, à semelhança de outros, para mascarar a verdadeira oligarquia. Portanto útil, serve para fazer o trabalho, impor.. mas q pode tb catalisar uma revolta, pq se o povo se revolta, será contra o Mauzão do Bill Gates, mas q no fundo, não passa tb de uma marionete desta Nova Ordem Mundial.."

O LABORATÓRIO DE WUHAN

 Para deixar claro:

O laboratório biológico chinês em Wuhan é propriedade da GlaxoSmithKline!

Que, por acaso, criou parceria com Pfizer em Agosto de 2019! (aquele que produz a vacina!)

Que, por acaso, é administrado pelas finanças do Black Rock.

Quem, por acaso, administra as finanças da Open Foundation Company (SOROS FOUNDATION)!

Que, por acaso, atende á francesa AXA!

Coincidentemente, esta é dona da empresa alemã Winterthur.

Quem, por acaso, construiu o laboratório chinês em Wuhan!

Comprado acidentalmente pelos alemães da Allianz.

Que, aliás, tem a Vanguard como acionista.

Que é acionista da Black Rock.

Que controla os bancos centrais e administra cerca de UM TERÇO do capital de investimento global.

Que, aliás, é um dos principais acionistas da MICROSOFT,

Propriedade de quem? BILL GATES, que só por acaso é acionista da PFIZER (que vende a milagrosa VACINA) e atualmente é o primeiro patrocinador da OMS, visto que Donald Trump deixou de financiar esta organização criminosa já há algum tempo, sendo os USA os principais financiadores da OMS.

Teorias?


 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

INSISTIR ATÉ À QUEDA FATAL...


 Em 1979, na sessão solene sobre a Revolução de Outubro, no palácio dos congressos em Moscovo assisti ao discurso de Brejenev que, para chegar à tribuna, veio amparado por dois assistentes designados para o efeito.

Por cá deveriam, desde já, começar a formar assistentes que, a curto prazo, desempenhem as funções de assistentes das   personalidades, da nossa terra, quando vão às tribunas fazer seus discursos.

Uns é até que a morte os leve, outros até à queda fatal e os que já não têm noção do ridículo a que chagaram.


 Bréjnev: a degeneração acelera-se

 Depois chegou Bréjnev. Alguns comunistas pensaram que ele se tinha distanciado pessoalmente dos erros mais flagrantes de Khruchov. A análise dos quatro congressos realizados sob a sua presidência não confirma esta opinião. Nikita Khruchov tinha proclamado três temas chave: o fim da luta de classes, um Estado de todo o povo, a defesa da burocracia privilegiada. Bréjnev continuou por este caminho. Apresentou ao público imagens brilhantes de uma sociedade sem classes, que ocultava uma crescente diferenciação de classes e estratos sociais. Aplaudiu «a eliminação do fosso entre classes e grupos sociais». «A nossa intelligentsia considera ser seu dever dedicar toda a sua energia criativa à construção da sociedade comunista.» Dizia isto apesar de nesse momento uma parte importante desta intelligentsia já estar completamente despolitizada e fascinada pelo Ocidente. Nos sonhos de Bréjnev, não eram só as diferenças de classe que desapareciam, mas também as distinções entre nacionalidades. Bréjnev inventou a noção de «povo soviético», segundo a qual as classes e as nacionalidades teriam desaparecido sem deixar rasto. «No nosso país temos sido testemunhas da formação de uma nova comunidade histórica: o povo soviético. Novas relações harmoniosas entre classes, grupos sociais e 4 No programa do PCUS aprovado no XXII Congresso do PCUC, atrás citado, pode ler-se uma afirmação com conteúdo semelhante a esta citação não referenciada pelo autor: «Nas condições actuais, numa série de países capitalistas, a classe operária, dirigida pelo seu destacamento de vanguarda, tem a possibilidade, na base de uma frente operária e popular e de outras formas possíveis de acordos e de cooperação política com diferentes partidos e organizações sociais, de unir a maioria do povo, conquistar o poder de Estado sem guerra civil e assegurar a passagem dos principais meios de produção para as mãos do povo. Apoiandose na maioria do povo e repudiando decididamente os elementos oportunistas, incapazes de recusar a política de conciliação com os capitalistas e latifundiários, a classe operária tem a possibilidade de derrotar as forças reaccionárias e antipopulares, conquistar uma sólida maioria no parlamento, transformá-lo em instrumento ao serviço do povo trabalhador, desenvolver fora do parlamento uma ampla luta de massas, quebrar a resistência das forças reaccionárias e criar as condições necessárias para a realização pacífica da revolução socialista». Programa do PCUS, XXII Congresso do Partido Comunista da União Soviética, 17- 31 de Outubro de 1961, ed. cit., t. 3, pp. 256-257. (N. Ed.) 7 entre nações e nacionalidades surgiram do trabalho comum.» Com Bréjnev, o marxismo-leninismo transformou-se de ciência da luta de classes em ideologia. Por «ideologia» entendemos aqui a falsa consciência que representa os interesses de um grupo privilegiado separado dos trabalhadores. Nunca naqueles quatro congressos, Bréjnev abordou a realidade viva das diferentes classes, estratos sociais e forças políticas, com vista a definir algumas orientações de luta ou de mobilização. Sob o regime de Bréjnev, a elite burocrática entrincheirou-se quase completamente. O brejnevismo assegurou o conforto à nova classe burguesa. Um dos partidários de Khruchov, Jaurés Medvédiev, escreveu: «Na época de Stáline, os dirigentes do Partido sentiam mais a potencial ameaça do aparelho de segurança do que os cidadãos comuns.» E acrescenta: «Bréjnev não era um verdadeiro líder em 1964. Era mais o representante da burocracia, que procurava uma vida fácil com privilégios crescentes e garantidos. O seu eleitorado era a elite burocrática. Neste aspecto, Bréjnev também mudou o sistema porque, mais do que qualquer outro, criou as condições propícias para a expansão de uma autêntica elite privilegiada, uma autêntica nomenklatura.» Com uma vida confortável assegurada, os membros da elite não se contentaram com os seus rendimentos legais. «A estabilidade garantida à elite teve um outro efeito negativo. A corrupção dos funcionários desenvolveu-se rapidamente em todos os níveis. A disciplina do partido diminuiu, o nepotismo tornou-se uma prática corrente e o prestígio ideológico e administrativo do Partido foi conspurcado. A grande corrupção dos altos funcionários soviéticos tornou-se numa espécie de “doença profissional”. A distinção entre propriedade pública e privada deixou de ser respeitada.» Longe de denunciar os erros de Khruchov, Bréjnev seguiu pelo mesmo caminho desastroso, tornando ainda pior o desvio revisionista. Além disso, Bréjnev imprimiu uma orientação militarista a toda a política soviética. Contava quase exclusivamente com a expansão do poder militar soviético para defender e ampliar as posições da União Soviética. «O reforço do Estado soviético pressupõe a expansão máxima da capacidade de defesa da nossa pátria». Congratulou-se com «o equilíbrio militar e estratégico atingido pela URSS e pelos Estados Unidos.» O caminho para a «paridade militar e nuclear» com o complexo militar-industrial ocidental não era praticável e era destrutivo para um país socialista. Estando já no Museu da História a mobilização das massas, a continuação da luta de classes e a educação revolucionária, Bréjnev optou por um conceito militar digno dos seus adversários. Tudo aquilo que constituía a força de defesa do socialismo na época de Stáline desapareceu. O esforço militar desproporcionado minou por completo a economia civil da União Soviética. Efectivamente, através dos efeitos combinados do revisionismo e do hegemonismo, Bréjnev arruinou o movimento comunista internacional. Em 1966 «excomungou» a China e a Albânia, acusando estes países de «stalinismo» e de «desvios esquerdistas», porque tinham manifestado a sua desaprovação ao revisionismo de Khruchov. Três anos mais tarde, Bréjnev transformou a política de confrontação com a China num conflito armado. Intoxicados com as «novas ideias» de Khruchov, numerosos partidos comunistas inclinaram-se para a reconciliação com a burguesia nos seus próprios países, provocando a ulterior desintegração do movimento comunista internacional. Nos países socialistas da Europa de Leste, Dubcek e outros da sua laia propuseram a liquidação dos últimos vestígios da ditadura do proletariado e a introdução do sistema social-democrata burguês. Os partidos que recusaram aceitar o modelo soviético como a única referência e que se opuseram aos ditames e à intervenção soviética foram marginalizados por Bréjnev pelo seu «nacionalismo» e «anti-sovietismo». Finalmente só 8 restaram aqueles que mostravam uma lealdade incondicional à URSS. Bréjnev chamoulhes «autênticos marxistas-leninistas». Dado que o revisionismo corroía as bases do socialismo na Europa de Leste, Bréjnev teve de recorrer ao controlo militar para manter a aparência de unidade no seu campo. Proclamou então: «As fronteiras da comunidade socialista são invioláveis e inexpugnáveis. A irmandade dos países socialistas unidos é a melhor defesa contra as forças que tentam atacar e enfraquecer o campo socialista. Sob qualquer ponto de vista, a União Soviética demonstra deste modo a sua lealdade ao internacionalismo proletário.» Mas a sua interferência e tendência crescente para o controlo directo desgastaram este socialismo enfermo. A teoria de «defender a União Soviética como a melhor protecção do socialismo» era um fiasco. A melhor defesa do socialismo será sempre a mobilização dos trabalhadores, o desenvolvimento da sua consciência, o seu esforço independente para defender o seu poder. Nesta base, um país socialista pode pedir ajuda a outra nação amiga, mas apenas em circunstâncias excepcionais e por um período de tempo limitado. Assim fez por exemplo a República Democrática da Coreia quando foi atacada pelo exército norte-americano em 1950. A «revolução mundial», tal como era vista por Bréjnev, consistia essencialmente no alargamento da influência soviética a todo o globo, seguindo o modelo da Europa de Leste. Bréjnev negou que o socialismo mundial nasceria da mistura de diferentes experiências revolucionárias nacionais. Não reconheceu o facto de que os partidos revolucionários têm de estar ancorados na realidade específica do seu país, que devem mobilizar as amplas massas para a luta revolucionária e que têm de esmagar o imperialismo e a reacção local. Bréjnev rejeitou a ideia de que só as massas populares armadas podem constituir um baluarte eficaz contra o imperialismo e a reacção. Continuou a enganar os povos do Terceiro Mundo apresentando o Exército Soviético como o garante da sua liberdade. Bréjnev: «O socialismo é a melhor defesa dos povos que lutam pela sua libertação e independência.» Sob a liderança de Bréjnev, a União Soviética apoiou reformistas (Chile), putchistas e aventureiros (Etiópia, Afeganistão), bem como militaristas (Egipto, Síria), os quais apresentava invariavelmente como artesãos da revolução socialista. Como a União Soviética estava do «seu lado» e o seu exército «constituía a melhor defesa da sua liberdade», Bréjnev interveio em vários países para manter as forças reformistas pró-soviéticas no poder. Esta política aventureira atingiu o auge com as invasões do Kampuchea e do Afeganistão.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A QUEM ESTAMOS ENTREGUES?

(Declaração de interesses: tenho 76 anos e devo admitir que o choque pessoal que me causaram as notícias de hoje possa influir neste escrito. Tentarei evitá-lo)
A notícia do dia é a de um plano estratégico de vacinação contra a covid elaborado por um grupo não identificado da DGS e apresentado por Graça Freitas numa reunião do Conselho Nacional de Saúde Pública. Antes de o comentar, deixo a minha perplexidade pelo processo. O governo nomeou um grupo de missão para a vacinação, que, dentro de um mês, terá de apresentar um plano de que consta, obrigatoriamente, a estratégia, com a definição de prioridades e do escalonamento por fases de vacinação. Sendo assim, o que levou Graças Freitas a este enorme erro político, com óbvias consequências na opinião pública, de apresentar à discussão um plano chocante e polémico, prematuro e à revelia das competências do grupo oficial de trabalho, e que o próprio primeiro ministro, como veremos adiante, já teve de vir fazer a “reparação de danos”?
Já depois das primeiras notícias, veio o Ministério da Saúde esclarecer que a estratégia de vacinação ainda não foi discutida com a tutela e que as informações vindas a público estão incluídas num documento meramente técnico e são parcelares e desactualizadas. Mas o mal já está feito e é, a meu ver, o erro mais grave de todos os já cometidos pela DGS.
O plano é chocante, absurdo e, pelo que pude estudar hoje, duvidosamente baseado em evidência científica. Quase que é caso para se exigir a identificação, para memória futura, dos seus autores.
A opção mais surpreendente é a de não considerar como prioritário o grupo etário dos mais de 70 anos (ou 75, o que vem a dar quase no mesmo). Desde o início da pandemia que sempre foi considerado como um grupo a proteger e a quem era recomendado o cuidado de se resguardarem no domicílio, tanto quanto possível. Muito bem. Note-se que não são de risco só por sofrerem mais frequentemente de comorbilidades; a idade é um fator de risco, em si mesma.
Agora, diz a DGS que as informações das farmacêuticas e da EMEA não apresentam evidência a favor da vantagem da vacinação dos maiores de 75 anos. Podia dizer-se que pode ser mais um caso de diferença entre “não evidência de que” e “evidência de que não”. Mas é mais. Não consegui confirmar essa informação. Pelo contrário, o que li sem margem para dúvidas, por parte da Pfizer, da Moderna e da AstraZeneca, é que as suas vacinas são eficazes em todos os grupos etários.
Há prioridades no plano que são indiscutíveis: o pessoal e utentes dos lares e o pessoal dos serviços de saúde. Note-se que nos utentes dos lares não haverá distinção de idades, apesar da tal alegada ineficácia da vacina nos mais idosos, que são a esmagadora população dos lares.
Neste primeiro grupo incluem-se também cerca de 250000 pessoas entre 50 e 75 anos com insuficiência cardíaca, respiratória e renal. Não se conta com os diabéticos e hipertensos descompensados, que são muito mais numerosos e que só virão no último escalão de prioridade. Até agora, a percentagem de mortes no escalão etário 50-70 anos é de cerca de 12%, sendo os restantes 88% de idade superior a 70 anos. A vacinação dos primeiros, no caso de todos os tais 250000 poderem ser infetados, evitará, portanto, cerca de 30000 mortes, teoricamente. A vacinação dos maiores de 75 anos (cerca de 1,7 milhões, 16,3% dos portugueses), mesmo que neste caso, por exercício de argumento, a eficácia da vacina seja de 60%, protege cerca de 1 milhão de pessoas, nas mesmas condições teóricas (possibilidade de todos serem infetados).
Ao que parece, as únicas contas que este plano fez, numa perspetiva estritamente médica e insensível a considerações éticas e de saúde pública global, baseiam-se no facto de a maioria dos internados em cuidados intensivos serem doentes entre os 50 e os 70 anos com comorbilidades graves. Mas pode ser este o critério principal, por muito que preocupe os médicos intensivistas? De entre os 4276 mortos, no total, e do excesso de mortes não relacionadas diretamente com a covid, que percentagem representam os mortos em UCI?
Já agora, um aspeto porventura menor. Vão ser vacinados prioritariamente 45000 membros das forças de segurança. Qual é, até agora, a incidência e a mortalidade covid neste setor? Tem afetado significativamente a função das forças de segurança?
No meio de tanto disparate, nem me tranquiliza o facto de isto se dever a um erro exclusivo da DGS. As primeiras declarações de Francisco Ramos, responsável pelo grupo agora nomeado pelo governo, não mostram desmarcação em relação a este plano, embora ainda não saibamos o que vai ser o plano definitivo do grupo.
Fica ao menos alguma esperança no discernimento político de António Costa, que hoje já veio pôr água na fervura, afirmando que "as vidas não têm prazo de validade” e que "há critérios técnicos que nunca poderão ser aceites pelos responsáveis políticos”. Oxalá. E porque estão calados todos os outros responsáveis políticos e partidários? Já se deviam estar a ouvir os clamores.
 

Os generais novembristas

AINDA O 25 DE NOVEMBRO
O golpe fácil
Francisco Martins
Rodrigues
Os generais novembristas falam acerca do seu golpe. Agora que já lá vão 30 anos, Ramalho Eanes, Loureiro dos Santos, Jaime Neves, Tomé Pinto & Cia. contam (quase) tudo sem complexos, garantindo com a maior desfaçatez que só agiram por amor à Pátria e “dentro da legalidade”. Vale a pena vencer a repugnância que despertam as suas gabarolices e as suas proezas de meia tigela, e tomar nota de alguns pormenores instrutivos, que desmentem a lenda do “contragolpe democrático, necessário para fazer face ao golpe extremista da esquerda”.
Os golpistas confessam como começaram a estabelecer contactos imediatamente a seguir ao malogro do golpe spinolista de 11 de Março e como uma das suas primeiras medidas foi dissolver a 5ª Divisão, por recearem que os desmascarasse.
Como convocaram a assembleia de Tancos e aí agiram concertadamente, usando Pinheiro de Azevedo como ponta de lança para forçar Vasco Gonçalves à demissão.
Como entraram em contacto com as embaixadas estrangeiras (muito discretos quanto a Carlucci, não se percebe bem porquê, uma vez que este já se desbocou em entrevistas à imprensa: “Tive contactos com Vítor Alves, almocei várias vezes com Melo Antunes, com Vasco Lourenço uma ou duas vezes, com Soares e Zenha; quem falava com Eanes era o coronel Shuler, adido militar...”);
Como Melo Antunes foi a Inglaterra pedir apoio em armas, que lhe foi prometido pelo primeiro-ministro James Callagham.
Como o presidente da República, Costa Gomes – cuja “grande habilidade” louvam, por ter sabido favorecer o golpe na sombra, sem perder a aparência de imparcialidade – lhes deu luz verde para instalarem com um mês de antecedência o seu posto de comando secreto num 5º andar do Estado-Maior General das Forças Armadas.
Como mantinham relações estreitas com os terroristas do MDLP; como iniciaram reuniões clandestinas com o PS, em Cascais, e como nas vésperas do golpe entregaram mil armas a grupos de operacionais do PS.
Como Otelo, apertado pelos golpistas, numa reunião no QG da Região Militar de Lisboa, se dispôs a fazer o que eles pretendiam; como dias depois lhes fugiu de novo ao controle; e como acabou por deixar correr a conspiração e, no dia do golpe, saiu voluntariamente do comando do COPCON e se foi entregar a Belém, deixando os fuzileiros sem comando e sabotando qualquer hipótese de resistência ao golpe.
Como admiram a “grande experiência” de Álvaro Cunhal, o qual, “sentindo o perigo do aventureirismo da extrema esquerda”, soube conter os trabalhadores no cerco da Assembleia, “que poderia ter acabado numa insurreição geral”.
Uma contradição ressalta contudo das confissões destes combatentes de aviário, especialistas em jogar pelo seguro e dar facadas pelas costas. Se a extrema esquerda não representava uma ameaça de tomada do poder porque “não tinha uma grande organização nem um grande propósito” (como de facto não tinha), e se o PCP também não pensava em tomar o poder (como de facto não pensava), porque Cunhal, “pela sua grande experiência”, apenas estava interessado em fazer “demonstrações de força como trunfo político” – então porquê era tão vital dar o golpe de Estado?
Porque era preciso meter na ordem o povo. Essa a razão profunda que emerge da argumentação dos generais. Nas suas palavras, eles agiram porque se impunha “defender os interesses de Portugal” contra o “poder popular, o armamento, o descontrolo, a indisciplina” – ou, em bom português, deram o golpe para esmagar as veleidades de soberania dos trabalhadores e salvaguardar os interesses da burguesia.
E assim fica completa a malcheirosa autópsia da “gloriosa jornada regeneradora do verdadeiro espírito do 25 de Abril”.
Da cronologia de Ana Barradas